{"id":57561,"date":"2012-07-24T15:10:45","date_gmt":"2012-07-24T15:10:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/24\/mensagem-da-santa-se-por-ocasiao-da-jornada-mundial-do-turismo-2012\/"},"modified":"2012-07-24T15:10:45","modified_gmt":"2012-07-24T15:10:45","slug":"mensagem-da-santa-se-por-ocasiao-da-jornada-mundial-do-turismo-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-da-santa-se-por-ocasiao-da-jornada-mundial-do-turismo-2012\/","title":{"rendered":"Mensagem da Santa S\u00e9 por ocasi\u00e3o da Jornada Mundial do Turismo 2012"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>&ldquo;Turismo e sustentabilidade energ&eacute;tica: propulsores do desenvolvimento sustent&aacute;vel&rdquo;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>No dia 27 de setembro celebra-se a Jornada Mundial do Turismo, promovida anualmente pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Turismo (OMT). A Santa S&eacute; aderiu a esta iniciativa desde a sua primeira edi&ccedil;&atilde;o, considerando-a uma oportunidade para dialogar com o mundo civil, oferecendo a sua colabora&ccedil;&atilde;o concreta, baseada no Evangelho, e considerando-a tamb&eacute;m como uma ocasi&atilde;o de sensibiliza&ccedil;&atilde;o de toda a Igreja para a import&acirc;ncia que este setor reveste ao n&iacute;vel econ&oacute;mico, social e, particularmente, no contexto da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Esta mensagem &eacute; publicada quando ainda ressoam os ecos do VII Congresso Mundial da Pastoral do Turismo, celebrado no passado m&ecirc;s de abril em Canc&uacute;n (M&eacute;xico), por iniciativa do Conselho Pontif&iacute;cio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes em colabora&ccedil;&atilde;o com a Prelatura de Canc&uacute;n-Chetumal e a Confer&ecirc;ncia Episcopal Mexicana. Os trabalhos e as conclus&otilde;es daquele encontro iluminar&atilde;o a nossa a&ccedil;&atilde;o pastoral para os pr&oacute;ximos anos<em>. <\/em><\/p>\n<p>Tamb&eacute;m nesta edi&ccedil;&atilde;o da Jornada Mundial assumimos como nosso o tema proposto pela OMT, <em>&ldquo;Turismo e sustentabilidade energ&eacute;tica: propulsores do desenvolvimento sustent&aacute;vel&rdquo;<\/em>, em sintonia com o presente <em>&ldquo;Ano Internacional da Energia Sustent&aacute;vel para Todos&rdquo;<\/em>, promulgado pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, com o objetivo de real&ccedil;ar &ldquo;<em>a necessidade de melhorar o acesso aos recursos e servi&ccedil;os energ&eacute;ticos para o desenvolvimento sustent&aacute;vel que sejam confi&aacute;veis, de custo razo&aacute;vel, economicamente vi&aacute;veis, socialmente adapt&aacute;veis e ecologicamente racionais<\/em>&rdquo;.<sup><sup>[1]<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>O turismo cresceu a um ritmo importante nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Segundo as estat&iacute;sticas da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Turismo, prev&ecirc;-se que durante o corrente ano se chegue a um bili&atilde;o de chegadas de turistas internacionais e que, no ano 2030, ser&atilde;o dois bili&otilde;es. A estes devem ser acrescentados os n&uacute;meros ainda mais elevados que representam o turismo local. Tal crescimento, que tem certamente efeitos positivos, pode causar um forte impacto ambiental, devido, entre outros fatores, ao consumo desmesurado dos recursos energ&eacute;ticos, ao aumento de agentes poluentes e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos.<\/p>\n<p>O turismo tem um papel importante na consecu&ccedil;&atilde;o dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&eacute;nio, entre os quais o de &ldquo;<em>garantir a sustentabilidade ambiental<\/em>&rdquo; (objetivo 7), e o dever de fazer tudo o que est&aacute; nas suas m&atilde;os para que eles sejam alcan&ccedil;ados.<sup><sup>[2]<\/sup><\/sup> Por isso, ele deve adaptar-se &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, reduzindo as suas emiss&otilde;es de gases de efeito estufa, que atualmente representam 5% do total. Todavia, o turismo n&atilde;o s&oacute; contribui para o aquecimento global como tamb&eacute;m &eacute; v&iacute;tima do mesmo.<\/p>\n<p>O conceito de &ldquo;desenvolvimento sustent&aacute;vel&rdquo; est&aacute; j&aacute; implementado na nossa sociedade e o setor do turismo n&atilde;o pode nem deve permanecer &agrave; margem. Quando falamos de &ldquo;turismo sustent&aacute;vel&rdquo; n&atilde;o nos referimos a uma modalidade entre outras, como poderia ser o turismo cultural, o de praia ou o de aventura. Toda a forma e express&atilde;o de turismo deve ser necessariamente sustent&aacute;vel, e n&atilde;o pode ser doutra forma.<\/p>\n<p>Neste percurso, deve ter-se em devida conta os problemas energ&eacute;ticos. &Eacute; um pressuposto errado pensar que &ldquo;<em>existe uma quantidade ilimitada de energia e de recursos a serem utilizados, que a sua regenera&ccedil;&atilde;o seja poss&iacute;vel de imediato e que os efeitos negativos das manipula&ccedil;&otilde;es da ordem natural podem ser facilmente absorvidos<\/em>&rdquo;.<sup><sup>[3]<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>&Eacute; verdade, assim como refere o Secret&aacute;rio-Geral da OMT, que &ldquo;<em>o turismo est&aacute; na vanguarda de algumas das iniciativas sobre a sustentabilidade energ&eacute;tica mais inovadoras do mundo<\/em>&rdquo;.<sup><sup>[4]<\/sup><\/sup> N&atilde;o obstante, estamos de igual modo convictos do muito trabalho ainda a realizar.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m, neste &acirc;mbito, o Conselho Pontif&iacute;cio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes &nbsp;deseja oferecer o seu contributo, partindo da convic&ccedil;&atilde;o que &ldquo;<em>a Igreja sente o seu peso de responsabilidade pela cria&ccedil;&atilde;o e deve fazer valer esta responsabilidade tamb&eacute;m em p&uacute;blico<\/em>&rdquo;.<sup><sup>[5]<\/sup><\/sup> N&atilde;o nos diz respeito propor solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas concretas, mas mostrar que o desenvolvimento n&atilde;o pode reduzir-se a simples par&acirc;metros t&eacute;cnicos, pol&iacute;ticos ou econ&oacute;micos. Desejamos acompanhar este desenvolvimento com algumas adequadas orienta&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas, que sublinham o facto de que todo o crescimento deve estar sempre ao servi&ccedil;o do ser humano e do bem comum. Na verdade, na Mensagem enviada ao referido Congresso de Canc&uacute;n, o Santo Padre frisa a import&acirc;ncia de &ldquo;<em>iluminar este fen&oacute;meno com a doutrina social da Igreja, promovendo uma cultura do turismo &eacute;tico e respons&aacute;vel tal que chegue a ser respeitador da dignidade das pessoas e dos povos, acess&iacute;vel a todos, justo, sustent&aacute;vel e ecol&oacute;gico<\/em>&rdquo;.<sup><sup>[6]<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>N&atilde;o podemos separar o tema da ecologia ambiental da preocupa&ccedil;&atilde;o por uma adequada ecologia humana, entendida como fundamental para o desenvolvimento integral do ser humano. Do mesmo modo, n&atilde;o podemos separar a nossa vis&atilde;o do homem e da natureza do v&iacute;nculo que os une com o Criador. Deus confiou ao ser humano a boa gest&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; importante, em primeiro lugar, um grande esfor&ccedil;o educativo, a fim de promover &ldquo;<em>uma real mudan&ccedil;a de mentalidade que nos induza a adotar novos estilos de vida<\/em>&rdquo;.<sup><sup>[7]<\/sup><\/sup> Esta convers&atilde;o da mente e do cora&ccedil;&atilde;o &ldquo;<em>deve permitir que se chegue rapidamente a uma arte de viver juntos que respeite a alian&ccedil;a entre o homem e a natureza<\/em>&rdquo;.<sup><sup>[8]<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>&Eacute; justo reconhecer que os nossos h&aacute;bitos quotidianos est&atilde;o a mudar e que existe uma maior sensibilidade ecol&oacute;gica. Todavia, tamb&eacute;m &eacute; igualmente verdade que se corre facilmente o risco de esquecer estas motiva&ccedil;&otilde;es durante o per&iacute;odo de f&eacute;rias, procurando determinadas comodidades que consideramos ter direito, nem sempre refletindo sobre as suas consequ&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio cultivar a &eacute;tica da responsabilidade e da prud&ecirc;ncia, interrogando-nos sobre o impacto e sobre as consequ&ecirc;ncias das nossas a&ccedil;&otilde;es. A este prop&oacute;sito, o Santo Padre afirma que &ldquo;<em>as modalidades com que o homem trata o ambiente influem sobre as modalidades com que se trata a si mesmo, e vice-versa. Isto chama a sociedade atual a uma s&eacute;ria revis&atilde;o do seu estilo de vida que, em muitas partes do mundo, pende para o hedonismo e o consumismo, sem olhar aos danos que da&iacute; derivam<\/em>&rdquo;.<sup><sup>[9]<\/sup><\/sup> Sobre este ponto, ser&aacute; importante encorajar quer os empres&aacute;rios quer os turistas a fim de que tenham em conta as repercuss&otilde;es das suas decis&otilde;es e comportamentos. Do mesmo modo, &eacute; crucial &ldquo;<em>favorecer comportamentos caracterizados pela sobriedade, diminuindo as pr&oacute;prias necessidades de energia e melhorando as condi&ccedil;&otilde;es da sua utiliza&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;.<sup><sup>[10]<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>Estas ideias de fundo devem traduzir-se necessariamente em a&ccedil;&otilde;es concretas. Portanto, e com o objetivo de tornar sustent&aacute;veis os destinos tur&iacute;sticos, devem-se promover e apoiar todas as iniciativas que sejam energeticamente eficientes e com o menor impacto ambiental poss&iacute;vel, que levem a usar as energias renov&aacute;veis, a promover a conserva&ccedil;&otilde;es dos recursos e a evitar a contamina&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, &eacute; fundamental que, tanto as estruturas tur&iacute;sticas eclesiais como as f&eacute;rias que a Igreja promove, sejam caracterizadas, entre outras coisas, pelo seu respeito para com o ambiente.<\/p>\n<p>Todos os setores envolvidos (empresas, comunidades locais, governos e turistas) devem estar conscientes das respetivas responsabilidades para chegarmos a formas sustent&aacute;veis de turismo. &Eacute; necess&aacute;ria a colabora&ccedil;&atilde;o entre todas as partes interessadas.<\/p>\n<p>A Doutrina Social da Igreja recorda-nos que &ldquo;<em>a tutela do ambiente constitui um desafio para toda a humanidade: trata-se do dever, comum e universal, de respeitar um bem coletivo<\/em>&rdquo;.<sup><sup>[11]<\/sup><\/sup> Um bem do qual o ser humano n&atilde;o &eacute; patr&atilde;o mas &ldquo;administrador&rdquo; (cf. <em>Gn<\/em> 1, 28), a quem Deus o confiou para que o governe adequadamente.<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI afirma que &ldquo;<em>a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, para a qual todos estamos convocados, exige que tenhamos presente e aproveitemos as numerosas ocasi&otilde;es que o fen&oacute;meno do turismo nos oferece para apresentar Cristo como resposta suprema &agrave;s quest&otilde;es do homem atual<\/em>&rdquo;.<sup><sup>[12]<\/sup><\/sup> Convidamos, portanto, todos a promover e a utilizar o turismo de forma respeitosa e respons&aacute;vel, permitindo que ele desenvolva todas a suas potencialidades, na certeza de que, contemplando a beleza da natureza e dos povos, possamos chegar ao encontro com Deus.<\/p>\n<p>Cidade do Vaticano, 16 de julho de 2012<\/p>\n<p><em>Cardeal Antonio Maria Vegli&ograve;, <\/em><em>presidente do Conselho Pontif&iacute;cio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes<\/em><\/p>\n<p><em>D. Joseph Kalathiparambil, secret&aacute;rio<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p><sup><sup>[1]<\/sup><\/sup> Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, <em>Resolu&ccedil;&atilde;o A\/RES\/65\/151<\/em> aprovada pela Assembleia Geral, 20 de dezembro de 2010.<\/p>\n<p><sup><sup>[2]<\/sup><\/sup> Cf. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Turismo, <em>Tourism and the Millennium Development Goals: sustainable &#8211; competitive &#8211; responsible<\/em>, 2010, 34.<\/p>\n<p><sup><sup>[3]<\/sup><\/sup> Conselho Pontif&iacute;cio Justi&ccedil;a e Paz, <em>Comp&ecirc;ndio da doutrina social da Igreja<\/em>, 2 de abril de 2004, 462.<\/p>\n<p><sup><sup>[4]<\/sup><\/sup> Taleb Rifai, Secret&aacute;rio-Geral da OMT, <em>Mensagem para a Jornada Mundial do Turismo 2012<\/em>.<\/p>\n<p><sup><sup>[5]<\/sup><\/sup> Bento XVI, Enc&iacute;clica <em>Caritas in veritate<\/em>, 29 de junho de 2009, 51.<\/p>\n<p><sup><sup>[6]<\/sup><\/sup> Bento XVI, <em>Mensagem por ocasi&atilde;o do VII Congresso Mundial da Pastoral do Turismo<\/em>, Canc&uacute;n (M&eacute;xico), 23-27 de abril de 2012.<\/p>\n<p><sup><sup>[7]<\/sup><\/sup> Bento XVI, Enc&iacute;clica <em>Caritas in veritate<\/em>, 29 de junho de 2009, 51.<\/p>\n<p><sup><sup>[8]<\/sup><\/sup> Bento XVI, <em>Discurso aos novos embaixadores acreditados junto da Santa S&eacute;, <\/em>9 de junho de 2011.<\/p>\n<p><sup><sup>[9]<\/sup><\/sup> Bento XVI, Enc&iacute;clica <em>Caritas in veritate<\/em>, 29 de junho de 2009, 51.<\/p>\n<p><sup><sup>[10]<\/sup><\/sup> Bento XVI, <em>Mensagem para a Jornada Mundial da Paz<\/em>, 1 de janeiro de 2010, 9.<\/p>\n<p><sup><sup>[11]<\/sup><\/sup> Conselho Pontif&iacute;cio Justi&ccedil;a e Paz, <em>Comp&ecirc;ndio da doutrina social da Igreja<\/em>, 2 de abril de 2004, 466.<\/p>\n<p><sup><sup>[12]<\/sup><\/sup> Bento XVI, <em>Mensagem por ocasi&atilde;o do VII Congresso Mundial da Pastoral do Turismo<\/em>, Canc&uacute;n (M&eacute;xico), 23-27 de abril de 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Turismo e sustentabilidade energ&eacute;tica: propulsores do desenvolvimento sustent&aacute;vel&rdquo; No dia 27 de setembro celebra-se a Jornada Mundial do Turismo, promovida anualmente pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Turismo (OMT). 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