{"id":56855,"date":"2012-06-05T11:05:36","date_gmt":"2012-06-05T11:05:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/05\/a-peregrinacao-a-fatima\/"},"modified":"2012-06-05T11:05:36","modified_gmt":"2012-06-05T11:05:36","slug":"a-peregrinacao-a-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-peregrinacao-a-fatima\/","title":{"rendered":"A peregrina\u00e7\u00e3o a F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>Maria Jo\u00e3o Avillez Ata\u00edde,Docente de Pedagogia na Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o Maria Ulrich <!--more--> <\/p>\n<p>Tomei esta proposta de escrever sobre a Peregrina&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as a F&aacute;tima, a 9 e 10 de Junho, como um desafio, talvez porque a iniciativa suscita em mim sentimentos contradit&oacute;rios. Mas mais do que d&uacute;vidas, interessa-me partilhar reflex&otilde;es e por isso aceitei escrever.<\/p>\n<p>Pensando sobre o assunto e procurando arrumar sentimentos fui naturalmente empurrada para a minha inf&acirc;ncia e as viv&ecirc;ncias da F&aacute;tima de ent&atilde;o, h&aacute; uns bons sessenta e tal anos&#8230;dei por mim a revisitar lugares, acontecimentos e pessoas. O que ficou ?<\/p>\n<p>Como fui uma crian&ccedil;a doente, recordo F&aacute;tima por ser praticamente o &uacute;nico lugar onde me levavam, saindo assim do hospital onde estava internada. Nunca me falaram em cura ou milagre mas bem percebia que o momento essencial era a ben&ccedil;&atilde;o dos doentes e pareceu-me natural fazer ali a minha primeira comunh&atilde;o. Hoje tenho a convic&ccedil;&atilde;o profunda de que N&ordf; S&ordf; de F&aacute;tima ouviu as preces da minha fam&iacute;lia e intercedeu por mim, facto exposto a alguns m&eacute;dicos que reconhecem na minha cura fatores inexplic&aacute;veis.<\/p>\n<p>Mais tarde, na d&eacute;cada de 50, recordo vivamente as Concentra&ccedil;&otilde;es das Fam&iacute;las Cat&oacute;licas em F&aacute;tima, que eram simultaneamente tempo de rezar em uni&atilde;o com outras fam&iacute;lias, conhecidas ou n&atilde;o, bem como de conv&iacute;vio e de manifesta&ccedil;&atilde;o coletiva e muito s&eacute;ria, da nossa F&eacute;. Para mim e para os meus nove irm&atilde;os foram ocasi&otilde;es marcantes. Ainda h&aacute; pouco tempo um deles, que vive noutro continente, nos pediu encarecidamente que lhe enviassemos uma fotografia dos meus pais, transportando o andor de Nossa Senhora na prociss&atilde;o que sempre se realizava.<\/p>\n<p>As minhas reflex&otilde;es sobre a Peregrina&ccedil;&atilde;o das Crian&ccedil;as em 9 e 10 de Junho, centram-se em tr&ecirc;s quest&otilde;es: Porqu&ecirc;? Para qu&ecirc;? Como?<\/p>\n<p>A primeira resposta salta &agrave; vista: se Maria, mediadora de todas as gra&ccedil;as, escolheu tr&ecirc;s crian&ccedil;as como suas mensageiras, &eacute; porque elas, as crian&ccedil;as, ser&atilde;o sempre interlocutoras privilegiadas na rela&ccedil;&atilde;o dos homens com Deus. E a&iacute; imp&otilde;e-se uma mudan&ccedil;a de atitude por parte dos adultos: as crian&ccedil;as portuguesas v&atilde;o a F&aacute;tima no dia 10 de Junho n&atilde;o como seres menores, ao nosso colo ou empurradas por n&oacute;s, mas porque elas est&atilde;o sempre mais pr&oacute;ximas de Deus, como muito claramente afirma o Pe. Balthasar no seu livrinho &ldquo;Se n&atilde;o vos tornardes como crian&ccedil;as&rdquo; (1988). Cada crian&ccedil;a nasce com todas as potencialidades e dimens&otilde;es pr&oacute;prias do homem, n&atilde;o &eacute; um objeto nem um ser inacabado e a gra&ccedil;a de Deus atua em cada uma, interpelando-a e revelando-Se, o que torna a inf&acirc;ncia um tempo privilegiado do encontro pessoal com Cristo.<\/p>\n<p>E a segunda pergunta: Para qu&ecirc;? Se a inten&ccedil;&atilde;o destes encontros nacionais &eacute; reunir o maior n&uacute;mero de crian&ccedil;as junto de Nossa Senhora, com a finalidade de que a sua ora&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria seja escutada por Deus e traga mais paz e amor ao mundo, sempre t&atilde;o revolto, &eacute; f&aacute;cil responder ao &lsquo;Como&rsquo;, mas estejamos vigilantes pois estes grandes eventos facilmente se tornam numa finalidade em si mesmos, ou porque j&aacute; fazem parte da tradi&ccedil;&atilde;o ou porque ningu&eacute;m se atreve a p&ocirc;-los em causa para os (re)pensar. Por exemplo, constatei que hoje pouco se fala no Anjo da Paz, tamb&eacute;m chamado de Anjo de Portugal, ora as visitas do Anjo aos pastorinhos, preparando-os para o encontro com Jesus atrav&eacute;s da Eucaristia e para os pedidos que Maria, sua M&atilde;e, havia de lhes fazer s&atilde;o o modelo de uma catequese perfeita!<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o tenham medo!&rdquo; disse &agrave;s crian&ccedil;as &ldquo;Sou o Anjo da Paz, rezem comigo&rdquo; e ensinou-lhes a ora&ccedil;&atilde;o &ldquo;Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-Vos; pe&ccedil;o-Vos perd&atilde;o pelos que n&atilde;o creem, n&atilde;o adoram, n&atilde;o esperam e n&atilde;o Vos amam&#8230;&rdquo; t&atilde;o simples e clara que foi uma das primeiras que ensinei aos meus muitos netos. Quero dizer com isto que o essencial &eacute; o sentido, o significado que damos a esta peregrina&ccedil;&atilde;o pois ele ser&aacute; intu&iacute;do por cada crian&ccedil;a que nela participar e contribuir&aacute; para que d&ecirc;, assim, um verdadeiro sentido &agrave; sua vida e &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com Deus.<\/p>\n<p>Como fazer, ent&atilde;o? Ou melhor, podemos n&oacute;s, catequistas, pais, av&oacute;s e educadores, cumprir o papel de mediadores entre a crian&ccedil;a e a liturgia, de animadores deste Santu&aacute;rio de F&aacute;tima que afinal &eacute; delas, crian&ccedil;as, por decis&atilde;o de Maria? Comunicar de forma simb&oacute;lica a Mensagem de Maria? Transcrevo a resposta de uma catequista:<\/p>\n<p>&ldquo; No seu crescimento, a permeabilidade da crian&ccedil;a ao mundo que a rodeia &eacute; enorme. Tem por isso grande capacidade para integrar experi&ecirc;ncias novas e estabelecer m&uacute;ltiplas rela&ccedil;&otilde;es com o que j&aacute; adquiriu ou experimentou. Tal integra&ccedil;&atilde;o ser&aacute; t&atilde;o maior e profunda, na constru&ccedil;&atilde;o da sua vida interior, quanto forem significativas as experi&ecirc;ncias que referi e, claro, o sentido de cada uma delas. Uma celebra&ccedil;&atilde;o, em si mesma, arrisca por isso ser mais pobre se vivida apenas como &ldquo;acontecimento&rdquo; e n&atilde;o como ponto de partida, de passagem ou de chegada de um todo integrador.&rdquo;<\/p>\n<p>Sim, ir a F&aacute;tima com as crian&ccedil;as como peregrinos n&atilde;o &eacute; como ir de viagem para f&eacute;rias ou em excurs&atilde;o ao Portugal dos Pequeninos&#8230; por isso &eacute; t&atilde;o importante que os responsaveis criem condi&ccedil;&otilde;es para que as crian&ccedil;as compreendam o que ali se passa naquele dia, o significado e a hist&oacute;ria daquele lugar, a dimens&atilde;o da festa vivida em conjunto e do encontro pessoal com Nossa Senhora. Por isso &eacute; t&atilde;o importante a prepara&ccedil;&atilde;o e antecipa&ccedil;&atilde;o destes dias, dando voz &agrave;s crian&ccedil;as que t&ecirc;m sempre perguntas e coment&aacute;rios a fazer. E, finalmente, assegurar que dali levam um enriquecimento interior proporcionado por esta alternativa ao ru&iacute;do que as rodeia no quotidiano. Como diz a catequista j&aacute; citada:<\/p>\n<p>&ldquo;A peregrina&ccedil;&atilde;o a F&aacute;tima, sendo primordialmente uma peregrina&ccedil;&atilde;o interior, deve ser uma oportunidade clara para distinguir a dimens&atilde;o espiritual como for&ccedil;a motriz da Vida e para a Vida, experi&ecirc;ncia de Amor inequ&iacute;voco e fecundo, proporcionado por um Deus que de tudo &eacute; capaz mas que, acima de tudo, a ama, a ela, crian&ccedil;a, tal como &eacute;. Um Deus cujo Amor por n&oacute;s &eacute; um milagre e n&atilde;o uma magia&#8230;&rdquo;<\/p>\n<p><em>Maria Jo&atilde;o Avillez Ata&iacute;de,<br \/>Docente de Pedagogia na Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o Maria Ulrich<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Jo\u00e3o Avillez Ata\u00edde,Docente de Pedagogia na Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o Maria Ulrich<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[127,193,207,246],"class_list":["post-56855","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-catequese","tag-educacao","tag-fatima","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56855","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56855"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56855\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56855"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56855"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56855"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}