{"id":57239,"date":"2012-07-03T12:15:27","date_gmt":"2012-07-03T12:15:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/07\/03\/padre-alberto-neto-1931-1987\/"},"modified":"2012-07-03T12:15:27","modified_gmt":"2012-07-03T12:15:27","slug":"padre-alberto-neto-1931-1987","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/padre-alberto-neto-1931-1987\/","title":{"rendered":"Padre Alberto Neto (1931-1987)"},"content":{"rendered":"<p>O padre Alberto Neto (Souto da Casa, Fund&atilde;o, 11 de fevereiro de 1931 &#8211; Set&uacute;bal, 3 de julho de 1987) viveu durante o Estado Novo e assistiu &agrave; transi&ccedil;&atilde;o para a democracia em Portugal. Os seus 56 anos de vida foram o retrato de uma complexidade vivida numa &eacute;poca marcada por mudan&ccedil;as nas configura&ccedil;&otilde;es dos regimes pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>Esse intenso per&iacute;odo que incluiu o salazarismo, o marcelismo e introduziu a democracia em Portugal, contou com o seu percurso de cr&iacute;tica que se manifestou na atividade p&uacute;blica e que criou um impacte na consci&ecirc;ncia de muitos cat&oacute;licos. Para a compreens&atilde;o da sua matiz de pensar e de agir, contributiva para o enformar da hist&oacute;ria, propomos interrogar a sua experi&ecirc;ncia crente e militante, mais propriamente a sua a&ccedil;&atilde;o pastoral e a sua interven&ccedil;&atilde;o social e eclesial tendo como fonte as suas homilias proferidas na capela do Rato, depoimentos e bibliografia que nos situar&atilde;o especialmente no per&iacute;odo compreendido entre 1968-1973. Em suma, qual foi a rela&ccedil;&atilde;o entre as motiva&ccedil;&otilde;es religiosas e a sua interven&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica? Qual a rela&ccedil;&atilde;o entre a amplitude dos seus campos de a&ccedil;&atilde;o pastoral e a concretiza&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia eclesial p&oacute;s-Vaticano II?<\/p>\n<p>(&hellip;) O Pe. Alberto estava apostado em transformar a liturgia, em &laquo;realizar uma obra progressiva de adapta&ccedil;&atilde;o da liturgia &agrave;s mentalidades de hoje sem negar o valor de outros tipos de celebra&ccedil;&atilde;o&raquo;. Por esta op&ccedil;&atilde;o, recebeu cr&iacute;ticas &aacute;speras ao seu trabalho e leria mesmo uma carta de um fiel que se encontrara mal impressionado: &laquo;a assembleia tinha o aspeto duma sala preparada para um leil&atilde;o [&#8230; ] chegamos ao Evangelho e de uma vez entrou uma menina de cal&ccedil;as e, outra uma que, mostrando atrevidamente as coxas, leu o Santo Evangelho. Revoltei-me. [&#8230;] Depois vem um c&acirc;ntico que mais se parece com um er&oacute;tico &#8220;y&eacute;-y&eacute;&rdquo;&raquo;!<\/p>\n<p>Este epis&oacute;dio em torno da adapta&ccedil;&atilde;o da liturgia foi exemplificativo da tens&atilde;o da gest&atilde;o institucional entre uma tradi&ccedil;&atilde;o e uma modernidade religiosa, cujo rejuvenescimento das pr&aacute;ticas eclesiais n&atilde;o deixava de espelhar j&aacute; uma op&ccedil;&atilde;o pela juventude a que o Pe. Alberto exigia, segundo Francisca Cordovil, &laquo;a radicalidade de um questionar permanente &agrave; vida&raquo;.<\/p>\n<p>A sua op&ccedil;&atilde;o pela juventude foi devedora do seu papel de professor, fun&ccedil;&atilde;o que acumulou a partir de 1965 com a de assistente da Juventude Escolar Cat&oacute;lica (JEC). Esta op&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pretendeu somente evangelizar um meio particular, eventualmente revitalizador de mentalidades e estruturas, mas possibilitar aos jovens uma express&atilde;o das suas experi&ecirc;ncias e expectativas que originassem uma partilha em forma comum de organiza&ccedil;&atilde;o da vida quotidiana e de a&ccedil;&atilde;o no mundo.<\/p>\n<p>Na trajet&oacute;ria do Pe. Alberto Neto participou uma experi&ecirc;ncia crente e militante que era, antes de mais, a compreens&atilde;o das suas fun&ccedil;&otilde;es como sacerdote e p&aacute;roco, sendo perspetivada como um instrumento de mobiliza&ccedil;&atilde;o dos cat&oacute;licos para a afirma&ccedil;&atilde;o das convic&ccedil;&otilde;es e da doutrina cat&oacute;licas na sociedade, modelando a identidade do cat&oacute;lico e construindo um sentido do religioso. O Pe. Alberto procurou produzir as significa&ccedil;&otilde;es da sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia atrav&eacute;s da diversidade de situa&ccedil;&otilde;es que experimentou, da&iacute; que a biografia do seu apostolado fosse tamb&eacute;m a da sua vida. Ele traduziu socialmente o indiv&iacute;duo que foi e transformou em sociedade certas idiossincrasias particularistas, gerando movimento&#8221;. Deste ponto de vista, n&atilde;o era uma institui&ccedil;&atilde;o que fixava as condi&ccedil;&otilde;es de perten&ccedil;a religiosa: era a vida e, a partir dela, a cria&ccedil;&atilde;o de uma Igreja que se contestasse e que se procurasse.<\/p>\n<p><em>Excertos do texto &lsquo;Pe. Alberto Neto: A constru&ccedil;&atilde;o de um sentido do religioso&rsquo;, de David Soares in &lsquo;Religi&atilde;o e cidadania: protagonistas, motiva&ccedil;&otilde;es e din&acirc;micas sociais no contexto ib&eacute;rico&rsquo; &#8211; Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa (2012).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O padre Alberto Neto (Souto da Casa, Fund&atilde;o, 11 de fevereiro de 1931 &#8211; Set&uacute;bal, 3 de julho de 1987) viveu durante o Estado Novo e assistiu &agrave; transi&ccedil;&atilde;o para a democracia em Portugal. 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