{"id":56565,"date":"2012-05-15T11:31:10","date_gmt":"2012-05-15T11:31:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/05\/15\/breves-consideracoes-sobre-o-contexto-social-e-juridico-decorrente-do-incumprimento-por-particulares-de-contratos-de-mutuo-com-hipoteca-para-aquisicao-de-imovel\/"},"modified":"2012-05-15T11:31:10","modified_gmt":"2012-05-15T11:31:10","slug":"breves-consideracoes-sobre-o-contexto-social-e-juridico-decorrente-do-incumprimento-por-particulares-de-contratos-de-mutuo-com-hipoteca-para-aquisicao-de-imovel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/breves-consideracoes-sobre-o-contexto-social-e-juridico-decorrente-do-incumprimento-por-particulares-de-contratos-de-mutuo-com-hipoteca-para-aquisicao-de-imovel\/","title":{"rendered":"Breves considera\u00e7\u00f5es sobre o contexto social e jur\u00eddico decorrente do incumprimento por particulares de contratos de m\u00fatuo com hipoteca para aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio do Esp\u00edrito Santo, advogado <!--more--> <\/p>\n<p><strong>I &ndash; Enquadramento da quest&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A quest&atilde;o em an&aacute;lise neste texto surge em consequ&ecirc;ncia de um reiterado incumprimento, neste momento, j&aacute; de cerca de 700.000 fam&iacute;lias, dos contratos de m&uacute;tuo para aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o, devido essencialmente &agrave; crise econ&oacute;mica e situa&ccedil;&otilde;es de quebra de rendimentos e desemprego em, particular de que sofrem tantos portugueses.<\/p>\n<p>Se entendermos que, em m&eacute;dia, uma fam&iacute;lia &eacute; constitu&iacute;da, no m&iacute;nimo, por tr&ecirc;s pessoas, teremos for&ccedil;osamente que concluir que este drama afeta mais de dois milh&otilde;es de portugueses, ou seja, cerca de um quarto da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; objeto deste breve&nbsp; estudo perorar ou tecer considera&ccedil;&otilde;es sobre as causas da crise, do sobre-endividamento de Portugal, e das nefastas consequ&ecirc;ncias de a mesma ter surgido, na sua dureza implac&aacute;vel, nos &uacute;ltimos dois anos, com a exig&ecirc;ncia aos portugueses de sacrif&iacute;cios h&aacute; bem pouco tempo inimagin&aacute;veis.<\/p>\n<p>Mas a verdade &eacute; que esta frieza dos n&uacute;meros, torna esta mat&eacute;ria numa quest&atilde;o social premente de resolu&ccedil;&atilde;o mas que necessariamente ter&aacute; de ser encontrada no respeito do sistema jur&iacute;dico e na inclus&atilde;o unicamente das situa&ccedil;&otilde;es que sejam objeto de tutela dentro do equil&iacute;brio de direitos entre o devedor adquirente do bem e o mutuante que concede os valores necess&aacute;rios para prover &agrave; compra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>II &ndash; O Contrato de M&uacute;tuo (empr&eacute;stimo) com Hipoteca<\/strong><\/p>\n<p>Define o artigo 1142&ordm; do C&oacute;digo Civil que o contrato de m&uacute;tuo &eacute; aquele em que uma das partes empresta &agrave; outra dinheiro ou outra coisa fung&iacute;vel, ficando a segunda obrigada a restituir outro tanto no mesmo g&eacute;nero e qualidade.<\/p>\n<p>Fica, assim, desde j&aacute; fixado que o contrato de m&uacute;tuo (empr&eacute;stimo) tem a perfei&ccedil;&atilde;o dos seus elementos na entrega do dinheiro e na obriga&ccedil;&atilde;o de o restituir, com os respetivos juros e encargos, no caso do m&uacute;tuo oneroso &ndash; conforme artigo 1145&ordm; do C&oacute;digo Civil.<\/p>\n<p>Por seu turno, e na aquisi&ccedil;&atilde;o de um im&oacute;vel, a hipoteca n&atilde;o &eacute; um elemento do contrato de m&uacute;tuo mas sim uma garantia especial da obriga&ccedil;&atilde;o do empr&eacute;stimo que confere ao credor o direito de ser preferencialmente pago pelo valor de certas coisas im&oacute;veis, ou equiparadas, sobre os demais credores.<\/p>\n<p>Daqui resulta que, no atual quadro jur&iacute;dico, n&atilde;o se poder&aacute; utilizar a express&atilde;o &ldquo; uma casa vale a d&iacute;vida&rdquo; na generalidade dos casos em que existem m&uacute;tuos garantidos por hipoteca.<\/p>\n<p>Com efeito, e como resulta do que atr&aacute;s se disse, a entrega da casa, garantia do empr&eacute;stimo, n&atilde;o extingue a obriga&ccedil;&atilde;o mutu&aacute;ria porquanto n&atilde;o &eacute; dela elemento.<\/p>\n<p>Deste modo, para que a entrega da casa extinga a obriga&ccedil;&atilde;o, &eacute; indispens&aacute;vel que a garantia passe a ser, segundo circunst&acirc;ncias muito espec&iacute;ficas, tamb&eacute;m elemento essencial do contrato.<\/p>\n<p>E isto assim &eacute;:<\/p>\n<p>a) Ou por acordo entre as partes &ndash; mutuante e mutu&aacute;rio &ndash; ao abrigo do princ&iacute;pio da liberdade contratual;<\/p>\n<p>b) Ou porque atos subsequentes das partes possam conduzir &agrave; conclus&atilde;o de que o exerc&iacute;cio dos direitos da hipoteca, garantia inicial do contrato de m&uacute;tuo, acabaram por conduzir a que o objeto da hipoteca e o objeto do contrato fossem coincidentes.<\/p>\n<p>Ora, para que tal aconte&ccedil;a &eacute; imprescind&iacute;vel n&atilde;o s&oacute; que a compra do im&oacute;vel, financiada integralmente pelo m&uacute;tuo, seja para habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e permanente dos mutu&aacute;rios, como tamb&eacute;m que, por ato pr&oacute;prio, a entidade financiadora reconhe&ccedil;a que o valor de venda do bem, &uacute;nica e totalmente adquirido por for&ccedil;a do m&uacute;tuo, seja no mercado inferior ao contratualmente definido, no momento da respetiva celebra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; que, e voltando a salientar a separa&ccedil;&atilde;o entre o contrato e a garantia, como princ&iacute;pio geral, o risco da diminui&ccedil;&atilde;o do valor das garantias hipotec&aacute;rias &eacute; imput&aacute;vel ao devedor &ndash; artigo 701&ordm; do C&oacute;digo Civil.<\/p>\n<p>Contudo, quando est&aacute; em causa, hipoteca de im&oacute;vel adquirido com o produto do empr&eacute;stimo para habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e permanente, pontua, desde logo, o artigo 65&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa que diz que todos t&ecirc;m direito, para si e para sua fam&iacute;lia a uma habita&ccedil;&atilde;o condigna.<\/p>\n<p>Deste modo, se os benefici&aacute;rios do empr&eacute;stimo virem a sua habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e permanente ser vendida em processo executivo, ficando sem ela e, em fun&ccedil;&atilde;o da quebra de valores n&atilde;o tendo outros bens, o sistema jur&iacute;dico cria uma situa&ccedil;&atilde;o em que, sem culpa dos devedores, estes poder&atilde;o ver ainda penhorados os seus vencimentos e reformas at&eacute; 1\/3 pela entidade emprestadora.<\/p>\n<p>O que lhes inviabiliza o direito constitucional &agrave; habita&ccedil;&atilde;o e viola, por isso, um princ&iacute;pio de ordem p&uacute;blica do nosso ordenamento jur&iacute;dico.<\/p>\n<p>Resulta, por&eacute;m, de todo o exposto que esta ordem de raz&otilde;es &eacute; exclusiva da aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e permanente com as for&ccedil;as unicamente decorrentes do empr&eacute;stimo.<\/p>\n<p>Assim, a garantia hipotec&aacute;ria conserva a sua natureza de garantia e o risco da diminui&ccedil;&atilde;o do valor de tal garantia &eacute; imput&aacute;vel ao devedor, designadamente nos casos de aquisi&ccedil;&atilde;o de im&oacute;vel para fins n&atilde;o habitacionais ou para habita&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria.<\/p>\n<p>Mas mesmo quanto &agrave; habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e permanente h&aacute; casos de invers&atilde;o do risco.<\/p>\n<p>&Eacute; que at&eacute; a&iacute; necess&aacute;rio se torna que a entidade de financiadora, em processo executivo para venda coerciva de habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e permanente:<\/p>\n<p>a) N&atilde;o se oponha &agrave; venda judicial do bem, por valor inferior ao da hipoteca, quando notificado para o efeito, de acordo com o artigo 886&ordm; &#8211; A do C&oacute;digo do Processo Civil.<\/p>\n<p>b) Venha exercer o direito de aquisi&ccedil;&atilde;o com dispensa de dep&oacute;sito do pre&ccedil;o, segundo o artigo 887&ordm; do mesmo C&oacute;digo.<\/p>\n<p>Neste caso espec&iacute;fico, a hipoteca, inicialmente garantia, passa a objeto do neg&oacute;cio.<\/p>\n<p>Na verdade, o produto do empr&eacute;stimo foi para pagar &uacute;nica e integralmente determinado im&oacute;vel para habita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Abrangendo o empr&eacute;stimo t&atilde;o s&oacute; tal im&oacute;vel, a aquiesc&ecirc;ncia da entidade financiadora no pre&ccedil;o de venda e principalmente a aquisi&ccedil;&atilde;o, por esta, por valor simultaneamente inferior &agrave; hipoteca e correspondente ao m&aacute;ximo de mercado, vem ressaltar a situa&ccedil;&atilde;o de que o valor de compra &eacute; o valor total que o bem hipotecado poderia cobrir.<\/p>\n<p>Pelo que, e face &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o, a obriga&ccedil;&atilde;o deve dar-se como finda.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, cabe salientar, de novo, e em resultado desta exposi&ccedil;&atilde;o, que esta extin&ccedil;&atilde;o da obriga&ccedil;&atilde;o fica prejudicada se existirem outras hipotecas, em que o im&oacute;vel seja garantia, para outros fins como &eacute; o caso das obras, empr&eacute;stimos para mob&iacute;lias, etc, porquanto esses subsistem.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>III &ndash; A Controversa e Douta Senten&ccedil;a do Tribunal Judicial de Portalegre<\/strong><\/p>\n<p>Ap&oacute;s a prola&ccedil;&atilde;o da douta senten&ccedil;a referida, temos assistido a toda a carta de diatribes&nbsp; e de interpreta&ccedil;&otilde;es subjetivas da mesma, com coment&aacute;rios como &ldquo; entrega-se a casa e extingue-se a d&iacute;vida&rdquo; e ainda como se o Banco n&atilde;o aceita est&aacute; de m&aacute; f&eacute; e com enriquecimento sem causa&rdquo;.<\/p>\n<p>Contudo, a referida douta senten&ccedil;a n&atilde;o diz nada disso, mas antes faz um enquadramento jur&iacute;dico que nos permite com ela concordar.<\/p>\n<p>De facto, tem a referida senten&ccedil;a como pressupostos:<\/p>\n<p>a) A celebra&ccedil;&atilde;o de contrato de m&uacute;tuo, com hipoteca, para aquisi&ccedil;&atilde;o de um im&oacute;vel, em que foi aplicado o dinheiro do empr&eacute;stimo;<\/p>\n<p>b) O fim dessa aquisi&ccedil;&atilde;o como destinando-se a habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e permanente dos devedores;<\/p>\n<p>c) A mesma compra constituir um exerc&iacute;cio de um direito constitucionalmente garantido &ndash; o de habita&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>d) A aceita&ccedil;&atilde;o pela entidade financiadora do pre&ccedil;o de venda judicial inferior ao da hipoteca;<\/p>\n<p>e) A compra pela entidade financiadora pelo pre&ccedil;o anteriormente aceite.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S&atilde;o, pois, estes os elementos bastantes para a douta senten&ccedil;a dizer que, sendo o im&oacute;vel adquirido, na totalidade, por for&ccedil;a de hipoteca com base em avalia&ccedil;&atilde;o da entidade financiadora para habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e permanente e sendo o pre&ccedil;o de venda judicial aceite pela entidade financiadora que por esse valor a comprou, seria abuso de direito e enriquecimento sem causa a n&atilde;o extin&ccedil;&atilde;o da obriga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>H&aacute; no entanto, que chamar a aten&ccedil;&atilde;o de duas posi&ccedil;&otilde;es concretas que fluem desta senten&ccedil;a:<\/p>\n<p>a) A primeira &eacute; que, conforme linearmente diz a decis&atilde;o, se h&aacute; outros cr&eacute;ditos garantidos por hipoteca que n&atilde;o os estritos da aquisi&ccedil;&atilde;o, estes, mesmo com a aquisi&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel pela entidade financiadora, subsistir&atilde;o;<\/p>\n<p>b) A segunda &eacute; que n&atilde;o haver&aacute; enriquecimento sem causa e como tal abuso de direito do credor, se j&aacute; houve incumprimento ou mora anteriores &agrave; desvaloriza&ccedil;&atilde;o do mercado, caso em que a desvaloriza&ccedil;&atilde;o j&aacute; nem &eacute; objetiva nem muito menos imput&aacute;vel ao credor.<\/p>\n<p>Assim, a douta senten&ccedil;a do Tribunal Judicial de Portalegre, sendo inovat&oacute;ria na sua decis&atilde;o, faz um correto enquadramento jur&iacute;dico, separando o trigo do joio, pelo que &eacute; abusivo fazer-se da senten&ccedil;a extrapola&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es extensivas que o seu texto n&atilde;o consente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>IV &ndash; Sistema Paralelo no nosso Sistema Jur&iacute;dico<\/strong><\/p>\n<p>A Exonera&ccedil;&atilde;o do Passivo restante em Insolv&ecirc;ncia de Pessoas Singulares<\/p>\n<p>Para al&eacute;m desta cadente quest&atilde;o do incumprimento dos contratos de m&uacute;tuo para aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e permanente, tem-se igualmente vindo a assistir na sociedade portuguesa a um exponencial crescimento de insolv&ecirc;ncias de pessoas singulares.<\/p>\n<p>A op&ccedil;&atilde;o por este processo adv&eacute;m, algumas vezes, de os interessados suporem que a exonera&ccedil;&atilde;o do passivo restante em 5 anos &eacute; o rem&eacute;dio para todos os males.<\/p>\n<p>Assim n&atilde;o &eacute;, por&eacute;m!<\/p>\n<p>Na verdade, disp&otilde;e o artigo 235&ordm; do C&oacute;digo da Insolv&ecirc;ncia e da Recupera&ccedil;&atilde;o de Empresa (CIRE) que a exonera&ccedil;&atilde;o do passivo restante respeita a cr&eacute;ditos n&atilde;o satisfeitos no processo de insolv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>E determina o artigo 239&ordm; do mesmo c&oacute;digo que do rendimento dispon&iacute;vel, para efeitos de exora&ccedil;&atilde;o do passivo se exclui, o sustento minimamente digno do devedor e do seu agregado familiar.<\/p>\n<p>Daqui resulta que a pessoa singular que se apresenta &agrave; insolv&ecirc;ncia e que tenha um empr&eacute;stimo contra&iacute;do exclusivamente para habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e permanente, ter&aacute; de ver a sua casa ser vendida no &acirc;mbito da liquida&ccedil;&atilde;o do ativo.<\/p>\n<p>Contudo, se for o credor hipotec&aacute;rio a adquiri-la, e n&atilde;o sendo a insolv&ecirc;ncia culposa por parte do devedor, conforme artigos 243&ordm;, 238&ordm; e 189&ordm; do CIRE e por esta ordem interpretativa, segundo a senten&ccedil;a do Tribunal de Portalegre a d&iacute;vida findar&aacute; quanto, e unicamente, aparte da aquisi&ccedil;&atilde;o para habita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Caso, no entanto, seja terceiro, ou, mesmo agora, ainda o credor hipotec&aacute;rio, este &uacute;ltimo mant&eacute;m o seu cr&eacute;dito a ser pago, rateadamente, nos cinco anos subjacentes pelo rendimento dispon&iacute;vel.<\/p>\n<p>S&oacute; que esse rendimento dispon&iacute;vel &eacute; o que resta depois designadamente de o devedor retirar as despesas do montante digno que inclui o arrendamento.<\/p>\n<p>Assim, se no CIRE se contempla a hip&oacute;tese de um arrendamento alternativo, depois da venda do im&oacute;vel de habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria por pre&ccedil;o inferior &agrave; hipoteca, situa&ccedil;&atilde;o paralela ter&aacute; de suceder nas vendas judiciais em que o credor seja adquirente n&atilde;o podendo deixar o devedor sem hip&oacute;teses econ&oacute;micas de arrendar casa alternativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>V &ndash; Direito Comparado<\/strong><\/p>\n<p>V&aacute;rias ordens judiciais europeias t&ecirc;m j&aacute; estudado legisla&ccedil;&atilde;o com vista &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de medidas de flexibiliza&ccedil;&atilde;o para eventual reestabiliza&ccedil;&atilde;o de contratos de m&uacute;tuos com hipoteca em clara mora ou incumprimento.<\/p>\n<p>E nesse sentido e como situa&ccedil;&atilde;o semelhante e paralela &agrave; Portuguesa, tomamos a liberdade de chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a publica&ccedil;&atilde;o, em Espanha, do Real Decreto Ley 6\/2012 de 9 de mar&ccedil;o que legisla medidas conducentes &agrave; reestrutura&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida hipotec&aacute;ria daqueles que se encontram no chamado umbral de exclus&atilde;o.<\/p>\n<p>Contudo, o artigo 3&ordm; deste Decreto Lei claramente define que o mesmo se aplica s&oacute; a empr&eacute;stimos concedidos com hipoteca sobre habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e permanente.<\/p>\n<p>Daqui que se possa dizer que os pressupostos e as previs&otilde;es normativas s&atilde;o aquelas que se desenvolveram ao longo destas linhas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>VI &ndash; Conclus&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>a) Exclusivamente com refer&ecirc;ncia a contratos de m&uacute;tuo com hipoteca para aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e permanente, poder&aacute; admitir-se a extin&ccedil;&atilde;o da obriga&ccedil;&atilde;o, com a aceita&ccedil;&atilde;o do credor expressa em acordo, ou t&aacute;cita mediante a admiss&atilde;o do valor da venda judicial e, por maioria de raz&atilde;o, quando o credor adquire o im&oacute;vel.<\/p>\n<p>b) Tal acontece por o objeto do contrato ser tendencialmente coincidente com o objeto da garantia;<\/p>\n<p>c) Est&atilde;o, por isso e obviamente, exclu&iacute;dos desta solu&ccedil;&atilde;o e desta imputa&ccedil;&atilde;o de risco, os contratos de m&uacute;tuo com hipoteca destinados a aquisi&ccedil;&atilde;o de im&oacute;vel n&atilde;o habitacional, para habita&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria, ou hipoteca sobre habita&ccedil;&atilde;o mas cujo empr&eacute;stimo se destine a fins diversos &ndash; Multiop&ccedil;&otilde;es, cr&eacute;dito a consumo, etc.<\/p>\n<p>d) Esta altera&ccedil;&atilde;o de risco, tamb&eacute;m s&oacute; aplic&aacute;vel a situa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o se encontram em mora ou incumprimento por parte dos devedores, antes das altera&ccedil;&otilde;es do mercado e consequentes valores.<\/p>\n<p>e) A invers&atilde;o objetiva de risco surge e adicionalmente tem base de justifica&ccedil;&atilde;o por estar em causa o direito constitucional &agrave; habita&ccedil;&atilde;o permanente e para que seja poss&iacute;vel que esse direito se mantenha, sem mais onera&ccedil;&otilde;es no mercado de arrendamento.<\/p>\n<p>f) Em termos de direito futuro, &ldquo;de jure constituendo&rdquo; e para al&eacute;m do alargamento do prazo dos empr&eacute;stimos, muitos deles j&aacute; no prazo m&aacute;ximo, admite-se como justific&aacute;vel, dar a prefer&ecirc;ncia de arrendamento dentro dos valores de mercado aos devedores hipotec&aacute;rios em mora ou incumprimento.<\/p>\n<p>Lisboa, 14 de maio de 2012<\/p>\n<p><em>Ant&oacute;nio do Esp&iacute;rito Santo, <\/em><em>Advogado<\/em><\/p>\n<p><em>Professor Auxiliar do ISCTE &#8211; IUL<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio do Esp\u00edrito Santo, advogado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-56565","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56565","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56565"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56565\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}