{"id":57255,"date":"2012-07-03T16:39:06","date_gmt":"2012-07-03T16:39:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/03\/o-voluntariado-missionario-ou-o-inicio-de-um-caminho\/"},"modified":"2012-07-03T16:39:06","modified_gmt":"2012-07-03T16:39:06","slug":"o-voluntariado-missionario-ou-o-inicio-de-um-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-voluntariado-missionario-ou-o-inicio-de-um-caminho\/","title":{"rendered":"O voluntariado mission\u00e1rio ou o in\u00edcio de um Caminho"},"content":{"rendered":"<p>Pedro Neto, presidente da Orbis <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\">1. Ouve-se muitas vezes, e com raz&atilde;o, a ideia de que as experi&ecirc;ncias de curta dura&ccedil;&atilde;o, no voluntariado mission&aacute;rio n&atilde;o valem muito.<\/p>\n<p>De facto, tendo a concordar. Se ficasse por a&iacute;, se nada do que se vive e faz nesse curto espa&ccedil;o de tempo n&atilde;o perdurasse de algum modo, n&atilde;o valeria a pena. No entanto, este caminho &eacute; o in&iacute;cio de alguma coisa maior, substancialmente maior!<\/p>\n<p>O potencial &eacute; de facto enorme na medida em que h&aacute; sempre, sempre uma transforma&ccedil;&atilde;o que &eacute; permanente e que causa mudan&ccedil;a na pessoa, e nas pessoas ao seu redor.<\/p>\n<p>De facto, a experi&ecirc;ncia do voluntariado mission&aacute;rio, em si mesma, &eacute; o in&iacute;cio de uma caminhada pessoal e comunit&aacute;ria, de vida transformadora. Nada na vida de um volunt&aacute;rio mission&aacute;rio torna a ser igual ao que era antes da Miss&atilde;o. Os filtros da vida toldam-nos o olhar e o mundo ganha novas cores, novas dimens&otilde;es, perde fronteiras.<\/p>\n<p>Tudo se torna diferente e o campo de a&ccedil;&atilde;o abre-se a uma escala global, ainda que humilde, global.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. O voluntariado mission&aacute;rio como projeto sistem&aacute;tico, arranca na Diocese de Aveiro em 1997. Enquadrados no Secretariado Diocesano de Anima&ccedil;&atilde;o Mission&aacute;ria (SDAM), os volunt&aacute;rios que partiam em Miss&atilde;o come&ccedil;aram a perceber a riqueza da experi&ecirc;ncia missionaria, mas tamb&eacute;m as suas limita&ccedil;&otilde;es, a falta de meios para responder a necessidades que identificavam no terreno junto com os mission&aacute;rios que os acolhiam al&eacute;m fronteiras.<\/p>\n<p>Os trabalhos desenvolvidos enquadravam-se em duas circunst&acirc;ncias determinantes: pa&iacute;ses em situa&ccedil;&atilde;o de guerra e pa&iacute;ses em paz e vias de desenvolvimento. Na primeira situa&ccedil;&atilde;o os trabalhos eram de acolhimento e acompanhamento de refugiados, em parcerias com a Ag&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados (ACNUR | UNHCR), fornecimento e transporte de alimentos em parceria com o Programa Alimentar Mundial das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (PAM) e cuidados de sa&uacute;de b&aacute;sicos e de emerg&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Em pa&iacute;ses onde em relativa Paz, os projetos s&atilde;o sobretudo nas &aacute;reas da educa&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o de professores, direitos humanos e sa&uacute;de, de facto, de Desenvolvimento e de capacita&ccedil;&atilde;o. Transversais s&atilde;o tamb&eacute;m as atividades pastorais que os volunt&aacute;rios integram como cursos b&iacute;blicos, catequese e anima&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Nos trabalhos do SDAM, come&ccedil;&aacute;mos a depararmo-nos com uma limita&ccedil;&atilde;o comum: N&atilde;o pod&iacute;amos desenvolver trabalhos mais estruturados, porque n&atilde;o havia meios&hellip; Apesar de muita boa vontade, de muito ou pouco entusiasmo, havia coisas que n&atilde;o pod&iacute;amos levar a bom porto, porque custavam meios e pediam estruturas formais que n&atilde;o t&iacute;nhamos.<\/p>\n<p>O regresso de Miss&atilde;o era para os volunt&aacute;rios sin&oacute;nimo de cont&aacute;gio e motiva&ccedil;&atilde;o, de querer fazer mais, depois de um encontro com uma realidade completamente distinta, mas que na qual queriam continuar a trabalhar, mesmo que &agrave; dist&acirc;ncia.<\/p>\n<p>Surge a ideia da cria&ccedil;&atilde;o de uma estrutura, em forma de ferramenta de trabalho que j&aacute; existia na sociedade, uma ONG, com sede em Aveiro, contrapondo ainda a exist&ecirc;ncia da maior parte das ONGD ter a sede em Lisboa. Era necess&aacute;rio, localmente, criar uma estrutura dando campo de a&ccedil;&atilde;o aos volunt&aacute;rios regressados de continuarem o seu trabalho e colabora&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo que discerniam a hip&oacute;tese de partir em Miss&atilde;o de novo e por mais tempo.<\/p>\n<p>Depois de algum tempo de forma&ccedil;&atilde;o em Roma, It&aacute;lia, numa organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental italiana &ndash; o VIS &ndash; Volontariato Internazionale per lo Sviluppo, a ORBIS &ndash; Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento tornou-se a materializa&ccedil;&atilde;o dessa ideia, uma ONG criada no ano de 2006, por volunt&aacute;rios mission&aacute;rios que fizeram experi&ecirc;ncias de miss&atilde;o de curta dura&ccedil;&atilde;o em Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guin&eacute; Bissau, Mo&ccedil;ambique e Timor-Leste.<\/p>\n<p>Uma resposta concreta &agrave; necessidade de ir mais longe no trabalho do voluntariado internacional realizado at&eacute; ent&atilde;o.<\/p>\n<p>Com a cria&ccedil;&atilde;o de uma ONG, capaz de gerar meios, procurar oficialmente recursos e aplic&aacute;-los na sua Miss&atilde;o e raz&atilde;o de ser, peg&aacute;mos numa ferramenta que a sociedade possui &ndash; as ONGD. Com as ferramentas do mundo, intervir nele, transformando-o numa &oacute;tica crist&atilde; insepar&aacute;vel de uma &eacute;tica de justi&ccedil;a social e de luta contra a pobreza.<\/p>\n<p>Com a cria&ccedil;&atilde;o dessa estrutura, foi poss&iacute;vel elevar o trabalho mission&aacute;rio a outro n&iacute;vel de efic&aacute;cia que o voluntariado s&oacute; por si n&atilde;o cumpriria t&atilde;o bem. Al&eacute;m disso, criou-se um espa&ccedil;o de integra&ccedil;&atilde;o e acolhimento aos volunt&aacute;rios que regressam de Miss&atilde;o, para que com iniciativa possam desenvolver projetos de resposta e mitiga&ccedil;&atilde;o &agrave;s necessidades do terreno onde estiveram a trabalhar.<\/p>\n<p>Com o tempo, fomos adquirindo potencial, n&atilde;o em dinheiro mas em capital humano e institucional: foram-se juntando mais volunt&aacute;rios, estes foram trazendo e envolvendo mais pessoas, foram-se juntando institui&ccedil;&otilde;es cada uma contribuindo com a sua parte no todo.<\/p>\n<p>Na mobiliza&ccedil;&atilde;o, foi acontecendo mudan&ccedil;a e transforma&ccedil;&atilde;o. E o caminho est&aacute; apenas e ainda no princ&iacute;pio. Desenvolvimento e paix&atilde;o associada &agrave; Miss&atilde;o, sabemos sempre de onde partimos, mas nunca onde chegaremos.<\/p>\n<p><em>Pedro Neto, presidente da Orbis<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Neto, presidente da Orbis<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[106,122,127,170,187,189,291,329,330],"class_list":["post-57255","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-angola","tag-brasil","tag-catequese","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-do-porto","tag-direitos-humanos","tag-refugiados","tag-voluntariado","tag-voluntariado-missionario"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57255"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57255\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}