{"id":57133,"date":"2012-06-26T10:47:46","date_gmt":"2012-06-26T10:47:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/26\/projecto-querenca\/"},"modified":"2012-06-26T10:47:46","modified_gmt":"2012-06-26T10:47:46","slug":"projecto-querenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/projecto-querenca\/","title":{"rendered":"Projecto Queren\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Samuel Mendon\u00e7a, Jornalista <!--more--> <\/p>\n<p>Todos n&oacute;s concordamos que o melhor do mundo s&atilde;o as pessoas, e em particular, as rela&ccedil;&otilde;es entre elas. E todos cremos haver anomalias que parecem colocar, cada vez mais, em causa esta verdade da Vida. Todos acreditamos que s&oacute; somos pessoas porque o somos em rela&ccedil;&atilde;o uns com os outros e que s&oacute; a exist&ecirc;ncia dos outros &eacute; que nos faz sermos pessoas. Somos gente que sabe n&atilde;o haver autorrealiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Todos nos incomodamos com o crescimento de casos de idosos abandonados em hospitais ou casas particulares, sem acompanhamento e apoio na doen&ccedil;a e na morte tantas vezes descobertas apenas depois do arrombar de portas que deix&aacute;mos que se fechassem.<\/p>\n<p>Todos nos interrogamos perante a realidade crescente dos div&oacute;rcios de fam&iacute;lias que vivem escravizadas em torno de uma situa&ccedil;&atilde;o financeira e laboral t&atilde;o cada vez mais exigente como estranguladora. Casais que veem a sua rela&ccedil;&atilde;o amorosa, pressionada a ser preterida em favor de outras prioridades do mundo.<\/p>\n<p>Muitos concordamos estar a dar cabo da inf&acirc;ncia das crian&ccedil;as devido ao paradigma educacional que escolhemos, mas continuamos a exigir aos nossos filhos que sejam iguais a n&oacute;s, pondo o trabalho das 8h &agrave;s 20h &agrave; frente de tudo o resto, e a lastimar que eles tenham d&eacute;fices de aten&ccedil;&atilde;o que tentamos comprar por via material. Lamentamos o modelo tecnocr&aacute;tico em que organiz&aacute;mos o ensino, reconhecendo que mais escola n&atilde;o significa melhor escola e desconfiamos do sentido do furor da forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e cient&iacute;fica que quer enganar inexperientes em princ&iacute;pio de vida fazendo-lhes crer que alcan&ccedil;aram o patamar que jamais algu&eacute;m alcan&ccedil;a durante toda a exist&ecirc;ncia: ser mestre.<\/p>\n<p>Interrogamo-nos at&eacute; que ponto &eacute; que o crescimento do conhecimento e da tecnologia &eacute; proporcional ao da humanidade e do seu bem-estar mas continuamos a insistir numa ideia absurda de desenvolvimento, subjugada &agrave; vertigem do econ&oacute;mico e &agrave; voragem dos interesses financeiros de grupos que concentram a riqueza no mundo, os mesmos que fazem com que j&aacute; n&atilde;o seja a necessidade a fazer a tecnologia, mas o contr&aacute;rio.<\/p>\n<p>S&atilde;o cada vez mais os que acreditam que o atual modelo econ&oacute;mico n&atilde;o serve e tamb&eacute;m os que defendem que a sociedade precisa de um novo arqu&eacute;tipo de organiza&ccedil;&atilde;o. No entanto, os dias correm, uns atr&aacute;s dos outros, sem que ningu&eacute;m ouse pensar a mudan&ccedil;a de uma realidade inaceit&aacute;vel, nem acreditar que &eacute; poss&iacute;vel um mundo melhor, uma economia que sirva o homem e n&atilde;o o inverso.<\/p>\n<p>A Europa n&atilde;o est&aacute; a aprender nada com a crise e fazem-nos crer que, para sair dela, &eacute; preciso colocar a economia a crescer, aumentando o consumo (sempre o consumo) para gerar emprego, insistindo no erro que nos conduziu at&eacute; aqui.<\/p>\n<p>O futuro tem que voltar a ser as pessoas e precisamos de ideias novas que nos voltem a dar o horizonte desse futuro. Precisamos de alternativas e h&aacute; sempre alternativas. Temos de resgatar a liberdade de viver para voltar a viver em liberdade. &Eacute; preciso o regresso &agrave;s coisas b&aacute;sicas e simples, as mais importantes da Vida, o regresso a uma Vida de harmonia com a natureza, com o Planeta como nossa casa, connosco pr&oacute;prios, uma Vida com respeito pela cultura e pelo patrim&oacute;nio.<\/p>\n<p>Precisamos urgentemente que os modelos carism&aacute;ticos de uma Vida verdadeira acordem para o testemunho que nos levar&aacute; a sermos o &laquo;fermento&raquo; que pode &laquo;levedar a massa&raquo;. Chegou a hora! Uma hora que tem de ser a da juventude! E pode ser a da juventude crist&atilde;! Precisamos de gente com coragem para romper ceticismos. Precisamos de audazes que rasguem a est&uacute;pida cultura do individualismo para ousar viver a comunh&atilde;o e a partilha de vida. Precisamos de gente que rejeite viver em fun&ccedil;&atilde;o do dinheiro e do lucro e lhes atribua a insignificante import&acirc;ncia que t&ecirc;m. Gente que sabe que somos administradores tempor&aacute;rios e nunca propriet&aacute;rios de nada. Gente que abomine o poder, o sucesso e a fama e que viva a Vida rejeitando a mentira da m&aacute;scara, da apar&ecirc;ncia, do efeito, da impress&atilde;o e da sensa&ccedil;&atilde;o. Gente com tempo para ser gente, pessoas com tempo para se relacionarem, cativarem e cuidarem, gente que sabe que sem fam&iacute;lias n&atilde;o haver&aacute; sociedade, humanos com tempo para pensar. Gente que se atreva a dar uma &laquo;pedrada no charco&raquo; e a fazer do amor ao pr&oacute;ximo o crit&eacute;rio de Vida. Chegou o tempo de passar da perfus&atilde;o de teorias &agrave; a&ccedil;&atilde;o, a &uacute;nica capaz de influenciar vidas e transformar comportamentos.<\/p>\n<p>E &eacute; precisamente este o lema do &laquo;Projecto Queren&ccedil;a&raquo;, uma iniciativa de 9 jovens licenciados da Universidade do Algarve que se mudaram para aquela aldeia desertificada e envelhecida entre a serra e o barrocal algarvio para tentar revitaliz&aacute;-la em colabora&ccedil;&atilde;o com a popula&ccedil;&atilde;o local. &Agrave; jovem equipa foi atribu&iacute;do o desafio de conhecer os recursos locais (naturais, rurais, culturais, sociais), estud&aacute;-los, test&aacute;-los e trabalh&aacute;-los numa perspetiva de valoriza&ccedil;&atilde;o e rentabiliza&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel. Um projeto que est&aacute; a marcar o Algarve e o pa&iacute;s, como a tal &laquo;pedrada&raquo; dada no &laquo;charco&raquo;, que busca solu&ccedil;&otilde;es sustent&aacute;veis de dinamiza&ccedil;&atilde;o dos recursos end&oacute;genos e a cria&ccedil;&atilde;o de oportunidades de emprego e que tem mostrado que a vida simples &eacute; sempre sustent&aacute;vel, no interior como no litoral. Uma iniciativa a fazer lembrar as F&eacute;rias Mission&aacute;rias, promovidas pela Pastoral Juvenil da Igreja algarvia, por terem sido pioneiras na d&eacute;cada de 90 em aliar a (re)descoberta da cultura local &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o dos afetos para contrariar a tend&ecirc;ncia de desertifica&ccedil;&atilde;o do interior.<\/p>\n<p>Portugal (e o mundo) precisa de mais projetos destes, tra&ccedil;ados por gente que arrisque um amanh&atilde; de esperan&ccedil;a, gente que sabe que estamos destinados ao infinito. N&atilde;o, n&atilde;o temos de mudar o mundo. Basta que comecemos por nos mudar a n&oacute;s pr&oacute;prios.<\/p>\n<p><em>Samuel Mendon&ccedil;a<br \/>Jornalista<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Samuel Mendon\u00e7a, Jornalista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[185,191,203,280],"class_list":["post-57133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-do-algarve","tag-economia","tag-europa","tag-pastoral-juvenil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57133"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57133\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}