{"id":57429,"date":"2012-07-16T12:32:46","date_gmt":"2012-07-16T12:32:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/16\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-celebracao-dos-80-anos-da-paroquia-de-sao-jose\/"},"modified":"2012-07-16T12:32:46","modified_gmt":"2012-07-16T12:32:46","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-na-celebracao-dos-80-anos-da-paroquia-de-sao-jose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-celebracao-dos-80-anos-da-paroquia-de-sao-jose\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Coimbra na celebra\u00e7\u00e3o dos 80 anos da Par\u00f3quia de S\u00e3o Jos\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>&ldquo;Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos C&eacute;us nos aben&ccedil;oou com toda a esp&eacute;cie de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os espirituais em Cristo&rdquo;. Esta par&oacute;quia de S&atilde;o Jos&eacute;, a celebrar os seus oitenta anos, &eacute; um dos sinais reais e pr&oacute;ximos dessa b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus, pelos quais sentimos o dever de O louvar, bendizer e agradecer.<\/p>\n<p>Estamos numa parte muito populosa da cidade de Coimbra, lugar, por isso, de desafios maiores no que respeita &agrave; evangeliza&ccedil;&atilde;o, &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da comunidade humana e crist&atilde;, &agrave; cria&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia da f&eacute; e da ades&atilde;o a Cristo.<\/p>\n<p>Muito se fez nestes oitenta anos, resultado da a&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica e pastoral de homens e mulheres, sacerdotes e leigos, imbu&iacute;dos do esp&iacute;rito evang&eacute;lico que impele &agrave; miss&atilde;o. A a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as &eacute;, por isso, muito sentida por todos os que alegremente e com o sacrif&iacute;cio de si mesmos se deram neste trabalho de empenhamento na vida paroquial; a a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as &eacute;, igualmente, sentida, por todos os que foram destinat&aacute;rios da miss&atilde;o e se abriram &agrave; for&ccedil;a do Esp&iacute;rito de Deus atrav&eacute;s dos meios humanos, materiais e espirituais proporcionados por esta comunidade crist&atilde;. Bendito seja Deus por tudo isso!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Palavra de Deus escutada apontava-nos as dimens&otilde;es centrais da vida e a&ccedil;&atilde;o da Igreja e das comunidades crist&atilde;s, tanto do passado como do presente, que uma par&oacute;quia sente o dever de desenvolver, na fidelidade &agrave; sua voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o.<\/p>\n<p>A Primeira leitura destacava a dimens&atilde;o prof&eacute;tica do Povo de Deus: &ldquo;Vai profetizar ao meu povo de Israel&rdquo;. Juntamente com as leituras sociol&oacute;gicas, pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas das realidades vividas em cada tempo, h&aacute; necessidade imperiosa de fazer uma leitura de outra ordem: centrada na pessoa, enquanto sujeito da dignidade humana, aberta aos outros e a Deus.<\/p>\n<p>O profeta b&iacute;blico, a partir da sua f&eacute; e dos valores revelados, procurava ler os acontecimentos do seu tempo e propor caminhos de renova&ccedil;&atilde;o e de vida; o profeta era algu&eacute;m a quem a dimens&atilde;o crente levava &agrave; reflex&atilde;o, &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o da realidade e &agrave; a&ccedil;&atilde;o concreta.<\/p>\n<p>Contrasta esta atitude com o grande vazio prof&eacute;tico que sentimos no nosso mundo e nas nossas comunidades crist&atilde;s onde se separa a espiritualidade da a&ccedil;&atilde;o, a interven&ccedil;&atilde;o na sociedade do culto, a f&eacute; da vida. Os crist&atilde;os perderam grande parte da sua capacidade de interpelar tanto pela palavra como pelo testemunho e pela a&ccedil;&atilde;o. Perderam, por isso, grande parte da capacidade prof&eacute;tica, que &eacute; essencial &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>As comunidades crist&atilde;s, as par&oacute;quias, precisam de organizar-se para corresponder a esta miss&atilde;o prof&eacute;tica que faz parte da sua identidade. Por meio da sua vida quotidiana, de c&iacute;rculos de reflex&atilde;o, de a&ccedil;&otilde;es significativas e vis&iacute;veis &agrave; comunidade, da autenticidade do seu testemunho, t&ecirc;m de ser um sinal prof&eacute;tico na den&uacute;ncia do mal e nas propostas de constru&ccedil;&atilde;o de um mundo assente na dignidade humana e na fidelidade ao Deus que se gloria nas suas criaturas.<\/p>\n<p>A Segunda leitura destacava a dimens&atilde;o cultual da comunidade crist&atilde;. Ela &eacute; chamada a celebrar com autenticidade e verdade, de cora&ccedil;&atilde;o puro, santo e irrepreens&iacute;vel, a sagrada liturgia, a grande a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as ao Pai, por meio de Jesus Cristo e na comunh&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo. Ali, a Igreja manifesta a sua condi&ccedil;&atilde;o de comunidade de filhos salvos e redimidos, herdeiros de todos os bens alcan&ccedil;ados pelo sacrif&iacute;cio de Cristo na cruz e pela sua ressurrei&ccedil;&atilde;o gloriosa.<\/p>\n<p>Esta dimens&atilde;o cultual, centrada em Cristo, que se oferece ao Pai, tanto na Eucaristia como nas outras a&ccedil;&otilde;es sagradas, constitui a alma da Igreja, que caminha sobre a terra, unida e a caminho da p&aacute;tria celeste. Nela se exprime e se alimenta a f&eacute;, nela se fortalece a comunh&atilde;o dos crist&atilde;os entre si e se refor&ccedil;am os la&ccedil;os de comunh&atilde;o com Deus.<\/p>\n<p>Sentimos a fragilidade desta dimens&atilde;o cultual e lit&uacute;rgica nas comunidades crist&atilde;s atuais, por se perder a sua dimens&atilde;o sagrada e sobrenatural, por ficar reduzida &agrave; perspetiva humana, por a religi&atilde;o e a f&eacute; serem relegadas para o &acirc;mbito do privado e das op&ccedil;&otilde;es pessoais. Crescem as comunidades humanas que se identificam com a f&eacute; crist&atilde; e que nos sensos se reconhecem crist&atilde;s, mas que n&atilde;o sentem a exig&ecirc;ncia da pr&aacute;tica religiosa, cultual e lit&uacute;rgica. S&atilde;o muitos os crentes que perderam a perspetiva comunit&aacute;ria da viv&ecirc;ncia da f&eacute; e que n&atilde;o sentem necessidade de celebrar os louvores de Deus enquanto Povo de filhos.<\/p>\n<p>A pastoral da liturgia &eacute; hoje uma das tarefas mais urgentes da comunidade crist&atilde;, pois dela depende grande parte da mudan&ccedil;a de atitude dos fi&eacute;is que j&aacute; descobriram o seu sentido, mas sobretudo daqueles que, sendo crist&atilde;os, n&atilde;o participam, por n&atilde;o terem encontrado uma experi&ecirc;ncia interiormente mobilizadora. &Agrave; par&oacute;quia cabe esta miss&atilde;o de cuidar da liturgia para que seja central na vida de f&eacute; dos fi&eacute;is, num trabalho que inclua os seguintes aspetos: a procura da qualidade das celebra&ccedil;&otilde;es em todas os aspetos, o cultivo do sentido do sagrado e do transcendente frequentemente subjugado &agrave; dimens&atilde;o sociol&oacute;gica da assembleia, a busca da beleza e do sentido dos ritos a contrastar com o ritualismo est&eacute;ril ou com uma criatividade estranha &agrave; a&ccedil;&atilde;o sagrada, a valoriza&ccedil;&atilde;o do canto, do sil&ecirc;ncio, da escuta e interioriza&ccedil;&atilde;o da Palavra de Deus, o desenvolvimento do sentido de comunh&atilde;o entre os membros do Povo de Deus, a abertura &agrave; caridade e &agrave; partilha como distintivo do crist&atilde;o e decorrentes de um culto em esp&iacute;rito e verdade.<\/p>\n<p>O Evangelho apontava para a terceira &aacute;rea da vida da comunidade crist&atilde;, a miss&atilde;o evangelizadora. &ldquo;Jesus chamou os doze ap&oacute;stolos e come&ccedil;ou a envi&aacute;-los dois a dois&#8230; E os ap&oacute;stolos partiram&rdquo;.<\/p>\n<p>Somos hoje comunidades crist&atilde;s chamadas a renovar este dinamismo evangelizador que marcou a Igreja das origens e a levou, num mundo adverso como o nosso, a cativar para o Evangelho de Jesus Cristo, homens e mulheres de todas as condi&ccedil;&otilde;es culturais.<\/p>\n<p>N&atilde;o basta a catequese da inf&acirc;ncia e da adolesc&ecirc;ncia com todas as dificuldades e fragilidades que lhe conhecemos; os adultos sem uma f&eacute; esclarecida e assumida precisam de receber um an&uacute;ncio adequado &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o cultural. Muitos precisam de um primeiro an&uacute;ncio, batizados ou n&atilde;o batizados, que os leve &agrave; ades&atilde;o a Cristo de cora&ccedil;&atilde;o e vida.<\/p>\n<p>&Eacute; urgente, tal como nos tem recordado o Papa Bento XVI, uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, portadora dos mesmos conte&uacute;dos de sempre, mas capaz de levar a ades&atilde;o a Cristo e &agrave; inser&ccedil;&atilde;o na comunidade crist&atilde; os nossos contempor&acirc;neos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante do Senhor, neste dia de festa e de a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as pela vida, dinamismo e testemunho desta par&oacute;quia de S&atilde;o Jos&eacute;, imploramos humildemente que renove nesta comunidade a for&ccedil;a da f&eacute;, a alegria do culto em esp&iacute;rito e verdade e a &acirc;nsia incontida da evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A S&atilde;o Jos&eacute; nosso padroeiro e esposo da Virgem Maria, confiamos esta par&oacute;quia para que a proteja e a guarde com a mesma solicitude com que acompanhou o crescimento de Jesus Cristo, nosso Salvador.<\/p>\n<p>Igreja de S&atilde;o Jos&eacute;, 15 de julho de 2012<\/p>\n<p><em>D. Virg&iacute;lio do Nascimento Antunes, bispo de Coimbra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos C&eacute;us nos aben&ccedil;oou com toda a esp&eacute;cie de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os espirituais em Cristo&rdquo;. 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