{"id":57330,"date":"2012-07-10T12:35:21","date_gmt":"2012-07-10T12:35:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/10\/nuno-teotonio-pereira\/"},"modified":"2012-07-10T12:35:21","modified_gmt":"2012-07-10T12:35:21","slug":"nuno-teotonio-pereira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nuno-teotonio-pereira\/","title":{"rendered":"Nuno Teot\u00f3nio Pereira"},"content":{"rendered":"<p>Nuno Teot&oacute;nio Pereira, natural de Lisboa, &eacute; um arquiteto diplomado com 18 valores pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, cujo &ldquo;atelier&rdquo; era conhecido no meio dos arquitetos como a &ldquo;sacristia&rdquo; porque ele e Nuno Portas eram &ldquo;cat&oacute;licos militantes&rdquo;.<\/p>\n<p>Nascido a 30 de janeiro de 1922, Teot&oacute;nio Pereira recebe este ano, o &laquo;Pr&eacute;mio &Aacute;rvore da Vida-Padre Manuel Antunes&raquo; atribu&iacute;do pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. O j&uacute;ri do galard&atilde;o sublinha que a estatura &eacute;tica e criativa do premiado representa uma li&ccedil;&atilde;o de humanidade para todos n&oacute;s e uma luz oportun&iacute;ssima para pensar o lugar e o modo da arquitetura na sociedade.<\/p>\n<p>A luta pela liberdade pol&iacute;tica e as preocupa&ccedil;&otilde;es sociais foram um dos tra&ccedil;os da vida deste arquiteto que abdicou, aos 18 anos, do &ldquo;&laquo;H&raquo; de Theot&oacute;nio&rdquo;, como confessou &agrave; revista &laquo;P&uacute;blico Magazine&raquo; de 31 de janeiro de 1993.<\/p>\n<p>Com barbas brancas &ndash; interrompidas em tempos pela PIDE &ndash; o &laquo;Patriarca da Arquitetura&raquo; fundou, em 1952, juntamente com alguns artistas pl&aacute;sticos e os arquitetos Nuno Portas, Lu&iacute;s Cunha, Diogo Lino Pimentel, Formosinho Sanches, entre outros, o Movimento para a Renova&ccedil;&atilde;o da Arte Religiosa, cuja a&ccedil;&atilde;o propunha &ldquo;uma arte religiosa de cariz pastoral, moderna, em contraponto aos modelos tradicionais ent&atilde;o em voga&rdquo;, como se l&ecirc; no cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o bibliogr&aacute;fica &laquo;Nuno Teot&oacute;nio Pereira&raquo;, realizada, em 2010, na biblioteca Keil do Amaral, em Lisboa.<\/p>\n<p>Ao longo da sua carreira recebeu v&aacute;rios pr&eacute;mios de arquitetura: Pr&eacute;mio da I Exposi&ccedil;&atilde;o Gulbenkian, 1955, com o Bloco das &Aacute;guas Livres; 2.&ordm; Pr&eacute;mio Nacional de Arquitetura da Funda&ccedil;&atilde;o Gulbenkian, 1961; Pr&eacute;mios Valmor de 1967, 1971, 1975, respetivamente Torre de Habita&ccedil;&atilde;o nos Olivais Norte, Edif&iacute;cio Franjinhas na Rua Braancamp e Igreja do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus.<\/p>\n<p>Depois dos 18 anos, Nuno Teot&oacute;nio Pereira come&ccedil;ou a &ldquo;ver muito a s&eacute;rio os aspetos sociais do catolicismo&rdquo; e procurou contactos com o padre Abel Varzim, &ldquo;um homem do Movimento Oper&aacute;rio Cat&oacute;lico que depois foi desterrado de Lisboa&rdquo;. Com estes contactos, leituras e os jornais da &ldquo;esquerda cat&oacute;lica europeia&rdquo;, o arquiteto foi-se &ldquo;definindo nessa dire&ccedil;&atilde;o&rdquo;, mas o que lhe interessava &ldquo;eram os acontecimentos, n&atilde;o era a teoria&rdquo;, l&ecirc;-se na entrevista ao referido jornal.<\/p>\n<p>Preso pela PIDE em 1967, 1972 e 1973, tendo sido libertado da pris&atilde;o de Caxias ap&oacute;s o 25 de Abril de 1974, Nuno Teot&oacute;nio Pereira afirma que a certa altura, ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, come&ccedil;ou a ver-se&ldquo;fora da Igreja&rdquo; e o primeiro elemento que o levou a tomar esta decis&atilde;o foi sentir-se &ldquo;incapaz de estar em comunh&atilde;o, como se diz na Igreja, com os bispos, com os dirigentes&rdquo; e acrescenta: &ldquo;N&atilde;o pod&iacute;amos estar no mesmo barco&rdquo;..<\/p>\n<p>Ativista na luta contra a guerra colonial, o arquiteto de 90 anos reconhece que foi alertado para o problema &ldquo;atrav&eacute;s das publica&ccedil;&otilde;es cat&oacute;licas&rdquo; e recebeu influ&ecirc;ncia &ldquo;dos padres angolanos que foram desterrados para c&aacute;, colocados em casas religiosas e semin&aacute;rios sob a vigil&acirc;ncia dos superiores dessas casas&rdquo;. Considera que o tempo da clandestinidade &ldquo;foi um per&iacute;odo apaixonante&rdquo;, visto que pretendia &ldquo;que a opini&atilde;o cat&oacute;lica tomasse consci&ecirc;ncia da situa&ccedil;&atilde;o e da contradi&ccedil;&atilde;o entre a guerra colonial e os apelos de paz que o Papa fazia com frequ&ecirc;ncia, sobretudo Jo&atilde;o XXIII&rdquo;.<\/p>\n<p>Atento ao mundo e &agrave;quilo que o rodeia, Nuno Teot&oacute;nio Pereira olha o futuro com alguma preocupa&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Caminha-se a passos largos para a destrui&ccedil;&atilde;o do planeta, e n&atilde;o h&aacute; confer&ecirc;ncias internacionais que permitam fazer marcha atr&aacute;s&rdquo; porque &ldquo;ningu&eacute;m quer desfazer-se dos seus privil&eacute;gios&rdquo;, l&ecirc;-se numa cr&oacute;nica escrita no jornal &laquo;P&uacute;blico&raquo; de 23 de maio de 1995.<\/p>\n<p>Membro honor&aacute;rio da Ordem dos Arquitetos desde novembro de 1994 e &laquo;Doutor Honoris Causa&raquo;, pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto desde 2003, Nuno Teot&oacute;nio Pereira reconhece que &ldquo;se n&atilde;o tivesse seguido arquitetura teria sido ge&oacute;grafo&rdquo; (Cf. Jornal &laquo;Expresso&raquo; de 19 de junho de 2004).<\/p>\n<p>No pr&oacute;ximo dia 11 recebe o &laquo;Pr&eacute;mio &Aacute;rvore da Vida &ndash; Padre Manuel Antunes&raquo; na igreja do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, em Lisboa, uma constru&ccedil;&atilde;o &ldquo;inserida no tecido urbano&rdquo; e que &ldquo;do ponto de vista da conforma&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o no interior, tende para uma disposi&ccedil;&atilde;o radial&rdquo;, como explica o arquiteto ao Jornal &laquo;P&uacute;blico&raquo; de 26 de junho de 2004.<\/p>\n<p><em>LFS<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno Teot&oacute;nio Pereira, natural de Lisboa, &eacute; um arquiteto diplomado com 18 valores pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, cujo &ldquo;atelier&rdquo; era conhecido no meio dos arquitetos como a &ldquo;sacristia&rdquo; porque ele e Nuno Portas eram &ldquo;cat&oacute;licos militantes&rdquo;. 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