{"id":57136,"date":"2012-06-26T11:10:10","date_gmt":"2012-06-26T11:10:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/26\/algarve-terra-de-saudaveis-contrastes\/"},"modified":"2012-06-26T11:10:10","modified_gmt":"2012-06-26T11:10:10","slug":"algarve-terra-de-saudaveis-contrastes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/algarve-terra-de-saudaveis-contrastes\/","title":{"rendered":"Algarve, terra de saud\u00e1veis contrastes"},"content":{"rendered":"<p>Padre Miguel Neto, Coordenador da Equipa da Pastoral do Turismo da Diocese do Algarve <!--more--> <\/p>\n<p>O acalorado sil&ecirc;ncio do campo contrasta com o balbuciar cont&iacute;nuo das v&aacute;rias l&iacute;nguas que se entrecruzam nas famosas zonas balneares mais conhecidas do Algarve.<\/p>\n<p>L&aacute; em baixo &eacute; o Algarve, aqui &eacute; a serra. L&aacute; em baixo acorda-se tarde, porque as noites s&atilde;o grandes e divertidas; aqui acorda-se cedo, porque &eacute; pela fresca que se trabalha no campo, na tiragem da corti&ccedil;a, na apanha da am&ecirc;ndoa, do figo ou da m&iacute;tica alfarroba. Entre o varejar e o enchimento de sacos, o tempo corre devagar e fala-se das gentes que abandonaram a terra em busca de uma vida melhor, mas que agora trabalham servindo os &ldquo;estrangeiros ricos&rdquo; e os &ldquo;grandes de Lisboa&rdquo; que v&ecirc;m passar f&eacute;rias para o Algarve.<\/p>\n<p>A serra n&atilde;o &eacute; o Algarve. A serra &eacute; um espa&ccedil;o onde se vive com uma identidade muito pr&oacute;pria, nesta regi&atilde;o de Portugal. Nela o tempo &eacute; calmo, as gentes todas se conhecem e s&atilde;o af&aacute;veis. Nela n&atilde;o se vive ao ritmo &ldquo;facebookiano&rdquo;, mas ao ritmo das colheitas, da frescura de uma manh&atilde; trabalhosa, de um sol-posto afastado de um qualquer &ldquo;sunset&rdquo;num &ldquo;chill out&rdquo; dentro de uma qualquer unidade hoteleira &agrave; beira mar. Nela est&aacute;-se somente perto de um sistema de rega artesanal, ou limitadamente sofisticado.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, na serra vive-se profundamente a centralidade da F&eacute; Crist&atilde; a partir da comunidade local. As festas atingem o &acirc;mago da viv&ecirc;ncia comunit&aacute;ria do Cristianismo, participando todos os que passam os dias nessa solarenga e campestre az&aacute;fama, mas, tamb&eacute;m, aqueles que sobem do litoral &agrave; terra m&atilde;e, para recordar e experienciar as festas religiosas, populares e comunit&aacute;rias que caracterizam a identidade do lugar onde nasceram. Quem &eacute; da serra e vive a serra f&aacute;-lo por gosto, porque &eacute; ali que est&atilde;o as suas ra&iacute;zes e, em muitos casos, &eacute; para ali que pensa regressar quando tiver acabado o per&iacute;odo de exilio l&aacute; em baixo, no Algarve dos turistas. As festas religiosas no interior algarvio n&atilde;o s&oacute; s&atilde;o o ponto m&aacute;ximo de uma viv&ecirc;ncia comunit&aacute;ria da F&eacute; Crist&atilde; naquelas paragens, como s&atilde;o o lembrete anual, &agrave;queles que partiram em busca de um futuro melhor, de que ali, na serra, est&aacute; o seio materno, elas s&atilde;o a reserva natural de uma identidade, que muitas vezes dificilmente resiste &agrave; voracidade do tempo instant&acirc;neo, vivido no Algarve da pan&oacute;plia de l&iacute;nguas e origens.<\/p>\n<p>E mesmo dentro desse Algarve tur&iacute;stico existe uma outra realidade de vida, tamb&eacute;m saud&aacute;vel e af&aacute;vel com todos. A realidade daqueles que passam noites inteiras &ldquo;ao de cima d&rsquo;&aacute;gua&rdquo;, longe das suas fam&iacute;lias, mas sempre com elas no pensamento. &Eacute; por elas que &ldquo;fazem cada lance&rdquo;, deitando ao mar as redes em busca do peixe e do marisco, que na maior parte das vezes, s&oacute; chega &agrave; mesa daqueles que t&ecirc;m muito poder de compra.<\/p>\n<p>O trabalho do pescador &eacute; o trabalho mais ingrato que existe! Poucos imaginam o que custa &ldquo;andar embarcado&rdquo;, passando noites sem dormir, sentindo que o fruto do seu trabalho &eacute; frequentemente desvalorizado, apesar de chegar ao mercado, aos restaurantes e &agrave;s nossas casas a altos pre&ccedil;os. Uma f&eacute; imensa os move durante o seu trabalho. Para muitos que a veem de fora e n&atilde;o sentem o ardor da preocupa&ccedil;&atilde;o de quem vai para o trabalho sem saber se regressa, essa f&eacute; &eacute; somente um sentimento superficial, que se conforma com a supersti&ccedil;&atilde;o. Para muitos &#8211; aqueles que a sentem e a vivem e viveram por dentro -, essa f&eacute; &eacute; a certeza da prote&ccedil;&atilde;o divina, indiferente &agrave;s m&uacute;ltiplas conce&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas, que muitas vezes nos separam de Deus e da simplicidade do Seu Amor. O pescador quer a simples e segura prote&ccedil;&atilde;o de Maria e do seu Filho Jesus Cristo. Por isso a louva intensamente, sobretudo nesta &eacute;poca do ano, como acontece na serra, promovendo, nas suas comunidades, festas e romarias. Todavia, se na serra a festa continua a ser algo exclusivamente comunit&aacute;rio e involuntariamente intimista, as festas dos pescadores come&ccedil;am a ganhar um carater globalizante no que toca aos festejos mais profanos, com gente de todo o lado a apreciar aquilo que &eacute; pr&oacute;prio da gastronomia e dos divertimentos mar&iacute;timos, como os tradicionais jogos de mar. Ainda assim, na maioria dos casos, a parte da festa mais dedicada &agrave; viv&ecirc;ncia crist&atilde; da vida mar&iacute;tima continua a ter um carater mais local e comunit&aacute;rio, embora com gente de todo o lado a olhar de fora, por exemplo, as tradicionais prociss&otilde;es junto do\/no mar.<\/p>\n<p>Esta terra de contrastes abre-nos contante e generosamente o cora&ccedil;&atilde;o, oferecendo-nos o que tem de melhor: a amabilidade das suas gentes, a riqueza da sua terra e do seu mar, o calor do seu sol, a tranquilidade e o descanso, que a serra e o mar proporcionam em medidas distintas. Contrastes marcantes, que definiram um territ&oacute;rio e a sua popula&ccedil;&atilde;o, marcando as suas tradi&ccedil;&otilde;es e a forma como celebram a F&eacute;; contrastes saud&aacute;veis, que na diversidade proporcionaram a aproxima&ccedil;&atilde;o das comunidades ao Criador e tornaram este Algarve uma terra de verdadeiro acolhimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Padre Miguel Neto,<br \/>Coordenador da Equipa da Pastoral&nbsp;do Turismo da Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Miguel Neto, Coordenador da Equipa da Pastoral do Turismo da Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[185,320],"class_list":["post-57136","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-do-algarve","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57136"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57136\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}