{"id":56852,"date":"2012-06-05T10:54:19","date_gmt":"2012-06-05T10:54:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/05\/os-valores-do-desporto-em-tempo-de-crise\/"},"modified":"2012-06-05T10:54:19","modified_gmt":"2012-06-05T10:54:19","slug":"os-valores-do-desporto-em-tempo-de-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-valores-do-desporto-em-tempo-de-crise\/","title":{"rendered":"Os valores do desporto em tempo de crise"},"content":{"rendered":"<p>Padre Rui Val\u00e9rio, monfortino, p\u00e1roco no Patriarcado de Lisboa <!--more--> <\/p>\n<p>O campeonato europeu de futebol j&aacute; est&aacute; a ser pretexto para o constante ribombar do tema nos media, e n&atilde;o s&oacute;. Ainda no domingo, enquanto tomava o pequeno-almo&ccedil;o na esplanada dum caf&eacute;, fui testemunha duma evasiva ressaca do 1-3 contra a Turquia: um grupo de adeptos que no s&aacute;bado tinha estado na Luz juntava a cada nome de jogador da &ldquo;nossa sele&ccedil;&atilde;o&rdquo; ep&iacute;tetos que eu pensava serem reservados exclusivamente aos advers&aacute;rios; e n&atilde;o advers&aacute;rios de &uacute;ltima hora, de s&eacute;rie &ldquo;c&rdquo;, acabados de chegar. N&atilde;o. Mas advers&aacute;rios de topo, daqueles que s&oacute; nome&aacute;-los j&aacute; nos p&otilde;e a dizer coisas feias. E assim vai ser pelas pr&oacute;ximas semanas.<br \/>Ora se o futebol &eacute; o prato forte do repasto, ele n&atilde;o ir&aacute; ser servido sozinho, mas vai acompanhado dum vinho fora do vulgar&hellip; amargo, j&aacute; azedo&hellip; que &eacute; a crise. A crise do deficit, do desemprego, da infla&ccedil;&atilde;o&hellip; Continuaremos a receber not&iacute;cias que t&atilde;o depressa d&atilde;o um ar de sua gra&ccedil;a, encorajador, como novamente nos mergulham no j&aacute; habitual des&acirc;nimo (para n&atilde;o dizer apatia).<\/p>\n<p>E, como j&aacute; diziam os antigos na sua reconhecida sabedoria, &ldquo;uma desgra&ccedil;a nunca vem s&oacute;&rdquo;, acresce que tamb&eacute;m o futebol vai dando provas de estar perfeitamente enquadrado no tipo de sociedade que produz os seus problemas econ&oacute;micos, sociais e humanos a partir de problemas graves existentes no &acirc;mbito da &eacute;tica, da moral, da justi&ccedil;a e do direito. Problemas que est&atilde;o relacionados com uma gama de contravalores, como os ego&iacute;smos exacerbados, o culto do lucro f&aacute;cil, etc. (Veja-se o &uacute;ltimo esc&acirc;ndalo de combina&ccedil;&atilde;o de resultados ocorrido em It&aacute;lia). Tudo isto nos remete para uma quest&atilde;o decisiva: que possui o futebol (e o desporto em geral) para continuar a arrastar multid&otilde;es (n&atilde;o obstante os &ldquo;casos&rdquo; que v&atilde;o sendo conhecidos)? Ser&aacute; que a ret&oacute;rica das emo&ccedil;&otilde;es explica tudo?<\/p>\n<p>Pessoalmente, sou da opini&atilde;o de que uma pista onde se corre, ou uma estrada onde se pedala, ou um campo onde se joga s&atilde;o &ndash; continuam a ser &ndash; lugares da verdade e da justi&ccedil;a. Da verdade, porque ali vem sempre ao de cima o que um atleta &eacute; e vale. Certo, pode sempre dar-se o caso de haver recurso e uso &agrave;s subst&acirc;ncias farmacol&oacute;gicas. Sim, pode acontecer! No entanto, a verdade de que falamos, a que &eacute; verdade profunda, pode nem vir expressa nos resultados, ou nem sequer se mostrar na hist&oacute;ria do jogo, ou da prova. No entanto, ela continua a estar presente. E mesmo quando n&atilde;o se revela nos resultados, acaba por se revelar na consci&ecirc;ncia de quem assiste ou participa. &Eacute; este dado que continua a mover o fasc&iacute;nio pelo desporto, mesmo em tempo de &ldquo;crise&rdquo;: o evento desportivo liberta o sentido da verdade e da justi&ccedil;a, presentes nos campos da consci&ecirc;ncia individual e coletiva. Repito, falamos da verdade e da justi&ccedil;a que est&aacute; inscrita na consci&ecirc;ncia de cada um e, mesmo quando n&atilde;o se compatibiliza com as pseudoverdades e pseudojusti&ccedil;as das provas, n&atilde;o demove o cidad&atilde;o de acreditar na for&ccedil;a da verdade e da justi&ccedil;a gravadas dentro de si. &Eacute; por isso que, nesta nossa &eacute;poca em que a crise de valores suscitou a crise econ&oacute;mica, humana, social e tamb&eacute;m desportiva, os cidad&atilde;os continuam a acreditar no desporto. Esta cren&ccedil;a n&atilde;o &eacute; ingenuidade, &eacute; sim o sinal de como a pessoa &eacute; &ndash; continua a ser &ndash; a p&aacute;tria da verdade e da justi&ccedil;a. Mesmo quando essa verdade e justi&ccedil;a j&aacute; tiverem desertado dos campos de futebol, ou das pistas e das estradas de provas desportivas.<\/p>\n<p><em>Padre Rui Val&eacute;rio, monfortino, p<\/em><span style=\"font-style: italic;\">&aacute;roco da P&oacute;voa de Santo Adri&atilde;o<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Rui Val\u00e9rio, monfortino, p\u00e1roco no Patriarcado de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[187],"class_list":["post-56852","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56852\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}