{"id":56837,"date":"2012-06-04T11:26:39","date_gmt":"2012-06-04T11:26:39","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/06\/04\/pastoral-familiar-2\/"},"modified":"2012-06-04T11:26:39","modified_gmt":"2012-06-04T11:26:39","slug":"pastoral-familiar-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pastoral-familiar-2\/","title":{"rendered":"Pastoral familiar"},"content":{"rendered":"<p>Padre Carlos Paes, Patriarcado de Lisboa <!--more--> <\/p>\n<p><em>&ldquo;A fam&iacute;lia recebeu de Deus a miss&atilde;o de ser c&eacute;lula primeira e vital. Cumprir&aacute; esta miss&atilde;o se, pela m&uacute;tua piedade dos membros e pela ora&ccedil;&atilde;o dirigida a Deus em comum, se mostrar como santu&aacute;rio familiar da Igreja; se toda a fam&iacute;lia participar no culto lit&uacute;rgico da Igreja; e, finalmente, se a fam&iacute;lia praticar ativamente a hospitalidade e promover a justi&ccedil;a e as outras boas obras para servi&ccedil;o de todos os irm&atilde;os que sofrem necessidade&rdquo;. <\/em>(Conc&iacute;lio<em> <\/em>Vaticano II, Decreto Conciliar sobre o Apostolado dos Leigos, n&ordm;. 11)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&eacute;lula primeira e vital<\/strong><\/p>\n<p>Quando se trata de refazer o tecido das nossa comunidades pastorais e de modo especial paroquiais, temos de fazer apelo &agrave;s fam&iacute;lias e mobiliz&aacute;-las como sujeito pastoral ativo. A fam&iacute;lia crist&atilde; constitui, assim, o ponto de partida para a renova&ccedil;&atilde;o pastoral e para a evangeliza&ccedil;&atilde;o da comunidade humana.<\/p>\n<p>Consumimos demasiadas energias pastorais com pessoas individuais, que nunca chegaram a integrar-se eclesialmente nalguma experi&ecirc;ncia comunit&aacute;ria, onde fizessem o batismo no Esp&iacute;rito que os enviaria em miss&atilde;o, como arautos daquele Jesus cuja &ldquo;gl&oacute;ria&rdquo; &eacute; dar a conhecer o Pai que o envia, precisamente para que saboreiem aquela Palavra que congrega e ilumina e aquele Esp&iacute;rito que gera fraternidade e comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Do paradigma individual ao paradigma trinit&aacute;rio.<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; na fam&iacute;lia constitu&iacute;da como um sujeito plural, unido e coeso, que o ser humano, liberto da autossufici&ecirc;ncia individualista, pode reconhecer-se como uma unidade de comunh&atilde;o onde se reproduz o paradigma trinit&aacute;rio que constitui a matriz da nossa condi&ccedil;&atilde;o pessoal: somos &iacute;cones duma Trindade que &eacute; no seu &iacute;ntimo uma comunidade de amor e de vida. N&atilde;o &eacute; a individualidade que nos autentica; mas a o que nos certifica como crist&atilde;os &eacute; a experi&ecirc;ncia da comunidade de rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, onde o pr&oacute;prio Pai se d&aacute; a conhecer na autenticidade de filia&ccedil;&atilde;o assumida e na vincula&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito&nbsp; que &eacute; garantia de comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A fam&iacute;lia sujeito pastoral ou objeto pastoral?<\/strong><\/p>\n<p>Quando se fala da fam&iacute;lia na pastoral da Igreja, o mais comum &eacute; pensar naquilo que podemos fazer em prol da fam&iacute;lia. A fam&iacute;lia &eacute; apenas mais um objeto dos nossos cuidados pastorais e pastoral da fam&iacute;lia significa, ent&atilde;o, os planos e programas que desenvolvemos para a promover. Pior ainda, para os pastores, a fam&iacute;lia significa um alfobre onde podem ir buscar &ldquo;m&atilde;o de obra&rdquo; para as mais variadas e dispersas iniciativas pastorais que concebem. Assim contribu&iacute;mos para a dispers&atilde;o dos seus membros e para a sua desagrega&ccedil;&atilde;o enquanto sujeito pastoral. Temos v&aacute;rias iniciativas pastorais que visam a fam&iacute;lia, mas &eacute; dif&iacute;cil encontrar propostas em que a fam&iacute;lia seja tomada como um sujeito pastoral ativo. Nos nossos programas pastorais raramente a fam&iacute;lia emerge como a tal <em>c&eacute;lula primeira e vital <\/em>de que fala o Conc&iacute;lio Vaticano II e que tem uma <em>miss&atilde;o espec&iacute;fica.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O protagonismo pastoral da fam&iacute;lia<\/strong><\/p>\n<p>Sendo a fam&iacute;lia crist&atilde; um sujeito pastoral ativo, definido como uma c&eacute;lula vital, assim constitu&iacute;da tendo como suporte um sacramento espec&iacute;fico, do qual, &eacute; bom ter presente, os pr&oacute;prios c&ocirc;njuges s&atilde;o os ministros, ent&atilde;o o seu protagonismo pastoral deve ser tido em conta, n&atilde;o como a colabora&ccedil;&atilde;o que oferecem aos pastores, mas como a express&atilde;o duma responsabilidade nativa e duma criatividade para a qual receberam habilita&ccedil;&atilde;o sacramental pr&oacute;pria. Assim sendo, a fam&iacute;lia torna-se o &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o pulsante onde se inicia o chamamento para a vida e onde se exprime, por analogia, o mist&eacute;rio de amor que n&atilde;o conhece poente, como afirma Mons. Fisichella (<em>A Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o, <\/em>pg.164). Neste cap&iacute;tulo, como em tantos outros, o nosso paradigma pastoral tem de ser revisto, porque continua a existir um excesso de centraliza&ccedil;&atilde;o clerical.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Reconhecer e assumir a centralidade da fam&iacute;lia<\/strong><\/p>\n<p>Trata-se dum salto qualitativo que temos de dar na nossa pastoral, para que a fam&iacute;lia emerja como o eixo em torno do qual se reestrutura o ser da Igreja, a fim de que aconte&ccedil;a aquilo que Jo&atilde;o Paulo II preconizou: <em>a Igreja &eacute; uma fam&iacute;lia de fam&iacute;lias.<\/em><\/p>\n<p>O que se passa &eacute; que todos se arrogam, quer na comunidade religiosa, quer na sociedade civil, o direito de arregimentar a fam&iacute;lia para os seus programas sempre que lhes conv&eacute;m, mas &agrave; revelia da pr&oacute;pria fam&iacute;lia, A centralidade da fam&iacute;lia como c&eacute;lula da qual toda a comunidade vive, n&atilde;o &eacute; uma ced&ecirc;ncia da sociedade civil ou da comunidade religiosa, mas uma realidade que &eacute; anterior a qualquer institucionaliza&ccedil;&atilde;o ou enquadramento jur&iacute;dico que se lhe ofere&ccedil;a, porque se trata duma realidade original, fundante e de direito divino.<\/p>\n<p>Quando os nossos projetos pastorais esquecem a centralidade da fam&iacute;lia, ficam imediatamente feridos de morte e a prazo acabar&atilde;o por fracassar. Podemos encontrar aqui a raz&atilde;o da insustentabilidade de tantos projetos de inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e de evangeliza&ccedil;&atilde;o que falharam e continua a falhar, precisamente porque n&atilde;o tiveram em conta a centralidade da fam&iacute;lia como sujeito ativo e primeiro respons&aacute;vel dos mesmos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&ldquo;Bet&acirc;nia&rdquo; uma proposta para ajudar a fam&iacute;lia crist&atilde; a assumir-se como &ldquo;igreja dom&eacute;stica&rdquo;.<\/strong><\/p>\n<p>Aparentemente trata-se de mais um &ldquo;movimento&rdquo;. Em definitivo n&atilde;o &eacute; disso que se trata. N&atilde;o nos faltam movimentos. Neste caso o &ldquo;movimento&rdquo; &eacute; a pr&oacute;pria fam&iacute;lia fundada no sacramento do matrim&oacute;nio e constitu&iacute;da por uma comunidade de pessoas, pai m&atilde;e e filhos, constitu&iacute;dos em alian&ccedil;a una, fecunda e est&aacute;vel, para serem uma igreja &aacute; escala do lar, onde o casal &eacute; o primeiro pastor, santificador e evangelizador.<\/p>\n<p>A proposta a que dei o nome de &ldquo;Bet&acirc;nia&rdquo; &eacute; apenas um subs&iacute;dio pastoral para que a fam&iacute;lia assuma a sua plena identidade e miss&atilde;o pastoral. O objetivo fundamental &eacute; ajudar a fam&iacute;lia crist&atilde; a ser aquilo que &eacute;, assumindo o rosto duma &ldquo;igreja dom&eacute;stica&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A hospitalidade evangelizadora<\/strong><\/p>\n<p>A estrat&eacute;gia evangelizadora dos primeiros ap&oacute;stolos assentava na fam&iacute;lia, reconhecida como o habitat mais adequado para a concretiza&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o que Jesus lhe tinha confiado. Nas cartas pastorais de S. Paulo e nos Atos dos Ap&oacute;stolos, isso emerge com toda a import&acirc;ncia e significado. A pedra de toque da proposta a que chamei &ldquo;Bet&acirc;nia&rdquo; &eacute; a &ldquo;hospitalidade evangelizadora&rdquo;. Tal como a Bet&acirc;nia do Evangelho era uma fam&iacute;lia de irm&atilde;os que se notabilizaram pela hospitalidade que ofereciam a Jesus e aos seus companheiros de miss&atilde;o, tamb&eacute;m as fam&iacute;lias Bet&acirc;nia, s&atilde;o convidadas a fazer do natural exerc&iacute;cio da hospitalidade, uma oportunidade para evangelizar. No caderno de divulga&ccedil;&atilde;o do projeto que lhes &eacute; oferecido, faz-se uma proposta concreta ( ver <em>Bet&acirc;nia, <\/em>Paulinas, 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, 2012).<\/p>\n<p><em>Padre Carlos Paes, Patriarcado de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Carlos Paes, Patriarcado de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[118],"class_list":["post-56837","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-apostolado-dos-leigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56837"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56837\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}