{"id":57553,"date":"2012-07-24T11:51:54","date_gmt":"2012-07-24T11:51:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/24\/escutismo-uma-historia-com-futuro\/"},"modified":"2012-07-24T11:51:54","modified_gmt":"2012-07-24T11:51:54","slug":"escutismo-uma-historia-com-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/escutismo-uma-historia-com-futuro\/","title":{"rendered":"Escutismo, uma hist\u00f3ria com futuro"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Armando Gon\u00e7alves \u00e9 o primeiro dirigente portugu\u00eas a integrar a lideran\u00e7a do Comit\u00e9 Mundial do Escutismo <!--more--> <\/p>\n<p>Jo&atilde;o Armando Gon&ccedil;alves foi eleito em janeiro de 2011 para o Comit&eacute; Mundial da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Movimento Escutista (OMME), tonando-se o primeiro dirigente portugu&ecirc;s a integrar esta lideran&ccedil;a. Em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, fala do presente e do futuro do Escutismo, com janelas abertas sobre a realidade nacional<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA &ndash; Ap&oacute;s este ano e meio de contacto com outras realidades, como <\/em>&eacute;<em> que a proposta do Escutismo se continua a impor e a manter relev&acirc;ncia no mundo de hoje?<\/em><\/p>\n<p><em>Jo&atilde;o Armando Gon&ccedil;alves<\/em> &ndash; A principal causa para isso acontecer tem a ver com a flexibilidade, digamos assim: apesar de haver alguns elementos que s&atilde;o mais identificativos daquilo que &eacute; o Movimento, h&aacute; sempre um espa&ccedil;o para que o Escutismo possa ser ajustado &agrave;s necessidades que v&atilde;o ocorrendo por este mundo fora, a n&iacute;vel nacional, &agrave;s vezes mesmo a n&iacute;vel local. Esta adaptabilidade &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es locais tem permitido que o Movimento continue a ter o sucesso que tem, com mais de 30 milh&otilde;es de membros em 161 pa&iacute;ses e territ&oacute;rios, &agrave; escala global.<\/p>\n<p>O Escutismo continua a responder &agrave; sede que os jovens t&ecirc;m de aventura, de encontrar outras pessoas, de se sentirem &uacute;teis e importantes. &Eacute; um bocadinho essa resposta que continua a ser dada, mesmo depois de 100 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Este <\/em>&eacute;<em> um Movimento essencialmente juvenil. Qual a mensagem de transforma&ccedil;&atilde;o da realidade que se procura transmitir <\/em>&agrave;s<em> novas gera&ccedil;&otilde;es?<\/em><\/p>\n<p><em>JAG<\/em> &ndash; A ideia de poder transformar o mundo atrav&eacute;s da educa&ccedil;&atilde;o, que pode parecer algo ambiciosa. Lia recentemente uma frase do Nelson Mandela, a dizer que a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma das armas mais potentes do ponto de vista de transforma&ccedil;&atilde;o do mundo.<\/p>\n<p>O Escutismo, afirmando-se como um movimento de educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-formal, quer de alguma maneira contribuir para transformar o mundo, nas pequenas coisas. N&atilde;o &eacute; mudar radicalmente, n&atilde;o &eacute; uma vis&atilde;o rom&acirc;ntica, mas &eacute; a mudan&ccedil;a que se faz em cada dia, nas atitudes de cada pessoa, nas a&ccedil;&otilde;es que cada um pode ter nas pr&oacute;prias comunidades. &Eacute; uma mudan&ccedil;a quase incremental, porque cada pessoa tem um papel pequenino na sua escola, no seu trabalho, por a&iacute; fora.<\/p>\n<p>No fundo, o Escutismo come&ccedil;ou por ser fundado com esta perspetiva de melhorar a vida dos jovens e continua hoje a ter esse grande des&iacute;gnio, numa vis&atilde;o de futuro, isto &eacute;, podermos contribuir de alguma maneira para que os cidad&atilde;os, quando adultos &ndash; porque os jovens tamb&eacute;m s&atilde;o cidad&atilde;os &ndash; tenham um perfil, uma atitude, uma postura deste ponto de vista construtivo, que possa fazer a diferen&ccedil;a nas sociedades em que est&atilde;o a viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Pode dizer-se que a proposta formativa do Escutismo, com um esfor&ccedil;o de constru&ccedil;&atilde;o <\/em>&eacute;tica<em> do indiv&iacute;duo, tem um conjunto de elementos que transmitem uma espiritualidade?<\/em><\/p>\n<p><em>JAG<\/em> &ndash; Sim. A espiritualidade &eacute; um aspeto intr&iacute;nseco &agrave; pr&oacute;pria forma&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo. Na abordagem que se faz na educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-formal de que falava antes, h&aacute; uma s&eacute;rie de dimens&otilde;es que s&atilde;o tidas em conta, quer do ponto de vista f&iacute;sico &ndash; o contacto com a natureza, com uma componente de desafio permanente -, quer do ponto de vista intelectual. Uma delas &eacute;, naturalmente, a dimens&atilde;o espiritual, absolutamente inerente &agrave; forma&ccedil;&atilde;o humana.<\/p>\n<p>H&aacute; aqui essa vertente individual, que &eacute; importante, e depois os pr&oacute;prios elementos constitutivos do Escutismo, desde o seu in&iacute;cio, cria aquilo a que n&oacute;s chamamos a &lsquo;m&iacute;stica da viv&ecirc;ncia&rsquo;, um certo esp&iacute;rito entre as pessoas que s&atilde;o ou foram escuteiras. Tive essa experi&ecirc;ncia, h&aacute; pouco tempo, com um grupo de antigos escuteiros do meu agrupamento, que se voltou a juntar passados 30-40 anos e que continua a ter um esp&iacute;rito muito especial, pr&oacute;prio, diferente. O ambiente onde as coisas s&atilde;o vividas tamb&eacute;m &eacute; especial e tudo isso contribui para uma viv&ecirc;ncia espiritual, do ponto de vista individual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A crescente urbaniza&ccedil;&atilde;o traz desafios ao Escutismo, t&atilde;o ligado ao contacto com a natureza?<\/em><\/p>\n<p><em>JAG<\/em> &ndash; Este &eacute; de facto um dos desafios mais importantes, porque cada vez mais pessoas vivem nas cidades e h&aacute; todo um estilo de vida urbano ao qual o Movimento se tem de adaptar, n&atilde;o tenho d&uacute;vidas. Penso, ali&aacute;s, que um dos desafios maiores que o Escutismo vai atravessando &eacute; encontrar o equil&iacute;brio entre aquilo que &eacute; a sua matriz original e as r&aacute;pidas mudan&ccedil;as que experimentamos hoje em dia, mormente ao n&iacute;vel da juventude.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio manter alguns elementos que s&atilde;o distintivos do Movimento e adaptar-se &agrave;s novas formas de as pessoas se relacionarem, comunicarem, &agrave;s pr&oacute;prias rela&ccedil;&otilde;es de hierarquia, de poder, que mudaram. H&aacute; uma s&eacute;rie de tend&ecirc;ncias a que temos de estar atentos, com equil&iacute;brio entre a mudan&ccedil;a e os elementos que nos acompanham h&aacute; mais de 100 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Em Portugal, existe uma implanta&ccedil;&atilde;o j&aacute; hist&oacute;rica do Escutismo. Existe o risco de as pessoas se acomodarem nesta situa&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>JAG<\/em> &ndash; N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que o Escutismo em Portugal tem uma import&acirc;ncia muito grande e corresponde totalmente ao perfil educativo e de marcar a vida das pessoas. Costumo dizer que um dos sinais reveladores de quanto as pessoas valorizam a a&ccedil;&atilde;o que fazemos &eacute; quando temos muitos pais a insistir para levar os seus filhos para os escuteiros. Desta forma, reconhecem que aquilo que fizeram antes foi importante para as suas pr&oacute;prias vidas.<\/p>\n<p>H&aacute; uma ideia, que me parece correta, de que aquilo que se vai fazendo no pa&iacute;s, em termos de Escutismo, tem impacto. S&atilde;o coisas que se vivem em momentos muito curtos, mas com grande intensidade, que marcam para a vida.<\/p>\n<p>N&atilde;o digo que n&atilde;o pud&eacute;ssemos trabalhar em termos de imagem, porque ainda h&aacute; algumas pessoas com uma vis&atilde;o distorcida do que fazemos. Comunicar &eacute;, hoje em dia, algo essencial, quase como respirar. Ainda assim, sobretudo a n&iacute;vel local, h&aacute; um enraizamento grande nas comunidades, nas par&oacute;quias, e sabe-se bem o que os escuteiros fazem, h&aacute; uma no&ccedil;&atilde;o muito vivida, pessoal.<\/p>\n<p>Penso que esta a&ccedil;&atilde;o tem uma import&acirc;ncia muit&iacute;ssimo grande na forma&ccedil;&atilde;o das pessoas.<\/p>\n<p>Em termos de adapta&ccedil;&atilde;o aos dias de hoje, n&atilde;o podemos esquecer as tend&ecirc;ncias das pessoas, o facto de sabermos que o Interior do pa&iacute;s tem cada vez menos gente. Naturalmente, isso tem impacto nos agrupamentos, h&aacute; tend&ecirc;ncias nacionais que temos de ter em conta e encontrar solu&ccedil;&otilde;es para que o Escutismo possa continuar a existir.<\/p>\n<p><em>OC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Armando Gon\u00e7alves \u00e9 o primeiro dirigente portugu\u00eas a integrar a lideran\u00e7a do Comit\u00e9 Mundial do Escutismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[199],"class_list":["post-57553","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57553"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57553\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}