{"id":56959,"date":"2012-06-12T13:45:53","date_gmt":"2012-06-12T13:45:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/12\/religiosidade-em-constante-mutacao\/"},"modified":"2012-06-12T13:45:53","modified_gmt":"2012-06-12T13:45:53","slug":"religiosidade-em-constante-mutacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/religiosidade-em-constante-mutacao\/","title":{"rendered":"Religiosidade em constante muta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O soci\u00f3logo Alfredo Teixeira, respons\u00e1vel do Centro de Estudos de Religi\u00f5es e Culturas da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA de um universo simb\u00f3lico em muta\u00e7\u00e3o e da import\u00e2ncia do patrim\u00f3nio crist\u00e3o na sua rela\u00e7\u00e3o com a religiosidade popular <!--more--> <\/p>\n<p>O soci&oacute;logo Alfredo Teixeira, respons&aacute;vel do Centro de Estudos de Religi&otilde;es e Culturas da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, fala &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA de um universo simb&oacute;lico em muta&ccedil;&atilde;o e da import&acirc;ncia do patrim&oacute;nio crist&atilde;o na sua rela&ccedil;&atilde;o com a religiosidade popular.<\/p>\n<p>O docente universit&aacute;rio foi coordenador e relator do estudo &lsquo;Identidades religiosas em Portugal: representa&ccedil;&otilde;es, valores e pr&aacute;ticas&rsquo; (2011), encomendado pela Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Como &eacute; que se tem processado a mudan&ccedil;a dos universos de significa&ccedil;&atilde;o religiosa num pa&iacute;s como Portugal que &eacute;, em larga medida, um &lsquo;bloco&rsquo; cat&oacute;lico e crist&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>Alfredo Teixeira (AT)<\/em> &ndash; O estudo, sob esse ponto de vista, demonstra que h&aacute; uma persist&ecirc;ncia significativa dos enunciados crist&atilde;os no conjunto das representa&ccedil;&otilde;es crentes. Por exemplo, representa&ccedil;&otilde;es de Deus como o &lsquo;Deus de Jesus Cristo&rsquo;, claramente crist&atilde; na sua descri&ccedil;&atilde;o, t&ecirc;m uma taxa de concord&acirc;ncia muito elevada. Isso, no entanto, convive com outros enunciados muito mais difusos, compreens&otilde;es de Deus mais pr&oacute;ximas de certa linguagem dir&iacute;amos energ&eacute;tica ou ent&atilde;o de um &lsquo;Deus interior a mim&rsquo;, muito mais subjetivado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Que dados se podem apresentar como mais relevantes?<\/em><\/p>\n<p><em>AT &ndash;<\/em> Aquilo que &eacute; pr&oacute;prio da modernidade que nos descreve &eacute; essa combina&ccedil;&atilde;o de coisas que s&atilde;o muito diferentes, muito heterog&eacute;neas, ou seja, n&oacute;s podemos ter, de facto, uma sobreviv&ecirc;ncia muito ampla de enunciados especificamente crist&atilde;os, mas eles combinam-se com dimens&otilde;es do crer que s&atilde;o j&aacute; muito mais individualizadas e reconstru&iacute;das individualmente. Isso, em si, esse tipo de recomposi&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o &eacute; novo n&atilde;o &eacute; experi&ecirc;ncia crist&atilde;, sempre aconteceu de certa forma; talvez o tra&ccedil;o mais importante, neste momento, &eacute; que essa recomposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o acontece apenas no dom&iacute;nio daquilo que antecede &agrave; inscri&ccedil;&atilde;o do cristianismo em culturas locais, em muitos casos remodelando cultos e pr&aacute;ticas: neste momento, isso acontece a partir de uma l&oacute;gica da afirma&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo. Desse ponto de vista, temos uma diversifica&ccedil;&atilde;o que &eacute; claramente diferente daquela que conhec&iacute;amos antes na cultura europeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Historicamente, este pluralismo da religiosidade foi sempre vis&iacute;vel nas festas populares e nas tradi&ccedil;&otilde;es que lhes est&atilde;o associadas&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>AT &ndash;<\/em> Eu penso que essa foi sempre, com diferen&ccedil;as ao longo da hist&oacute;ria, carater&iacute;stica do cristianismo, que se apresenta como uma religi&atilde;o universal, portanto aberta &agrave; diversidade das experi&ecirc;ncias culturais, mas que tem em si pr&oacute;prio uma mensagem que d&aacute; conta de uma imagem de um Deus encarnado. Nalguma literatura oral portuguesa usa-se muito a express&atilde;o &lsquo;um Deus humanado&rsquo;: esta ideia de um Deus que pode ter a escala humana acaba por disponibilizar muito as representa&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s para apropria&ccedil;&otilde;es na cultura local que, de facto, marcaram o cristianismo, de uma maneira geral, sobretudo at&eacute; numa cultura crist&atilde; mediterr&acirc;nica, de que Portugal participa.<\/p>\n<p>Isso, depois, traduz-se em fen&oacute;menos que depois s&atilde;o muito marcantes, em particular no cristianismo latino: a rela&ccedil;&atilde;o das pessoas com os santos, enquanto figuras protetoras, a pr&aacute;tica da peregrina&ccedil;&atilde;o, sob as diferentes formas &ndash; a romaria, os c&iacute;rios. Todas estas s&atilde;o formas religiosas que n&atilde;o foram propriamente criadas pelo cristianismo: a exist&ecirc;ncia de uma figura tutelar, que &eacute; a entidade protetora da comunidade, corresponde a uma das estruturas mais elementares de religi&atilde;o, que &eacute; o totemismo.<\/p>\n<p>Deste ponto de vista, o que o cristianismo faz, de alguma maneira, &eacute; redirecionar essa experi&ecirc;ncia religiosa para um horizonte, uma significa&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, sem, em muitos casos, dissolver essas pr&aacute;ticas que encontrou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Essa rela&ccedil;&atilde;o nem sempre &eacute; f&aacute;cil&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>AT &#8211;<\/em> Eu diria que, de uma maneira geral, essas pr&aacute;ticas subsistem em alguma tens&atilde;o, ou seja, algumas coisa delas transporta ainda mem&oacute;ria de um pr&eacute;-cristianismo e alguma coisa nelas claramente se rediz, claramente, agora j&aacute; no contexto crist&atilde;o. Esta tens&atilde;o &eacute; muito carater&iacute;stica da religiosidade popular e foi ela que levou, mesmo no nosso pa&iacute;s, a uma considera&ccedil;&atilde;o diversificada do valor dessa religiosidade em termos pastorais. Tivemos momentos na pastoral p&oacute;s-conciliar, por exemplo, de alguma tens&atilde;o, em que os pastores, em particular alguns p&aacute;rocos com uma forma&ccedil;&atilde;o diferente, achavam que determinadas pr&aacute;ticas teriam de ser corrigidas ou abandonadas, precisamente por transportarem de uma forma muito evidente essa tal dimens&atilde;o de uma religiosidade mais de natureza local, natural &ndash; uma express&atilde;o que atualmente a antropologia das religi&otilde;es recuperou, ou seja, uma forma simb&oacute;lica de a comunidade humana se expressar na sua rela&ccedil;&atilde;o com o meio.<\/p>\n<p>Isso aparece muito claramente em manifesta&ccedil;&otilde;es da religiosidade popular, muitas delas ligadas aos ciclos das esta&ccedil;&otilde;es do ano, &agrave;s atividades agr&iacute;colas, no fundo, a essa experi&ecirc;ncia humana fundamental, que &eacute; a da sua rela&ccedil;&atilde;o com o meio e da constru&ccedil;&atilde;o de um modo simb&oacute;lico para se proteger face a ele, de o dominar, transformar.<\/p>\n<p><em>OC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O soci\u00f3logo Alfredo Teixeira, respons\u00e1vel do Centro de Estudos de Religi\u00f5es e Culturas da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA de um universo simb\u00f3lico em muta\u00e7\u00e3o e da import\u00e2ncia do patrim\u00f3nio crist\u00e3o na sua rela\u00e7\u00e3o com a religiosidade 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