{"id":5763,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/familia-e-sociedade-2\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"familia-e-sociedade-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/familia-e-sociedade-2\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia e sociedade"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o do Santo Padre para o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o &#8211; MAIO <!--more--> Que a fam\u00edlia, fundada no casamento de um homem com uma mulher, seja reconhecida como a c\u00e9lula fundamental da sociedade humana.  1. A fam\u00edlia, entendida como comunidade humana fundada no casamento de um homem com uma mulher, enfrenta dificuldades cada vez mais s\u00e9rias, resultado das tend\u00eancias culturais dominantes e da aus\u00eancia de pol\u00edticas orientadas para a sua protec\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o. Veja-se a designa\u00e7\u00e3o \u00abfam\u00edlia tradicional\u00bb, omni-presente nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, t\u00e3o \u00abculturalmente correcta\u00bb e t\u00e3o insidiosa. \u00c9-se \u00abfam\u00edlia tradicional\u00bb por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias \u00abmodernas\u00bb: \u00abmono-parentais\u00bb, \u00abuni\u00f5es de facto\u00bb, \u00abcasais homossexuais\u00bb\u2026 Valorizando esta \u00abmodernidade\u00bb, parte-se em busca das reais ou supostas disfun\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia \u00abtradicional\u00bb, sendo a viol\u00eancia dom\u00e9stica a preferida dos media, e o aumento dos div\u00f3rcios a confirma\u00e7\u00e3o da \u00abfal\u00eancia\u00bb do modelo \u00abtradicional\u00bb. Veja-se o caso da legisla\u00e7\u00e3o civil: equipara\u00e7\u00e3o do casamento e das uni\u00f5es de facto, legaliza\u00e7\u00e3o do \u00abcasamento\u00bb de homossexuais, facilita\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio, discrimina\u00e7\u00e3o dos casais no pagamento de impostos\u2026 2. Este voluntarismo de alguns para mudar a normalidade social acaba quase sempre desmentido pela mesma sociedade. Estudos recentes revelam, por exemplo, que a viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 muito mais comum nas \u00abuni\u00f5es de facto\u00bb do que no casamento \u2013 embora os media falem sempre de maridos, quando se referem a tais casos. Outro exemplo: no ano 2000, em Portugal, com uma taxa de nascimentos fora do casamento de 22%, verificava-se que 85% das m\u00e3es nesta situa\u00e7\u00e3o viviam abaixo do limiar da pobreza. Estudos semelhantes, mas mais completos, nos Estados Unidos, mostram igual rela\u00e7\u00e3o entre pobreza e monoparentalidade, quer esta seja originada pelo div\u00f3rcio, quer pela maternidade fora do casamento. E quanto ao abandono escolar, tamb\u00e9m nos EUA, \u00e9 de 37% em crian\u00e7as nascidas fora do casamento, contra 13% em filhos de pais que continuam casados. O mesmo para a marginalidade e viol\u00eancia: 72% dos adolescentes homicidas, 70% dos presos de longa dura\u00e7\u00e3o e 60% dos violadores s\u00e3o oriundos de lares sem pai (cfr. Jo\u00e3o Carlos Espada \u2013 \u00abFam\u00edlia e Pol\u00edticas P\u00fablicas\u00bb. Expresso, 17\/04\/2004). 3. Que dizer quanto \u00e0 pretens\u00e3o dos grupos homossexuais de verem reconhecido o \u00abdireito\u00bb ao casamento e mesmo \u00e0 adop\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as? Culturalmente, tal \u00abdireito\u00bb parece um dado adquirido. Legalmente, em muitos pa\u00edses tamb\u00e9m. No Canad\u00e1, por exemplo, a quest\u00e3o legal j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o \u00abcasamento\u00bb civil, mas antes saber se os ministros das Igrejas que n\u00e3o aceitam tal pr\u00e1tica dever\u00e3o ou n\u00e3o ser obrigados, pela lei civil, a presidir aos mesmos, sempre que tal lhes seja solicitado \u2013 o governo canadiano colocou esta quest\u00e3o ao Supremo Tribunal do pa\u00eds! O \u00abculturalmente correcto\u00bb entra, assim, no terreno do puro disparate! 4. A Igreja Cat\u00f3lica op\u00f5e-se claramente ao reconhecimento civil (quanto ao religioso, a quest\u00e3o nem se coloca!) de tais \u00abcasamentos\u00bb. Considera a Igreja que o reconhecimento das uni\u00f5es homossexuais como casamento sup\u00f5e uma altera\u00e7\u00e3o radical do sentido socialmente aceite para o mesmo \u2013 uni\u00e3o est\u00e1vel entre um homem e uma mulher, reconhecida e protegida socialmente; e implica grave preju\u00edzo para o bem comum \u2013 pois sacrifica o bem geral aos interesses particulares; estes podem e devem ser protegidos, sem que ponham em causa aquele. O casamento \u00e9, de facto, uma realidade singular e deve ser protegida como tal. Aqueles que, por op\u00e7\u00e3o ou por outro motivo qualquer, se encontram impedidos de o contrair, n\u00e3o podem pretender que se mude a ess\u00eancia do mesmo para satisfazer os seus interesses \u2013 antes devem procurar outros modos de realiza\u00e7\u00e3o pessoal, no respeito pelos deveres morais comuns a todos os seres humanos. 5. Numa cultura que olha a satisfa\u00e7\u00e3o dos desejos pessoais como \u00fanico meio de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade do indiv\u00edduo, estas considera\u00e7\u00f5es, fundadas numa concep\u00e7\u00e3o cultural bem mais antiga, mas tamb\u00e9m mais s\u00f3lida e provada, ser\u00e3o de pouco significado para muitos. Os crist\u00e3os, por\u00e9m, est\u00e3o, tamb\u00e9m neste tema, chamados a ser sinal de contradi\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o porque andem desfasados do mundo, mas porque o mundo anda por caminhos que ignoram a luz do Evangelho.  Elias Couto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o do Santo Padre para o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o &#8211; MAIO<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[154,206],"class_list":["post-5763","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-crianca","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5763\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}