{"id":57397,"date":"2012-07-13T11:28:29","date_gmt":"2012-07-13T11:28:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/13\/homilia-de-d-nuno-bras-na-peregrinacao-aniversaria-do-13-de-julho-fatima\/"},"modified":"2012-07-13T11:28:29","modified_gmt":"2012-07-13T11:28:29","slug":"homilia-de-d-nuno-bras-na-peregrinacao-aniversaria-do-13-de-julho-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-nuno-bras-na-peregrinacao-aniversaria-do-13-de-julho-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Nuno Br\u00e1s na peregrina\u00e7\u00e3o anivers\u00e1ria do 13 de julho &#8211; F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">1. Nas suas <em>Mem&oacute;rias<\/em>, a irm&atilde; L&uacute;cia confessa as d&uacute;vidas que a assaltaram ao longo do m&ecirc;s de julho, quando, por influ&ecirc;ncias, sobretudo de familiares, hesitou acerca da verdade das apari&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Afirma ela: &ldquo;No decurso deste m&ecirc;s, perdi o entusiasmo pela pr&aacute;tica do sacrif&iacute;cio e da mortifica&ccedil;&atilde;o, e titubeava se acabaria por dizer que tinha mentido, e assim acabar com tudo. [&hellip;] Aproximava-se o dia 13 de julho, e eu duvidava se l&aacute; iria&rdquo; (I, 70).<\/p>\n<p>&ldquo;No dia seguinte, continua a Ir. L&uacute;cia, ao aproximar-se a hora em que devia partir, senti-me, de repente, impelida a ir, por uma for&ccedil;a estranha, a que n&atilde;o me era f&aacute;cil resistir. Pus-me, ent&atilde;o, a caminho [&hellip;]. O povo esperava-nos em massa pelos caminhos, e a custo conseguimos l&aacute; chegar. Foi este o dia em que a SS. Virgem se dignou revelar-nos o segredo. Depois, para reanimar o meu fervor, disse-me: Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei a Jesus, muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrif&iacute;cio: &Oacute; Jesus, &eacute; por vosso amor, pela convers&atilde;o dos pecadores e em repara&ccedil;&atilde;o pelos pecados cometidos contra o Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria&rdquo; (I, 71.72).<\/p>\n<p>2. A vida crist&atilde; &eacute; sempre um caminho, no qual, n&atilde;o raras vezes, se entrela&ccedil;am d&uacute;vidas e certezas; momentos de for&ccedil;a e de des&acirc;nimo; instantes de fraqueza, que colocam em perigo as decis&otilde;es em favor da f&eacute;, e horas heroicas, onde podemos fazer nossas as palavras de S. Paulo: &ldquo;tudo posso naquele que me d&aacute; for&ccedil;a&rdquo; (<em>Filp<\/em> 4,13).<\/p>\n<p>Certamente: o caminho da f&eacute; transforma-nos, converte-nos, molda e purifica os nossos pensamentos, afetos, mentalidade e comportamento (cf. <em>PF<\/em> 6). Molda, plasma a nossa exist&ecirc;ncia, mas n&atilde;o nos retira do mundo, do barro em que o pr&oacute;prio Deus nos criou, da fragilidade que percebemos em cada dia, e que &eacute; marca do pecado &ndash; nosso e daquele que existe &agrave; nossa volta &ndash;, de tal forma que, n&atilde;o raras vezes, deixamos que &agrave; realidade da vida nova (muito maior, mais certa e segura, que a f&eacute; nos oferece, e que vem de Deus) se sobreponha o homem velho, ego&iacute;sta e pecador.<\/p>\n<p>Ali&aacute;s, a f&eacute;, por meio da qual &ldquo;o homem se entrega total e livremente nas m&atilde;os de Deus&rdquo;, como recorda o Conc&iacute;lio (<em>DV<\/em> 5), n&atilde;o &eacute; uma realidade adquirida de uma vez por todas. Como afirma o Santo Padre Bento XVI, o caminho da f&eacute; jamais estar&aacute; &ldquo;completamente terminado nesta vida&rdquo; (<em>PF<\/em> 6), pelo que importa cuidar constantemente dele, aprofund&aacute;-lo, conhec&ecirc;-lo, de modo a dar aos nossos passos a fortaleza e a seguran&ccedil;a que s&oacute; podem vir de Deus, e que Ele, constantemente, nos oferece.<\/p>\n<p>Sabemos que, da parte de Deus, n&atilde;o apenas no primeiro passo mas sempre, surge a iniciativa de vir ao nosso encontro, de cora&ccedil;&atilde;o aberto e franco, para nos acolher. Da parte de Deus, n&atilde;o &eacute; nunca colocada em causa a vontade de nos &ldquo;convidar e admitir &agrave; comunh&atilde;o consigo&rdquo; (<em>DV<\/em> 2).<\/p>\n<p>As hesita&ccedil;&otilde;es, as d&uacute;vidas, e o pr&oacute;prio pecado, que encontram a sua origem no cora&ccedil;&atilde;o de cada um de n&oacute;s, n&atilde;o constituem sequer para Deus, que nos conhece, uma surpresa completa, ainda que (como mostram tantos testemunhos, e em particular como o mostrou Nossa Senhora, aqui em F&aacute;tima) Ele n&atilde;o deixe de sofrer, no seu cora&ccedil;&atilde;o, com o abandono, a ofensa, a suspeita de tantos dos seus filhos. Contudo, como reconheceu Santo Agostinho, Deus n&atilde;o desiste &ndash; n&atilde;o desiste da humanidade e n&atilde;o desiste de cada um de n&oacute;s; pelo contr&aacute;rio: chama, grita, procura vencer a nossa surdez (cf. <em>Conf.<\/em> XXVII).<\/p>\n<p>3. Como poderemos n&oacute;s responder, corresponder, a essa iniciativa divina, que de tantas formas nos procura? O mesmo &eacute; dizer: qual &eacute; o caminho que podemos e devemos percorrer? T&ecirc;-lo-&aacute; Deus deixado &agrave; merc&ecirc;, &agrave; fantasia, ao pensar de cada um?<\/p>\n<p>Ao inaugurar a II Sess&atilde;o do Conc&iacute;lio Vaticano II, dizia o Santo Padre Paulo VI: &ldquo;Nenhuma outra luz se veja sobre esta reuni&atilde;o que n&atilde;o seja Cristo, luz do mundo; nenhuma outra verdade interesse as nossas almas, que n&atilde;o sejam as palavras do Senhor, nosso &uacute;nico mestre; nenhuma outra aspira&ccedil;&atilde;o nos guie, que n&atilde;o seja o desejo de Lhe sermos absolutamente fi&eacute;is; nenhuma outra confian&ccedil;a nos mantenha, sen&atilde;o aquela que, atrav&eacute;s da Sua palavra, sustenta a nossa fraqueza desoladora: Eu estou sempre convosco at&eacute; &agrave; consuma&ccedil;&atilde;o dos s&eacute;culos&rdquo;.<\/p>\n<p>E disse-o, sobretudo, o pr&oacute;prio Senhor Jesus, a Tom&eacute; e aos demais disc&iacute;pulos, como escut&aacute;mos na p&aacute;gina do Evangelho h&aacute; pouco proclamada: &ldquo;Eu sou o caminho, a verdade e a vida&rdquo; (<em>Jo<\/em> 14,6).<\/p>\n<p>Muitos ser&atilde;o, eventualmente, os caminhos &ndash; interiores e exteriores &ndash; que cada um empreende no desenrolar da sua exist&ecirc;ncia. E, no entanto, para que nos possam conduzir &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o plena, n&atilde;o podem nunca deixar de se encontrar neste &uacute;nico caminho que o pr&oacute;prio Deus nos oferece: Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Muitas ser&atilde;o, eventualmente, as verdades &ndash; parciais e passageiras &ndash; que descobrimos ou que v&ecirc;m ao nosso encontro; mas qualquer delas ser&aacute; sempre aparente, se n&atilde;o conduzir, se n&atilde;o cooperar, com a &uacute;nica Verdade capaz de iluminar os nossos passos: Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Muitos s&atilde;o os modos de vida que a sociedade contempor&acirc;nea nos apresenta, n&atilde;o raras vezes atraentes e f&aacute;ceis; mas nenhum deles constitui a Vida plena, abundante e feliz: essa, apenas a poderemos encontrar no Senhor Jesus Cristo &ndash; e, n&atilde;o tenhamos d&uacute;vidas, em &ldquo;Cristo crucificado&rdquo;.<\/p>\n<p>4. Por entre as d&uacute;vidas, as incertezas, inseguran&ccedil;as e pecados que diariamente nos cercam; por entre os medos, fraquezas e incapacidades que marcam hoje a pol&iacute;tica, a economia, a vida das sociedades e dos povos do mundo contempor&acirc;neo, o Senhor Jesus continua a mostrar-se a cada ser humano como &ldquo;caminho, verdade e vida&rdquo;. Como reconhecia S. Pedro, na II Leitura que escut&aacute;mos, &ldquo;em nenhum outro h&aacute; salva&ccedil;&atilde;o, pois n&atilde;o existe, debaixo do c&eacute;u outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos&rdquo; (<em>Act<\/em> 4,12).<\/p>\n<p>&Eacute; pois tempo, irm&atilde;os, de acolhermos, em cada dia que passa, a firmeza daquele que &eacute; &ldquo;o caminho, a verdade e a vida&rdquo;: o caminho que conduz ao Pai; a verdade que ilumina os nossos passos; a vida pela qual anseia qualquer ser humano.<\/p>\n<p>E &eacute; igualmente tempo, irm&atilde;os, de erguer bem alto a Cristo, luz do mundo, e de mostrar que apenas Ele pode curar, de um modo definitivo, as nossas feridas &ndash; as nossas e as do homem nosso contempor&acirc;neo, qualquer que seja o continente onde habite, o bem-estar em que vive, as perspetivas que se abram ou se encerrem ao seu futuro.<\/p>\n<p>5. Tamb&eacute;m a Virgem Maria percorreu o caminho da f&eacute;. Da anuncia&ccedil;&atilde;o ao pres&eacute;pio; das palavras do velho Sime&atilde;o, ao encontro do Menino no Templo, entre os doutores; do milagre de Can&aacute;, &agrave; presen&ccedil;a junto &agrave; cruz, e &agrave; alegria, partilhada com os demais disc&iacute;pulos, do surgimento da vida nova da ressurrei&ccedil;&atilde;o e da descida do Esp&iacute;rito Santo. Mas percorreu-o sempre unida ao Seu Filho.<\/p>\n<p>N&atilde;o nos pode pois admirar que aqui em F&aacute;tima, Ela, uma vez mais, mostre aos homens e mulheres do nosso tempo o verdadeiro caminho que conduz &agrave; vida.<\/p>\n<p>Pe&ccedil;amos-lhe que, (como outrora &agrave; Ir. L&uacute;cia) Ela reanime o nosso fervor, e que, dissipadas as d&uacute;vidas e fortalecida a nossa f&eacute;, tamb&eacute;m n&oacute;s ajudemos a dissipar os medos e incertezas, em que vivem tantos nossos contempor&acirc;neos, e a sermos, para todos, a presen&ccedil;a de Jesus, &ldquo;caminho, verdade e vida&rdquo;.<\/p>\n<p>Essa &eacute;, como crist&atilde;os, a nossa responsabilidade. A isso t&ecirc;m direito (e isso esperam de n&oacute;s) os homens e mulheres do nosso tempo.<\/p>\n<p><em>D. Nuno Br&aacute;s, bispo auxiliar de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Nas suas Mem&oacute;rias, a irm&atilde; L&uacute;cia confessa as d&uacute;vidas que a assaltaram ao longo do m&ecirc;s de julho, quando, por influ&ecirc;ncias, sobretudo de familiares, hesitou acerca da verdade das apari&ccedil;&otilde;es. 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