{"id":57034,"date":"2012-06-18T14:55:41","date_gmt":"2012-06-18T14:55:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/18\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-celebracao-das-exequias-de-d-albino-mamede-cleto\/"},"modified":"2012-06-18T14:55:41","modified_gmt":"2012-06-18T14:55:41","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-na-celebracao-das-exequias-de-d-albino-mamede-cleto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-celebracao-das-exequias-de-d-albino-mamede-cleto\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Coimbra na celebra\u00e7\u00e3o das ex\u00e9quias de D. Albino Mamede Cleto"},"content":{"rendered":"<p>Car&iacute;ssimos irm&atilde;os!<\/p>\n<p>O Senhor Jesus quis chamar os doze ap&oacute;stolos como seus amigos e imediatos colaboradores, junto ao lago da Galileia. Andaram com Ele, partilharam da sua vida, escutaram da sua boca a palavra da salva&ccedil;&atilde;o e foram enviados em miss&atilde;o de an&uacute;ncio do Reino de Deus.<\/p>\n<p>Em Jesus conheceram a for&ccedil;a do Deus amor, viram os gestos salv&iacute;ficos e aprenderam uma revolucion&aacute;ria forma de estar no mundo, centrada na oferta de si mesmo em favor dos irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Aquela comunh&atilde;o pessoal, fruto de uma ades&atilde;o incondicional, ensinou-lhes que, quando se experimenta o amor de Deus, nada h&aacute; que possa separar dele. E o amor tinha-se-lhes manifestado em Jesus Cristo. Nada os podia afastar d&rsquo;Ele.<\/p>\n<p>A Hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o continua no tempo, e o mesmo Senhor Jesus Cristo, n&atilde;o cessa de vir ao encontro da humanidade com os mesmos intuitos de amor e com as mesmas manifesta&ccedil;&otilde;es salv&iacute;ficas. Toca a muitas portas, abre os horizontes da confian&ccedil;a e convida a entrar no banquete e na festa. Nesse monte do encontro continua a revelar as Escrituras, faz arder o cora&ccedil;&atilde;o quando reparte o P&atilde;o na Ceia, permite saborear desde j&aacute; a beleza da vida e do amor, leva a experimentar antecipadamente as del&iacute;cias das realidades definitivas que preparou para n&oacute;s.<\/p>\n<p>D. Albino Cleto teve a gra&ccedil;a de encontrar este Senhor Jesus Cristo na paz da montanha, abriu-Lhe a sua morada, quando Ele bateu &agrave; porta, permitiu que Ele entrasse, deteve-se longo tempo na contempla&ccedil;&atilde;o do seu rosto durante a ceia, quis ser Seu servo e Seu amigo. Conheceu, por isso, a grandeza do Seu amor, deixou-se cativar pelas Suas palavras de vida eterna, entrou no banquete, alegrou-se e exultou porque se sentiu salvo pelo Senhor e desejou ser instrumento da Sua salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A vida crist&atilde;, como a voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal s&atilde;o sempre uma consequ&ecirc;ncia deste encontro; o chamamento a fazer parte do grupo dos continuadores da miss&atilde;o dos ap&oacute;stolos &eacute; uma gra&ccedil;a que se n&atilde;o merece nem se pode agradecer na totalidade dos anos em que se permanece sobre a terra; ter&aacute; continuidade no louvor do C&eacute;u.<\/p>\n<p>D. Albino fez da totalidade da sua vida sobre a terra uma grande a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as por todos os dons que recebeu. F&ecirc;-lo com a oferta de si mesmo, no servi&ccedil;o da Igreja e da humanidade, dispon&iacute;vel para se gastar at&eacute; ao fim, na fidelidade &agrave; miss&atilde;o recebida. F&ecirc;-lo numa proximidade extrema a todo o Povo de Deus, nos variados trabalhos que desenvolveu. Este foi o seu sacrif&iacute;cio perfeito, n&atilde;o constitu&iacute;do por holocaustos nem obla&ccedil;&otilde;es, mas pela entrega de si mesmo como verdadeira obla&ccedil;&atilde;o ao Pai, em favor dos irm&atilde;os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O texto do Evangelho segundo S. Lucas transporta-nos para essa bela realidade da esperan&ccedil;a crist&atilde;, que n&atilde;o se funda nos acontecimentos nem nas possibilidades humanas, mas na f&eacute; em Jesus Cristo, que caminha continuamente connosco.<\/p>\n<p>Quando tudo parece perdido em virtude das dificuldades, da doen&ccedil;a ou da morte, h&aacute; um Cristo que avan&ccedil;a silencioso entre n&oacute;s, que se manifesta precisamente na desdita da cruz. Olhando &agrave; nossa volta, vendo os outros e o mundo, nem sempre O reconhecemos sentado ao nosso lado ou a fazer-nos companhia no caminho.<\/p>\n<p>&Agrave;s vezes, o cora&ccedil;&atilde;o arde quando Ele fala e nos explica as Escrituras, outras vezes as circunst&acirc;ncias da vida n&atilde;o permitem reconhec&ecirc;-l&rsquo;O. Pedimos a pobreza de cora&ccedil;&atilde;o e a abertura dos olhos da alma, a fim de que o partir do p&atilde;o seja o sinal para a f&eacute; e o lugar do encontro com o Ressuscitado, fonte de toda a esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>A nossa passagem por este mundo ser&aacute; uma fonte de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o se conseguirmos ser com Cristo, esses companheiros que caminham lado a lado com todos; se com Cristo permanecemos firmes junto aos que precisam do sustento de uma esperan&ccedil;a viva; se o partir do P&atilde;o for um sinal da partilha da vida; se a nossa palavra passageira for um reflexo da Palavra Eterna.<\/p>\n<p>Esta &eacute; a miss&atilde;o de todo aquele que foi batizado em Cristo, morto e ressuscitado e &eacute;, de um modo particular a daqueles que foram ungidos em ordem ao minist&eacute;rio sagrado: sermos disc&iacute;pulos e companheiros da humanidade, em todos os caminhos repletos de esperan&ccedil;a e quando ela vier a faltar. Esta &eacute; a nossa miss&atilde;o, car&iacute;ssimos sacerdotes, religiosos e leigos, na fidelidade ao testemunho dos que nos precederam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Recorrendo &agrave; met&aacute;fora geogr&aacute;fica t&atilde;o comum na Sagrada Escritura, poder&iacute;amos descrever a vida do Senhor D. Albino como uma grande miss&atilde;o e uma apressada peregrina&ccedil;&atilde;o. A voz de Deus fez-se ouvir nas montanhas: &laquo;Vai para a terra que Eu te indicar&raquo;. &laquo;Eis-me aqui&raquo;, foi a resposta pronta, apesar da tenra idade e da incerteza do futuro. A arder de zelo pela casa do Senhor, desce em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; plan&iacute;cie, confiado na for&ccedil;a d&rsquo;Aquele que o chama e o envia.<\/p>\n<p>E ele vai &agrave;s cidades e aldeias onde era preciso anunciar a Boa Nova do Reino de Deus. Ali, na terra densamente povoada a que foi enviado, na &ldquo;grande cidade&rdquo;, o tempo urge e n&atilde;o se pode desperdi&ccedil;ar; &eacute; a salva&ccedil;&atilde;o da cidade e do mundo que est&aacute; em causa; nada h&aacute; que levar consigo e nada h&aacute; a reservar para si: &laquo;recebestes de gra&ccedil;a, dai de gra&ccedil;a&raquo;; &laquo;h&aacute; mais alegria em dar do que em receber&raquo;, foi a palavra de ordem. Corre de um ao outro lado, numa &acirc;nsia incontida de anunciar a Boa Nova a todos sem exce&ccedil;&atilde;o. A seara era grande e os trabalhadores eram poucos; nada o podia deter.<\/p>\n<p>Com a sensa&ccedil;&atilde;o do dever cumprido, testemunha das maravilhas de gra&ccedil;a que Deus realiza nos seus humildes servos, D. Albino p&ocirc;de agora voltar ao monte, onde Deus preparou um banquete de alegria para todos os povos. De facto, &laquo;nem a morte nem a vida poder&aacute; separar-nos do amor de Deus que se manifestou em Cristo Jesus, nosso Senhor&raquo;. Vimos de Deus e, se permanecemos n&rsquo;Ele, somente o regresso a Ele dar&aacute; repouso aos nossos cora&ccedil;&otilde;es inquietos.<\/p>\n<p>Feliz na terra, mais feliz ser&aacute; no C&eacute;u diante da miseric&oacute;rdia de Deus que apaga todo o pecado: Entra na alegria do teu Senhor, porque estiveste pr&oacute;ximo dos mais pequenos e deixaste uma rasto de bondade por onde passaste; entra na alegria do teu Senhor, porque nenhuma das dores humanas te foi indiferente; entra na alegria do teu Senhor, porque emprestaste o teu rosto amigo e bom a Cristo o Bom Pastor, que cuida das suas ovelhas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agrade&ccedil;amos a Deus o sacerd&oacute;cio do Senhor D. Albino pelo qual partilhou o P&atilde;o da Palavra, o P&atilde;o da Eucaristia e o p&atilde;o da sua vida. Pe&ccedil;amos-lhe que interceda pela nossa Diocese, para que cres&ccedil;a na f&eacute; em Jesus Cristo, e receba a abund&acirc;ncia das voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais, a fim de que as comunidades crist&atilde;s possam reconhecer o Senhor ao ouvir as Escrituras e ao partir o P&atilde;o. &Aacute;men.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Coimbra, S&eacute; Nova, 18 de junho de 2012<\/p>\n<p><em>D. Virg&iacute;lio do Nascimento Antunes, bispo de Coimbra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Car&iacute;ssimos irm&atilde;os! O Senhor Jesus quis chamar os doze ap&oacute;stolos como seus amigos e imediatos colaboradores, junto ao lago da Galileia. Andaram com Ele, partilharam da sua vida, escutaram da sua boca a palavra da salva&ccedil;&atilde;o e foram enviados em miss&atilde;o de an&uacute;ncio do Reino de Deus. 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