{"id":57676,"date":"2012-08-02T16:29:00","date_gmt":"2012-08-02T16:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/08\/02\/nota-pastoral-do-bispo-de-santarem-para-o-ano-2012-2013\/"},"modified":"2012-08-02T16:29:00","modified_gmt":"2012-08-02T16:29:00","slug":"nota-pastoral-do-bispo-de-santarem-para-o-ano-2012-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nota-pastoral-do-bispo-de-santarem-para-o-ano-2012-2013\/","title":{"rendered":"Nota Pastoral do bispo de Santar\u00e9m para o ano 2012-2013"},"content":{"rendered":"<p><strong>Felizes os que acreditam<\/strong><\/p>\n<p><strong>C<\/strong>elebramos no ano pastoral 2012-2013 o Ano da F&eacute; convocado pelo Papa Bento XVI como uma oportunidade para compreendermos e vivermos o fundamento da nossa f&eacute; crist&atilde;. Nesse sentido, venho dirigir a toda a fam&iacute;lia diocesana de Santar&eacute;m uma carta pastoral para refletirmos sobre a oportunidade deste convite e apresentar algumas propostas para lhe darmos concretiza&ccedil;&atilde;o. Assim respondo ao pedido do santo Padre e cumpro a minha miss&atilde;o pastoral de orientar no caminho do evangelho, caminho de bondade e de gra&ccedil;a como reza o salmo 23. Desde j&aacute; agrade&ccedil;o toda a aten&ccedil;&atilde;o prestada &agrave;s propostas contidas nesta carta e manifesto o meu reconhecimento a todos os que colaboraram na sua defini&ccedil;&atilde;o, com relevo para o Conselho Pastoral Diocesano e respetivo Secretariado Permanente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A porta da F&eacute; <\/strong><\/p>\n<p>Deus abre a porta da f&eacute; para que entremos na Sua morada e tenhamos comunh&atilde;o de vida com o Pai, o Filho e o Esp&iacute;rito Santo, fonte de paz e de alegria. O mist&eacute;rio de Deus parece inacess&iacute;vel, long&iacute;nquo. Mas est&aacute; ao nosso alcance, h&aacute; uma porta que comunica com Ele. Na verdade, Jesus apresentou-se como a porta que nos faz entrar no mist&eacute;rio escondido de Deus, uma porta que conduz &agrave; esperan&ccedil;a e ao amor. <em>&ldquo;Eu sou a porta. Se algu&eacute;m entrar por mim estar&aacute; salvo; h&aacute; de entrar e sair e achar&aacute; pastagem&rdquo; <\/em>(<em>Jo <\/em>10, 8-9)<em>.<\/em> Jesus &eacute; a porta da salva&ccedil;&atilde;o que est&aacute; sempre aberta. Entremos com confian&ccedil;a pela porta da f&eacute;. Dentro encontramos o caminho para a verdade e para o amor. Quem entra por esta porta tem a vida eterna. <em>&ldquo;Felizes os que acreditam&rdquo;<\/em>(<em>Jo<\/em> 20,29)<em>.<\/em><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Muita gente parece n&atilde;o encontrar a porta da f&eacute;. Em ambiente de descren&ccedil;a, Deus parece escondido por um v&eacute;u ou uma parede fechada. Como se estivesse ausente ou se tivesse eclipsado da vida de cada um e da hist&oacute;ria dos homens. H&aacute; uma crise de f&eacute;, um desinteresse pela dimens&atilde;o religiosa da vida. Sem Deus falta a luz e o apoio para a exist&ecirc;ncia humana e a refer&ecirc;ncia para o bem e o mal. Quem entra pela porta da f&eacute; descobre novos horizontes, integra-se numa nova fam&iacute;lia, encontra um caminho para se renovar a si e &agrave; humanidade. Mesmo na maior escurid&atilde;o da exist&ecirc;ncia, a porta da f&eacute; mostra uma luz ao fundo do t&uacute;nel, revela-nos que Deus existe e cuida de n&oacute;s, pois enviou-nos o Seu Filho e orienta-nos com a luz do Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p>Quem entra na morada de Deus toma consci&ecirc;ncia de que n&atilde;o pode guardar para si a boa nova. Descobre que Deus lhe pede que mostre a porta a outros para que acreditem tamb&eacute;m e tenham a vida. Quem &eacute; chamado ao dom da f&eacute; &eacute; tamb&eacute;m enviado a transmitir a paz e a justi&ccedil;a de Deus. A f&eacute; n&atilde;o pode guardar-se escondida no &iacute;ntimo de cada crente pois o Senhor quer que a Sua luz ilumine todos os homens<em>: &rdquo;V&oacute;s sois a luz do mundo. N&atilde;o se pode esconder uma cidade situada sobre um monte (&hellip;). Assim brilhe a vossa luz diante dos homens&rdquo; <\/em>(<em>Mt<\/em> 5, 14-16)<em>.<\/em><\/p>\n<p>Para que muitas mais pessoas entrem pela porta da f&eacute; e possam encontrar em Jesus Cristo a luz e a esperan&ccedil;a, o Santo Padre Bento XVI convocou a igreja para celebrar de 11 de outubro de 2012, 50&ordm; anivers&aacute;rio do Conc&iacute;lio Vaticano II, a 24 de novembro de 2013, Festa de Cristo Rei, <strong>o Ano da F&eacute;<\/strong>. Para nos orientar na viv&ecirc;ncia deste ano escreveu-nos a Carta Apost&oacute;lica <strong>&ldquo;A Porta da F&eacute;&rdquo; (<em>PF<\/em>). <\/strong>Com esta iniciativa, o Santo Padre procura responder &agrave; profunda crise de f&eacute; que atingiu muitas pessoas e torna necess&aacute;rio <em>&ldquo;redescobrir o caminho da f&eacute; para fazer brilhar com evid&ecirc;ncia sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo&rdquo; <\/em>(<em>PF<\/em> 2)<em>.<strong>&nbsp;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Assim, com a gra&ccedil;a de Deus e inspirados por este documento do magist&eacute;rio universal da igreja, propomo-nos tamb&eacute;m na diocese de Santar&eacute;m viver o ano da f&eacute;, de modo a aprofundar, a esclarecer e a cultivar esta gra&ccedil;a que recebemos e a transmiti-la com mais vigor e dedica&ccedil;&atilde;o. Vamos, pois, penetrar mais profundamente pela porta da f&eacute; e ajudar outros a entrar tamb&eacute;m.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>O an&uacute;ncio do evangelho, obra da gra&ccedil;a de Deus<\/strong><\/p>\n<p>Desde os primeiros tempos que a Igreja viveu com muito empenho a miss&atilde;o que recebeu de Jesus Cristo de anunciar o evangelho a todos os povos. Com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo e a dedica&ccedil;&atilde;o dos ap&oacute;stolos, a Palavra de Deus crescia e expandia-se e o n&uacute;mero de crentes aumentava constantemente (cf <em>Act<\/em> 2, 47; 13, 24, etc). Paulo, o grande evangelizador, declara que foi enviado por Jesus aos pag&atilde;os para lhes abrir os olhos e os fazer passar das trevas &agrave; luz e da sujei&ccedil;&atilde;o de Satan&aacute;s para Deus (<em>Act<\/em> 26, 18) e assim poderem tomar parte na heran&ccedil;a dos eleitos de Deus. &Eacute; esclarecedor, neste sentido, acompanhar a conclus&atilde;o da primeira viagem mission&aacute;ria de Paulo e Barnab&eacute; narrada por S&atilde;o Lucas no livro do Atos dos Ap&oacute;stolos:<\/p>\n<p><strong>&ldquo;Depois de terem anunciado a Boa-Nova em Derbe e de terem feito numerosos disc&iacute;pulos, Paulo e Barnab&eacute; voltaram a Listra, Ic&oacute;nio e Antioquia. Fortaleciam a alma dos disc&iacute;pulos, encorajavam-nos a manterem-se firmes na f&eacute;, porque, diziam eles: &laquo;Temos de sofrer muitas tribula&ccedil;&otilde;es para entrarmos no Reino de Deus.&raquo; Depois de lhes terem constitu&iacute;do anci&atilde;os em cada igreja, pela imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os, e de terem feito ora&ccedil;&otilde;es acompanhadas de jejum, recomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham acreditado. A seguir, atravessaram a Pis&iacute;dia, chegaram &agrave; Panf&iacute;lia e, depois de anunciarem a palavra em Perga, desceram a At&aacute;lia. De l&aacute;, foram de barco para Antioquia, de onde tinham partido, confiados na gra&ccedil;a de Deus, para o trabalho que agora acabavam de realizar. Assim que chegaram, reuniram a igreja e contaram tudo o que Deus fizera com eles, e como abrira aos pag&atilde;os a porta da f&eacute;&rdquo;<\/strong> (<em>Act<\/em> 14, 21-27).<\/p>\n<p>Paulo e Barnab&eacute; haviam partido de Antioquia da S&iacute;ria apoiados pela ora&ccedil;&atilde;o e pelo empenho de toda a comunidade crist&atilde; que, pela ora&ccedil;&atilde;o e pelo jejum, havia participado na escolha e no envio. Os dois ap&oacute;stolos haviam feito a viagem mission&aacute;ria pregando o evangelho em v&aacute;rias cidades, dirigindo-se aos pag&atilde;os, n&atilde;o membros do povo judeu, <em>&ldquo;confiados na gra&ccedil;a do Senhor&rdquo; <\/em>(v 26). Agora, fazendo o caminho de regresso, os dois evangelizadores visitam as comunidades nascidas do primeiro an&uacute;ncio do evangelho e procuram confirm&aacute;-las na f&eacute;, exortando-as a enfrentar as persegui&ccedil;&otilde;es com fortaleza e fidelidade ao Senhor.<\/p>\n<p>Nesta visita aos disc&iacute;pulos convertidos pela primeira viagem mission&aacute;ria, Paulo e Barnab&eacute; procuram organizar a vida das comunidades locais colocando, &agrave; frente de cada uma, presb&iacute;teros que apascentem os fi&eacute;is. &Eacute; um momento importante de crescimento da igreja e, por isso, &eacute; acompanhado de ora&ccedil;&atilde;o, jejum e confian&ccedil;a na provid&ecirc;ncia de Deus. Encontramos, nesta visita dos evangelizadores &agrave;s comunidades, um primeiro exemplo do que ser&atilde;o as visitas pastorais dos bispos nas &eacute;pocas posteriores.<\/p>\n<p>Ao chegar a Antioquia, a comunidade crist&atilde; de onde tinham partido, os dois ap&oacute;stolos convocam os fi&eacute;is com quem partilham os frutos da evangeliza&ccedil;&atilde;o. Manifestam a convic&ccedil;&atilde;o de que Deus &eacute; o principal autor da obra feita: &eacute; Deus quem abre a porta da f&eacute; aos pag&atilde;os. Eles os dois s&atilde;o apenas humildes colaboradores do projeto divino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, em tempos de descren&ccedil;a e de desorienta&ccedil;&atilde;o, &eacute; de novo necess&aacute;rio levar o an&uacute;ncio do evangelho aos que o n&atilde;o conhecem para que Deus lhes abra a porta da f&eacute; e lhes revele a verdade e o amor. Mas, como vemos no referido texto dos Atos, a evangeliza&ccedil;&atilde;o &eacute; uma iniciativa que parte do Esp&iacute;rito Santo (cf <em>Act<\/em> 13, 2-3), responsabiliza pessoas concretas (Barnab&eacute; e Paulo) e envolve toda a comunidade crist&atilde; que participa pela escuta meditada e orante da palavra de Deus, pela ora&ccedil;&atilde;o, pelo jejum, pelo culto e pelo apoio aos mission&aacute;rios. Por outro lado, os evangelizadores confiam sobretudo na gra&ccedil;a de Deus que os fortalece para enfrentar com &acirc;nimo as tribula&ccedil;&otilde;es e hostilidade dos que n&atilde;o aceitam a f&eacute;.<\/p>\n<p>O primado da gra&ccedil;a de Deus que abre a porta da f&eacute; aos pag&atilde;os n&atilde;o dispensa os evangelizadores enviados nem a comunidade crist&atilde; de prestarem aten&ccedil;&atilde;o aos sinais dos tempos onde podem discernir os apelos de Deus e de procurar uma pedagogia adequada &agrave; evangeliza&ccedil;&atilde;o de cada &eacute;poca. Com esta preocupa&ccedil;&atilde;o realiza-se, por vontade do Santo Padre, em outubro, na abertura do ano da f&eacute;, o S&iacute;nodo <em>&ldquo;A nova evangeliza&ccedil;&atilde;o para a transmiss&atilde;o da f&eacute; crist&atilde;&rdquo;<\/em>. N&atilde;o podemos &agrave; partida pressupor a f&eacute; (cf <em>PF<\/em> 2). Precisamos de evangelizar de novo pa&iacute;ses e regi&otilde;es que tradicionalmente eram considerados j&aacute; evangelizados. De facto, verifica-se, nalguns lados, uma onda de agnosticismo que se traduz no recuo da pr&aacute;tica dominical, na diminui&ccedil;&atilde;o da celebra&ccedil;&atilde;o dos sacramentos e na rutura da transmiss&atilde;o da f&eacute; aos mais novos. Estamos perante um mundo diferente onde as refer&ecirc;ncias crist&atilde;s se diluem. Precisamos de evangelizar de novo e de forma nova. Precisamos tamb&eacute;m hoje de percorrer caminhos novos de evangeliza&ccedil;&atilde;o e implorar a gra&ccedil;a de Deus para que abra a porta da f&eacute; aos nossos contempor&acirc;neos.<\/p>\n<p>Para preparar o S&iacute;nodo foram publicadas as &ldquo;Lineamenta&rdquo; (Lin &#8211; esbo&ccedil;o das linhas program&aacute;ticas) onde se afirma; <em>&ldquo;Vivemos um momento hist&oacute;rico cheio de mudan&ccedil;as e de tens&otilde;es, de perda de equil&iacute;brios e de pontos de refer&ecirc;ncia. Esta &eacute;poca for&ccedil;a-nos a viver frequentemente encurralados no presente e na precariedade, sendo cada vez mais dif&iacute;cil a escuta e a transmiss&atilde;o da mem&oacute;ria humana e a partilha de valores sobre os quais construir o futuro das novas gera&ccedil;&otilde;es&rdquo; (Lin 3); <\/em>nesta situa&ccedil;&atilde;o religiosa, Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o &ldquo;<em>&eacute; sin&oacute;nimo de renascimento espiritual da vida de f&eacute; das igrejas locais, in&iacute;cio de percursos de discernimento das mudan&ccedil;as que afetam a vida crist&atilde; nos diferentes contextos culturais e sociais, releitura da mem&oacute;ria da f&eacute;, assun&ccedil;&atilde;o de novas responsabilidades e novas energias em vista de uma proclama&ccedil;&atilde;o alegre e contagiante do evangelho de Jesus Cristo&rdquo; (Lin 5).<\/em><\/p>\n<p>A evangeliza&ccedil;&atilde;o inspira-se e continua a a&ccedil;&atilde;o evangelizadora de Jesus e dos ap&oacute;stolos. &Eacute; a mesma que teve in&iacute;cio no Pentecostes. A igreja, ao longo de vinte s&eacute;culos, sempre evangelizou. No entanto, hoje &eacute; necess&aacute;rio um novo in&iacute;cio, ou seja, come&ccedil;ar pelo princ&iacute;pio, pelo despertar da f&eacute;, dando relevo ao primeiro an&uacute;ncio de Jesus Cristo que nos convida &agrave; convers&atilde;o. Por isso, a evangeliza&ccedil;&atilde;o, sendo a mesma de toda a tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, precisa de novo dinamismo e de novas formas para se tornar significativa para os nossos contempor&acirc;neos e lhes tocar o cora&ccedil;&atilde;o. Tem em vista o mesmo objetivo, levar ao encontro pessoal com Jesus Cristo e ao seguimento do Seu caminho e assenta na mesma din&acirc;mica: o testemunho de f&eacute; da igreja, mediada pela experi&ecirc;ncia pessoal dos evangelizadores. &Eacute; esta mesma din&acirc;mica que notamos em Paulo e Barnab&eacute;. Apoiavam-se na f&eacute; da comunidade e transmitiam o que eles pr&oacute;prios haviam descoberto e experimentado.<\/p>\n<p>Notamos algum cansa&ccedil;o e des&acirc;nimo da parte dos evangelizadores. Chocam com o desinteresse das pessoas do nosso tempo que se mostram indiferentes &agrave; prioridade de Deus e &agrave; dimens&atilde;o espiritual da vida e n&atilde;o d&atilde;o ouvidos ao an&uacute;ncio do evangelho. A catequese n&atilde;o fideliza os destinat&aacute;rios como esper&aacute;vamos, h&aacute; uma rutura na transmiss&atilde;o da f&eacute; &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es, os frutos n&atilde;o correspondem ao trabalho pastoral. Como outrora os ap&oacute;stolos, tamb&eacute;m hoje muitos obreiros do evangelho, t&ecirc;m a tenta&ccedil;&atilde;o de dizer: <em>&ldquo;trabalh&aacute;mos toda a noite e nada apanh&aacute;mos&rdquo; <\/em>(<em>Lc <\/em>5, 5). Por isso, a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o necessita de confian&ccedil;a mais s&oacute;lida na gra&ccedil;a de Deus que abre a porta da f&eacute;, de apoio mais firme na Sua palavra, de um maior ardor dos mission&aacute;rios e participa&ccedil;&atilde;o mais empenhada das comunidades. <em>&ldquo;&Agrave; tua palavra lan&ccedil;arei as redes&rdquo;<\/em> (<em>Lc<\/em> 5, 5)<em>.<\/em> Por vezes &eacute; preciso lan&ccedil;ar as redes para outro lado, (cf <em>Jo <\/em>21, 6), procurar formas e iniciativas diferentes, abrir portas novas.<\/p>\n<p>A nova evangeliza&ccedil;&atilde;o convida-nos a repensar as nossas prioridades e o nosso estilo pastorais. &Eacute; necess&aacute;rio que toda a a&ccedil;&atilde;o da igreja e das comunidades &ndash; prof&eacute;tica, lit&uacute;rgica e social &ndash; adquira dinamismo mission&aacute;rio, indo ao encontro das pessoas, chamando-as e motivando-as para a f&eacute;; leve &agrave; descoberta de Cristo vivo como caminho novo e como porta que abre ao mundo novas perspetivas; promova a convers&atilde;o fazendo da f&eacute; um novo crit&eacute;rio de entendimento e de a&ccedil;&atilde;o que muda toda a vida do homem (<em>PF<\/em> 6). Esta orienta&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria convida-nos a v&aacute;rias linhas de a&ccedil;&atilde;o como: rever os percursos de inicia&ccedil;&atilde;o &agrave; f&eacute; e de prepara&ccedil;&atilde;o dos sacramentos (Lin 18); inspirar a a&ccedil;&atilde;o pastoral na pedagogia catecumenal; preparar e viver a liturgia de forma festiva e espiritual; formar os fi&eacute;is na perspetiva de disc&iacute;pulos e evangelizadores; criar iniciativas para nos aproximarmos dos afastados e maior empenho pela constru&ccedil;&atilde;o do reino de Deus no mundo que &eacute; justi&ccedil;a e paz entre os homens.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, cada comunidade precisa de traduzir a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o em algumas propostas concretas, como:<\/p>\n<p>a) valorizar, numa perspetiva evangelizadora, os encontros de prepara&ccedil;&atilde;o e de celebra&ccedil;&atilde;o dos sacramentos, sacramentais e piedade popular que permitem contactar com os afastados; criar lugares e espa&ccedil;os para encontro e di&aacute;logo com os descrentes (que tornem realidade o &ldquo;&aacute;trio dos gentios&rdquo;);<\/p>\n<p>b) oferecer oportunidades e convidar os fi&eacute;is para participarem numa experi&ecirc;ncia de Primeiro An&uacute;ncio da f&eacute;. Temos, nesta &aacute;rea, formas j&aacute; conhecidas que se t&ecirc;m procurado atualizar, como: as &ldquo;Miss&otilde;es Populares&rdquo;; &ldquo;os Conv&iacute;vios Fraternos&rdquo;; os &ldquo;Cursos Alfa&rdquo;; os &ldquo;Cursos de Cristandade&rdquo;; o &ldquo;Caminho Neocatecumenal&rdquo;, etc. Tamb&eacute;m os retiros e outros exerc&iacute;cios espirituais se t&ecirc;m revelado eficazes como momentos de Primeiro An&uacute;ncio;<\/p>\n<p>c) outras atividades evangelizadoras podem ser oportunamente propostas no Ano da F&eacute;, como: promover a forma&ccedil;&atilde;o laical dentro da renova&ccedil;&atilde;o conciliar e da pedagogia catecumenal (com aten&ccedil;&atilde;o &agrave; espiritualidade, &agrave; convers&atilde;o, &agrave; vida comunit&aacute;ria e ao compromisso apost&oacute;lico); iniciativas para convocar jovens e integr&aacute;-los em grupos de forma&ccedil;&atilde;o e de miss&atilde;o; atividades para evangelizar e formar as fam&iacute;lias na sua miss&atilde;o humana e crist&atilde;; valoriza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es sociais como meio para chegar a um leque mais amplo de destinat&aacute;rios; miss&atilde;o &ldquo;de rua&rdquo; ou &ldquo;porta a porta&rdquo; que nos leve ao encontro das pessoas nos lugares onde decorre a sua vida quotidiana.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Valor e beleza do Conc&iacute;lio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p>O ano da f&eacute; faz refer&ecirc;ncia tamb&eacute;m aos 50 anos da abertura do Conc&iacute;lio Vaticano II (11 de outubro de 1962), <em>&ldquo;a grande gra&ccedil;a de que a Igreja beneficiou no s&eacute;culo XX&rdquo; <\/em>(<em>PF<\/em> 5; Jo&atilde;o Paulo II) e que teve como grande preocupa&ccedil;&atilde;o <em>&ldquo;iluminar os povos com a luz de Cristo que resplandece no rosto da Igreja&rdquo; (LG 1).<\/em><\/p>\n<p>O Conc&iacute;lio Vaticano II foi, justamente, considerado como um novo Pentecostes para o nosso tempo. Procurou realmente abrir-se &agrave; inspira&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo fonte de novo dinamismo e de nova linguagem para propor o evangelho ao mundo moderno. Verificava-se, na altura, uma rutura profunda entre a igreja e a modernidade. Segundo a vontade do Papa Jo&atilde;o XXIII, que convocou o Conc&iacute;lio, a igreja deve abrir-se ao di&aacute;logo com o mundo e estabelecer pontes que nos levem ao encontro dos homens e das sociedades. Nesse sentido, como afirmou o bom Papa Jo&atilde;o no discurso inaugural, &eacute; necess&aacute;rio encontrar uma linguagem atual para proclamar a f&eacute; imut&aacute;vel das origens pois, ao longo de s&eacute;culos, a doutrina evang&eacute;lica, ao ser inculturada, foi tamb&eacute;m revestida com roupagens hist&oacute;ricas. Assim, atualizando a linguagem, a igreja poder&aacute; expor a mensagem crist&atilde; de &ldquo;forma pastoral&rdquo;, ou seja, como uma &ldquo;boa nova&rdquo; que seja fiel ao evangelho e que esteja em rela&ccedil;&atilde;o com as experi&ecirc;ncias vitais das pessoas e da cultura atual.<\/p>\n<p>Ao fazer coincidir o in&iacute;cio do Ano da F&eacute; com o cinquenten&aacute;rio da abertura do Conc&iacute;lio Vaticano II, Bento XVI quer fazer-nos compreender que os textos deixados em heran&ccedil;a pelos Padres Conciliares n&atilde;o perdem o seu valor nem a sua beleza (cf <em>PF<\/em> 5). A novidade que os textos conciliares trouxeram &agrave; igreja est&aacute; ainda longe de ser alcan&ccedil;ada na pr&aacute;tica pastoral, como por exemplo: a igreja como casa e escola de comunh&atilde;o; a consci&ecirc;ncia de todos os fi&eacute;is de que s&atilde;o igreja e a sua participa&ccedil;&atilde;o ativa nas atividades pastorais e na constru&ccedil;&atilde;o do reino de Deus no mundo; a palavra de Deus como alicerce fundamental da vida crist&atilde;; a eucaristia como cume e fonte de evangeliza&ccedil;&atilde;o, preparada pela evangeliza&ccedil;&atilde;o, celebrada festivamente por toda a comunidade e continuada pelo servi&ccedil;o fraterno e pelo testemunho da f&eacute; na igreja e no mundo; o di&aacute;logo e servi&ccedil;o da igreja na sociedade. Nesse sentido, &eacute; necess&aacute;rio, no Ano da F&eacute;, aprofundar a compreens&atilde;o das quatro grandes constitui&ccedil;&otilde;es conciliares que abordam estas dimens&otilde;es da vida da igreja: <em>Lumen Gentium<\/em> (<em>LG<\/em>); <em>Dei Verbum<\/em> (<em>DV<\/em>); <em>Sacrossantum Concilium<\/em> (<em>SC<\/em>); <em>Gaudium et Spes<\/em> (<em>GS<\/em>).<\/p>\n<p>Para viver o anivers&aacute;rio do Conc&iacute;lio somos desafiados, portanto, a ir ao cora&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, a aproximarmo-nos de Jesus Cristo, Senhor da Igreja, que estar&aacute; com os que n&rsquo;Ele acreditam at&eacute; ao fim dos tempos. O Conc&iacute;lio dedicou-se &agrave; renova&ccedil;&atilde;o da Igreja para que a luz de Cristo resplandecesse, de forma mais luminosa, no rosto da comunidade dos crentes. &Eacute; a presen&ccedil;a de Cristo e a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo que fazem da igreja uma comunh&atilde;o de santos, realizando o des&iacute;gnio de Deus Pai<em>: &ldquo;Assim a igreja aparece como um povo unido &ldquo;pela unidade do Pai, do Filho e do Esp&iacute;rito Santo&rdquo; (LG 4).<\/em> Deste modo, para proporcionar aos nossos fi&eacute;is a descoberta da igreja conciliar, recomendo que se realizem, a n&iacute;vel de vigararia, assembleias eclesiais festivas que integrem todas as for&ccedil;as vivas das par&oacute;quias da regi&atilde;o e ofere&ccedil;am aos fi&eacute;is uma experi&ecirc;ncia jubilosa e cativante da comunh&atilde;o eclesial. A nova evangeliza&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e a renova&ccedil;&atilde;o da Igreja de modo que esta se torne significativa como sinal e sacramento fundamental de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Na continua&ccedil;&atilde;o da obra de renova&ccedil;&atilde;o de toda a vida eclesial, querida e iniciada pelo Conc&iacute;lio Vaticano II, foi publicado <strong>o Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica<\/strong> em 11 de outubro de 1992, no trig&eacute;simo anivers&aacute;rio da abertura do Conc&iacute;lio. &ldquo;<em>Instrumento v&aacute;lido e leg&iacute;timo ao servi&ccedil;o da comunh&atilde;o eclesial e norma segura para o ensino da f&eacute;&rdquo; (PF 11). Repassando as p&aacute;ginas descobre-se que o que ali se apresenta n&atilde;o &eacute; uma teoria mas o encontro com uma pessoa que vive na igreja&rdquo; (PF 11).<\/em><\/p>\n<p>Na procura de uma f&eacute; mais fundamentada, assente em convic&ccedil;&otilde;es, capaz de dialogar com a cultura descrente e responder perante tantas confus&otilde;es, &eacute; importante a consulta e o estudo do Catecismo como doutrina segura da igreja, como atualiza&ccedil;&atilde;o do Credo para a cultura atual. Uma das grandes debilidades da f&eacute;, no nosso tempo, &eacute; a ignor&acirc;ncia religiosa e a confus&atilde;o sobre o que &eacute; essencial e perene na f&eacute; crist&atilde;. O Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica &eacute; uma preciosa ajuda para alcan&ccedil;ar uma s&iacute;ntese atualizada da f&eacute; e tomar consci&ecirc;ncia &ldquo;da for&ccedil;a e da beleza da doutrina da f&eacute;&rdquo; (introdu&ccedil;&atilde;o). Guia-nos na redescoberta do Credo como afirma&ccedil;&atilde;o da ades&atilde;o a Jesus, &uacute;nico salvador enviado pelo Pai, Criador, e fortalecido (ungido) pela for&ccedil;a do Esp&iacute;rito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Jubileu episcopal, convite &agrave; comunh&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Os vinte e cinco anos de ordena&ccedil;&atilde;o episcopal que celebrarei a 13 de mar&ccedil;o de 2013, s&atilde;o um convite para aprofundar a compreens&atilde;o do minist&eacute;rio do bispo de servir a comunh&atilde;o e a participa&ccedil;&atilde;o de todos os fi&eacute;is na igreja, construindo o Corpo de Cristo coordenado e unido em todas as suas articula&ccedil;&otilde;es (cf <em>Ef<\/em> 4, 16). Por outro lado, ser crist&atilde;o, n&atilde;o apenas de nome mas de verdade, &eacute; viver em comunh&atilde;o com o bispo, como tanto insiste Santo Ign&aacute;cio de Antioquia na Carta aos Magn&eacute;sios. O &iacute;cone da primeira viagem apost&oacute;lica de S&atilde;o Paulo, proposto para o Ano da F&eacute;, sugere-me algumas considera&ccedil;&otilde;es a prop&oacute;sito dos vinte e cinco anos de exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio episcopal, na continua&ccedil;&atilde;o do presbiterado que recebi em agosto de 1965. Ao longo deste tempo experimentei a verdade de muitas afirma&ccedil;&otilde;es que fa&ccedil;o nesta carta. Destaco algumas.<\/p>\n<p><strong>1.&Eacute; Deus quem abre a porta da f&eacute;<\/strong>. Somos apenas instrumentos. A gra&ccedil;a de Deus vai para al&eacute;m dos m&eacute;ritos e capacidades deste pobre sinal vis&iacute;vel da minha pessoa e a&ccedil;&atilde;o de bispo. Noto-o em muitas iniciativas, contactos e, designadamente, nas visitas pastorais. Os frutos levam-me a fazer a experi&ecirc;ncia gratificante de que sou simples mediador de um dom que me ultrapassa e encanta. Como confessava o bem-aventurado Frei Bartolomeu dos M&aacute;rtires, as visitas pastorais s&atilde;o um verdadeiro tempo de gra&ccedil;a (cf <em>PG<\/em> 46). Penso que devo procurar que sejam mais acompanhadas e apoiadas pela ora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A convic&ccedil;&atilde;o do primado da gra&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s nossas capacidades e m&eacute;ritos, tenho-a aprofundado com a ajuda do Esp&iacute;rito Santo e com a luz da Palavra de Deus. A n&iacute;vel de doutrina sempre soube e preguei que em v&atilde;o trabalhamos n&oacute;s se Deus n&atilde;o edifica a cidade. Mas foi a pr&aacute;tica que me levou a interiorizar esta convic&ccedil;&atilde;o. Foi a experi&ecirc;ncia vivida que me mostrou que Deus &eacute; o Pastor eterno que n&atilde;o abandona o Seu rebanho antes continuamente o guarda atrav&eacute;s do governo daqueles que Ele p&otilde;e &agrave; sua frente como representantes de Seu Filho Jesus Cristo (cf Pref&aacute;cio dos Ap&oacute;stolos I).<\/p>\n<p>Por isso, o nosso papel de ministros do Senhor &eacute; estar atentos aos sinais da Sua vontade para realizarmos o Seu plano e n&atilde;o o nosso. Assim, o exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio tem-me ensinado a p&ocirc;r em pr&aacute;tica a recomenda&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Pedro <em>:&rdquo;Humilhai-vos sob a poderosa m&atilde;o de Deus (&hellip;). Confiai-lhe todas as vossas preocupa&ccedil;&otilde;es porque Ele tem cuidado de v&oacute;s&rdquo; <\/em>(1 <em>Pe<\/em> 6-7). Por isso, pe&ccedil;o frequentemente a sabedoria do Esp&iacute;rito Santo para governar o povo de Deus na santidade e na justi&ccedil;a, como rezamos no livro da sabedoria: <em>&ldquo;Enviai-me Senhor a Vossa sabedoria. Esteja comigo e tome parte nos meus trabalhos, para que eu saiba o que vos &eacute; agrad&aacute;vel&rdquo; <\/em>(<em>Sab<\/em> 9, 10).<em> <\/em><\/p>\n<p>2. <strong>Contribuir para a alegria dos fi&eacute;is <\/strong>(2 <em>Cor<\/em> 1,24<strong>)<\/strong>. Desde que o N&uacute;ncio Apost&oacute;lico me chamou (pr&oacute;ximo do Natal de 1987) para me comunicar o chamamento do papa Jo&atilde;o Paulo II para esta responsabilidade, procurei convencer-me de que devia exercer esta miss&atilde;o como uma proposta de alegria, at&eacute; para ultrapassar as dificuldades que senti no primeiro momento. Nesse sentido, adotei como &iacute;cone b&iacute;blico inspirador do episcopado a apresenta&ccedil;&atilde;o de Jesus em Nazar&eacute; e como lema <strong><em>&ldquo;O Senhor enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres&rdquo; <\/em><\/strong>(<em>Lc<\/em> 4, 16-21). Escolhi para dia da ordena&ccedil;&atilde;o episcopal o domingo da alegria (IV domingo da quaresma) e, passados dez anos, entrei na diocese de Santar&eacute;m no mesmo domingo.<\/p>\n<p>Ainda hoje pe&ccedil;o frequentemente ao Esp&iacute;rito Santo que fa&ccedil;a desabrochar no meu minist&eacute;rio a alegria do evangelho. Esta n&atilde;o &eacute; certamente como a alegria do mundo que vem da posse de bens ou de pessoas e se alimenta do &ecirc;xito e do brilho pessoal. A alegria do evangelho &eacute;, antes, a alegria de dar e de se dar, que passa pelo despojamento, a alegria de abrir uma porta quando o horizonte parece fechado, de acender uma luz ao fundo do t&uacute;nel, a alegria da miseric&oacute;rdia e n&atilde;o do sacrif&iacute;cio. Como diz Jesus no banquete em casa de Mateus: <em>&ldquo;Ide aprender o que significa: &ldquo;Prefiro a miseric&oacute;rdia ao sacrif&iacute;cio&rdquo; <\/em>(<em>Mt<\/em> 9, 13). Neste contexto evang&eacute;lico, o Mestre prop&otilde;e a proximidade e a compreens&atilde;o em vez da dist&acirc;ncia e da superioridade de quem se julga mais puro. A alegria e a miseric&oacute;rdia constituem uma pedagogia mais adequada do que o rigor das leis para anunciar a vida nova do evangelho.<\/p>\n<p><strong>3. A honra de ser sucessor dos ap&oacute;stolos<\/strong>. Os ap&oacute;stolos, chamados por Jesus a serem as colunas da sua igreja, eram tamb&eacute;m imperfeitos. Mas na sua humildade deixaram-se conduzir e transformar pelo Esp&iacute;rito Santo. Sentiam-se fortes e livres porque agiam em nome de Jesus e n&atilde;o em nome ou proveito pessoal. Atrav&eacute;s dos ap&oacute;stolos, n&oacute;s pastores, entramos nesse movimento de f&eacute; e de miss&atilde;o que vem desde Abra&atilde;o e tem o seu momento culminante na igreja apost&oacute;lica formada por Jesus e alicer&ccedil;ada nos doze ap&oacute;stolos. Tornamo-nos assim um elo, embora fr&aacute;gil, de uma cadeia de ouro que nos liga a Jesus e ao Pentecostes. Somos herdeiros e continuadores de uma multid&atilde;o de testemunhas das maravilhas de Deus e comunicadores de dons admir&aacute;veis. Como S&atilde;o Paulo podemos dizer: <em>&ldquo;todos nos considerem como servos de Cristo e administradores dos mist&eacute;rios de Deus. Ora o que se requer dos administradores &eacute; que sejam fi&eacute;is&rdquo;<\/em>(1 <em>Cor<\/em> 4,1-2).<\/p>\n<p>Edificados sobre o alicerce dos ap&oacute;stolos e dos profetas e tendo Cristo como pedra angular, tamb&eacute;m n&oacute;s, disc&iacute;pulos de Jesus, somos integrados na constru&ccedil;&atilde;o como pedras vivas para nos tornamos no Esp&iacute;rito Santo habita&ccedil;&atilde;o de Deus (cf <em>Ef<\/em> 2, 20-21). &Eacute; tamb&eacute;m uma honra ser uma pedra viva da igreja, fazer parte integrante da comunidade de Jesus, dos ap&oacute;stolos e dos santos e contribuir para que este edif&iacute;cio espiritual seja no mundo um sinal e um instrumento da gra&ccedil;a redentora de Cristo e da justi&ccedil;a e da paz entre os homens. N&atilde;o &eacute; o lugar destacado de cada pedra mas a harmonia e beleza do conjunto que d&aacute; grandeza e for&ccedil;a ao edif&iacute;cio. A igreja &eacute; como uma cidade situada no cimo do monte que irradia &agrave; sua volta a luz do Cordeiro, a luz da esperan&ccedil;a e do amor. &Eacute; para n&oacute;s um dom poder ser uma luz pequenina que faz brilhar a luz gigante da igreja e a torna pr&oacute;xima das pessoas concretas. &Eacute; a fidelidade &agrave; grandeza do dom que torna grande a nossa miss&atilde;o na igreja apost&oacute;lica.<\/p>\n<p>4<strong>. Como &eacute; bom e agrad&aacute;vel viverem os irm&atilde;os em harmonia! <\/strong>(<em>Sl <\/em>132).<strong> <\/strong>Experimento, frequentemente, a alegria do reencontro com comunidades crist&atilde;s, j&aacute; conhecidas de visitas pastorais e de outras celebra&ccedil;&otilde;es. &Eacute; como regressar a uma casa fraterna ou revisitar uma fam&iacute;lia onde nos sentimos bem. Noto como muitos descobrem, sobretudo adultos que preparam o Crisma ou outros sacramentos de inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, a alegria da fraternidade crist&atilde;, a riqueza do di&aacute;logo partilhado no grupo, o ambiente comunit&aacute;rio vivido na estima m&uacute;tua, na confian&ccedil;a rec&iacute;proca. Nestas ocasi&otilde;es experimento a verdade de que a vida crist&atilde; &eacute; uma voca&ccedil;&atilde;o &agrave; comunh&atilde;o com Deus e com os irm&atilde;os. Como &eacute; bom, como &eacute; agrad&aacute;vel, como &eacute; desejado pelo cora&ccedil;&atilde;o humano viver em harmonia. Como &eacute; deprimente a solid&atilde;o e empobrecedor o individualismo fechado. Na continua&ccedil;&atilde;o dos ap&oacute;stolos tamb&eacute;m os bispos e os seus colaboradores na miss&atilde;o apost&oacute;lica t&ecirc;m a miss&atilde;o de promover nos fi&eacute;is a uni&atilde;o de almas e de cora&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>E, no entanto, como &eacute; dif&iacute;cil a harmonia! De facto, todos somos tentados por pequenos conflitos, ju&iacute;zos negativos apressados, maledic&ecirc;ncias e outros venenos provenientes de invejas, vaidades, orgulhos feridos. Viver &agrave; imagem dos crist&atilde;os de Jerusal&eacute;m, num s&oacute; cora&ccedil;&atilde;o e numa s&oacute; alma, s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com a gra&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo e uma vontade decidida e inteligente de nos convertermos &agrave; comunidade (em vez de queremos que a comunidade se converta a n&oacute;s). Criar comunh&atilde;o &eacute; miss&atilde;o fundamental do minist&eacute;rio ordenado que procuro constantemente retomar e recomendar aos meus colaboradores mais pr&oacute;ximos, sacerdotes e di&aacute;conos, que exer&ccedil;am de todas as formas poss&iacute;veis: pelo di&aacute;logo aberto e transparente; pela proximidade e pela partilha; pelo reconhecimento de carismas e delega&ccedil;&atilde;o de tarefas; por pensar em equipa e agir em equipa. &Eacute; mais trabalhoso mas mais educativo. Assim se podem amadurecer crit&eacute;rios e preparar colaboradores. A partir do testemunho da harmonia fraterna &eacute; que se pode fundamentar a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>5.Quem verdadeiramente ama n&atilde;o se cansa nem descansa <\/strong>(S&atilde;o Jo&atilde;o da Cruz). Vinte e cinco anos de exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio episcopal n&atilde;o me cansaram. Parece-me at&eacute; que sinto mais gosto e encanto por esta miss&atilde;o. Visitar as comunidades, contactar com as pessoas, semear o evangelho, celebrar festivamente a f&eacute; &eacute; sempre um motivo de alegria e de consola&ccedil;&atilde;o. Por vezes preocupo-me por n&atilde;o ter recursos humanos suficientes para a pastoral, sofro pelas incompreens&otilde;es e erradas interpreta&ccedil;&otilde;es, pelas infidelidades e insuficiente correspond&ecirc;ncia. Mas a semente germina e h&aacute; alturas que vemos frutos e nos sentimos recompensados. Quem ama n&atilde;o se cansa de semear a semente do Reino mesmo em circunst&acirc;ncias adversas. E encontra sempre motivos para louvar o Senhor por tantos dons que enriquecem as pessoas e as comunidades.<\/p>\n<p>Quem ama tamb&eacute;m n&atilde;o se cansa de aprender. Todos os dias aprendemos e continuamente crescemos e nos renovamos interiormente. Deus rodeia-nos de uma nuvem de pessoas admir&aacute;veis com as quais aprendemos sempre e que nos ajudam a crescer espiritualmente e a transformarmo-nos &agrave; imagem da santidade de Cristo para refletirmos como um espelho a sua gl&oacute;ria (cf 2 <em>Cor<\/em> 3, 18). Assim penetramos mais profundamente na morada de Deus. O exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio ordenado, nos seus v&aacute;rios graus, &eacute; uma escola em que Deus nos conduz no crescimento em santidade, na configura&ccedil;&atilde;o com Cristo.<\/p>\n<p>&Eacute; Deus quem abre a porta da f&eacute;. Mas precisa de mediadores para revelar essa porta. Mais portas poderiam ser abertas se houvesse mais mensageiros do evangelho. Por mim confesso que ao longo do minist&eacute;rio sacerdotal e episcopal sempre me senti feliz e recompensado. Noto a mesma alegria e zelo nos colaboradores ordenados que Deus me concedeu, presb&iacute;teros e di&aacute;conos. &Eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o da promessa de Jesus: quem entrega a sua vida ao servi&ccedil;o do evangelho, no despojamento, na disponibilidade e na confian&ccedil;a, encontra a vida plena, uma vida bela e feliz: Quem aceita servir o Senhor no minist&eacute;rio ordenado? Encontrar&aacute; certamente a mesma alegria e recompensa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Conclus&atilde;o: Uma nova forma de ser crist&atilde;o<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Como afirmou o Papa no discurso &agrave; C&uacute;ria Romana &ldquo;<em>Se a f&eacute; n&atilde;o ganhar de novo vitalidade, tornando-se uma convic&ccedil;&atilde;o profunda e uma for&ccedil;a real gra&ccedil;as ao encontro com Jesus Cristo, permanecer&atilde;o ineficazes todas as outras reformas<\/em>&rdquo;. Prop&otilde;e nesse sentido cinco pontos para um modo novo e rejuvenescido de ser crist&atilde;o:<\/p>\n<p>1.Como disc&iacute;pulos tocados pela gra&ccedil;a do mesmo Senhor, formem os crist&atilde;os uma grande fam&iacute;lia universal e cat&oacute;lica, aberta a todos, acolhedora e integradora da diversidade.<\/p>\n<p>2. Esquecidos de si mesmos, sejam os crist&atilde;os servos de todos.<\/p>\n<p>3. A adora&ccedil;&atilde;o a Jesus Cristo, vivida na contempla&ccedil;&atilde;o e na vida interior, seja uma nota caracter&iacute;stica da atitude crist&atilde;.<\/p>\n<p>4. Reconciliados, capazes de vencer o fechamento em si, vivam os crist&atilde;os em paz com Deus e com os outros.<\/p>\n<p>5. Manifestem a toda agente a alegria de participar na vida nova em Cristo que vence o pecado do mundo.<\/p>\n<p>Santar&eacute;m, 31 de julho de 2012, mem&oacute;ria de Santo In&aacute;cio de Loiola,<\/p>\n<p><em>D. Manuel Pelino Domingues, bispo de Santar&eacute;m<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Felizes os que acreditam Celebramos no ano pastoral 2012-2013 o Ano da F&eacute; convocado pelo Papa Bento XVI como uma oportunidade para compreendermos e vivermos o fundamento da nossa f&eacute; crist&atilde;. 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