{"id":57044,"date":"2012-06-19T10:27:24","date_gmt":"2012-06-19T10:27:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/19\/licoes-da-emigracao\/"},"modified":"2012-06-19T10:27:24","modified_gmt":"2012-06-19T10:27:24","slug":"licoes-da-emigracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/licoes-da-emigracao\/","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es da Emigra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Inoc\u00eancio Costa Mendon\u00e7a <!--more--> <\/p>\n<p>A minha experi&ecirc;ncia como emigrante inicia-se em 1970, levando em companhia a minha esposa. Depois de uma curta passagem por Kaiserlautern, as saudades da fam&iacute;lia leva-nos at&eacute; Heinsberg. Esta cidade, pr&oacute;xima da Holanda, &eacute; mais pequena, com uma vida mais calma, mais convidativa&hellip; Os muitos portugueses que aqui viviam, cerca de 1400, trabalhavam, quase todos, numa s&oacute; empresa mas estavam dispersos por muitas localidades.<\/p>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">N&atilde;o havia grandes estruturas de apoio. A f&aacute;brica tinha um int&eacute;rprete para os portugueses e, no campo religioso eram visitados, quinzenalmente, pelo mission&aacute;rio de Krefeld. Entretanto chega um assistente social da C&aacute;ritas; come&ccedil;a a funcionar a escola portuguesa; funda-se um centro recreativo, com um rancho folcl&oacute;rico e um grupo de futebol.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Para falar um pouco da import&acirc;ncia que a Obra Cat&oacute;lica Portuguesa das Migra&ccedil;&otilde;es (OCPM) teve na minha vida de emigrante devo falar mais da obra que aqui se iniciou com a chegada, em mar&ccedil;o de 1976, do padre comboniano, Olindo Pinto Marques, de Viseu, que veio tamb&eacute;m servir Aachen, Julich e Eschweiller.&nbsp;<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Desde a primeira hora que acompanhei os trabalhos deste mission&aacute;rio, que se tornou um dos meus grandes amigos. Foi not&aacute;vel o que aqui se fez, num curto espa&ccedil;o de seis anos. Mais de cento e cinquenta crian&ccedil;as frequentavam a catequese; 150\/200 pessoas iam &agrave; Missa dominical, n&uacute;mero considerado bom, atendendo &agrave; dispers&atilde;o, ao trabalho de turnos e at&eacute; &agrave; d&eacute;bil forma&ccedil;&atilde;o religiosa da maioria dos portugueses.&nbsp;<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Os di&aacute;logos sobre o trabalho, a conta banc&aacute;ria l&aacute; em Portugal, e pouco mais&hellip; deu &nbsp;lugar &agrave; vida em comunidade, mais partilhada, mais sentida, mais respeitada, permitindo ajudar-nos uns aos outros na viv&ecirc;ncia da f&eacute;, na esperan&ccedil;a e na caridade. O final da Missa de cada domingo, passou a ser o dia do encontro, de falar da terra, das f&eacute;rias, da fam&iacute;lia, do apoio comunit&aacute;rio social, cultural e recreativo. Fizemos muitos e bons amigos, leigos comprometidos que deram sempre o seu melhor &agrave; Igreja e aos irm&atilde;os.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Como imp&otilde;em as regras da comunidade comboniana, passados seis anos o P.e Olindo ou regressava a Portugal ou teria de incardinar-se na &ldquo;casa&rdquo; alem&atilde;. Silenciosamente como entrou, assim saiu, regressando a Portugal mas, para surpresa e apreens&atilde;o minha, deixou-me esta recomenda&ccedil;&atilde;o: &nbsp;&ldquo;&Eacute;s crist&atilde;o e, como tal, pesa sobre ti a responsabilidade de continuar o trabalho que aqui fizemos, at&eacute; que um novo mission&aacute;rio venha para o meu lugar&rdquo;.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Depois da aprova&ccedil;&atilde;o do bispo da Diocese de Aachem, nenhum daqueles que formavam a equipa operacional deixou de ser ainda mais dedicado e nunca faltou gente para o trabalho, pois todos sab&iacute;amos que &ldquo;&eacute; dando que se recebe&rdquo;. O padre Manuel Soares teve muita paci&ecirc;ncia para responder, sem se comprometer, aos nossos constantes apelos, mas a verdade &eacute; que nunca mais veio um mission&aacute;rio portugu&ecirc;s. Passaram por aqui v&aacute;rios holandeses, que estiveram em Africa ou no Brasil e, nos interregnos, recorr&iacute;amos &agrave;s Celebra&ccedil;&otilde;es da Palavra. Hoje os portugueses s&atilde;o muito menos e est&atilde;o a ficar totalmente integrados.&nbsp;<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Quando regressei a Portugal, em 1994, sentia-me satisfeito com o que dei de mim &agrave; Comunidade Portuguesa de Heisnsberg e &agrave; OCPM. Pude viver a minha F&eacute; em paz e muita alegria. Ajudei irm&atilde;os a encontrar o Caminho a Verdade e a Vida e, como pude e sabia, a espalhar amor e alegria, fazendo os outros felizes para que eu fosse tamb&eacute;m feliz. Mas ser&aacute; que fiz tudo&hellip;, e bem?&nbsp;<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">A miss&atilde;o ainda n&atilde;o estava completa. O bispo de Viseu quis reestruturar o Secretariado Diocesano das Migra&ccedil;&otilde;es e encarregou disso um sacerdote que esteve como mission&aacute;rio em Fran&ccedil;a, o padre J&uacute;lio Homem, depois substitu&iacute;do pelo padre Ant&oacute;nio Matos. J&aacute; l&aacute; v&atilde;o 17 anos que eu e minha esposa, com muita alegria e o nosso melhor empenho, continuamos a colaborar com a OCPM.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Inoc&ecirc;ncio Costa Mendon&ccedil;a<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A minha experi&ecirc;ncia como emigrante inicia-se em 1970, levando em companhia a minha esposa. Depois de uma curta passagem por Kaiserlautern, as saudades da fam&iacute;lia leva-nos at&eacute; Heinsberg. Esta cidade, pr&oacute;xima da Holanda, &eacute; mais pequena, com uma vida mais calma, mais convidativa&hellip; Os muitos portugueses que aqui viviam, cerca de 1400, trabalhavam, quase todos, numa s&oacute; empresa mas estavam dispersos por muitas localidades.<\/p>\n<p>N&atilde;o havia grandes estruturas de apoio. A f&aacute;brica tinha um int&eacute;rprete para os portugueses e, no campo religioso eram visitados, quinzenalmente, pelo mission&aacute;rio de Krefeld. Entretanto chega um assistente social da C&aacute;ritas; come&ccedil;a a funcionar a escola portuguesa; funda-se um centro recreativo, com um rancho folcl&oacute;rico e um grupo de futebol.<\/p>\n<p>Para falar um pouco da import&acirc;ncia que a Obra Cat&oacute;lica Portuguesa das Migra&ccedil;&otilde;es (OCPM) teve na minha vida de emigrante devo falar mais da obra que aqui se iniciou com a chegada, em mar&ccedil;o de 1976, do padre comboniano, Olindo Pinto Marques, de Viseu, que veio tamb&eacute;m servir Aachen, Julich e Eschweiller.&nbsp;<\/p>\n<p>Desde a primeira hora que acompanhei os trabalhos deste mission&aacute;rio, que se tornou um dos meus grandes amigos. Foi not&aacute;vel o que aqui se fez, num curto espa&ccedil;o de seis anos. Mais de cento e cinquenta crian&ccedil;as frequentavam a catequese; 150\/200 pessoas iam &agrave; Missa dominical, n&uacute;mero considerado bom, atendendo &agrave; dispers&atilde;o, ao trabalho de turnos e at&eacute; &agrave; d&eacute;bil forma&ccedil;&atilde;o religiosa da maioria dos portugueses.&nbsp;<\/p>\n<p>Os di&aacute;logos sobre o trabalho, a conta banc&aacute;ria l&aacute; em Portugal, e pouco mais&hellip; deu &nbsp;lugar &agrave; vida em comunidade, mais partilhada, mais sentida, mais respeitada, permitindo ajudar-nos uns aos outros na viv&ecirc;ncia da f&eacute;, na esperan&ccedil;a e na caridade. O final da Missa de cada domingo, passou a ser o dia do encontro, de falar da terra, das f&eacute;rias, da fam&iacute;lia, do apoio comunit&aacute;rio social, cultural e recreativo. Fizemos muitos e bons amigos, leigos comprometidos que deram sempre o seu melhor &agrave; Igreja e aos irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Como imp&otilde;em as regras da comunidade comboniana, passados seis anos o P.e Olindo ou regressava a Portugal ou teria de incardinar-se na &ldquo;casa&rdquo; alem&atilde;. Silenciosamente como entrou, assim saiu, regressando a Portugal mas, para surpresa e apreens&atilde;o minha, deixou-me esta recomenda&ccedil;&atilde;o: &nbsp;&ldquo;&Eacute;s crist&atilde;o e, como tal, pesa sobre ti a responsabilidade de continuar o trabalho que aqui fizemos, at&eacute; que um novo mission&aacute;rio venha para o meu lugar&rdquo;.<\/p>\n<p>Depois da aprova&ccedil;&atilde;o do bispo da Diocese de Aachem, nenhum daqueles que formavam a equipa operacional deixou de ser ainda mais dedicado e nunca faltou gente para o trabalho, pois todos sab&iacute;amos que &ldquo;&eacute; dando que se recebe&rdquo;. O padre Manuel Soares teve muita paci&ecirc;ncia para responder, sem se comprometer, aos nossos constantes apelos, mas a verdade &eacute; que nunca mais veio um mission&aacute;rio portugu&ecirc;s. Passaram por aqui v&aacute;rios holandeses, que estiveram em Africa ou no Brasil e, nos interregnos, recorr&iacute;amos &agrave;s Celebra&ccedil;&otilde;es da Palavra. Hoje os portugueses s&atilde;o muito menos e est&atilde;o a ficar totalmente integrados.&nbsp;<\/p>\n<p>Quando regressei a Portugal, em 1994, sentia-me satisfeito com o que dei de mim &agrave; Comunidade Portuguesa de Heisnsberg e &agrave; OCPM. Pude viver a minha F&eacute; em paz e muita alegria. Ajudei irm&atilde;os a encontrar o Caminho a Verdade e a Vida e, como pude e sabia, a espalhar amor e alegria, fazendo os outros felizes para que eu fosse tamb&eacute;m feliz. Mas ser&aacute; que fiz tudo&hellip;, e bem?&nbsp;<\/p>\n<p>A miss&atilde;o ainda n&atilde;o estava completa. O bispo de Viseu quis reestruturar o Secretariado Diocesano das Migra&ccedil;&otilde;es e encarregou disso um sacerdote que esteve como mission&aacute;rio em Fran&ccedil;a, o padre J&uacute;lio Homem, depois substitu&iacute;do pelo padre Ant&oacute;nio Matos. J&aacute; l&aacute; v&atilde;o 17 anos que eu e minha esposa, com muita alegria e o nosso melhor empenho, continuamos a colaborar com a OCPM.<\/p>\n<p>Inoc&ecirc;ncio Costa Mendon&ccedil;a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inoc\u00eancio Costa Mendon\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[122,127,184,269],"class_list":["post-57044","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-brasil","tag-catequese","tag-diocese-de-viseu","tag-ocpm"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57044","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57044"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57044\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57044"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57044"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57044"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}