{"id":57434,"date":"2012-07-16T16:40:47","date_gmt":"2012-07-16T16:40:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/16\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-missa-da-vigilia-da-peregrinacao-do-movimento-da-mensagem-de-fatima\/"},"modified":"2012-07-16T16:40:47","modified_gmt":"2012-07-16T16:40:47","slug":"homilia-do-bispo-de-aveiro-na-missa-da-vigilia-da-peregrinacao-do-movimento-da-mensagem-de-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-missa-da-vigilia-da-peregrinacao-do-movimento-da-mensagem-de-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Aveiro na Missa da V\u00edg\u00edlia da peregrina\u00e7\u00e3o do Movimento da Mensagem de F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><em><br \/><\/em><\/strong>1.&ldquo;<em>Falai, Senhor, que o vosso servo escuta&rdquo; (1 Sam 3, 10). <\/em>Samuel encontrava-se no templo do Senhor, perto da Arca da Alian&ccedil;a, e ali servia o Senhor. Ao ouvir o seu nome, no sil&ecirc;ncio da noite, foi ao encontro de quem estava por perto, sentindo que ali se encontraria a origem e o autor daquela voz e ali se situava a raz&atilde;o daquele insistente chamamento: <em>&laquo;Samuel, Samuel&raquo;<\/em> ( 1 Sam 3, 9).<\/p>\n<p>O sacerdote Heli interpelado por Samuel, no descanso do sono, entende a atitude desta crian&ccedil;a como uma forma de aten&ccedil;&atilde;o dada &agrave; voz de Deus, muito pr&oacute;pria daqueles que vivem no templo e servem o altar do Senhor, dispon&iacute;veis para ouvir o que Deus tem para lhes dizer.<\/p>\n<p>Heli foi para Samuel o mediador da voca&ccedil;&atilde;o, ali colocado por Deus, ajudando-o a compreender que era outra a fonte do chamamento e que, por isso mesmo, deveria ser maior o horizonte e diferente o sentido da resposta.<\/p>\n<p>Em Samuel, como em muitas crian&ccedil;as, que sentem o fasc&iacute;nio da voz de Deus, cumpre-se a palavra de Jesus, que o evangelho de hoje nos recorda, quando responde &agrave; pergunta dos disc&iacute;pulos sobre quem &eacute; o maior no reino dos C&eacute;us: <em>&laquo;Quem for humilde como uma crian&ccedil;a, esse ser&aacute; o maior no reino dos C&eacute;us&hellip;Eu vos digo que os seus Anjos veem constantemente o rosto de meu Pai que est&aacute; nos C&eacute;us&raquo;, <\/em>disse Jesus<em> (Mt 18, 1-5).<\/em><\/p>\n<p>2<em>. &ldquo;Quereis oferecer-vos a Deus?&rdquo;,<\/em> perguntou, noutro tempo e noutro ambiente, Nossa Senhora, na sua primeira apari&ccedil;&atilde;o, aqui em F&aacute;tima, em 13 de maio de 1917, a tr&ecirc;s crian&ccedil;as, L&uacute;cia, Jacinta e Francisco. E a resposta surgiu, espont&acirc;nea e decidida, por parte de L&uacute;cia, dada em nome de todos: <em>&laquo;Sim queremos&raquo;.<\/em> <em>(Mem&oacute;rias da Irm&atilde; L&uacute;cia, ed. De 1997, p&aacute;g. 162).<\/em><\/p>\n<p>3.Caros peregrinos:<\/p>\n<p>A voz do Senhor &eacute; sempre uma voz envolvida de surpresa, de di&aacute;logo e de gra&ccedil;a. E a resposta humana dada a Deus s&oacute; pode revestir-se de simplicidade, de verdade e de encanto. Ningu&eacute;m estranha, por isso, que sejam as crian&ccedil;as, sempre simples e verdadeiras, as mais despertas &agrave; voz do Senhor, as mais generosas para se ofereceram a Deus e as mais dispon&iacute;veis para serem profetas do Alt&iacute;ssimo e mensageiras e portadoras da Sua gra&ccedil;a.<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a de Deus junto da Humanidade &eacute; sempre da ordem do milagre e do mist&eacute;rio. Esta presen&ccedil;a e esta proximidade, esta voz e este chamamento s&atilde;o muitas vezes mediados por pessoas e acontecimentos, circunst&acirc;ncias e palavras que nos deixam fascinados diante da sabedoria nascida do cora&ccedil;&atilde;o dos mais pequeninos e s&oacute; poss&iacute;vel gra&ccedil;as &agrave; compreens&atilde;o dos mais simples.<\/p>\n<p>Assim aconteceu com Samuel, a crian&ccedil;a atenta &agrave; voz do Senhor, no templo de Jerusal&eacute;m; assim se manifestou na crian&ccedil;a chamada por Jesus e apresentada como exemplo de grandeza maior do Reino dos C&eacute;us; assim se revelou para n&oacute;s e para o mundo, aqui, em F&aacute;tima, desde 1917, nos tr&ecirc;s Pastorinhos, escolhidos por Nossa Senhora, para serem mensageiros de uma esperan&ccedil;a nova e de uma bem-aventuran&ccedil;a eterna.<\/p>\n<p>4.&Eacute; a todos n&oacute;s, peregrinos do Movimento da Mensagem de F&aacute;tima, que Deus fala, Deus chama e Deus pergunta: <em>&laquo;Quereis oferecer-vos a Deus para bem do mundo e salva&ccedil;&atilde;o da humanidade?&raquo; (Mem. da Irm&atilde; L&uacute;cia. ed. 1997, p&aacute;g. 162).<\/em><\/p>\n<p>A nossa resposta s&oacute; pode brotar de um cora&ccedil;&atilde;o limpo como o cora&ccedil;&atilde;o de uma crian&ccedil;a; s&oacute; pode surgir de um cora&ccedil;&atilde;o livre como os simples e humildes conseguem ter; s&oacute; pode nascer a partir de um cora&ccedil;&atilde;o sem medo.<\/p>\n<p>&nbsp;Precisamos de pessoas que confiem no Senhor e se abandonem e entreguem a Deus, certos de que s&oacute; o amor que nos faz irm&atilde;os e solid&aacute;rios liberta e faz viver. Precisamos de pessoas de cora&ccedil;&atilde;o s&aacute;bio, preenchido da sabedoria de Deus, capazes de ver, de ouvir e de sentir que nos ensinem a acreditar para l&aacute; do &oacute;bvio, do trivial e do imediato, do &uacute;til, das conveni&ecirc;ncias, dos interesses e dos oportunismos.<\/p>\n<p>As pessoas mais pr&oacute;ximas de Deus s&atilde;o sempre as pessoas de cora&ccedil;&atilde;o simples, as mais livres e as mais dispon&iacute;veis para fazer o bem. Assim foi Francisco, o pastorinho de F&aacute;tima, que via e amava o Jesus escondido; assim foi a sua irm&atilde; Jacinta que percebia sua inoc&ecirc;ncia e candura, ou na doen&ccedil;a e no sofrimento o valor imenso e transcendente da for&ccedil;a da f&eacute; e da beleza da vida; assim foi L&uacute;cia que, na clausura de um convento carmelita, e numa vida prolongada a fazer o bem, contemplava Deus e dilatava o seu cora&ccedil;&atilde;o, sempre atento e ativo, &agrave;s dimens&otilde;es da Igreja e &agrave;s necessidades do Mundo.<\/p>\n<p>Assim sejamos n&oacute;s, tamb&eacute;m, descobrindo no chamamento de Deus, na voz da Senhora mais brilhante do que o Sol, e na mensagem de Seu Filho, que em F&aacute;tima Ela nos confiou, o caminho para nos oferecermos a Deus e servirmos os irm&atilde;os.<\/p>\n<p>5.Caros peregrinos:<\/p>\n<p>&nbsp;Estamos na porta franqueada e desejada das f&eacute;rias para muita gente e concretamente para muitas crian&ccedil;as e jovens que conclu&iacute;ram os seus exames e o trabalho na escola.<\/p>\n<p>Oxal&aacute; as f&eacute;rias nos aproximem mais uns dos outros, nos ajudem a ver a beleza da vida e das coisas, nos valorizem como fam&iacute;lia, nos abram os horizontes novos da comunidade e as dimens&otilde;es criativas do voluntariado e da miss&atilde;o e nos deem tempo e sil&ecirc;ncio para ouvirmos Deus.<\/p>\n<p>Sentimos todos que s&atilde;o dif&iacute;ceis os tempos que vivemos e incontorn&aacute;veis os desafios e dificuldades, como s&atilde;o evidentes as injusti&ccedil;as e as desigualdades sociais. Somos peregrinos, aqui trazidos pela for&ccedil;a da f&eacute;, para sermos mensageiros da esperan&ccedil;a em busca de tempos melhores e portadores das certezas inabal&aacute;veis que nas&ccedil;am do cora&ccedil;&atilde;o da f&eacute; e se pressintam e antevejam j&aacute; atrav&eacute;s da presen&ccedil;a e da voz da M&atilde;e, a Senhora de F&aacute;tima.<\/p>\n<p>Muitos dos p&eacute;s magoados pela dureza da vida de tantas fam&iacute;lias e pelo sofrimento do caminho de tantas pessoas, s&atilde;o p&eacute;s de peregrinos, que passam necessariamente por F&aacute;tima na procura da for&ccedil;a da esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Muitas das respostas a dar a Portugal neste tempo, se pensarmos melhor e quisermos o bem igual e justo para todos, como irm&atilde;os que somos, passam obrigatoriamente pela Mensagem de F&aacute;tima, como fonte inesgot&aacute;vel e manancial abundante de gra&ccedil;a e de inspira&ccedil;&atilde;o para o futuro.<\/p>\n<p><em>&laquo;A gra&ccedil;a de Deus ser&aacute; sempre o vosso conforto&raquo;, <\/em>disse Nossa Senhora aos Pastorinhos, em maio de 1917 <em>(Mem. Da Irm&atilde; L&uacute;cia, ed. De 1997, p&aacute;g. 162).<\/em><\/p>\n<p>Quero dizer-vos o mesmo, crian&ccedil;as e fam&iacute;lias de Portugal, que sonhais para v&oacute;s, vossos filhos e netos, um futuro feliz; quero dizer-vos o mesmo, queridos doentes, que encontrais na Mensagem de F&aacute;tima e nos seus incans&aacute;veis servidores alento, do&ccedil;ura e &acirc;nimo reconfortante.<\/p>\n<p>&nbsp;<em>&laquo;A gra&ccedil;a de Deus ser&aacute; o conforto&raquo;<\/em> e a consola&ccedil;&atilde;o de todos os que anseiam por um mundo melhor mesmo que constru&iacute;do por entre l&aacute;grimas e dores, desemprego e prova&ccedil;&otilde;es; ser&aacute; o <em>conforto e a alegria<\/em> de todos quantos amam a Deus e se sentem Igreja peregrina e lugar de esperan&ccedil;a para o mundo; ser&aacute; o <em>conforto e a for&ccedil;a<\/em> de todos os que, no acordar de cada manh&atilde; e ao longo de todos os dias se oferecem a Deus e servem os que mais sofrem.<\/p>\n<p>Viemos como peregrinos de F&aacute;tima. Regressemos amanh&atilde; a nossas casas e &agrave;s nossas comunidades e dioceses como portadores deste tesouro sagrado de <em>gra&ccedil;a, de conforto, <\/em>que &eacute; a Mensagem de F&aacute;tima.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m a&iacute;, a gra&ccedil;a de Deus e a prote&ccedil;&atilde;o materna de Nossa Senhora de F&aacute;tima, M&atilde;e de Deus e nossa M&atilde;e, ser&atilde;o sempre a nossa alegria, a nossa paz e a nossa b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em>Santu&aacute;rio de F&aacute;tima, 14 de julho de 2012<\/em><\/p>\n<p><em>D. Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1.&ldquo;Falai, Senhor, que o vosso servo escuta&rdquo; (1 Sam 3, 10). Samuel encontrava-se no templo do Senhor, perto da Arca da Alian&ccedil;a, e ali servia o Senhor. 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