{"id":57390,"date":"2012-07-13T02:18:00","date_gmt":"2012-07-13T02:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/13\/homilia-de-d-nuno-bras-na-missa-da-vigilia-da-peregrinacao-internacional-de-julho-fatima\/"},"modified":"2012-07-13T02:18:00","modified_gmt":"2012-07-13T02:18:00","slug":"homilia-de-d-nuno-bras-na-missa-da-vigilia-da-peregrinacao-internacional-de-julho-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-nuno-bras-na-missa-da-vigilia-da-peregrinacao-internacional-de-julho-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Nuno Br\u00e1s na Missa da vig\u00edlia da peregrina\u00e7\u00e3o internacional de julho &#8211; F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>1. A vida de Jesus &eacute; marcada por muitas realidades: &eacute; marcada pelas longas jornadas de prega&ccedil;&atilde;o e de peregrina&ccedil;&atilde;o; &eacute; marcada pelos encontros com aqueles que dele se acercam, pedindo a cura para as suas enfermidades ou para os males dos mais pr&oacute;ximos; &eacute; marcada pelo seu modo de se relacionar com as multid&otilde;es e com os disc&iacute;pulos, com os pecadores, com os fariseus, e com aqueles que o seguiam por todo o lado. Mas nenhuma destas realidades, no entanto, &eacute; mais marcante, mais caracter&iacute;stica e determinante de todo o ser de Jesus que a sua rela&ccedil;&atilde;o com o Pai. Se queremos compreender quem &eacute; Jesus, ent&atilde;o n&atilde;o podemos deixar de olhar, em primeiro lugar, para o modo como Ele se entrega completamente nas m&atilde;os do Pai.<\/p>\n<p>O excerto do evangelho de S. Mateus, que acab&aacute;mos de escutar, como que nos permite surpreender esse segredo de Jesus; como que nos permite entrar na sua intimidade vital com o Pai. Jesus &eacute; o Filho, e n&atilde;o quer ser nada mais sen&atilde;o isso mesmo: Aquele que tudo recebe do Pai &ndash; que, do Pai, e apenas dele, recebe os ensinamentos, a miss&atilde;o, todo o seu ser.<\/p>\n<p>Por isso mesmo, porque vive constantemente nesta intimidade &uacute;nica e total, Ele &eacute; o &uacute;nico a conhecer o Pai. E, por isso tamb&eacute;m, apenas o Pai O conhece perfeita e completamente &ndash; um conhecimento t&atilde;o &iacute;ntimo e t&atilde;o real, que somente o dogma trinit&aacute;rio (um s&oacute; Deus em tr&ecirc;s Pessoas) lhe faz justi&ccedil;a plena.<\/p>\n<p>Como outrora os disc&iacute;pulos, tamb&eacute;m hoje, diante de n&oacute;s, escut&aacute;mos o Verbo que reza ao Pai. Mas n&atilde;o s&oacute;. Com efeito, n&atilde;o se tratava apenas de mostrar ou de ensinar os disc&iacute;pulos &ndash; aqueles que O rodeavam, e aqueles outros (n&oacute;s) que haviam de acreditar depois deles: tratava-se antes de os convidar &ndash; de <strong><em>nos<\/em><\/strong> convidar a entrar nesta intimidade divina. Tratava-se (trata-se) de nos dar a participar de algo que, por natureza e pelo pecado, nos estava vedado: &ldquo;ningu&eacute;m conhece o Pai sen&atilde;o o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar&rdquo; &ndash; o mesmo &eacute; dizer: n&oacute;s, crist&atilde;os e, por meio de n&oacute;s, eis que o pr&oacute;prio Deus deseja que o convite se estenda a todos os seres humanos, de todos os tempos e lugares.<\/p>\n<p>Foi esta mesma realidade que o Conc&iacute;lio Vaticano II quis expressar na Constitui&ccedil;&atilde;o sobre a Divina Revela&ccedil;&atilde;o, <em>Dei Verbum<\/em>, ao afirmar: &ldquo;Deus invis&iacute;vel, na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos, e convive com eles, para os convidar e admitir &agrave; comunh&atilde;o com Ele&rdquo; (<em>DV<\/em> 2). Ou, dito de outra forma: o pr&oacute;prio Jesus nos convida a identificarmo-nos com Ele, a viver no Seu cora&ccedil;&atilde;o. E fazendo-o, a viver, como Ele, n&rsquo;Ele e por Ele, em constante uni&atilde;o com o Pai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Nisto consiste a f&eacute;. Nisto consiste a vida crist&atilde;. Nisto se resume toda a espiritualidade, toda a a&ccedil;&atilde;o, todas as palavras, toda a Boa Nova evang&eacute;lica: Deus ama-nos de tal modo que, em Jesus de Nazar&eacute;, nos abriu as portas da Sua intimidade e, apesar do nosso pecado, nos convida a permanecer, a perseverar nessa intimidade. Ou, dito com outras palavras, desta vez de S. Jo&atilde;o: nisto consiste o &ldquo;nascer de Deus&rdquo; a que todo o ser humano &eacute; chamado.<\/p>\n<p>&Eacute; por isso tamb&eacute;m que S. Jo&atilde;o pode afirmar o que escut&aacute;vamos na II leitura: &ldquo;Esta &eacute; a vit&oacute;ria que vence o mundo: a nossa f&eacute;&rdquo;.<\/p>\n<p>Ser o &ldquo;senhor do mundo&rdquo; &eacute; um sonho que, de tempos a tempos, regressa &agrave;s mentes de um ou outro mais poderoso. De Alexandre Magno a Estaline, de Napole&atilde;o Bonaparte a Hitler, e de tantos outros, detentores de poder ou que imaginaram s&ecirc;-lo &ndash; mesmo aqueles cujos nomes ignoramos e que nunca figuraram nos livros de hist&oacute;ria: no fundo, o pecado faz com que, em cada um de n&oacute;s, exista um &ldquo;pequeno ditador&rdquo;, que se deseja sobrepor aos demais, e que, se tivesse condi&ccedil;&otilde;es para sujeitar o mundo inteiro, n&atilde;o hesitaria em faz&ecirc;-lo&hellip;<\/p>\n<p>Mas o Senhor Jesus diz-nos que n&atilde;o s&atilde;o as armas; que n&atilde;o &eacute; o poder pol&iacute;tico ou tecnol&oacute;gico; que n&atilde;o &eacute; o dom&iacute;nio psicol&oacute;gico ou das riquezas materiais e, muito menos a notoriedade diante de todos, a possu&iacute;rem a &uacute;ltima palavra acerca do mundo, da hist&oacute;ria e de cada ser humano.<\/p>\n<p>Os homens poder&atilde;o destruir; poder&atilde;o dominar por algum tempo; poder&atilde;o, por alguns dias ou anos, sujeitar os demais ao seu jugo. Mas n&atilde;o ser&aacute; a sua palavra de &oacute;dio, de dom&iacute;nio ou de vingan&ccedil;a, a &uacute;ltima a ser pronunciada sobre a hist&oacute;ria e sobre cada ser humano.<\/p>\n<p>A &uacute;ltima palavra &ndash; diante da qual um cora&ccedil;&atilde;o cheio de &oacute;dio n&atilde;o deixar&aacute; de sentir a justi&ccedil;a do amor &ndash; a &uacute;ltima palavra, dizia, ser&aacute; sempre aquela pronunciada pelo cora&ccedil;&atilde;o de Deus. E essa ser&aacute; sempre uma palavra de amor &ndash; daquele Amor que, esquecendo-se de Si mesmo, n&atilde;o hesitou em fazer seus os nossos pecados e a pr&oacute;pria morte, para a todos os viver e derrotar no madeiro da cruz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. No j&aacute; long&iacute;nquo 1917, quando se faziam escutar pelo mundo os sons da guerra e da disc&oacute;rdia, a mensagem de convers&atilde;o que a Senhora de F&aacute;tima, aqui na Cova da Iria, nos veio trazer, outra n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o essa. O triunfo n&atilde;o pertence ao homem mas a Deus, ao Seu cora&ccedil;&atilde;o amoroso. E, para isso, o pr&oacute;prio Deus conta connosco, tal como contou com a vida e a entrega total daquelas tr&ecirc;s pobres crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>N&atilde;o nos pede a Senhora, a n&oacute;s que aqui estamos, como outrora aos pequenos pastorinhos, que nos convertamos a coisas, a regras, a normas. Pede, t&atilde;o-somente, que nos convertamos a Deus e ao Seu amor. Pede-nos que deixemos que Ele reine no nosso cora&ccedil;&atilde;o: que deixemos os nossos caminhos, para fazermos nossos os seus caminhos; que deixemos os nossos pensamentos, para os deixarmos elevar e transformar pelos seus; que deixemos os jugos que os homens nos querem impor, de um modo claro ou sub-rept&iacute;cio, para nos deixarmos conquistar por Ele, &ldquo;manso e humilde de cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>S&oacute; nele e com Ele encontrar&aacute; o mundo justi&ccedil;a e paz. S&oacute; nele e apenas nele, encontraremos o verdadeiro descanso para as nossas almas.<\/p>\n<p><em>D. Nuno Br&aacute;s, bispo auxiliar de Lisboa<\/em><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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