{"id":57253,"date":"2012-07-03T16:08:44","date_gmt":"2012-07-03T16:08:44","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/03\/uma-historia-por-acabar\/"},"modified":"2012-07-03T16:08:44","modified_gmt":"2012-07-03T16:08:44","slug":"uma-historia-por-acabar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-historia-por-acabar\/","title":{"rendered":"Uma hist\u00f3ria por acabar"},"content":{"rendered":"<p>Em 2006 Ana Sofia Pereira terminou o curso de Engenharia Civil e decidiu dar resposta a um sonho antigo de ser mission\u00e1ria. Despediu-se do seu emprego e entre 2008 e 2010 esteve na miss\u00e3o do Gungo, na diocese angolana do Sumbe, ao servi\u00e7o do grupo mission\u00e1rio Ondjoyetu. Ao regressar a Portugal percebeu que a experi\u00eancia n\u00e3o tinha acabado. Voltou e completa agora um novo ano de miss\u00e3o. <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\"><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA &#8211; Como surgiram os primeiros sinais de querer ser mission&aacute;ria?<\/em><\/p>\n<p><em>Ana Sofia Pereira (ASP) &#8211;<\/em> Os primeiros sinais come&ccedil;aram muito cedo. Estava na escola prim&aacute;ria quando ouvi os mission&aacute;rios falarem sobre a miss&atilde;o e eu pensei que um dia quando crescesse iria querer ajudar os outros. Quando terminei o curso percebi: &ldquo;Agora j&aacute; sou grande. &Eacute; agora o momento de querer fazer algo pelos outros. Vale a pena deixar tudo e partir em miss&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>E foi isso que fez em 2008.<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Exatamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>Como foi chegar ao Sumbe pela primeira vez?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> &Eacute; muito emocionante. Quando cheguei a Luanda, estava muito calor e n&atilde;o conseguia respirar. Cheguei ao Sumbe de noite e n&atilde;o conseguia ver nada mas sentia uma grande emo&ccedil;&atilde;o. Quando cheguei ao Ondjoyetu (que significa &laquo;a nossa casa&raquo;), senti &ldquo;esta &eacute; mesmo a minha casa&rdquo;. N&atilde;o &eacute; s&oacute; o nome do nosso grupo mission&aacute;rio mas senti que o s&iacute;tio onde nunca tinha estado, que s&oacute; conhecia por fotografias era um local especial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>Como descrever a miss&atilde;o, o local onde a Ana Sofia se encontra?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> A miss&atilde;o divide-se em dois locais distintos &#8211; no Sumbe onde se situa a nossa casa e no Gungo onde incide fortemente o nosso trabalho. &Eacute; na miss&atilde;o do Gungo que fica situada a 80 kms de estrada asfaltada e 130 kms de caminho de terra batida, cheia de buracos, onde uma viagem n&atilde;o tem um tempo determinado, apenas importa chegar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>Na miss&atilde;o do Gungo permanecem por per&iacute;odos de dois dias a um m&ecirc;s&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Exatamente. A minha primeira experi&ecirc;ncia mission&aacute;ria foi um m&ecirc;s. Percorremos v&aacute;rios bairros, fizemos visitas e contatamos com um povo muito simples, que n&atilde;o tem nada apenas uma alegria extraordin&aacute;ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>O que fez nesse primeiro m&ecirc;s?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Estive a fazer forma&ccedil;&atilde;o de culin&aacute;ria, de sa&uacute;de, de ac&oacute;litos, de secret&aacute;rios e tesoureiros. Fizemos visitas aos bairros. Nessa altura and&aacute;vamos muito a p&eacute;. Havia dias em que eu andava oito horas a p&eacute;. Quando cheg&aacute;vamos aos bairros celebr&aacute;vamos eucaristia e reun&iacute;amos com os respons&aacute;veis para perceber quais as maiores dificuldades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>Como &eacute; que os residentes recebem os mission&aacute;rios?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Muito bem. Eles n&atilde;o nos conhecem mas recebem-nos com c&acirc;nticos e com uma grande alegria inexplic&aacute;vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; O que tem vindo a fazer?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Na primeira experi&ecirc;ncia mission&aacute;ria o trabalho foi diferente. Os dois primeiros anos foram muito semelhantes ao m&ecirc;s que descrevi, ou seja, trabalho social, com jovens e crian&ccedil;as na &aacute;rea pastoral, forma&ccedil;&atilde;o de catequese e para os sacramentos.<\/p>\n<p>Desde 2011, os primeiros meses foram dedicados &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da segunda fase da nossa casa. Foi uma forma de contribuir atrav&eacute;s da minha &aacute;rea de forma&ccedil;&atilde;o mas pegando num pincel e na trincha para pintar.<\/p>\n<p>Agora que a obra acabou, estou envolvida num projeto de agricultura que estamos a desenvolve. Tenho colaborado com o projeto das manilhas (tubos para fazer dep&oacute;sitos de &aacute;gua para regar culturas e para uso dom&eacute;stico). Tirei a carta de pesados para poder conduzir um cami&atilde;o que temos e ajudar as pessoas a transportar os bens que v&atilde;o fazendo falta no Gungo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>O que &eacute; que uma portuguesa faz de diferente junto da popula&ccedil;&atilde;o do Gungo?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Partilha outros conhecimentos, mas tamb&eacute;m recebe muito. Os mission&aacute;rios n&atilde;o v&atilde;o apenas para dar, recebe-se muito. &Eacute; uma troca que se faz, tenho outros conhecimentos que eles n&atilde;o t&ecirc;m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; O Gungo &eacute; uma regi&atilde;o montanhosa que foi muito afetada pela guerra, onde a popula&ccedil;&atilde;o pratica uma agricultura rudimentar, onde falta muita coisa &ndash; &aacute;gua pot&aacute;vel, energia el&eacute;trica, assist&ecirc;ncia m&eacute;dica &ndash; &eacute; uma realidade muito diferente da que conhece em Portugal. O que a fez voltar?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Foi o povo e foi Deus. Sentir que Deus me chama, em primeiro lugar, a estar aqui, sentir que este povo continua a precisar de mim &#8211; dos meus conhecimentos, do amor que lhe posso dar. Este povo &eacute; especial e agarra-nos o cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>A primeira miss&atilde;o ficou incompleta?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Sim. Em 2010, na v&eacute;spera de regressar a Portugal, pensei ficar mais tempo, mas o coordenador da miss&atilde;o, o padre V&iacute;tor Mira, disse-me: &laquo;&eacute; f&aacute;cil prolongar a miss&atilde;o; &eacute; mais dif&iacute;cil chegar &agrave; nossa terra e perceber l&aacute; se a nossa miss&atilde;o terminou ou n&atilde;o. Se n&atilde;o tiver terminado, ent&atilde;o ter a coragem de deixar tudo outra vez e regressar&raquo;.<\/p>\n<p>Quando cheguei a Portugal senti que a minha miss&atilde;o n&atilde;o tinha acabado e por isso decidi voltar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> A <em>sua postura enquanto mission&aacute;ria foi diferente entre a primeira experi&ecirc;ncia e a atual?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> A pr&oacute;pria miss&atilde;o vai mudando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>O que muda, a pessoa?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> A pessoa muda sim, mas o pr&oacute;prio trabalho muda. Havia tarefas que em 2008 n&oacute;s faz&iacute;amos de determinada forma e hoje vemos, com a experi&ecirc;ncia, que as prioridades se alteram. Isso tamb&eacute;m nos transforma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>V&ecirc; a miss&atilde;o de uma forma diferente, agora?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Continuo a sentir que h&aacute; muito para fazer e que nunca vamos conseguir fazer tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Quais s&atilde;o as maiores dificuldades?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Uma grande dificuldade &eacute; a linguagem. Em Angola fala-se o portugu&ecirc;s, mas h&aacute; uma l&iacute;ngua o umbundo, que sendo portugu&ecirc;s &eacute; diferente. Eles t&ecirc;m dificuldades em nos entender e n&oacute;s a eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>Muitos dizem que o sorriso &eacute; a melhor forma de comunica&ccedil;&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Os gestos, o amor, os mimos s&atilde;o grandes gestos de comunica&ccedil;&atilde;o que todos os dias colocamos em pr&aacute;tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>H&aacute; outras dificuldades?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> As nossas prioridades podem n&atilde;o ser as prioridades do povo. N&oacute;s preocupamo-nos com a &aacute;gua e as queimadas. Para eles beber &aacute;gua contaminada n&atilde;o &eacute; importante. Para eles morrerem sete filhos &eacute; normal. H&aacute; choques culturais, um ritmo e um valor que se d&aacute; &agrave; vida que s&atilde;o diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em><em> O que tem aprendido na miss&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p>Essencialmente a amar, a aceitar o outro como ele &eacute;, mesmo que isso nos custe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>Esta &eacute; uma miss&atilde;o muito rezada? S&oacute; pode ser assim?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Sem d&uacute;vida. N&oacute;s estamos aqui porque Deus nos chamou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>A Ana deixou o seu emprego para ir para Angola, ser mission&aacute;ria num local que n&atilde;o tinha nada. Esse cen&aacute;rio ajudou-a a relativizar a crise que Portugal enfrenta?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> Sem d&uacute;vida. Quando cheguei a Portugal, em 2010, j&aacute; se falava da crise e eu pensava que havia pessoas a viver em piores condi&ccedil;&otilde;es e a viver com menos. A&iacute; d&aacute;-se valor ao que n&atilde;o &eacute; importante. Isso fez-me ter a coragem para voltar a despedir-me em 2011.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>Como &eacute; o seu dia a dia?<\/em><\/p>\n<p><em>ASP &#8211;<\/em> O dia a dia no Gungo e no Sumbe s&atilde;o diferentes. Mas o principal da nossa miss&atilde;o &eacute; no Gungo e por isso vou deter-me a&iacute;. O dia come&ccedil;a cedo, pelas 6 horas da manh&atilde;, para que meia hora depois nos juntemos em ora&ccedil;&atilde;o. Depois tomamos o pequeno-almo&ccedil;o, que aqui se chama o mata-bicho. Pelas 8 horas iniciamos a forma&ccedil;&atilde;o ou o trabalho na lavra, conforma a atividade.<\/p>\n<p>Pelo meio dia e meio almo&ccedil;amos e pelas 14 horas retomamos os trabalhos, por vezes diferente do per&iacute;odo da manh&atilde;.<\/p>\n<p>&Agrave;s 18h30 celebramos eucaristia e no fim jantamos. Pelas 20 horas rezamos o ter&ccedil;o com a comunidade. Normalmente depois h&aacute; trabalhos para preparar e assim se fica at&eacute; &agrave; meia-noite ou mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; <\/em><em>Nunca s&atilde;o tantas as pessoas que partem como as que est&atilde;o a&iacute; para vos receber&hellip;<\/em><\/p>\n<p>&Eacute; incr&iacute;vel que h&aacute; pessoas que andam oito horas a p&eacute; para ir ter connosco, para aprender um pouco mais. Falo de crian&ccedil;as de seis, sete, oito anos, falo de mam&atilde;s que andam durante dois dias, chegam carregadas de coisas para ficarem uma semana connosco.<\/p>\n<p>Isso d&aacute;-nos uma for&ccedil;a. N&oacute;s deixamos tudo para vir, mas eles tamb&eacute;m fazem sacrif&iacute;cios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>O que procuram essas pessoas?<\/em><\/p>\n<p>Normalmente v&ecirc;m para um trabalho ou para uma forma&ccedil;&atilde;o de uma semana &ndash; prepara&ccedil;&atilde;o para um batismo, por exemplo. Nutras ocasi&otilde;es v&ecirc;m para trabalhos comunit&aacute;rios. A equipa procura integrar as duas vertentes para que as pessoas, nas suas desloca&ccedil;&otilde;es, possam dar e receber. Procuramos criar condi&ccedil;&otilde;es para as receber melhor. Neste momento as nossas condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o boas, mas as condi&ccedil;&otilde;es em que as pessoas ficam s&atilde;o bem piores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>O que quer dizer com isso?<\/em><\/p>\n<p>A nossa casa no Gungo era a casa da miss&atilde;o do tempo colonial, que foi destru&iacute;da no tempo da guerra. A capela &eacute; um sal&atilde;o, sem portas nem janelas, onde os cabritos dormem dentro. N&atilde;o temos salas para a forma&ccedil;&otilde;es, por vezes decorrem debaixo das &aacute;rvores.<\/p>\n<p>As pessoas dormem ao relento e nos dias de frio custa muito. A nossa casa tem gravilha, n&atilde;o &eacute; isolada, mas quem dorme ao relento passa muito frio. E as pessoas n&atilde;o deixam de vir apesar de saberem que na miss&atilde;o v&atilde;o passar frio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>V&atilde;o &agrave; procura de algo que a Ana Sofia lhes d&aacute;. Sente que tem feito diferen&ccedil;a?<\/em><\/p>\n<p>&Agrave;s vezes &eacute; uma diferen&ccedil;a que n&atilde;o se v&ecirc; no imediato. Batalhamos, batalhamos e desmotivamos porque n&atilde;o se veem resultados e questionamos se valer&aacute; a pena. Mas num trabalho que come&ccedil;ou de forma cont&iacute;nua desde 2006, vemos diferen&ccedil;as. Quem esteve c&aacute; nessa altura nunca viu o resultado do trabalho que fez.<\/p>\n<p>Quando cheguei em 2011 vi resultados pelos quais tinha batalhado em 2009 e 2010. E afinal vale a pena.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>H&aacute; olhares que marcam?<\/em><\/p>\n<p>Sem d&uacute;vida. Desde os mais novos aos mais velhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>&Eacute; isso que faz querer continuar?<\/em><\/p>\n<p>As pessoas sorriem mesmo quando t&ecirc;m vidas dif&iacute;ceis. Os dias s&atilde;o cansativos mas percebemos a coragem das pessoas, apesar do sofrimento.<\/p>\n<p>Em Portugal quando nos cruzamos com algu&eacute;m, geralmente ouve-se um lamento. Aqui, cruzamo-nos com uma pessoa na estrada, a andar com roupa &agrave;s vezes esfarrapada, pessoas que n&atilde;o t&ecirc;m nada mas dizem que s&oacute; por nos ver est&atilde;o &oacute;timas. Para o angolano est&aacute; sempre tudo bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>Consegue perceber uma altura em que a sua miss&atilde;o vai terminar?<\/em><\/p>\n<p>&Eacute; dif&iacute;cil porque a miss&atilde;o nunca acaba, principalmente nesta terra onde falta tudo. H&aacute; muito trabalho para fazer. Neste momento n&atilde;o tenho ainda um prazo para o fim da miss&atilde;o. Mas sinto que seja c&aacute; ou em Portugal posso ser mission&aacute;ria por este povo. Durante o ano e meio que estive entre miss&otilde;es, n&atilde;o deixei de trabalhar na miss&atilde;o, mas de uma outra forma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em><em> O grupo Ondjoyetu tem essa possibilidade, uma vez que a miss&atilde;o do Gungo &eacute; desenvolvida em gemina&ccedil;&atilde;o com a diocese de Leiria &ndash; F&aacute;tima. Mant&ecirc;m uma equipa de retaguarda e uma equipa da frente. Como &eacute; a experi&ecirc;ncia de continuar em miss&atilde;o em Portugal? <\/em><\/p>\n<p>Para podermos estar em Angola, o grupo mission&aacute;rio precisa de fundos. Em Portugal h&aacute; que trabalhar. Fazemos artesanato, promovemos festas, participamos em feiras para financiar a equipa da frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em> <em>O que vai fazer agora?<\/em><\/p>\n<p>Agora vou preparar o almo&ccedil;o para amanh&atilde;. Bem cedo sa&iacute;mos para Luanda e como comer em Luanda &eacute; muito caro, levamos sempre o farnel. Vou fazer o almo&ccedil;o e o jantar.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2006 Ana Sofia Pereira terminou o curso de Engenharia Civil e decidiu dar resposta a um sonho antigo de ser mission\u00e1ria. Despediu-se do seu emprego e entre 2008 e 2010 esteve na miss\u00e3o do Gungo, na diocese angolana do Sumbe, ao servi\u00e7o do grupo mission\u00e1rio Ondjoyetu. 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