{"id":57444,"date":"2012-07-17T11:24:29","date_gmt":"2012-07-17T11:24:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/17\/um-turismo-de-rosto-humano\/"},"modified":"2012-07-17T11:24:29","modified_gmt":"2012-07-17T11:24:29","slug":"um-turismo-de-rosto-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-turismo-de-rosto-humano\/","title":{"rendered":"Um Turismo de Rosto Humano"},"content":{"rendered":"<p>Padre Carlos Godinho, diretor da Obra Nacional da Pastoral do Turismo <!--more--> <\/p>\n<p>O turismo &eacute;, inequivocamente, uma das atividades humanas em maior expans&atilde;o em todo o mundo. Se atendermos simplesmente ao ano de 2011, verificamos que o n&uacute;mero global de turistas foi, na generalidade, de 980 milh&otilde;es, registando um acr&eacute;scimo de 4% relativamente ao ano anterior, de 2010, pois este ano havia contado com um total de 935 milh&otilde;es de turistas.<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> Mas se considerarmos a sequ&ecirc;ncia temporal, constatamos que o n&uacute;mero de turistas passou de 528 milh&otilde;es, em 1995, para os 980 milh&otilde;es em 2011, como acabamos de indicar.<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> Portugal, neste contexto, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; exce&ccedil;&atilde;o: em 2011 registou um total de 14,0 milh&otilde;es de turistas, dos quais 7,4 milh&otilde;es (53%) eram estrangeiros<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>, sendo os restantes nacionais; gerando uma receita global de 8,1 mil milh&otilde;es de euros, correspondente a um acr&eacute;scimo de 7% no montante total da receita, por compara&ccedil;&atilde;o com o ano de 2010.<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Mas, se estes s&atilde;o dados imediatos da mais-valia do turismo, enquanto produto econ&oacute;mico, n&atilde;o podemos ficar ref&eacute;ns desta vis&atilde;o, olhando para o turismo como uma atividade verdadeiramente humana e de promo&ccedil;&atilde;o da pessoa. Assim, um turismo humanizador tem de corresponder a uma s&eacute;ria conce&ccedil;&atilde;o antropol&oacute;gica que lhe sirva de suporte. O turismo, pela sua natureza, tem de estar ao servi&ccedil;o do desenvolvimento integral da pessoa humana, numa vis&atilde;o integrada de todas as suas dimens&otilde;es &ndash; f&iacute;sica, ps&iacute;quica, afetiva, cognitiva, social e espiritual. Ora, &eacute; aqui que a Igreja se situa, n&atilde;o exclusivamente na promo&ccedil;&atilde;o da vida espiritual &#8211; tarefa que lhe &eacute; imprescind&iacute;vel -, mas igualmente com a preocupa&ccedil;&atilde;o de promover um turismo verdadeiramente digno da pessoa humana, pois, como afirma o Conc&iacute;lio Vaticano II, &laquo;tudo o que existe na terra deve ser ordenado para o homem, como para o seu centro e v&eacute;rtice&raquo; (GS. 12). Neste sentido, a pastoral do turismo move-nos a iluminar esta atividade dos homens com a palavra do Evangelho e a promov&ecirc;-la &agrave; luz das orienta&ccedil;&otilde;es da Doutrina Social da Igreja, para que, em todas as suas dimens&otilde;es, sirva, de facto, o bem da pessoa e de todas as pessoas.<\/p>\n<p>O esfor&ccedil;o de ilumina&ccedil;&atilde;o desta realidade, por parte da Igreja, inicia-se logo no p&oacute;s-Vaticano II, obedecendo ao princ&iacute;pio estabelecido pelo pr&oacute;prio Conc&iacute;lio, que afirmava: &laquo;promovam-se m&eacute;todos pastorais convenientes, para proporcionar a assist&ecirc;ncia religiosa &agrave;queles que se deslocam por algum tempo a outras regi&otilde;es para passar f&eacute;rias&raquo; (CD. 18). Sem nos podermos deter na hist&oacute;ria subsequente das determina&ccedil;&otilde;es pastorais, para esta &aacute;rea da atividade humana, diremos apenas que se afirmou uma vasta solicitude da Igreja para com o turismo, desembocando na &uacute;ltima refer&ecirc;ncia do Papa Bento XVI, que convida a Igreja a inseri-lo na sua &laquo;pastoral org&acirc;nica e ordin&aacute;ria&raquo;<a href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>Na verdade, o turismo manifesta-se, nos tempos hodiernos, como um verdadeiro sinal dos tempos, que urge interpretar &agrave; luz do Evangelho, como meio de responder &agrave;s grandes interroga&ccedil;&otilde;es sobre a vida presente e futura (cf. GS. 4). &Eacute; um meio privilegiado para consciencializar o homem da sua condi&ccedil;&atilde;o de &laquo;homo viator&raquo;, &agrave; procura de novas respostas para si, para os outros e para o mundo, na abertura a novos horizontes que o turismo tamb&eacute;m proporciona. &Eacute; nesta perspetiva abrangente, traduzida, depois, em objetivos claros, que se coloca a Obra Nacional da Pastoral do Turismo, recentemente criada em Portugal. Visa, na sua a&ccedil;&atilde;o, responder &agrave;s inquieta&ccedil;&otilde;es mais profundas da pessoa humana, iluminando a sua exist&ecirc;ncia, com recurso aos meios que s&atilde;o colocados ao seu dispor e de que pode usufruir na pr&aacute;tica da atividade tur&iacute;stica. Aprofundar valores; preparar meios humanos e t&eacute;cnicos; abrir novos horizontes, que passem do temporal ao eterno; ser&atilde;o, por certo, crit&eacute;rios da a&ccedil;&atilde;o que agora nos move. Essencialmente, pretendemos criar um turismo de rosto verdadeiramente humano, enquanto portador de uma resposta global &agrave;s inquieta&ccedil;&otilde;es sobre o sentido pleno da vida. Isto &eacute;, um turismo que, na iman&ecirc;ncia do agir humano, abra ao homem dimens&otilde;es profundas de transcend&ecirc;ncia. &Eacute; nesta perspetiva que nos colocamos, com uma vontade firme, na senda de um contributo futuro que possa potenciar o que de bom j&aacute; <em>se realiza.<\/em><\/p>\n<p><em>Pe. Dr. Carlos Alberto da Gra&ccedil;a Godinho<br \/>Diretor da Obra Nacional da Pastoral do Turismo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Cf. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Turismo. [Cons. 11 de julho de 2012]. Dispon&iacute;vel em: http:\/\/www2.unwto.org\/en<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Cf. <em>Ibidem.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Cf. &laquo;Estat&iacute;sticas&raquo; in Turismo de Portugal. [Cons. 11 de julho de 2012]. Dispon&iacute;vel em: http:\/\/www.turismodeportugal.pt<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Cf. <em>Ibidem.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> PAPA BENTO XVI &ndash; <em>Mensagem do Papa Bento XVI por ocasi&atilde;o do Congresso Mundial da Pastoral do Turismo. <\/em>Canc&uacute;n, 23 &ndash; 27 de abril de 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Carlos Godinho, diretor da Obra Nacional da Pastoral do Turismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,320],"class_list":["post-57444","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57444"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57444\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}