{"id":56633,"date":"2012-05-19T11:02:53","date_gmt":"2012-05-19T11:02:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/05\/19\/nota-da-comissao-nacional-justica-e-paz-sobre-a-mobilizacao-dos-jovens\/"},"modified":"2012-05-19T11:02:53","modified_gmt":"2012-05-19T11:02:53","slug":"nota-da-comissao-nacional-justica-e-paz-sobre-a-mobilizacao-dos-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nota-da-comissao-nacional-justica-e-paz-sobre-a-mobilizacao-dos-jovens\/","title":{"rendered":"Nota da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz sobre a mobiliza\u00e7\u00e3o dos jovens"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mobilizar os jovens para lutar contra a exclus&atilde;o, a intoler&acirc;ncia e o racismo na a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica<\/strong><\/p>\n<p>A Europa atravessa uma crise profunda que atinge a generalidade dos cidad&atilde;os e em particular os jovens. De facto, est&atilde;o criadas as condi&ccedil;&otilde;es para um n&uacute;mero crescente de jovens ver o futuro com apreens&atilde;o e medo. N&atilde;o se vislumbram formas de obter meios que garantam uma vida digna, pr&oacute;pria de uma sociedade que promove a justi&ccedil;a e a equidade. Muitos sentir&atilde;o que o tempo que gastaram na forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica foi perdido porque n&atilde;o v&atilde;o conseguir encontrar emprego para as suas habilita&ccedil;&otilde;es. O recurso &agrave; emigra&ccedil;&atilde;o revela-se para outros um caminho cheio de dificuldades. Por outro lado, muitos jovens entendem que Governantes e detentores do poder econ&oacute;mico n&atilde;o levam a s&eacute;rio esta situa&ccedil;&atilde;o que afeta a juventude europeia e amea&ccedil;a o seu futuro<\/p>\n<p>Entre outras consequ&ecirc;ncias, os jovens ficam vulner&aacute;veis &agrave;s influ&ecirc;ncias de grupos de extremistas pol&iacute;ticos com a inten&ccedil;&atilde;o de desestabilizar os fundamentos democr&aacute;ticos das nossas sociedades. Neste quadro, &eacute; importante apelar aos L&iacute;deres Europeus que privilegiem o investimento nos jovens. &Eacute; necess&aacute;rio garantir-lhes educa&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o, seguran&ccedil;a e bem-estar. Se isso n&atilde;o for feito, &eacute; natural que muitos jovens se envolvem em a&ccedil;&otilde;es xen&oacute;fobas e extremistas em quadro de exclus&atilde;o social e intoler&acirc;ncia, ao inv&eacute;s de lutarem por uma sociedade respeitadora dos direitos humanos.<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2012 &ndash; Educa&ccedil;&atilde;o dos Jovens para a Justi&ccedil;a e Paz &#8211; refere: &laquo;Nestes tempos sombrios a nossa esperan&ccedil;a para o futuro est&aacute; nos nossos jovens, cujo entusiasmo e idealismo pode oferecer uma nova esperan&ccedil;a para o mundo&raquo;. Mas o Papa n&atilde;o ignora, como &eacute; referido, a aliena&ccedil;&atilde;o e frustra&ccedil;&atilde;o experimentada por muitos jovens: &laquo;&Eacute; importante que este mal-estar geral e seu idealismo subjacente recebam a devida aten&ccedil;&atilde;o em todos os n&iacute;veis da sociedade&raquo;. Isto requer envolvimento das lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas, institui&ccedil;&otilde;es financeiras, entidades patronais, Institui&ccedil;&otilde;es de ensino, meios de comunica&ccedil;&atilde;o, institui&ccedil;&otilde;es de voluntariado, entre outros.<\/p>\n<p>A educa&ccedil;&atilde;o (em sentido amplo) &eacute; de fundamental import&acirc;ncia no combate ao racismo e extremismo pol&iacute;tico. E no que concerne &agrave; educa&ccedil;&atilde;o dos jovens h&aacute; que ter em conta o seguinte:<\/p>\n<p>a) A educa&ccedil;&atilde;o deve incluir valores. Os valores s&atilde;o t&atilde;o importantes quanto o conhecimento. E deve-se ter presente que a dignidade da pessoa humana deve estar no centro de qualquer sistema de educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>b) O Sistema de ensino deve preparar os jovens para viver numa sociedade globalizada e multicultural. A compreens&atilde;o de culturas diferentes &eacute; um fator de enriquecimento e uma forma de quebrar o medo por aquele que &eacute; diferente. O pr&oacute;prio sistema de ensino deve proporcionar aos jovens experi&ecirc;ncias de inclus&atilde;o e de multiculturalidade para que, para al&eacute;m de teoricamente adquirirem conhecimentos sobre estes temas, possam tamb&eacute;m viv&ecirc;-los e experiment&aacute;-los. &Eacute; adquirindo la&ccedil;os que ultrapassem as diferen&ccedil;as que os jovens podem abrir os seus horizontes da toler&acirc;ncia.<\/p>\n<p>c) A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria para fomentar a participa&ccedil;&atilde;o e a cidadania. Ela pode ajudar a quebrar ciclos de pobreza e priva&ccedil;&atilde;o. Os sistemas de educa&ccedil;&atilde;o precisam<\/p>\n<p>preparar os jovens para participar na sociedade, e que inclui, de modo particular, a vida pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>d) A educa&ccedil;&atilde;o tem que levar em conta os desafios espec&iacute;ficos enfrentados pelos jovens hoje. Vivemos num mundo globalizado e marcado pelo desenvolvimento de tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o muito desenvolvidas. E como lembrou o Papa Bento XVI na enc&iacute;clica &laquo;Caritas in veritate&raquo; &laquo;Enquanto a sociedade se torna mais globalizada, faz-nos vizinhos mas n&atilde;o nos faz irm&atilde;os (e irm&atilde;s)&raquo;. A educa&ccedil;&atilde;o tem que preparar os jovens para este mundo novo fornecendo-lhes instrumentos de an&aacute;lise que impe&ccedil;am a manipula&ccedil;&atilde;o de ideias e a despersonaliza&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos.<\/p>\n<p>A Comiss&atilde;o Nacional Justi&ccedil;a e Paz, focalizada nas situa&ccedil;&otilde;es que envolvem os jovens, e em un&iacute;ssono com a Confer&ecirc;ncia das Comiss&otilde;es Justi&ccedil;a e Paz da Europa, faz alguns apelos:<\/p>\n<p>&#8211; &laquo;Pedimos aos nossos l&iacute;deres pol&iacute;ticos para levar a s&eacute;rio a necessidade de reconstruir a confian&ccedil;a dos jovens no sistema pol&iacute;tico, protegendo o seu bem-estar presente e futuro, como parte integrante da estrat&eacute;gia de recupera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica&raquo;.<\/p>\n<p>&#8211; &laquo;Chamamos os nossos Ministros da Educa&ccedil;&atilde;o para garantir que, mesmo em dif&iacute;ceis circunst&acirc;ncias econ&oacute;micas, a promo&ccedil;&atilde;o de oportunidades educacionais para todos os jovens continua a ser uma prioridade&raquo;.<\/p>\n<p>&#8211; &laquo;Sublinhamos que a educa&ccedil;&atilde;o precisa de ser mais que desempenho acad&eacute;mico. Ela deve preparar os jovens para participar numa sociedade cada vez mais multicultural e capazes de atingir o seu pleno potencial atrav&eacute;s do desenvolvimento cultural pessoal&raquo;.<\/p>\n<p>&#8211; &laquo;Pedimos aos nossos jovens que as suas preocupa&ccedil;&otilde;es com o futuro impliquem uma participa&ccedil;&atilde;o ativa na sociedade, a busca de um conhecimento maior do sistema pol&iacute;tico e um esfor&ccedil;o permanente em defesa da justi&ccedil;a e da paz.<\/p>\n<p>Entende a Comiss&atilde;o Nacional Justi&ccedil;a e Paz que este conjunto de constata&ccedil;&otilde;es, reflex&otilde;es e apelos fazem todo o sentido na atual situa&ccedil;&atilde;o portuguesa. O desemprego juvenil atingiu n&uacute;meros muito elevados. O emprego est&aacute; sujeito &agrave; precariedade . As remunera&ccedil;&otilde;es do 1&ordm; emprego s&atilde;o baixas e o sub-emprego foi-se generalizando. Estas situa&ccedil;&otilde;es, potencialmente perigosas, podem gerar sentimentos de exclus&atilde;o e intoler&acirc;ncia, que desencadeiam o racismo e o extremismo pol&iacute;tico. Em Portugal h&aacute; sinais t&eacute;nues desta realidade, mas igualmente preocupantes. &Eacute; necess&aacute;rio tomar consci&ecirc;ncia e agir sobre as causas do mal-estar, e progressivamente tentar elimin&aacute;-las. A responsabilidade &eacute; de todos: governo, pol&iacute;ticos, empres&aacute;rios, movimentos sindicais, homens e mulheres de cultura e participa&ccedil;&atilde;o social, religi&otilde;es e igrejas, jovens, crentes e n&atilde;o crentes.<\/p>\n<p><em>Comiss&atilde;o Nacional Justi&ccedil;a e Paz<br \/><\/em><em>maio de 2012<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mobilizar os jovens para lutar contra a exclus&atilde;o, a intoler&acirc;ncia e o racismo na a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica A Europa atravessa uma crise profunda que atinge a generalidade dos cidad&atilde;os e em particular os jovens. De facto, est&atilde;o criadas as condi&ccedil;&otilde;es para um n&uacute;mero crescente de jovens ver o futuro com apreens&atilde;o e medo. 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