{"id":57060,"date":"2012-06-19T13:25:34","date_gmt":"2012-06-19T13:25:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/19\/o-euro-2012-e-a-construcao-de-um-futuro-comum\/"},"modified":"2012-06-19T13:25:34","modified_gmt":"2012-06-19T13:25:34","slug":"o-euro-2012-e-a-construcao-de-um-futuro-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-euro-2012-e-a-construcao-de-um-futuro-comum\/","title":{"rendered":"O Euro 2012 e a constru\u00e7\u00e3o de um futuro comum"},"content":{"rendered":"<p>Fernando J. Micael Pereira <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"left\">O futebol acaba por ser um espelho da vida, bem como um incentivo e modelo de como se caminha para o futuro. Ainda h&aacute; poucos anos foi magn&iacute;fico o modo como a todos uniu intensamente no gosto por sermos portugueses, na explos&atilde;o de bandeiras e em outros s&iacute;mbolos demonstrados por toda a parte.<\/p>\n<p>N&oacute;s que somos pouco expansivos, n&atilde;o s&oacute; ent&atilde;o nos entusiasmamos com as realiza&ccedil;&otilde;es da Sele&ccedil;&atilde;o, como as vivemos em clima de aventura e de projeto, deixando-nos mobilizar para uma dimens&atilde;o que estando muito para al&eacute;m do futebol, foi desencadeada e desenvolvida pela pr&oacute;pria campanha futebol&iacute;stica.<\/p>\n<p>O contacto com outros povos, a afirma&ccedil;&atilde;o da nossa identidade, a coes&atilde;o entre pessoas que t&ecirc;m filia&ccedil;&otilde;es diversas, mas que apostam num projeto que as une, constituiu um trabalho bem realizado que renovou o que de positivo teve um outro empreendimento da mesma ordem, a Expo 98. Ela tamb&eacute;m esteve centrada na identidade, no gosto de ser portugu&ecirc;s, na conviv&ecirc;ncia com outros povos, na imagem de modernidade.<\/p>\n<p>Passaram os anos, mudou muito a situa&ccedil;&atilde;o, mas o futebol como evento de multid&otilde;es, a n&iacute;vel nacional e internacional, mant&eacute;m esta sua fun&ccedil;&atilde;o que est&aacute; muito longe de ser a da aliena&ccedil;&atilde;o que tantos proclamaram durante dec&eacute;nios, embora de facto tamb&eacute;m possa conduzir a dimens&otilde;es indesej&aacute;veis, ou a despesas escandalosas e fara&oacute;nicas ou ainda, a conluios obscuros. Neste Europeu de 2012, at&eacute; ao momento, a participa&ccedil;&atilde;o portuguesa tem revelado uma outra face bem diferente da de h&aacute; oito anos, mas que espelha e responde igualmente &agrave; vida, &agrave;s atitudes e &agrave;s necessidades atuais da sociedade portuguesa.<\/p>\n<p>At&eacute; ao momento tem sido significativa sobretudo a conten&ccedil;&atilde;o quer nas expectativas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Sele&ccedil;&atilde;o, quer na mobiliza&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica, como igualmente na resposta a quem procura lan&ccedil;ar e aquecer contenciosos e at&eacute;, na opini&atilde;o de comentadores, a conten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; nas declara&ccedil;&otilde;es, como na pr&oacute;pria t&aacute;tica de jogo, criteriosa, sem exagerar, n&atilde;o realizando press&atilde;o excessiva em situa&ccedil;&otilde;es secund&aacute;rias, n&atilde;o dando azo igualmente a esfor&ccedil;os descoordenados, antes possibilitando a recupera&ccedil;&atilde;o do jogo com entrega e acerto nos lances e movimenta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A campanha tem mostrado o m&eacute;rito do esfor&ccedil;o sistem&aacute;tico, sem facilita&ccedil;&otilde;es indevidas, embora mantendo dentro e fora de campo, no treino e no campeonato, as paragens e at&eacute; as festas que se imp&otilde;em, a a&ccedil;&atilde;o e o descanso, as altern&acirc;ncias que constituem a base de qualquer a&ccedil;&atilde;o humana, sobretudo se esfor&ccedil;ada. A participa&ccedil;&atilde;o da sele&ccedil;&atilde;o tem-nos igualmente transmitido que o valor de algu&eacute;m n&atilde;o pode ser idolatrado, mas deve antes ser enquadrado no contexto de uma equipa. Nem a estrela trabalha para si, nem a equipa se deve deixar perder em competi&ccedil;&otilde;es mesquinhas e secund&aacute;rias que a nada conduzem; todos precisam de manter a efici&ecirc;ncia e a eleg&acirc;ncia de favorecerem reciprocamente as suas oportunidades.<\/p>\n<p>O facto de cada um assegurar o seu lugar e fun&ccedil;&atilde;o, o m&eacute;rito da persist&ecirc;ncia paciente como alavanca para vencer as dificuldades, tem sido no dizer dos comentadores um recurso insubstitu&iacute;vel. Quanto se descreveu constitui uma teoria da constru&ccedil;&atilde;o de um futuro comum que &eacute; divulgada e comentada muito frequentemente, at&eacute; durante o pr&oacute;prio desafio, e que acaba por ser realizada no relvado. &Eacute; formada por princ&iacute;pios fundamentais para qualquer projeto comum poder avan&ccedil;ar. O futebol mostra &agrave; saciedade o que precisamos de fazer como povo, e mostra-o de um modo f&aacute;cil de compreender e de assimilar.<\/p>\n<p>Seria f&aacute;cil falarmos das regras que o futebol imp&otilde;e, da rapidez da aplica&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a em campo, de como ela est&aacute; sujeita a escrut&iacute;nio por vezes at&eacute; excessivo. Pod&iacute;amos falar do cuidado em cumprir a &eacute;tica da competi&ccedil;&atilde;o e de tantas outras dimens&otilde;es exemplares.<\/p>\n<p>De qualquer forma, &agrave; medida que o campeonato avan&ccedil;a, l&aacute; v&atilde;o aparecendo algumas t&iacute;midas bandeiras, surgem os len&ccedil;os e os cachec&oacute;is, vai aumentando a confian&ccedil;a e com ela a esperan&ccedil;a que afinal estava l&aacute; bem resguardada. &Eacute; este o Portugal de agora, mais austero e mais capaz, mas ainda muito pouco seguro de si pr&oacute;prio.<\/p>\n<p><em>Fernando J. Micael Pereira, professor universit&aacute;rio, especialista em Ci&ecirc;ncias Sociais<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando J. 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