{"id":57046,"date":"2012-06-19T10:42:52","date_gmt":"2012-06-19T10:42:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/19\/ao-servico-dos-migrantes\/"},"modified":"2012-06-19T10:42:52","modified_gmt":"2012-06-19T10:42:52","slug":"ao-servico-dos-migrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ao-servico-dos-migrantes\/","title":{"rendered":"Ao servi\u00e7o dos migrantes"},"content":{"rendered":"<p>Padre Manuel Soares, Antigo diretor da OCPM <!--more--> <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">&nbsp;Ap&oacute;s sete anos no estrangeiro como mission&aacute;rio dos portugueses emigrantes, fui convidado a assumir a dire&ccedil;&atilde;o da Obra Cat&oacute;lica de Migra&ccedil;&otilde;es, tendo come&ccedil;ado as minhas fun&ccedil;&otilde;es nesse cargo em outubro de 1984. Sucedi ao saudoso Mons. Martinho Pereira dos Santos que, nesse ano, se tornou respons&aacute;vel de uma miss&atilde;o portuguesa na Su&iacute;&ccedil;a.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Durante o exerc&iacute;cio do meu cargo como diretor tive ocasi&atilde;o de trabalhar com diversas comiss&otilde;es episcopais deste setor presididas pelos bispos D. Eurico Nogueira, D. Teodoro de Faria, D. Manuel Martins e D. Janu&aacute;rio Torgal. S&oacute; no ano 2000 me foi concedida a dispensa do cargo, tendo sido substitu&iacute;do pelo Padre Rui Pedro, que eu pr&oacute;prio indicara como meu poss&iacute;vel sucessor.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Os primeiros anos de trabalho na OCPM foram dedicados quase exclusivamente &agrave;s comunidades portuguesas no estrangeiro, particularmente na Europa, Am&eacute;rica do Norte, &Aacute;frica do Sul, Marrocos, Venezuela e Austr&aacute;lia. Naqueles anos calculava-se em 4,5 milh&otilde;es o n&uacute;mero de portugueses na di&aacute;spora, reunidos em comunidades espalhadas por todo o mundo que eram servidas por cerca de 480 sacerdotes, 70 religiosas e 20 di&aacute;conos, a maioria dos quais n&atilde;o eram portugueses. O problema principal com que se debatia a Obra de Migra&ccedil;&otilde;es era falta de pastores verdadeiramente insuficientes e at&eacute; mal preparados para as fun&ccedil;&otilde;es.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Em nome da OCPM e da Comiss&atilde;o Episcopal estive presente em reuni&otilde;es internacionais de diversos organismos: ICMC (International Catholic Migration Comission), COMECE (Comiss&atilde;o Episcopal da Comunidade Europeia) e CCEE (Conselho das Confer&ecirc;ncias Episcopais Europeias). Igualmente tomei parte em variados encontros do Conselho Pontif&iacute;cio de Migra&ccedil;&otilde;es.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">A pastoral da emigra&ccedil;&atilde;o sazonal mereceu todo o interesse da OCPM devido &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es particularmente dif&iacute;ceis deste modo de emigra&ccedil;&atilde;o. Fizeram-se encontros pastorais no nosso pa&iacute;s e no estrangeiro, visitas pastorais, reuni&otilde;es diversas.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Os Secretariados Diocesanos de Migra&ccedil;&otilde;es, apoiados e coordenados pela OCPM, reuniam-se anualmente, como ainda hoje o fazem, em locais variados que as diferentes dioceses proporcionavam. Nelas se debatiam os problemas mais prementes desta pastoral e se tomavam as resolu&ccedil;&otilde;es julgadas mais necess&aacute;rias e poss&iacute;veis. Tamb&eacute;m, como diretor, visitei pessoalmente algumas dioceses em companhia do respetivo secret&aacute;rio diocesano.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">A comunica&ccedil;&atilde;o social foi um setor a que demos a maior aten&ccedil;&atilde;o. A OCPM apoiou v&aacute;rios jornais da Igreja dedicados &agrave; problem&aacute;tica da emigra&ccedil;&atilde;o, cri&aacute;mos e sustent&aacute;mos programas radiof&oacute;nicos para os portugueses emigrados, colabor&aacute;mos de muitas formas com a Ag&ecirc;ncia Ecclesia.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">A partir do in&iacute;cio da d&eacute;cada 90 o nosso pa&iacute;s come&ccedil;ou a ser procurado pela imigra&ccedil;&atilde;o e por refugiados. J&aacute; t&iacute;nhamos recebido muitos caboverdeanos que neste pa&iacute;s eram tolerados e at&eacute; aceites em muitos trabalhos onde eram necess&aacute;rios. Mas os &uacute;ltimos anos do s&eacute;culo foram um per&iacute;odo importante de entrada de estrangeiros neste pa&iacute;s porque j&aacute; pertenc&iacute;amos &agrave; Uni&atilde;o Europeia e o muro de Berlim tinha desaparecido. A grande quantidade de estrangeiros procurando trabalho colocou problemas dif&iacute;ceis &agrave; sociedade portuguesa, sobretudo de controle na entrada e perman&ecirc;ncia no territ&oacute;rio. O governo estabeleceu um per&iacute;odo extraordin&aacute;rio de legaliza&ccedil;&atilde;o mas foi mal preparado. O esfor&ccedil;o n&atilde;o atingiu o resultado desejado. A OCPM participou ativamente nesse esfor&ccedil;o, sensibilizando os que podiam beneficiar. Com a mudan&ccedil;a de governo outro per&iacute;odo de legaliza&ccedil;&atilde;o se abriu com normas mais cuidadas, ensinadas pela experi&ecirc;ncia do anterior. Tamb&eacute;m neste 2.&ordm; per&iacute;odo a OCPM esteve muito ativa, organizando as associa&ccedil;&otilde;es de imigrantes num trabalho conjunto (SCAL) e influindo muito profundamente, em colabora&ccedil;&atilde;o com essas associa&ccedil;&otilde;es e estruturas do governo, na legisla&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para a imigra&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Nesses anos a situa&ccedil;&atilde;o de extrema pobreza de muitos estrangeiros, imigrantes e solicitantes de ref&uacute;gio pol&iacute;tico, obrigou a OCPM &nbsp;a abrigar e apoiar muitas fam&iacute;lias em grande dificuldade social. Fizeram-se parcerias com institui&ccedil;&otilde;es importantes (ACNUR, Centrais sindicais, CPR, Miseric&oacute;rdia de Lisboa, Associa&ccedil;&otilde;es de imigrantes e diversos grupos da Igreja nomeadamente a Caritas e Congrega&ccedil;&otilde;es religiosas) que, em conjunto, procuraram acudir a muitas emerg&ecirc;ncias. A certo momento o pr&oacute;prio governo atribuiu verbas que permitiram aliviar o sufoco em que a OCPM, associa&ccedil;&otilde;es e outros organismos se encontravam ao desenvolver este apoio social.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Ao fim de 16 anos de servi&ccedil;o &agrave; Igreja no campo das migra&ccedil;&otilde;es ficou uma sensa&ccedil;&atilde;o frustrante de trabalho inacabado. N&atilde;o obtivemos um documento oficial da Confer&ecirc;ncia Episcopal sobre a Pastoral das Migra&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o promovida nem organizada a comunica&ccedil;&atilde;o social de e para as comunidades na di&aacute;spora (jornais, programas radiof&oacute;nicos, televisivos) nem sequer um boletim de interc&acirc;mbio e informativo entre os mission&aacute;rios, n&atilde;o foi organizada minimamente a pastoral do turismo, sentiram-se grandes obst&aacute;culos na pastoral dos ciganos e na assist&ecirc;ncia religiosa dos aeroportos.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Ao deixar a OCPM no in&iacute;cio do ano 2000 disse que as migra&ccedil;&otilde;es continuavam a ser uma imensa panela a ferver ou um vulc&atilde;o em plena atividade incontrol&aacute;vel.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Padre Manuel Soares<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Antigo diretor da OCPM<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;Ap&oacute;s sete anos no estrangeiro como mission&aacute;rio dos portugueses emigrantes, fui convidado a assumir a dire&ccedil;&atilde;o da Obra Cat&oacute;lica de Migra&ccedil;&otilde;es, tendo come&ccedil;ado as minhas fun&ccedil;&otilde;es nesse cargo em outubro de 1984. Sucedi ao saudoso Mons. Martinho Pereira dos Santos que, nesse ano, se tornou respons&aacute;vel de uma miss&atilde;o portuguesa na Su&iacute;&ccedil;a.<\/p>\n<p>Durante o exerc&iacute;cio do meu cargo como diretor tive ocasi&atilde;o de trabalhar com diversas comiss&otilde;es episcopais deste setor presididas pelos bispos D. Eurico Nogueira, D. Teodoro de Faria, D. Manuel Martins e D. Janu&aacute;rio Torgal. S&oacute; no ano 2000 me foi concedida a dispensa do cargo, tendo sido substitu&iacute;do pelo Padre Rui Pedro, que eu pr&oacute;prio indicara como meu poss&iacute;vel sucessor.<\/p>\n<p>Os primeiros anos de trabalho na OCPM foram dedicados quase exclusivamente &agrave;s comunidades portuguesas no estrangeiro, particularmente na Europa, Am&eacute;rica do Norte, &Aacute;frica do Sul, Marrocos, Venezuela e Austr&aacute;lia. Naqueles anos calculava-se em 4,5 milh&otilde;es o n&uacute;mero de portugueses na di&aacute;spora, reunidos em comunidades espalhadas por todo o mundo que eram servidas por cerca de 480 sacerdotes, 70 religiosas e 20 di&aacute;conos, a maioria dos quais n&atilde;o eram portugueses. O problema principal com que se debatia a Obra de Migra&ccedil;&otilde;es era falta de pastores verdadeiramente insuficientes e at&eacute; mal preparados para as fun&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Em nome da OCPM e da Comiss&atilde;o Episcopal estive presente em reuni&otilde;es internacionais de diversos organismos: ICMC (International Catholic Migration Comission), COMECE (Comiss&atilde;o Episcopal da Comunidade Europeia) e CCEE (Conselho das Confer&ecirc;ncias Episcopais Europeias). Igualmente tomei parte em variados encontros do Conselho Pontif&iacute;cio de Migra&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A pastoral da emigra&ccedil;&atilde;o sazonal mereceu todo o interesse da OCPM devido &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es particularmente dif&iacute;ceis deste modo de emigra&ccedil;&atilde;o. Fizeram-se encontros pastorais no nosso pa&iacute;s e no estrangeiro, visitas pastorais, reuni&otilde;es diversas.<\/p>\n<p>Os Secretariados Diocesanos de Migra&ccedil;&otilde;es, apoiados e coordenados pela OCPM, reuniam-se anualmente, como ainda hoje o fazem, em locais variados que as diferentes dioceses proporcionavam. Nelas se debatiam os problemas mais prementes desta pastoral e se tomavam as resolu&ccedil;&otilde;es julgadas mais necess&aacute;rias e poss&iacute;veis. Tamb&eacute;m, como diretor, visitei pessoalmente algumas dioceses em companhia do respetivo secret&aacute;rio diocesano.<\/p>\n<p>A comunica&ccedil;&atilde;o social foi um setor a que demos a maior aten&ccedil;&atilde;o. A OCPM apoiou v&aacute;rios jornais da Igreja dedicados &agrave; problem&aacute;tica da emigra&ccedil;&atilde;o, cri&aacute;mos e sustent&aacute;mos programas radiof&oacute;nicos para os portugueses emigrados, colabor&aacute;mos de muitas formas com a Ag&ecirc;ncia Ecclesia.<\/p>\n<p>A partir do in&iacute;cio da d&eacute;cada 90 o nosso pa&iacute;s come&ccedil;ou a ser procurado pela imigra&ccedil;&atilde;o e por refugiados. J&aacute; t&iacute;nhamos recebido muitos caboverdeanos que neste pa&iacute;s eram tolerados e at&eacute; aceites em muitos trabalhos onde eram necess&aacute;rios. Mas os &uacute;ltimos anos do s&eacute;culo foram um per&iacute;odo importante de entrada de estrangeiros neste pa&iacute;s porque j&aacute; pertenc&iacute;amos &agrave; Uni&atilde;o Europeia e o muro de Berlim tinha desaparecido. A grande quantidade de estrangeiros procurando trabalho colocou problemas dif&iacute;ceis &agrave; sociedade portuguesa, sobretudo de controle na entrada e perman&ecirc;ncia no territ&oacute;rio. O governo estabeleceu um per&iacute;odo extraordin&aacute;rio de legaliza&ccedil;&atilde;o mas foi mal preparado. O esfor&ccedil;o n&atilde;o atingiu o resultado desejado. A OCPM participou ativamente nesse esfor&ccedil;o, sensibilizando os que podiam beneficiar. Com a mudan&ccedil;a de governo outro per&iacute;odo de legaliza&ccedil;&atilde;o se abriu com normas mais cuidadas, ensinadas pela experi&ecirc;ncia do anterior. Tamb&eacute;m neste 2.&ordm; per&iacute;odo a OCPM esteve muito ativa, organizando as associa&ccedil;&otilde;es de imigrantes num trabalho conjunto (SCAL) e influindo muito profundamente, em colabora&ccedil;&atilde;o com essas associa&ccedil;&otilde;es e estruturas do governo, na legisla&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para a imigra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nesses anos a situa&ccedil;&atilde;o de extrema pobreza de muitos estrangeiros, imigrantes e solicitantes de ref&uacute;gio pol&iacute;tico, obrigou a OCPM &nbsp;a abrigar e apoiar muitas fam&iacute;lias em grande dificuldade social. Fizeram-se parcerias com institui&ccedil;&otilde;es importantes (ACNUR, Centrais sindicais, CPR, Miseric&oacute;rdia de Lisboa, Associa&ccedil;&otilde;es de imigrantes e diversos grupos da Igreja nomeadamente a Caritas e Congrega&ccedil;&otilde;es religiosas) que, em conjunto, procuraram acudir a muitas emerg&ecirc;ncias. A certo momento o pr&oacute;prio governo atribuiu verbas que permitiram aliviar o sufoco em que a OCPM, associa&ccedil;&otilde;es e outros organismos se encontravam ao desenvolver este apoio social.<\/p>\n<p>Ao fim de 16 anos de servi&ccedil;o &agrave; Igreja no campo das migra&ccedil;&otilde;es ficou uma sensa&ccedil;&atilde;o frustrante de trabalho inacabado. N&atilde;o obtivemos um documento oficial da Confer&ecirc;ncia Episcopal sobre a Pastoral das Migra&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o promovida nem organizada a comunica&ccedil;&atilde;o social de e para as comunidades na di&aacute;spora (jornais, programas radiof&oacute;nicos, televisivos) nem sequer um boletim de interc&acirc;mbio e informativo entre os mission&aacute;rios, n&atilde;o foi organizada minimamente a pastoral do turismo, sentiram-se grandes obst&aacute;culos na pastoral dos ciganos e na assist&ecirc;ncia religiosa dos aeroportos.<\/p>\n<p>Ao deixar a OCPM no in&iacute;cio do ano 2000 disse que as migra&ccedil;&otilde;es continuavam a ser uma imensa panela a ferver ou um vulc&atilde;o em plena atividade incontrol&aacute;vel.<\/p>\n<p><em>Padre Manuel Soares<\/em><\/p>\n<p><em>Antigo diretor da OCPM<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Soares, Antigo diretor da 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