{"id":57162,"date":"2012-06-27T15:14:29","date_gmt":"2012-06-27T15:14:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/27\/homilia-do-vigario-regional-do-opus-dei-na-missa-na-memoria-de-sao-josemaria-escriva\/"},"modified":"2012-06-27T15:14:29","modified_gmt":"2012-06-27T15:14:29","slug":"homilia-do-vigario-regional-do-opus-dei-na-missa-na-memoria-de-sao-josemaria-escriva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-vigario-regional-do-opus-dei-na-missa-na-memoria-de-sao-josemaria-escriva\/","title":{"rendered":"Homilia do vig\u00e1rio regional do Opus Dei na Missa na mem\u00f3ria de S\u00e3o Josemaria Escriv\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Car&iacute;ssimas irm&atilde;s e car&iacute;ssimos irm&atilde;os,&nbsp;<\/p>\n<p>H&aacute; instantes, na Ora&ccedil;&atilde;o da Coleta, ped&iacute;amos a Deus que, pela intercess&atilde;o e exemplo de S. Josemaria, nos concedesse a identifica&ccedil;&atilde;o com Cristo e servir com armor ardente a obra da Reden&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s do trabalho quotidiano. Ped&iacute;amos o dom da santidade e do apostolado na vida corrente de cada dia. &Eacute; um bom resumo da mensagem e da vida de S. Josemaria. Nas leituras que acab&aacute;mos de ouvir, que s&atilde;o as que a Igreja nos prop&otilde;e para a celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica do Fundador do Opus Dei, aparecem de novo estes elementos: o trabalho como voca&ccedil;&atilde;o humana primordial, a filia&ccedil;&atilde;o divina como dom que nos transforma e eleva, o mandato apost&oacute;lico: &ldquo;faz-te ao largo&#8230; lan&ccedil;ai as vossas redes&rdquo;, &ldquo;ser&aacute;s pescador de homens&rdquo;, estendido a toda a terra: &ldquo;louvai o Senhor, todas as na&ccedil;&otilde;es&rdquo;, &ldquo;pede-me e te darei as na&ccedil;&otilde;es em heran&ccedil;a&rdquo;: o mundo como heran&ccedil;a dos que se sabem filhos de Deus em Cristo.<\/p>\n<p>De facto, quando Deus interveio no cora&ccedil;&atilde;o de S. Josemaria fazendo-lhe ver o Opus Dei no dia 2 de outubro de 1928, abriam-se os caminhos divinos da terra. Deus mostrava como no Evangelho est&aacute; presente a vida de cada dia: o trabalho, a fam&iacute;lia, o descanso, as alegrias e as dores, a doen&ccedil;a e a sa&uacute;de, e assim todos os caminhos bons dos homens s&atilde;o caminhos de Deus. Esta &eacute; boa nova que nos enche de alegria e a que anseia o cora&ccedil;&atilde;o do ser humano do mundo de hoje. E bem vemos como este mundo, que entre todos constitu&iacute;mos, triste e assustado com os horrores e crises que vai fabricando, est&aacute; necessitado de esperan&ccedil;a, de confian&ccedil;a, da alegria dos filhos de Deus.<\/p>\n<p>Para celebrar o 50&ordm; anivers&aacute;rio do in&iacute;cio do Conc&iacute;lio Vaticano II, Bento XVI convocou um Ano da F&eacute;, que come&ccedil;a em outubro pr&oacute;ximo. Na Carta &ldquo;A porta da f&eacute;&rdquo;, fala-nos da urg&ecirc;ncia de nos empenharmos numa nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, impelidos pelo amor de Cristo, que enche os nossos cora&ccedil;&otilde;es. H&aacute; que &ldquo;descobrir de novo&rdquo;, diz o Papa, &ldquo;a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a f&eacute;&rdquo; (Bento XVI, &ldquo;A porta da f&eacute;&rdquo;, n. 7). A alegria e o entusiasmo que est&aacute; no Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, que encheu o cora&ccedil;&atilde;o dos Ap&oacute;stolos, que sempre h&aacute; de guiar a Igreja, &agrave; qual todos s&atilde;o chamados. Como afirmou o Beato Jo&atilde;o Paulo II, S. Josemaria, pelo carisma que recebeu e divulgou, foi um dos precursores do Conc&iacute;lio Vaticano II. A sua vida e os seus ensinamentos ajudar-nos-&atilde;o a seguir com paix&atilde;o o Papa e a olhar com aud&aacute;cia para o futuro.<\/p>\n<p>Uma das iniciativas do Santo Padre para o impulso da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, foi a cria&ccedil;&atilde;o de um organismo espec&iacute;fico com esta finalidade: o Conselho Pontif&iacute;cio para a Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o. Este organismo da Santa S&eacute;, juntamente com o Conselho Pontif&iacute;cio para a Cultura, tem promovido uma s&eacute;rie de encontros com personalidades do mundo da cultura de diversos quadrantes, com o nome de &ldquo;&Aacute;trio dos gentios&rdquo;. O &ldquo;&aacute;trio dos gentios&rdquo; &eacute; onde todos nos encontramos, crentes e n&atilde;o-crentes, unidos no desejo de &ldquo;um mundo novo e mais livre, mais justo e solid&aacute;rio, mais pac&iacute;fico e jubiloso&rdquo; (Bento XVI, mensagem, 25-III2011). Sem p&ocirc;r de parte as pr&oacute;prias convic&ccedil;&otilde;es, promove-se o di&aacute;logo aberto, respeitador e amistoso, &ldquo;a partir das grandes perguntas acerca da exist&ecirc;ncia humana&rdquo; (<em>ibidem<\/em>). No &ldquo;&aacute;trio dos gentios&rdquo;, une-nos a procura da Verdade, do Bem, da solidariedade, da justi&ccedil;a. Diz o Santo Padre: &ldquo;A busca da verdade n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. E se cada um &eacute; chamado &agrave; coragem de se decidir pela verdade, &eacute; porque n&atilde;o existem atalhos que levam &agrave; felicidade e &agrave; beleza de uma vida completa&rdquo; (<em>ibidem<\/em>).<\/p>\n<p>S. Josemaria, ao comentar a cena do Evangelho da Missa de hoje, dizia: &ldquo;Jesus est&aacute; junto do lago de Genesar&eacute; e as pessoas comprimem-se &agrave; sua volta, ansiosas por ouvirem a palavra de Deus. Tal como hoje! N&atilde;o estais a ver? Est&atilde;o desejando ouvir a mensagem de Deus, embora o dissimulem exteriormente. Talvez alguns se tenham esquecido da doutrina de Cristo; talvez outros, sem culpa sua, nunca a tenham aprendido e olhem para a religi&atilde;o como coisa estranha&#8230; Mas convencei-vos de uma realidade sempre atual: chega sempre um momento em que a alma n&atilde;o pode mais; em que n&atilde;o lhe bastam as explica&ccedil;&otilde;es vulgares; em que n&atilde;o a satisfazem as mentiras dos falsos profetas. E, mesmo que nem ent&atilde;o o admitam, essas pessoas sentem fome, desejam saciar a sua inquieta&ccedil;&atilde;o com os ensinamentos do Senhor&rdquo; (Amigos de Deus, n. 260). Jesus entra na nossa barca, na nossa vida, para que O levemos a todos os que O procuram mesmo sem saberem. Na vida corrente, atrav&eacute;s da amizade sincera com todos.<\/p>\n<p>Podemos afirmar que o primeiro e fundamental &ldquo;&aacute;trio dos gentios&rdquo; &eacute; a amizade. O local de encontro e de di&aacute;logo. &Eacute; a base do apostolado que estamos chamados a realizar. Diz S. Josemaria: &ldquo;O apostolado, essa &acirc;nsia que vibra no &iacute;ntimo do crist&atilde;o, n&atilde;o &eacute; coisa separada da vida de todos os dias; confunde-se com o pr&oacute;prio trabalho, convertido em ocasi&atilde;o de encontro pessoal com Cristo. Nesse trabalho, ombro a ombro com os nossos colegas, com os nossos amigos, com os nossos parentes, lutando pelos mesmos interesses, podemos ajud&aacute;-los a chegar a Cristo, que nos espera na margem do lago&#8230;&rdquo; (<em>idem<\/em>, n. 263). Atrav&eacute;s da amizade que surge com naturalidade.<\/p>\n<p>S. Josemaria deu-nos um exemplo extraordin&aacute;rio de algu&eacute;m que sabe ter amizades. Cultivou a amizade com todo o tipo de pessoas ao longo da sua vida: desde um mo&ccedil;o de recados at&eacute; a cardeais da Santa S&eacute;. Acompanhando-os na medida do poss&iacute;vel, com alegria, afeto, esp&iacute;rito de sacrif&iacute;cio, rezando pelas suas necessidades, ajudando-os sempre que necess&aacute;rio, escrevendo quando estavam longe, lembrando-se deles e marcando presen&ccedil;a nas datas mais significativas.<\/p>\n<p>Amizade, valor humano universal, que aprendemos no seu grau mais elevado de Cristo. &ldquo;Chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi do meu Pai&rdquo;: a confid&ecirc;ncia, abrir a intimidade. &ldquo;N&atilde;o h&aacute; maior amor do que dar a vida pelos amigos&rdquo;: entrega, sacrif&iacute;cio sem limites, como pedra de toque da verdadeira amizade. E isso com todos. Lemos na Forja (n. 558):&ldquo;Jesus Nosso Senhor amou tanto os homens, que encarnou, tomou a nossa natureza e viveu em contacto di&aacute;rio com pobres e ricos, com justos e pecadores, com novos e velhos, com gentios e judeus. Dialogou constantemente com todos: com os que gostavam dele e com os que s&oacute; procuravam a maneira de retorcer as suas palavras, para o condenar. &ndash; Procura comportar-te como Nosso Senhor&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; t&atilde;o importante que saibamos cuidar, cultivar as nossas amizades. Com todos, porque todos s&atilde;o filhos de Deus, sem barreiras nem distin&ccedil;&otilde;es. Diz S. Josemaria: &ldquo;o amigo verdadeiro n&atilde;o pode ter, para o seu amigo, duas caras: a amizade, se h&aacute; de ser leal e sincera, exige ren&uacute;ncias, retid&atilde;o, interc&acirc;mbio de favores, de servi&ccedil;os nobres e limpos. O amigo &eacute; forte e sincero na medida em que, de acordo com a prud&ecirc;ncia sobrenatural, pensa generosamente nos outros, com sacrif&iacute;cio pessoal. Do amigo espera-se a correspond&ecirc;ncia ao clima de confian&ccedil;a, que se estabelece com a verdadeira amizade; espera-se o reconhecimento do que somos e, quando for necess&aacute;rio, tamb&eacute;m a defesa clara e sem paliativos&rdquo; (Carta, 24-III1940).<\/p>\n<p>Apostolado de amizade e confid&ecirc;ncia: de tu a tu, de cora&ccedil;&atilde;o a cora&ccedil;&atilde;o. Compreendendo e sendo compreendidos. Aprendendo as li&ccedil;&otilde;es que nos d&atilde;o os nossos amigos. Abrindo a nossa alma, falando da alegria extraordin&aacute;ria que Deus nos d&aacute;, mostrando como o cristianismo &eacute; grandeza, liberdade, luz, e n&atilde;o opress&atilde;o, mesquinhez, obscurantismo. De como nos ajuda a ora&ccedil;&atilde;o, a Santa Missa, a alegria do sacramento da penit&ecirc;ncia. Da beleza da nossa f&eacute;, da luz e esclarecimento que retiramos do Catecismo. De como vale a pena empenhar-se na verdade e no servi&ccedil;o dos outros. &ldquo;Quem disse que para falar de Cristo,&rdquo; refere S. Josemaria, &ldquo;para difundir a sua doutrina, era preciso fazer coisas especiais, fora do comum? Faz a tua vida normal; trabalha onde est&aacute;s a trabalhar, procurando cumprir os deveres do teu estado, acabar bem o que &eacute; pr&oacute;prio da tua profiss&atilde;o ou do teu of&iacute;cio, superando-te, melhorando-te dia a dia. S&ecirc; leal, compreensivo com os outros e exigente contigo mesmo. S&ecirc; mortificado e alegre. Ser&aacute; esse o teu apostolado. E, sem saberes porqu&ecirc;, tendo perfeita consci&ecirc;ncia das tuas mis&eacute;rias, os que te rodeiam vir&atilde;o ter contigo e, numa conversa natural, simples &ndash; &agrave; sa&iacute;da do trabalho, numa reuni&atilde;o familiar, no autocarro, ao dar um passeio, em qualquer parte &ndash; falareis de inquieta&ccedil;&otilde;es que em todas as almas existem, embora &agrave;s vezes alguns n&atilde;o queiram dar por isso. Mas cada vez as perceber&atilde;o melhor, desde que comecem a procurar Deus a s&eacute;rio&rdquo; (Amigos de Deus, n. 273).<\/p>\n<p>Uma cena do Evangelho que comovia S. Josemaria &eacute; o encontro de Jesus com os disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s. Via a bondade do nosso Deus que vem ao nosso encontro, e se faz companheiro dos nossos caminhos e das nossas penas. &ldquo;Iam os dois disc&iacute;pulos para Ema&uacute;s. O seu caminhar era normal, como o de tantas outras pessoas que transitavam por aquelas paragens. E a&iacute;, com naturalidade, aparece-Lhes Jesus e vai com eles, com uma conversa que diminui a fadiga&rdquo;. (Amigos de Deus, n. 313). &ldquo;Jesus caminha junto daqueles dois homens que perderam quase toda a esperan&ccedil;a, de modo que a vida come&ccedil;a a parecer-lhes sem sentido. Compreende a sua dor, penetra nos seus cora&ccedil;&otilde;es, comunica-lhes algo da vida que Nele habita&rdquo; (Cristo que passa, n. 105). E &eacute; assim que cada crist&atilde;o deve tornar Cristo presente nas suas amizades. &ldquo;&laquo;<em>Nonne cor nostrum ardens erat in nobis, dum loqueretur in via?<\/em>&raquo;. &ndash; N&atilde;o &eacute; verdade que sent&iacute;amos abrasar-se-nos o cora&ccedil;&atilde;o, quando nos falava caminho? Se &eacute;s ap&oacute;stolo,&rdquo; recorda-nos S. Josemaria, &ldquo;estas palavras dos disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s deviam sair espontaneamente dos l&aacute;bios dos teus companheiros de profiss&atilde;o, depois de te encontrarem a ti no caminho da vida&rdquo; (Caminho, n. 917). Caminhos de Ema&uacute;s: h&atilde;o de ser os caminhos do nosso dia a dia, em nossa casa, no trabalho, do local de descanso, onde nos encontrarmos com algu&eacute;m. &ldquo;Nada impomos, mas sempre propomos&rdquo;, disse Bento XVI na homilia no Porto. Sim: se somos portadores de Cristo, sempre haveremos de propor o encontro com Cristo que est&aacute; no nosso cora&ccedil;&atilde;o. E isso &eacute; proporcionar o acesso &agrave; verdadeira alegria, que n&atilde;o ter&aacute; ocaso, da qual tem sede todo o cora&ccedil;&atilde;o humano.<\/p>\n<p>Festa de S. Josemaria: a alegria da santidade na vida corrente. A aud&aacute;cia da Reden&ccedil;&atilde;o na amizade de cada um.<\/p>\n<p>Deus interveio na vida de S. Josemaria pela intercess&atilde;o da Virgem Maria, como dizemos na ora&ccedil;&atilde;o da pagela. Que por intercess&atilde;o de Maria Sant&iacute;ssima, aparecida em F&aacute;tima, saibamos n&oacute;s tamb&eacute;m ser continuadores da vida santa de S. Josemaria e iluminemos, com a luz da f&eacute; e do amor, os caminhos divinos desta terra.<\/p>\n<p>Lisboa, igreja de Nossa Senhora de F&aacute;tima<\/p>\n<p><em>Padre Jos&eacute; Rafael Esp&iacute;rito Santo, vig&aacute;rio regional do Opus Dei<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Car&iacute;ssimas irm&atilde;s e car&iacute;ssimos irm&atilde;os,&nbsp; H&aacute; instantes, na Ora&ccedil;&atilde;o da Coleta, ped&iacute;amos a Deus que, pela intercess&atilde;o e exemplo de S. Josemaria, nos concedesse a identifica&ccedil;&atilde;o com Cristo e servir com armor ardente a obra da Reden&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s do trabalho quotidiano. 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