{"id":56857,"date":"2012-06-05T11:12:45","date_gmt":"2012-06-05T11:12:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/05\/francisco-e-jacinta-para-os-dias-de-hoje\/"},"modified":"2012-06-05T11:12:45","modified_gmt":"2012-06-05T11:12:45","slug":"francisco-e-jacinta-para-os-dias-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/francisco-e-jacinta-para-os-dias-de-hoje\/","title":{"rendered":"Francisco e Jacinta para os dias de hoje"},"content":{"rendered":"<p>No contexto da peregrina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, a ECCLESIA falou com a Irm\u00e3 \u00c2ngela Coelho, vice-postuladora da Causa dos Pastorinhos, que deu conta do esfor\u00e7o cont\u00ednuo da organiza\u00e7\u00e3o em apresentar a vida dos beatos Francisco e Jacinta <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia (AE) &#8211; Como &eacute; que a mensagem dos pastorinhos Jacinta e Francisco chega &agrave;s crian&ccedil;as do s&eacute;culo XXI?<\/em><\/p>\n<p><em>Irm&atilde; &Acirc;ngela Coelho (AC) &#8211;<\/em> Os pastorinhos, que foram crian&ccedil;as do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, t&ecirc;m bastante a dizer &agrave;s crian&ccedil;as do s&eacute;culo XXI. Ainda que com 100 anos de diferen&ccedil;a, a natureza humana essencialmente n&atilde;o vai mudando. O ser humano &eacute; o mesmo.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar na rela&ccedil;&atilde;o com Deus. O maravilhoso da Jacinta e do Francisco &eacute; que s&atilde;o crian&ccedil;as que nunca deixaram de ser crian&ccedil;as. Foram sempre fi&eacute;is &agrave; natureza.<\/p>\n<p>As apari&ccedil;&otilde;es n&atilde;o mudaram a sua forma estrutural de ser. Continuaram a ser crian&ccedil;as porque morreram crian&ccedil;as e por isso, continuam a ser exemplos muito pr&oacute;ximos nos dias de hoje. Gostavam de brincar, gostavam da fam&iacute;lia, gostavam de estar uns com os outros. O que aconteceu de novo nas suas vidas s&atilde;o as apari&ccedil;&otilde;es do Anjo que potencializaram caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias: a abertura ao transcendente, a Deus, &agrave; sua rela&ccedil;&atilde;o com Jesus e Nossa Senhora; a disponibilidade para o que Deus vai fazendo deles e a confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>Os pastorinhos ensinam-nos isto &#8211; a confiar e a n&atilde;o nos fecharmos a uma rela&ccedil;&atilde;o com Deus. Com ora&ccedil;&otilde;es simples, com ofertas &agrave; sua medida mas que revelam uma abertura a Deus e &agrave; transcend&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE- Que import&acirc;ncia tem a peregrina&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as no contexto da mensagem de F&aacute;tima?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Est&aacute; a tornar-se numa das maiores peregrina&ccedil;&otilde;es no Santu&aacute;rio. Maio, outubro e agosto eram meses fortes e agora a peregrina&ccedil;&atilde;o do 10 de junho das crian&ccedil;as est&aacute; a tornar-se numa das maiores.<\/p>\n<p>H&aacute; toda uma adapta&ccedil;&atilde;o da celebra&ccedil;&atilde;o e das atividades &agrave;s crian&ccedil;as para que elas entendam, desde os gestos &agrave; pr&oacute;pria oferta que levam para casa.<\/p>\n<p>&Eacute; tamb&eacute;m importante porque com as crian&ccedil;as v&ecirc;m os adultos, os pais e os av&oacute;s, os catequistas e tios. O Santu&aacute;rio fica colorido e evidencia-se a viv&ecirc;ncia da fam&iacute;lia. Penso que se est&aacute; a tornar importante por isso, pela presen&ccedil;a das fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Creio que uma crian&ccedil;a que em pequena vem a F&aacute;tima, nunca mais o esquece. Por muito que a sua vida na juventude e idade adulta a afaste de Deus, fica esta semente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; O que &eacute; que as crian&ccedil;as veem? Os beatos, Jacinta e Francisco, ou o Santu&aacute;rio em si?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Penso que veem as duas coisas. Por uma quest&atilde;o pr&aacute;tica &eacute; no Santu&aacute;rio de F&aacute;tima que se encontram os restos mortais dos pastorinhos. O espa&ccedil;o acolhe a cust&oacute;dia da Capelinha, que &eacute; o grande tesouro do Santu&aacute;rio, com a imagem de Nossa senhora de F&aacute;tima, mas tamb&eacute;m a cust&oacute;dia dos beatos que est&atilde;o l&aacute; sepultados.<\/p>\n<p>O Santu&aacute;rio sempre teve a preocupa&ccedil;&atilde;o de ir transmitindo a figura do Francisco e da Jacinta, enquanto exemplos concretos com que as crian&ccedil;as se podem relacionar. Os c&acirc;nticos, os presentes est&atilde;o tamb&eacute;m relacionados com os pastorinhos &#8211; porque eram crian&ccedil;as como eles.<\/p>\n<p>Para uma crian&ccedil;a desta idade &eacute; dif&iacute;cil perceber, no abstrato, que h&aacute; uma mensagem. O que &eacute; f&aacute;cil perceber &eacute; que houve um menino Francisco, como eles, que gostava de um Jesus escondido e que eles podem aprender nas suas par&oacute;quias a fazer companhia ao Jesus escondido, por exemplo antes da missa. &Eacute; f&aacute;cil perceber que houve uma menina Jacinta que gostava muito de Nossa Senhora e que por isso, rezava todos os dias o ter&ccedil;o. Eles tamb&eacute;m o podem fazer.<\/p>\n<p>Para as crian&ccedil;as &eacute; mais acess&iacute;vel ter modelos concretos com os quais se podem relacionar. O Santu&aacute;rio de F&aacute;tima tem feito um esfor&ccedil;o para apresentar estas duas dimens&otilde;es. Creio que as crian&ccedil;as levam na retina a prociss&atilde;o do adeus, mas levam tamb&eacute;m o exemplo concreto dos dois beatos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Eram crian&ccedil;as muito diferentes?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Sim, eram crian&ccedil;as muito diferentes antes das apari&ccedil;&otilde;es do Anjo e depois das apari&ccedil;&otilde;es essas diferen&ccedil;as v&atilde;o acentuar-se. O Francisco era um menino d&oacute;cil, pac&iacute;fico e que gostava de estar sozinho para contemplar a natureza. Era muito amigo da irm&atilde;. Os pastorinhos d&atilde;o-nos uma grande li&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel familiar.<\/p>\n<p>Os pastorinhos foram o que foram &#8211; e Nossa Senhora encontrou naquelas crian&ccedil;as um terreno t&atilde;o bom para trabalhar &#8211; porque os pais j&aacute; os tinham educado nos valores humanos e crist&atilde;os. A fam&iacute;lia e as rela&ccedil;&otilde;es eram muito estruturadas. &Eacute; um desafio &agrave;s nossas fam&iacute;lias de hoje.<\/p>\n<p>O Francisco era tranquilo. A L&uacute;cia disse que se ele crescesse o seu pior defeito seria o &laquo;n&atilde;o te rales&raquo;. N&atilde;o gostava de brigas ou lutas.<\/p>\n<p>A Jacinta era mais extrovertida, mais brincalhona, mais espont&acirc;nea. Tinha o defeito de amuar quando as coisas n&atilde;o lhe corriam bem.<\/p>\n<p>Depois das apari&ccedil;&otilde;es houve uma mudan&ccedil;a, sobretudo na Jacinta, no sentido de se superar a si mesma, por amor a Jesus, a Nossa Senhora e aos pecadores por quem ela ia oferecendo os seus pequenos sacrif&iacute;cios &#8211; n&atilde;o amuar, n&atilde;o ficar zangada.<\/p>\n<p>O Francisco vai continuar a sua capacidade contemplativa mas agora com Deus em ora&ccedil;&atilde;o. O Francisco era fascinado e centrado em Deus. Tamb&eacute;m aqui ele pode ajudar-nos, ao indicar o quanto &eacute; fundamental para uma vida espiritual saud&aacute;vel fazer de Deus o centro da nossa vida.<\/p>\n<p>A Jacinta &eacute; muito atraente. Ao longo dos anos que tenho falado deles dou conta que a Jacinta cativa de forma muito espont&acirc;nea. Tinha tra&ccedil;os muito bonitos mas era tamb&eacute;m viva&ccedil;a e as pessoas gostam dela de uma forma muito particular. Esta sua abertura transformou-se numa enorme capacidade de amar. Ela amava tudo e todos &#8211; os bons e os maus, os que via a sofrer, por exemplo o santo padre, e os que ela via que faziam sofrer, por exemplo os pobres pecadores.<\/p>\n<p>Ela tinha um cora&ccedil;&atilde;o universal e assumiu o compromisso com tudo quanto viu e viveu. &Eacute; um grande exemplo para os dias de hoje.<\/p>\n<p>Tenho visto crian&ccedil;as, a quem falo dos pastorinhos, com atitudes que me comovem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; &Eacute; dessa forma que as crian&ccedil;as desconstroem a ideia de penit&ecirc;ncia, de ora&ccedil;&atilde;o, de repara&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o valores centrais na mensagem de F&aacute;tima?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211; <\/em>Quando apresento a vida dos pastorinhos &agrave;s crian&ccedil;as tento focar na sua rela&ccedil;&atilde;o com Deus, que Jesus existe, que &eacute; uma pessoa com quem nos podemos relacionar, que &eacute; amigo, que est&aacute; pr&oacute;ximo e que conta connosco. E aqui falo da ora&ccedil;&atilde;o. Cada crian&ccedil;a vai dando a sugest&atilde;o de como pode rezar e ouvem-se coisas muito generosas. (&#8230;)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; S&atilde;o relatos de convers&atilde;o que lhe chegam?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Convers&atilde;o ao seu n&iacute;vel. Eles n&atilde;o t&ecirc;m de fazer uma mudan&ccedil;a de vida deixando o mal e aderindo ao bem. Mas recebo relatos de crian&ccedil;as que se superam a si mesmas, que aprendem a sair de si. Isto &eacute; fundamental. &Eacute; o princ&iacute;pio do amor. Amamos quando sa&iacute;mos de n&oacute;s mesmos, nos esquecemos de n&oacute;s e pensamos no outro.<\/p>\n<p>Naturalmente as crian&ccedil;as gostam de ser o centro, faz parte do seu crescimento. Mas quando a crian&ccedil;a aprende a sair de si e a pensar no outro, &eacute; uma crian&ccedil;a que est&aacute; a fazer um enorme processo de convers&atilde;o no sentido correto, no voltar-se para Deus. Os pastorinhos t&ecirc;m sido um exemplo pr&aacute;tico para estes meninos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No contexto da peregrina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, a ECCLESIA falou com a Irm\u00e3 \u00c2ngela Coelho, vice-postuladora da Causa dos Pastorinhos, que deu conta do esfor\u00e7o cont\u00ednuo da organiza\u00e7\u00e3o em apresentar a vida dos beatos Francisco e Jacinta<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[154,207],"class_list":["post-56857","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-crianca","tag-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56857"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56857\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}