{"id":57608,"date":"2012-07-27T17:01:35","date_gmt":"2012-07-27T17:01:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/27\/turismo-um-desafio-a-acao-pastoral\/"},"modified":"2012-07-27T17:01:35","modified_gmt":"2012-07-27T17:01:35","slug":"turismo-um-desafio-a-acao-pastoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/turismo-um-desafio-a-acao-pastoral\/","title":{"rendered":"Turismo: um desafio \u00e0 a\u00e7\u00e3o Pastoral"},"content":{"rendered":"<p><em>O Senhor designou outros setenta e dois disc&iacute;pulos e enviou-os dois a dois, &agrave; Sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. <\/em>(Lc. 10, 1)<\/p>\n<p align=\"right\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Rev.mo Senhor<br \/>Irm&atilde;os e Amigos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por ocasi&atilde;o da constitui&ccedil;&atilde;o da Obra Nacional da Pastoral do Turismo (ONPT), iniciativa da Comiss&atilde;o Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana (CEPSMH), sinto ser importante refletir, com todos v&oacute;s, a urg&ecirc;ncia do servi&ccedil;o pastoral no turismo, bem como propor algumas indica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas em ordem a essa mesma a&ccedil;&atilde;o pastoral. Ela &eacute; tanto mais urgente quanto mais reconhecermos a import&acirc;ncia do turismo para as sociedades hodiernas, em que Portugal n&atilde;o &eacute; exce&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1. A realidade do Turismo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O turismo &eacute; uma das atividades humanas em maior expans&atilde;o em todo o mundo, com um crescente n&uacute;mero de pessoas em mobilidade e com resultados econ&oacute;micos cada vez mais significativos para cada pa&iacute;s visitado. Se &eacute; certo que este fen&oacute;meno &ndash; que tem a sua fase embrion&aacute;ria nos s&eacute;cs. XVIII e XIX[1] &ndash; se afirma essencialmente no p&oacute;s Primeira Guerra Mundial[2], assume a partir da segunda metade do s&eacute;c. XX, particularmente depois da d&eacute;cada de sessenta, uma express&atilde;o inaudita, cuja tend&ecirc;ncia o s&eacute;c. XXI vem acentuar. Se atendermos &agrave; linha evolutiva do n&uacute;mero de turistas em todo o mundo, no per&iacute;odo que se situa entre os anos de 1995 e 2011, veremos que este, numa cont&iacute;nua evolu&ccedil;&atilde;o, passou dos 528 milh&otilde;es para os 980 milh&otilde;es[3], numa cifra que nos coloca tangencialmente no limite dos mil milh&otilde;es de pessoas em movimento devido a esta atividade humana.<\/p>\n<p>Portugal, um destino tur&iacute;stico por excel&ecirc;ncia, regista uma trajet&oacute;ria semelhante. Se no ano de 1995 o nosso pa&iacute;s registou um n&uacute;mero global de turistas que se cifrava em aproximadamente dez milh&otilde;es[4], no ano de 2011 esse n&uacute;mero cresceu para os catorze milh&otilde;es, sendo que mais de metade (53%) eram estrangeiros, registando estes um n&uacute;mero de quase sete milh&otilde;es e meio.[5] Ali&aacute;s, num estudo comparativo, o n&uacute;mero de turistas, em Portugal, passou, em 1984, dos cerca de quatro milh&otilde;es para aproximadamente doze milh&otilde;es, em 1999[6], cifrando-se agora, como indicado, nos catorze milh&otilde;es.<\/p>\n<p>Esta realidade n&atilde;o pode, de modo algum, ser estranha &agrave; Igreja, chamada a iluminar toda a a&ccedil;&atilde;o dos homens com a Palavra do Evangelho. Ali&aacute;s, o turismo constitui-se, hoje, como um verdadeiro sinal dos tempos, que urge interpretar &agrave; luz da Palavra de Deus, para responder &agrave;s inquieta&ccedil;&otilde;es de cada homem, no sentido de os ajudar a discernir o sentido da vida presente e da vida futura (cf. GS. 4), promovendo, de igual sorte, o bem comum de toda a fam&iacute;lia humana (cf. GS. 26,) cuja finalidade o turismo deve alcan&ccedil;ar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. O Turismo no Magist&eacute;rio da Igreja<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>O magist&eacute;rio da Igreja tem prestado uma particular aten&ccedil;&atilde;o ao turismo, em sintonia com o desenvolvimento deste setor da a&ccedil;&atilde;o humana, a n&iacute;vel mundial. Se o Conc&iacute;lio Vaticano II afirmava j&aacute; a necessidade de &laquo;promover m&eacute;todos pastorais convenientes, para proporcionar a assist&ecirc;ncia religiosa &agrave;queles que se deslocam por algum tempo a outras regi&otilde;es para passar f&eacute;rias&raquo; (CD. 18), um forte incremento tem sido dado &agrave; pastoral do turismo, no per&iacute;odo subsequente, para que responda, de forma capaz, a esta dimens&atilde;o crescente do agir humano. Podemos sintetizar em quatro vetores fundamentais os conte&uacute;dos propostos pela Igreja para este setor da a&ccedil;&atilde;o pastoral: an&uacute;ncio da Palava de Deus e celebra&ccedil;&atilde;o da f&eacute;; defesa e desenvolvimento do respeito pela dignidade da pessoa humana; promo&ccedil;&atilde;o do bem comum; participa&ccedil;&atilde;o na tarefa da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. Estes vetores s&atilde;o essencialmente enquadrados por dois princ&iacute;pios &#8211; an&uacute;ncio da Palavra de Deus e aten&ccedil;&atilde;o ao turismo segundo os princ&iacute;pios da Doutrina Social da Igreja.<\/p>\n<p>Tais conte&uacute;dos t&ecirc;m estado presentes na multiplicidade de documentos emanados da Santa S&eacute;, sejam eles diret&oacute;rios, mensagens, ou simplesmente estudos. Destacam-se, pela sua incontorn&aacute;vel import&acirc;ncia para a pastoral do turismo, o Diret&oacute;rio <em>Peregrinans in Terra<\/em>, da Congrega&ccedil;&atilde;o para o Clero, datado de 30 de Abril de 1969, que afirmava j&aacute; a necessidade de &laquo;ordenar, animar e renovar a pastoral do turismo em todas as na&ccedil;&otilde;es&raquo; (PT. Cap. II, n&ordm; 2); logo secundado pelas <em>Orienta&ccedil;&otilde;es para a Pastoral do Turismo<\/em>, documento do Pontif&iacute;cio Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, datado de 29 de Junho de 2001. Este &uacute;ltimo documento, retomando as intui&ccedil;&otilde;es da Igreja face ao fen&oacute;meno crescente do turismo, prop&otilde;e-nos um conjunto de orienta&ccedil;&otilde;es pastorais, em v&aacute;rios &acirc;mbitos, que nos servem de guia para a&ccedil;&atilde;o pastoral, nomeadamente em Portugal, com a cria&ccedil;&atilde;o da Obra Nacional da Pastoral do Turismo.<\/p>\n<p>Mas de singular import&acirc;ncia t&ecirc;m sido, igualmente, as diversas mensagens e alocu&ccedil;&otilde;es dos &uacute;ltimos Pont&iacute;fices, especialmente a prop&oacute;sito do Dia Mundial do Turismo. A promo&ccedil;&atilde;o de um turismo &eacute;tico e respons&aacute;vel; que favore&ccedil;a o encontro de pessoas e de culturas; num desenvolvimento harmonioso das sociedades, promovendo a luta contra a pobreza e o desemprego; bem como a defesa do meio ambiente e da biodiversidade; s&atilde;o alguns dos aspetos que se podem colher destas mensagens.<\/p>\n<p>Em Portugal, a preocupa&ccedil;&atilde;o face ao turismo esteve sempre presente no &acirc;mbito da a&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, particularmente com a Comiss&atilde;o Episcopal da Mobilidade Humana, atualmente da Pastoral Social e Mobilidade Humana, que chegou mesmo a denominar-se, no per&iacute;odo que medeia ente 1972 e 2005, Comiss&atilde;o Episcopal das Migra&ccedil;&otilde;es e Turismo[7]. A urg&ecirc;ncia de responder a esta realidade humana e na senda da exorta&ccedil;&atilde;o do Papa Bento XVI, que nos adverte no sentido de que &laquo;a pastoral do turismo fa&ccedil;a parte, de pleno direito, da pastoral org&acirc;nica e ordin&aacute;ria da Igreja&raquo;[8], levou, na hora presente, &agrave; cria&ccedil;&atilde;o da Obra Nacional da Pastoral do Turismo.<\/p>\n<p>Assim, este novo servi&ccedil;o, seguindo as orienta&ccedil;&otilde;es da Igreja, define ent&atilde;o como objetivos globais da sua a&ccedil;&atilde;o: iluminar a realidade humana do turismo com a Palavra de Deus; e promover o respeito pela dignidade da pessoa humana e a procura do bem comum, expressos pela Doutrina Social da Igreja, em toda a atividade tur&iacute;stica. Objetivos estes que se desdobram, depois, num conjunto mais vasto de objetivos espec&iacute;ficos, orientadores desta a&ccedil;&atilde;o pastoral.<\/p>\n<p>Releve-se, ainda, que neste servi&ccedil;o, que nos &eacute; pedido, nos move tamb&eacute;m uma s&eacute;ria antropologia, que proporcione uma vis&atilde;o integral da pessoa humana &ndash; nas suas dimens&otilde;es f&iacute;sica, ps&iacute;quica, afetiva, cognitiva, social, mas igualmente espiritual. Bem como uma vis&atilde;o da pessoa enquanto centro e v&eacute;rtice de todo o agir humano, para quem tudo se orienta (cf. GS. 12). Conscientes, ainda, de que a plenitude do homem se encontra em Cristo, em cujo mist&eacute;rio de &laquo;Verbo Encarnado&raquo; todo o mist&eacute;rio da vida humana se esclarece (cf. GS.22). Assumimos a tarefa que nos &eacute; confiada, igualmente conscientes das possibilidades da pastoral do turismo na perspetiva da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, fazendo nossa a express&atilde;o b&iacute;blica: &laquo;enviou-os dois a dois, &agrave; Sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir&raquo; (Lc. 10, 1).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. Algumas sugest&otilde;es de a&ccedil;&atilde;o para as comunidades de acolhimento<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>O Conselho Pontif&iacute;cio da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes, no documento acima referido &ndash; <em>Orienta&ccedil;&otilde;es para a Pastoral do Turismo <\/em>&ndash; deixa algumas orienta&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas para a implementa&ccedil;&atilde;o da pastoral do turismo, nos v&aacute;rios &acirc;mbitos da vida da Igreja. Deixamos aqui algumas indica&ccedil;&otilde;es concretas, especialmente para as par&oacute;quias, de modo a que a a&ccedil;&atilde;o pastoral pretendida possa ser implementada, como verdadeiro servi&ccedil;o a quem nos visita. Assim, prop&otilde;em-se os seguintes aspetos, lodo depois do <span style=\"text-decoration: underline;\">acolhimento<\/span>, que &eacute; o dever primeiro:<\/p>\n<ol>\n<li>Desenvolver uma catequese sobre o tempo livre e o turismo, quando o aconselha a realidade do lugar, quer para os crist&atilde;os residentes, quer para os turistas.<\/li>\n<li>Encorajar e promover a&ccedil;&otilde;es de apoio e preven&ccedil;&atilde;o a favor de grupos que possam ser v&iacute;timas de uma promo&ccedil;&atilde;o errada do turismo ou do comportamento dos turistas.<\/li>\n<li>Promover, acolher e estimular a a&ccedil;&atilde;o dos grupos de apostolado dedicados em particular &agrave;s pessoas que vivem e trabalham no setor do turismo, mesmo quando estas realidades n&atilde;o se encontrem na pr&oacute;pria par&oacute;quia.<\/li>\n<li>Constituir um grupo permanente de leigos para estudar e propor a&ccedil;&otilde;es pastorais a promover no campo do turismo.<\/li>\n<li>Adequar os servi&ccedil;os &agrave;s necessidades dos turistas, nos lugares de intensa presen&ccedil;a tur&iacute;stica, de modo a facilitar o contacto pessoal, a celebra&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, a ora&ccedil;&atilde;o individual e o testemunho da caridade.<\/li>\n<li>Criar servi&ccedil;os espec&iacute;ficos para os trabalhadores do turismo, segundo os seus hor&aacute;rios e as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho.<\/li>\n<li>Propor medidas adequadas para que os visitantes possam participar nas celebra&ccedil;&otilde;es eucar&iacute;sticas na pr&oacute;pria l&iacute;ngua ou com outras express&otilde;es da pr&oacute;pria cultura, dentro do respeito das disposi&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas em vigor.<\/li>\n<li>Manter oportunamente atualizada a informa&ccedil;&atilde;o sobre os servi&ccedil;os paroquiais e preocupar-se para que os turistas a possam consultar nos seus hot&eacute;is, em lugares de informa&ccedil;&atilde;o ou atrav&eacute;s de outros meios de difus&atilde;o. [9]<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; Certo que este ser&aacute; um servi&ccedil;o que todos abra&ccedil;aremos com a maior alegria e empenho, invoco de Deus, para esta a&ccedil;&atilde;o, as Suas maiores b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Pe. Carlos Alberto da Gra&ccedil;a Godinho<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Diretor da Obra Nacional da Pastoral do Turismo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p>[1] Cf. BRITO, S&eacute;rgio Palma &ndash; Turismo: os &uacute;ltimos 90 anos dos primeiros mil&eacute;nios. In AA.VVV. &ndash; <em>Com os Olhos no Futuro. Reflex&otilde;es sobre o Turismo em Portugal.<\/em> Lisboa: Edi&ccedil;&atilde;o promovida pelo Conselho Sectorial do Turismo e cofinanciado pela Uni&atilde;o Europeia, 2002, p. 124.<\/p>\n<p>[2] Cf. <em>Ibidem<\/em>, p. 124.<\/p>\n<p>[3] Cf. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Turismo. [Cons. 11 de Julho de 2012]. Dispon&iacute;vel em: http:\/\/www2.unwto.org\/en<\/p>\n<p>[4] Cf. ALEXANDRE, Jos&eacute; Alberto Afonso &ndash; <em>O Turismo em Portugal. Evolu&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o. <\/em>Aveiro: Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro, 2001, p. 41. Dispon&iacute;vel em: http:\/\/pt.scribed.com\/doc\/6062616\/O-Turismo-em-Portugal<\/p>\n<p>[5] Cf. &laquo;Estat&iacute;sticas&raquo; in Turismo de Portugal. [Cons. 11 de Julho de 2012]. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"http:\/\/www.turismodeportugal.pt\" target=\"_blank\">http:\/\/www.turismodeportugal.pt<\/a><\/p>\n<p>[6] Cf. ALEXANDRE, Jos&eacute; Alberto Afonso &ndash; <em>op. cit.<\/em>, p. 41.<\/p>\n<p>[7] Cf. ROCHA-TRINDADE, Maria Beatriz e QUARESMA, Eug&eacute;nia T. J. Costa &ndash; <em>A Igreja face ao fen&oacute;meno Migrat&oacute;rio. <\/em>[s. l.]: Planeta da Escrita, 2012. (Edi&ccedil;&atilde;o comemorativa dos 50 anos da Obra Cat&oacute;lica Portuguesa das Migra&ccedil;&otilde;es).<\/p>\n<p>[8] PAPA BENTO XVI &#8211; <em>Mensagem por ocasi&atilde;o do VII Congresso Mundial da Pastoral do Turismo.<\/em> Canc&uacute;n, 23 &ndash; 27 de Abril de 2012.<\/p>\n<p>[9] PONTIF&Iacute;CIO CONSELHO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES &ndash; <em>Orientamenti per la Pastorale del Turismo<\/em>. Vaticano, 20 de Junho de 2001, p. 20 (Trad. de D. Manuel Neto Quintas).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Senhor designou outros setenta e dois disc&iacute;pulos e enviou-os dois a dois, &agrave; Sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. 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