{"id":56913,"date":"2012-06-08T19:16:56","date_gmt":"2012-06-08T19:16:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/08\/comunicado-final-do-3o-forum-catolico-e-ortodoxo\/"},"modified":"2012-06-08T19:16:56","modified_gmt":"2012-06-08T19:16:56","slug":"comunicado-final-do-3o-forum-catolico-e-ortodoxo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunicado-final-do-3o-forum-catolico-e-ortodoxo\/","title":{"rendered":"Comunicado final do 3\u00ba F\u00f3rum Cat\u00f3lico e Ortodoxo"},"content":{"rendered":"<p>1. O III F&oacute;rum Cat&oacute;lico-Ortodoxo teve lugar em Lisboa, Portugal, entre os dias 5 e 8 de Junho de 2012, com o tema &ldquo;A crise econ&oacute;mica e a pobreza. Desafios para a Europa de hoje&rdquo;.<\/p>\n<p>O F&oacute;rum foi acolhido por Sua Emin&ecirc;ncia o Cardeal Patriarca de Lisboa D. Jos&eacute; da Cruz Policarpo. Os trabalhos foram co-presididos pelo Cardeal P&eacute;ter Erd&#337;, Presidente do Conselho das Confer&ecirc;ncias Episcopais da Europa (CCEE) e pelo Metropolita Gannadios de Sassima, do Patriarcado Ecum&eacute;nico.<\/p>\n<p>Depois da experi&ecirc;ncia positiva dos dois primeiros F&oacute;runs Cat&oacute;lico-Ortodoxos (Trento, It&aacute;lia, 11-14 de Dezembro de 2008 e Rodes, Gr&eacute;cia, 18-22 de Outubro de 2010), os delegados das Confer&ecirc;ncias Episcopais Cat&oacute;licas da Europa e das Igrejas Ortodoxas da Europa discutiram a quest&atilde;o da crise econ&oacute;mica e das suas repercuss&otilde;es na Europa, &agrave; luz da f&eacute; crist&atilde;.<\/p>\n<p>No termo deste encontro, queremos dirigir as nossas reflex&otilde;es aos crist&atilde;os das nossas Igrejas e a todas as pessoas que partilham as nossas preocupa&ccedil;&otilde;es.&nbsp;<\/p>\n<p>2. A Europa dos nossos dias atravessa uma crise muito grave.<\/p>\n<p>Muitos Europeus est&atilde;o a sofrer directamente as consequ&ecirc;ncias desta crise: em especial o desemprego, a aus&ecirc;ncia de perspectivas e de esperan&ccedil;a. Os Europeus est&atilde;o inquietos sobre o seu futuro.<\/p>\n<p>As nossas Igrejas acolhem e escutam estes sofrimentos e estas inquieta&ccedil;&otilde;es. Elas desejam dirigir aos seus fi&eacute;is e a todos os Europeus uma mensagem de confian&ccedil;a e de esperan&ccedil;a. Temos que manter a confian&ccedil;a na Divina Provid&ecirc;ncia e na nossa capacidade de corrigir os erros do passado, e temos&nbsp; de tra&ccedil;ar as linhas dum futuro de justi&ccedil;a e de paz.&nbsp;<\/p>\n<p>3. Ao longo da sua hist&oacute;ria, a Europa soube mais do que uma vez inverter o curso do seu destino, fazendo apelo aos recursos do pensamento e da moral crist&atilde;os, indicados na B&iacute;blia, na tradi&ccedil;&atilde;o patr&iacute;stica e mon&aacute;stica e na doutrina social da Igreja, e que constituem o tesouro partilhado por todos os seus povos.&nbsp;<\/p>\n<p>4. A mensagem das Igrejas diz respeito ao lugar e ao papel da pessoa humana na cria&ccedil;&atilde;o, na sociedade e na vida econ&oacute;mica em particular.<\/p>\n<p>As Igrejas crist&atilde;s ensinam que o homem encontra a sua realiza&ccedil;&atilde;o plena em Deus, seu Criador e Salvador. Nada neste mundo pode preencher o homem. Ele &eacute; chamado, atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o dos bens deste mundo, a descobrir o la&ccedil;o que o une aos outros homens em comunh&atilde;o com o Criador.<\/p>\n<p>5. Sob o efeito do processo da seculariza&ccedil;&atilde;o, muitos Europeus se desviaram desta rela&ccedil;&atilde;o constitutiva com Deus, procurando um sentido para a vida unicamente no horizonte terreno. As ideologias materialistas e hedonistas propuseram-lhes vis&otilde;es redutoras, levando-os a acreditar que a felicidade se podia obter atrav&eacute;s da acumula&ccedil;&atilde;o de bens, que a liberdade consistia na satisfa&ccedil;&atilde;o de todos os desejos e que a vida em sociedade podia resultar da conjuga&ccedil;&atilde;o de todos os interesse privados.<\/p>\n<p>6. As Igrejas observam que a crise que atravessamos n&atilde;o &eacute; apenas uma crise econ&oacute;mica. Trata-se duma crise moral e cultural e, mais profundamente ainda, duma crise antropol&oacute;gica e espiritual. Se cheg&aacute;mos aqui, foi porque a finan&ccedil;a se separou da economia real e porque a economia se separou do controlo da vontade pol&iacute;tica a qual, por sua vez, se desligou da &eacute;tica. Considerando a nossa experi&ecirc;ncia da presen&ccedil;a viva de Cristo na Igreja, acreditamos que &eacute; atrav&eacute;s do regresso a Cristo, atrav&eacute;s da abertura ao Esp&iacute;rito Santo e atrav&eacute;s da f&eacute; crist&atilde; que os homens de hoje encontrar&atilde;o uma resposta &agrave;s suas aspira&ccedil;&otilde;es mais profundas.&nbsp;<\/p>\n<p>7. A sociedade deve organizar-se de forma a estar sempre ao servi&ccedil;o do homem, e n&atilde;o o contr&aacute;rio. O homem &eacute; um ser social por natureza que se realiza, em primeiro lugar, na fam&iacute;lia. Rejeitamos o individualismo que isola as pessoas umas das outras. Toda a pessoa &eacute; um fim em si mesma, aberta ao amor infinito de Deus, e n&atilde;o deve nunca ser tratada como um objecto manipulado ao sabor dos interesses dos mais poderosos. Os crist&atilde;os, por seu lado, est&atilde;o dispostos a colaborar com todos os homens de boa vontade tendo em vista uma sociedade mais justa e mais humana.&nbsp;<\/p>\n<p>8. Se os Europeus querem sair da crise &ndash; em solidariedade com o resto da humanidade &ndash;, eles devem perceber que t&ecirc;m de mudar o seu estilo de vida. Para o crente, trata-se de renovar uma rela&ccedil;&atilde;o pessoal com o Deus trinit&aacute;rio que &eacute; comunh&atilde;o de amor, uma rela&ccedil;&atilde;o que vai muito al&eacute;m duma simples sabedoria ou duma convic&ccedil;&atilde;o &eacute;tica. A crise pode ser ocasi&atilde;o para uma salutar tomada de consci&ecirc;ncia. Os Europeus t&ecirc;m que dar um sentido &agrave; actividade econ&oacute;mica partindo duma vis&atilde;o integral, n&atilde;o truncada, da pessoa humana e da sua dignidade.<\/p>\n<p>Colocando a pessoa no seu verdadeiro lugar, subordinando a economia aos objectivos do desenvolvimento integral e solid&aacute;rio, abrindo a cultura &agrave; procura da verdade, dando lugar &agrave; sociedade civil e ao engenho dos cidad&atilde;os que trabalham para o bem-estar dos seus contempor&acirc;neos, eles criar&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es para que surja um novo tipo de rela&ccedil;&atilde;o com o dinheiro, a produ&ccedil;&atilde;o e o consumo. &Eacute;, ali&aacute;s, o que nos relembra a tradi&ccedil;&atilde;o asc&eacute;tica crist&atilde; do jejum e da partilha. As Igrejas chamam os crist&atilde;os a coordenar o seu servi&ccedil;o diaconal a n&iacute;vel local e global, tendo em vista a ajuda &agrave;s pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de precariedade, e a contribuir para o desenvolvimento duma sociedade mais justa.<\/p>\n<p>9. Nesta mudan&ccedil;a indispens&aacute;vel, deve ser dada prioridade ao trabalho. &Eacute; preciso privilegiar as actividades criadoras de emprego. Qualquer pessoa deve poder viver dignamente, desenvolver-se gra&ccedil;as ao seu trabalho e tornar-se solid&aacute;ria em rela&ccedil;&atilde;o aos outros. Todas as formas de corrup&ccedil;&atilde;o e de explora&ccedil;&atilde;o devem ser banidas.<\/p>\n<p>10. O mercado n&atilde;o deve ser uma for&ccedil;a an&oacute;nima e cega. &Eacute; o local onde se trocam bens e servi&ccedil;os &uacute;teis ao desenvolvimento material, social e espiritual das pessoas. O mercado deve ser regulado em fun&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento integral da pessoa.&nbsp;<\/p>\n<p>11. J&aacute; n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel continuar a delapidar os recursos da cria&ccedil;&atilde;o, poluir o meio onde vivemos, como faz&iacute;amos. A voca&ccedil;&atilde;o do homem &eacute; a de ser o guardi&atilde;o, e n&atilde;o o predador da cria&ccedil;&atilde;o. Hoje, &eacute; preciso tomar consci&ecirc;ncia da d&iacute;vida que temos para com as gera&ccedil;&otilde;es futuras, &agrave;s quais n&atilde;o devemos deixar como heran&ccedil;a um meio ambiente degradado e inabit&aacute;vel. No mundo globalizado que &eacute; o nosso, a m&atilde;o que rege a vida dos povos n&atilde;o deve ser a m&atilde;o invis&iacute;vel do ego&iacute;smo individual ou colectivo, mas uma pol&iacute;tica de controle e de transpar&ecirc;ncia das escolhas dos agentes sociais e dos Estados.&nbsp;<\/p>\n<p>12. Queremos dirigir uma palavra de encorajamento aos governos nacionais e aos respons&aacute;veis das institui&ccedil;&otilde;es europeias nos seus esfor&ccedil;os com vista a concretizar uma via justa e equilibrada para sair da crise econ&oacute;mica e financeira, com uma aten&ccedil;&atilde;o especial aos pa&iacute;ses em maiores dificuldades.&nbsp;<\/p>\n<p>13. Dirigimo-nos, sobretudo, ao &uacute;nico agente de mudan&ccedil;a capaz de fazer evoluir as nossas sociedade para um novo estilo de vida: o cidad&atilde;o dos nossos pa&iacute;ses europeus. Se ele compreender a necessidade vital duma mudan&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos seus h&aacute;bitos de consumo, os seus representantes nas inst&acirc;ncias parlamentares ir&atilde;o segui-lo, a ind&uacute;stria ir&aacute; adaptar-se &agrave;s suas novas escolhas, a educa&ccedil;&atilde;o ir&aacute; ensinar um novo modelo de cidadania, mais s&oacute;bria e mais solid&aacute;ria para com os pobres. Enfim, o homem europeu ter&aacute; a alegria de reavivar as suas ra&iacute;zes crist&atilde;s e de cultivar a dimens&atilde;o espiritual do seu ser, a &uacute;nica capaz de preencher a sua procura de felicidade e de sentido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. O III F&oacute;rum Cat&oacute;lico-Ortodoxo teve lugar em Lisboa, Portugal, entre os dias 5 e 8 de Junho de 2012, com o tema &ldquo;A crise econ&oacute;mica e a pobreza. Desafios para a Europa de hoje&rdquo;. O F&oacute;rum foi acolhido por Sua Emin&ecirc;ncia o Cardeal Patriarca de Lisboa D. Jos&eacute; da Cruz Policarpo. 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