{"id":56840,"date":"2012-06-04T12:20:36","date_gmt":"2012-06-04T12:20:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/04\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-domingo-da-santissima-trindade-e-dia-da-igreja-diocesana\/"},"modified":"2012-06-04T12:20:36","modified_gmt":"2012-06-04T12:20:36","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-domingo-da-santissima-trindade-e-dia-da-igreja-diocesana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-domingo-da-santissima-trindade-e-dia-da-igreja-diocesana\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa no Domingo da Sant\u00edssima Trindade e Dia da Igreja Diocesana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>&ldquo;A Igreja criada &agrave; Imagem de Deus&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Homilia na Solenidade da Sant&iacute;ssima Trindade<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Dia da Igreja Diocesana<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Casa do Gaiato do Tojal, 3 de junho de 2012<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Celebramos, hoje, o Dia da Igreja Diocesana. N&atilde;o &eacute; uma festa lit&uacute;rgica, mas a celebra&ccedil;&atilde;o da nossa realidade de Igreja particular, onde se vive a plenitude do mist&eacute;rio da Igreja, Povo do Senhor. N&atilde;o sendo uma festa lit&uacute;rgica, celebramo-la ao ritmo da Liturgia que, no percurso de um ano, leva a Igreja a celebrar o mist&eacute;rio de Cristo, Filho de Deus feito Homem e nosso Redentor, que nos fala do Pai com a densidade da sua experi&ecirc;ncia pessoal de Filho, a cuja dignidade nos elevou ao redimir-nos e ao comunicar-nos o Esp&iacute;rito Santo, Esp&iacute;rito de ado&ccedil;&atilde;o filial que nos permite, no mais &iacute;ntimo do nosso cora&ccedil;&atilde;o, chamar a Deus, com ternura, nosso Pai. O dom do Esp&iacute;rito Santo e a revela&ccedil;&atilde;o da nossa ado&ccedil;&atilde;o filial, faz-nos mergulhar no mist&eacute;rio de Deus, Trindade de Pessoas. A Igreja define-se pela sua uni&atilde;o a Jesus Cristo que a introduz na intimidade da comunh&atilde;o trinit&aacute;ria. Isso &eacute; claro para Jesus, &eacute; essa a Igreja que Ele quer. Antes de subir ao C&eacute;u, &uacute;ltima express&atilde;o da sua miss&atilde;o de Filho de Deus feito homem, Jesus lan&ccedil;a o grande desafio da Igreja: &ldquo;Todo o poder me foi dado no C&eacute;u e na Terra. Ide e ensinai todas as na&ccedil;&otilde;es, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Esp&iacute;rito Santo&rdquo; (Mt. 28,19).<\/p>\n<p>Esta compreens&atilde;o da Igreja &agrave; luz do mist&eacute;rio da Sant&iacute;ssima Trindade tem dois mil anos. No momento em que nos preparamos para celebrar 50 anos da abertura do Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico Vaticano II, na compreens&atilde;o da Igreja que nos prop&otilde;e essa rela&ccedil;&atilde;o da Igreja com o mist&eacute;rio da Sant&iacute;ssima Trindade &eacute; clara: &ldquo;A Igreja Universal &eacute; um Povo que tira a sua unidade da unidade do Pai e do Filho e do Esp&iacute;rito Santo&rdquo; (LG. n&ordm;4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Para compreendermos esta rela&ccedil;&atilde;o da Igreja com o mist&eacute;rio da Sant&iacute;ssima Trindade, temos de recuperar, na f&eacute;, o des&iacute;gnio de Deus ao criar o homem &agrave; sua Imagem. O mist&eacute;rio da Trindade, cuja revela&ccedil;&atilde;o se completa em Jesus Cristo e no dom do Esp&iacute;rito Santo, sempre se explicitou na f&eacute; da Igreja como um s&oacute; Deus, em tr&ecirc;s Pessoas iguais e distintas. Iguais na plenitude da divindade, diferentes na identidade pessoal e na maneira de interferir na hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o, um s&oacute; no amor que os une.<\/p>\n<p>Iguais e distintos, chamados a serem um s&oacute;, &eacute; o sentido do homem criado &agrave; Imagem de Deus. &ldquo;Deus criou o homem &agrave; sua Imagem, &agrave; Imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou&rdquo; (Gen. 1,27). Esta imagem de Deus, gravada no cora&ccedil;&atilde;o do homem, situa a sua realiza&ccedil;&atilde;o nesse serem um s&oacute;, apesar de diferentes. A primeira explicita&ccedil;&atilde;o desta voca&ccedil;&atilde;o humana concretiza-se no casal humano. Ser homem e mulher, iguais em dignidade, diferentes na sua identidade, chamados a serem um s&oacute;, no amor e pelo amor, um dado constitutivo da dignidade do ser humano. Por isso a narra&ccedil;&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o acrescenta: &ldquo;&Eacute; por isso que o homem deixa o seu pai e a sua m&atilde;e e se une &agrave; sua mulher e torna-se um s&oacute;&rdquo; (Gen. 2,24).<\/p>\n<p>Este desafio, &eacute; feito &agrave; humanidade desde o seu in&iacute;cio, de, apesar de serem muitos e diferentes, serem um s&oacute; em Deus e como Deus, e inspira o dinamismo da pedagogia divina da salva&ccedil;&atilde;o. Deus escolhe um Povo e deseja que todos os membros desse Povo, apesar das suas diferen&ccedil;as, sejam um s&oacute;, em Deus e para Deus. Ouvimos, na primeira Leitura, o autor do Deuteron&oacute;mio maravilhado com esta escolha de Deus: &ldquo;Qual foi o deus que formou para si uma na&ccedil;&atilde;o no seio de outra na&ccedil;&atilde;o (&hellip;) com m&atilde;o forte e bra&ccedil;o estendido, juntamente com tremendas maravilhas, como fez por n&oacute;s o Senhor nosso Deus&rdquo; (Deut. 4,34). Esta unidade de um s&oacute; Povo, na diferen&ccedil;a dos seus membros, &eacute; obra de Deus. A interven&ccedil;&atilde;o de Deus &eacute; mais necess&aacute;ria devido ao pecado; &eacute; uma interven&ccedil;&atilde;o redentora.<\/p>\n<p>S&oacute; em Cristo este des&iacute;gnio de Deus e a sua interven&ccedil;&atilde;o em ordem a esta unidade no amor atinge o seu auge, Ele o Filho de Deus e Homem como n&oacute;s. Aqueles que pela f&eacute; se unem a Cristo, &agrave; sua morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o, Ele pr&oacute;prio os conduz ao seio da Trindade, o Pai ama-os no mesmo ato de amor com que ama o Filho e, por isso, eles recebem o Esp&iacute;rito de amor. S&atilde;o esses que constituem a Igreja, que encontra a sua identidade na verdade do amor trinit&aacute;rio. Eles s&atilde;o muitos e diferentes, de todas as ra&ccedil;as, culturas e l&iacute;nguas, mas s&atilde;o um s&oacute;, em Cristo, que os mergulha no seio do Deus Uno e Trino. A unidade &eacute; uma qualidade essencial da Igreja, na imensa variedade dos seus membros.<\/p>\n<p>A dimens&atilde;o esponsal nunca deixou de inspirar a realiza&ccedil;&atilde;o deste des&iacute;gnio de Deus. J&aacute; no Antigo Testamento Deus se considera o Esposo do seu Povo. Cristo &eacute; o Esposo da Igreja e ama-a com amor esponsal. As pr&oacute;prias n&uacute;pcias humanas ganham um sentido novo &agrave; luz destas n&uacute;pcias da Igreja com Cristo, seu Esposo, as n&uacute;pcias do Cordeiro. Ainda hoje o magist&eacute;rio da Igreja considera a fam&iacute;lia crist&atilde; como a concretiza&ccedil;&atilde;o base da Igreja: ela &eacute; a &ldquo;Igreja dom&eacute;stica&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. No Dia da Igreja Diocesana, temos de perceber a Igreja que queremos ser e construir &agrave; luz deste mist&eacute;rio. S&oacute; devemos construir a Igreja que Deus quer e como Ele a inaugurou no mist&eacute;rio de Cristo. A Visita Pastoral que hoje encerramos teve essa finalidade: ajudar as comunidades crist&atilde;s desta Vigararia a aprofundarem o ritmo desta Igreja que Deus quer, no seio da Igreja diocesana. Recordemos, apenas, algumas coordenadas que devem inspirar a nossa viv&ecirc;ncia e miss&atilde;o eclesial:<\/p>\n<p>3.1. A dimens&atilde;o sobrenatural da Igreja. A Igreja &eacute; um mist&eacute;rio de f&eacute;. Desde o in&iacute;cio que as formas de profiss&atilde;o da f&eacute; cat&oacute;lica incluem a f&eacute; na Igreja: &ldquo;Creio na Santa Igreja&rdquo;. Da f&eacute; da Igreja sempre fez parte a Igreja acreditar em si mesma, no seu pr&oacute;prio mist&eacute;rio. Esta profiss&atilde;o de f&eacute; na Igreja deve inspirar o discernimento da verdade e dos caminhos da Igreja. Esta n&atilde;o pode ser julgada s&oacute; com os crit&eacute;rios da an&aacute;lise humana, risco que se corre se absolutizarmos as an&aacute;lises sociol&oacute;gicas. Quem n&atilde;o olhar a Igreja, iluminado pela f&eacute;, nunca perceber&aacute; a Igreja.<\/p>\n<p>3.2. O desafio da unidade na diversidade e na diferen&ccedil;a. Gra&ccedil;as a Deus hoje somos muitos e diferentes. Esta diversidade n&atilde;o &eacute;, apenas, a variedade das qualidades humanas, mas a riqueza de dons e carismas, expressos pessoalmente e na quantidade de movimentos que se organizam &agrave; volta desses carismas. &Eacute; uma riqueza imensa, que s&oacute; o Esp&iacute;rito Santo pode inspirar na Igreja, desde que todos sejam sens&iacute;veis ao principal dinamismo do Esp&iacute;rito, que todos sejam um s&oacute;, como Cristo e o Pai s&atilde;o um s&oacute;, no Esp&iacute;rito Santo. A unidade na diversidade &eacute; um grande desafio pastoral da Igreja contempor&acirc;nea, que desafia a Igreja toda a&nbsp; reconhecer a validade das diferen&ccedil;as e cada carisma organizado a n&atilde;o identificar a sua diferen&ccedil;a com a totalidade da Igreja. Nenhum deles poder&aacute; dizer &ldquo;n&oacute;s somos Igreja&rdquo;, mas sim, n&oacute;s pertencemos &agrave; Igreja, fazendo do nosso carisma uma riqueza de toda a Igreja. E nunca podemos esquecer que esta unidade &eacute; qualidade constitutiva da verdade da Igreja, da Igreja que Deus quer.<\/p>\n<p>3.3. A Igreja &eacute; obra do Esp&iacute;rito Santo. Esta maravilha de um Povo com as dimens&otilde;es da Igreja, que tem como miss&atilde;o alarga-la a toda a humanidade, &eacute; obra do Esp&iacute;rito Santo, fecundidade da P&aacute;scoa de Cristo. Devemos p&ocirc;r o melhor de n&oacute;s mesmos nesta edifica&ccedil;&atilde;o da Igreja, mas nunca pensemos que a Igreja &eacute; fruto das nossas potencialidades humanas, da nossa organiza&ccedil;&atilde;o, da nossa persist&ecirc;ncia. Devemos desejar que seja o Esp&iacute;rito Santo a inspirar-nos a nossa maneira de estar e de agir. Vivemos num mundo marcado pela efic&aacute;cia humana; devemos desejar humildemente que a nossa efic&aacute;cia seja fruto da for&ccedil;a criadora do Esp&iacute;rito de Deus. S&oacute; assim a Igreja ser&aacute; o Povo que d&aacute; &agrave; Sant&iacute;ssima Trindade o louvor que lhe &eacute; devido, em un&iacute;ssono com os Santos que j&aacute; est&atilde;o no C&eacute;u. S&oacute; assim a Igreja seria um Povo Sacerdotal.<\/p>\n<p>3.4. O dinamismo da Igreja &eacute; a for&ccedil;a da f&eacute;. O Santo Padre proclamou um Ano da F&eacute;, para que toda a Igreja aprofunde esta centralidade decisiva da f&eacute; em Jesus Cristo. A f&eacute; &eacute; a porta por onde se entra na constru&ccedil;&atilde;o desta etapa definitiva da humanidade. Cristo declarou-se a Si Mesmo a porta: &ldquo;Eu sou a Porta&rdquo;. A f&eacute; &eacute; a porta por onde se entra nesta aventura decisiva de vivermos a vida com Cristo, de querermos ser, hoje e sempre, aqueles homens e mulheres que Deus criou &agrave; sua Imagem. Atravessemos esta porta com confian&ccedil;a; n&atilde;o olhemos para tr&aacute;s. Do outro lado est&aacute; o mundo com os seus atrativos e com a sua interpreta&ccedil;&atilde;o da realidade humana. Ao entrar pela Porta da F&eacute;, encetemos um longo caminho, que nos conduz &agrave; vida, a esta alegria de sermos um Povo que o Senhor re&uacute;ne na unidade do amor e que anuncia o destino definitivo da humanidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;A Igreja criada &agrave; Imagem de Deus&rdquo; &nbsp;&nbsp; Homilia na Solenidade da Sant&iacute;ssima Trindade Dia da Igreja Diocesana Casa do Gaiato do Tojal, 3 de junho de 2012 &nbsp; 1. Celebramos, hoje, o Dia da Igreja Diocesana. 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