{"id":57452,"date":"2012-07-17T12:21:12","date_gmt":"2012-07-17T12:21:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/17\/algarve-a-pieta-do-sul-de-portugal\/"},"modified":"2012-07-17T12:21:12","modified_gmt":"2012-07-17T12:21:12","slug":"algarve-a-pieta-do-sul-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/algarve-a-pieta-do-sul-de-portugal\/","title":{"rendered":"Algarve: A Piet\u00e1 do Sul de Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Na primeira quinzena pascal, a Diocese do Algarve vive uma das maiores manifesta&ccedil;&otilde;es de f&eacute; a sul do rio Tejo, com as festas da M&atilde;e Soberana. A tradi&ccedil;&atilde;o que remonta ao s&eacute;culo XVI conduz a Loul&eacute; milhares de crentes e curiosos para participarem na &laquo;festa pequena&raquo; e, essencialmente, na &laquo;festa grande&raquo;.<\/p>\n<p>Chamam-se &laquo;festa pequena&raquo;, quando o andor da M&atilde;e Soberana desce da ermida da Senhora da Piedade, at&eacute; &agrave; Igreja de S&atilde;o Francisco, por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; &laquo;festa grande&raquo;, 15 dias depois, quando se trata do adeus &agrave; padroeira de Loul&eacute;.<\/p>\n<p>A festa tem dois momentos distintos. Na P&aacute;scoa, a imagem que fica na Ermida da Senhora da Piedade, no alto do cerro, desce a &iacute;ngreme ladeira, carregado o andor em bra&ccedil;os, num dif&iacute;cil equil&iacute;brio, porque afinal, a descer, todos os santos ajudam e a cal&ccedil;ada &eacute; escorregadia.<\/p>\n<p>&Eacute; uma marcha considerada &laquo;profana&raquo;, que inicia um per&iacute;odo de maior religiosidade, com a realiza&ccedil;&atilde;o de novenas, logo que a imagem chega &agrave; igreja de S&atilde;o Francisco, no centro da cidade algarvia.<\/p>\n<p>Na &laquo;festa grande&raquo;, oito os homens &#8211; vestidos de cal&ccedil;as e opas brancas &#8211; carregam o andor e sobem o &iacute;ngreme cerro, sempre ao ritmo da m&uacute;sica. Na prociss&atilde;o da &laquo;festa grande&raquo;, o andor, na despedida &agrave; cidade, para em frente ao edif&iacute;cio dos Pa&ccedil;os do Concelho, porque era a&iacute;, na C&acirc;mara, que se elegiam os mordomos da confraria de Nossa Senhora da Piedade e se nomeavam os homens que em cada ano transportariam o andor.<\/p>\n<p>Logo que se escutam os acordes da &laquo;marcha picada&raquo; do hino da M&atilde;e Soberana o passo acelera, transforma-se numa corrida de equil&iacute;brio, com a popula&ccedil;&atilde;o a exortar o esfor&ccedil;o e a acenar com milhares de len&ccedil;os brancos.<\/p>\n<p>Um quadro religioso raro, somente compar&aacute;vel &agrave;s festividades religiosas minhotas, numa cidade que, para os mais distra&iacute;dos, apenas oferece sol, mar e carnaval.<\/p>\n<p>Os muros brancos que cercam uma prov&aacute;vel via romana, como gostam de acreditar os locais, est&atilde;o bordejados pela multid&atilde;o, um &ldquo;len&ccedil;ol branco esvoa&ccedil;ante substitui por momentos o verde da colina&rdquo; a noroeste da cidade de Loul&eacute;. (Cf. Jornal &laquo;Expresso&raquo;, 01 de maio de 2004)<\/p>\n<p>Na zona circundante do santu&aacute;rio, o cheiro a tomilho selvagem &eacute; intenso, visto que &eacute; macerado por milhares de p&eacute;s e o seu aroma suplanta o da cera das velas e o do incenso. No in&iacute;cio da ladeira, a banda da m&uacute;sica acelera o ritmo e o clima de tens&atilde;o &eacute; not&oacute;rio. Um rio de gente sobe o cerro a uma velocidade estonteante e, sobre as suas cabe&ccedil;as, aos saltos e oscilando como um barco, vai o andor. Os acordes da banda filarm&oacute;nica s&atilde;o temperados por gritos roucos, uns tonitruantes, outros agudos. S&atilde;o vivas alegres, entoados por um mandador improvisado a que os assistentes respondem, repetindo incessantemente: &laquo;Viva, a M&atilde;e Soberana&raquo;.<\/p>\n<p>A imagem da M&atilde;e Soberana tem autor desconhecido e tudo o que se sabe &eacute; que ter&aacute; sido esculpida no in&iacute;cio do s&eacute;culo XVIII, em madeira e ouro. Enquanto se cumprem os &uacute;ltimos rituais religiosos ao ar livre, h&aacute; quem prefira ir para dentro da pequena ermida agradecer as gra&ccedil;as obtidas por interm&eacute;dio da M&atilde;e Soberana, a Piet&aacute; do Sul do pa&iacute;s. J&aacute; o sol se p&ocirc;s quando as entidades eclesi&aacute;sticas, a banda e muitos milhares de crentes descem a ladeira rumo &agrave; cidade, deixando que o sil&ecirc;ncio volte a cair sobre a M&atilde;e Soberana.<\/p>\n<p>Conta a lenda que as tentativas para construir uma ermida em honra da Virgem da Piedade, numa gruta, sa&iacute;ram frustradas. Os pedreiros, ap&oacute;s o dia de trabalho deixavam no local as ferramentas, para no dia seguinte as encontrar no alto do cerro.<\/p>\n<p>Atribuiu-se tal fa&ccedil;anha a um &laquo;milagre&raquo; da santa, que assim manifestava a sua vontade de ter o seu templo num local alto e sobranceiro e n&atilde;o escondida numa cova. E fez-se a sua vontade. A pequenina ermida ficou conclu&iacute;da em 1553 e at&eacute; 1970 acolheu a imagem. (cf. Concei&ccedil;&atilde;o Branco, in: www.observatoriodoalgarve.com)<\/p>\n<p>A comiss&atilde;o fabriqueira da M&atilde;e Soberana iniciou em 1970 a constru&ccedil;&atilde;o de um santu&aacute;rio da autoria do arquiteto Nereus Fernandes, que previa a destrui&ccedil;&atilde;o da ermida, facto mal aceite pelos fi&eacute;is. O projeto acabaria por ser interrompido e a obra reiniciou-se em 1988, desta vez sob a responsabilidade do arquiteto Ant&oacute;nio Serrano Santos. Mas s&oacute; em 1994 foi inaugurada a nova constru&ccedil;&atilde;o, permanecendo a seu lado a humilde ermida.<\/p>\n<p><em>&nbsp;LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na primeira quinzena pascal, a Diocese do Algarve vive uma das maiores manifesta&ccedil;&otilde;es de f&eacute; a sul do rio Tejo, com as festas da M&atilde;e Soberana. 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