{"id":56908,"date":"2012-06-08T12:46:05","date_gmt":"2012-06-08T12:46:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/08\/homilia-do-bispo-de-viseu-na-solenidade-do-corpo-de-deus\/"},"modified":"2012-06-08T12:46:05","modified_gmt":"2012-06-08T12:46:05","slug":"homilia-do-bispo-de-viseu-na-solenidade-do-corpo-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-viseu-na-solenidade-do-corpo-de-deus\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Viseu na solenidade do Corpo de Deus"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong>O Domingo: Dia da F&eacute;, da Fam&iacute;lia e da Festa<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Muitos estudos t&ecirc;m sido feitos sobre a viv&ecirc;ncia da F&eacute; por parte das pessoas do nosso tempo. Todos nos t&ecirc;m mostrado um decr&eacute;scimo acentuado, nos pa&iacute;ses europeus, ocidentais e mais industrializados, na rela&ccedil;&atilde;o com a religi&atilde;o e com a pr&aacute;tica crist&atilde;. Nestes pa&iacute;ses, o crescimento econ&oacute;mico, cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico tem desprezado e subalternizado a religi&atilde;o, como se esta fosse in&uacute;til para preencher qualquer dimens&atilde;o da vida.<\/p>\n<p>A sociedade de hoje tem perdido a &ldquo;alma&rdquo;, criando uma grande desarmonia, perdendo a ideia e no&ccedil;&atilde;o de beleza integral da pessoa, acentuada cada vez mais com a perda da dimens&atilde;o espiritual. Por&eacute;m, &agrave; medida que a vida vai atingindo o seu termo, as interroga&ccedil;&otilde;es sobre o sentido da vida v&atilde;o inquietando, parecendo que a religi&atilde;o, mais do que respondendo &agrave; beleza e ao sentido da vida, &eacute; ajuda para morrer.<\/p>\n<p>Por outro lado, a cultura, as mudan&ccedil;as sociais, a globaliza&ccedil;&atilde;o e abertura ao universal e diferente parecem relativizar as cren&ccedil;as e a &ldquo;alma&rdquo; que cada um abra&ccedil;ou desde pequeno.<\/p>\n<p>Ainda, nestas circunst&acirc;ncias de instabilidade m&uacute;ltipla e perante crises e fundamentalismos diversos, cresce um relativismo de indiferen&ccedil;a e de privatismo quanto a pr&aacute;ticas pessoais, levando a defender-se e a justificar-se que a religi&atilde;o e a f&eacute; s&atilde;o preocupa&ccedil;&otilde;es meramente individuais&#8230;<\/p>\n<p>Assim, diminuem a solidariedade, a coes&atilde;o social e a corresponsabilidade e, ao mesmo tempo, diminuem os sinais exteriores da visibilidade da F&eacute; e as consequ&ecirc;ncias sociais da responsabilidade e da coer&ecirc;ncia individual e comunit&aacute;ria na viv&ecirc;ncia da mesma f&eacute;.<\/p>\n<p>Pode acontecer, tamb&eacute;m, que se afirme a f&eacute; como supremacia nacionalista, negando o di&aacute;logo pluricultural, sadio e desej&aacute;vel, como consequ&ecirc;ncia mais forte da F&eacute; no Deus &Uacute;nico &ndash; Pai e Redentor de todas as pessoas e Criador de todas as coisas maravilhosas do universo&hellip;<\/p>\n<p>Os resultados aos diversos inqu&eacute;ritos, feitos nos &uacute;ltimos tempos, pedem um refor&ccedil;o da valoriza&ccedil;&atilde;o do Domingo para que este seja o dia do Senhor, o dia da Festa, o dia da Comunidade e o dia da Fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>Para a Igreja e para o crist&atilde;o, n&atilde;o pode haver uma valoriza&ccedil;&atilde;o do Domingo sem a Eucaristia ou sem a celebra&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria e festiva da F&eacute;. O Domingo crist&atilde;o n&atilde;o quer nem pode ser o parente pobre do fim-de-semana; n&atilde;o pode ser visto como o corte, a ressaca ou a forma de esquecer todos os outros dias&hellip; O Domingo &eacute; o 1&ordm; dia da semana que deve iluminar, dar o sentido e valorizar todos os outros dias, tornando a vida da semana a consequ&ecirc;ncia coerente e a prepara&ccedil;&atilde;o s&eacute;ria do que celebra a Eucaristia.<\/p>\n<p>Ser&aacute; isto o nosso Domingo? Ser&aacute; a Eucaristia a fonte de vida e de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para os crist&atilde;os? Ser&aacute; a solenidade do Corpo de Deus a afirma&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de que temos na Eucaristia o centro, fonte e cume da vida crist&atilde;?<\/p>\n<p>O conte&uacute;do do Domingo, onde a Eucaristia &eacute; o centro e a solenidade de hoje torna p&uacute;blica, constitui o fundamental crist&atilde;o que Deus nos prop&otilde;e com a ac&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo, o nosso Redentor e que Ele selou com a Sua P&aacute;scoa.<\/p>\n<p>Que resposta damos a esta proposta, na coer&ecirc;ncia com o Baptismo e com a heran&ccedil;a que recebemos dos nossos pais, catequistas e educadores? O que temos feito da P&aacute;scoa de Jesus, transmitida pela Igreja e celebrada, cada Domingo, na Eucaristia? Como temos vivido e cumprido a nova Alian&ccedil;a, que Jesus celebra e renova connosco, sempre que participamos na Sua P&aacute;scoa?<\/p>\n<p>O Papa pede que n&atilde;o ocupemos o Domingo com actividades que mudem o seu sentido e o seu centro. Diz que as fam&iacute;lias t&ecirc;m de ser defendidas da sobrecarga laboral e que o Domingo deve ser reservado ao conv&iacute;vio familiar e a Deus. Textualmente, diz Bento XVI: &ldquo;&Eacute; preciso preservar o tempo em fam&iacute;lia, amea&ccedil;ada por uma predomin&acirc;ncia de compromissos devidos ao trabalho&rdquo;. Lembrou que as actividades devem ser de modo a &ldquo;encontrar um equil&iacute;brio harmonioso para construir sociedades de rosto humano&rdquo;.<\/p>\n<p>Preencher o Domingo com actividades laborais, culturais, recreativas ou desportivas que impe&ccedil;am as pessoas de estar em fam&iacute;lia e de participar, juntos, na Festa e na celebra&ccedil;&atilde;o da F&eacute;, n&atilde;o &eacute; ajudar a criar a esperan&ccedil;a e a &ldquo;alma&rdquo; que a sociedade de hoje tanto precisa nem &eacute; encontrar o sentido t&atilde;o necess&aacute;rio para a vida.<\/p>\n<p>Seria importante que as diversas institui&ccedil;&otilde;es, associa&ccedil;&otilde;es e clubes que organizam essas diversas actividades n&atilde;o dificultassem a s&atilde; harmonia que deve existir no viver os diversos ritmos e desafios da vida.<\/p>\n<p>Importa ajudar e n&atilde;o impedir a que as crian&ccedil;as, adolescentes, jovens e adultos possam viver os seus compromissos familiares, sociais e crist&atilde;os, de modo a que o importante ditado &ldquo;alma s&atilde;o em corpo s&atilde;o&rdquo; n&atilde;o seja invertido ou pervertido, esquecendo a alma com a aten&ccedil;&atilde;o &uacute;nica ao corpo&hellip;<\/p>\n<p>Fazemos votos de que este pr&oacute;ximo Ano da F&eacute;, a ser vivido na nossa Diocese com o tema &ndash; &ldquo;Domingo, juntos na FEsta&rdquo; &ndash; nos ajude a dar a necess&aacute;ria import&acirc;ncia ao Domingo como um dia diferente e festivo e a viver a Eucaristia como o centro deste dia, conscientes de que &ldquo;a Igreja n&atilde;o pode ser a mesma sem a Eucaristia&rdquo;. &nbsp;<\/p>\n<p>Que esta solenidade e a prociss&atilde;o que se segue, sejam vividas como um acto &uacute;nico de &ldquo;profunda f&eacute; na Eucaristia, que constitui o tesouro mais precioso da Igreja e da humanidade&rdquo;. AMEN! ALELUIA!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Il&iacute;dio, bispo de Viseu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Domingo: Dia da F&eacute;, da Fam&iacute;lia e da Festa &nbsp; Muitos estudos t&ecirc;m sido feitos sobre a viv&ecirc;ncia da F&eacute; por parte das pessoas do nosso tempo. Todos nos t&ecirc;m mostrado um decr&eacute;scimo acentuado, nos pa&iacute;ses europeus, ocidentais e mais industrializados, na rela&ccedil;&atilde;o com a religi&atilde;o e com a pr&aacute;tica crist&atilde;. 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