{"id":56559,"date":"2012-05-14T16:10:19","date_gmt":"2012-05-14T16:10:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/05\/14\/fraternidade-operativa\/"},"modified":"2012-05-14T16:10:19","modified_gmt":"2012-05-14T16:10:19","slug":"fraternidade-operativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fraternidade-operativa\/","title":{"rendered":"Fraternidade operativa"},"content":{"rendered":"<p>Apontar o dedo ou o olhar \u00e9 demasiado pouco para quem deve empenhar-se em estender o bra\u00e7o ou dar a m\u00e3o <!--more--> <\/p>\n<p>&laquo;N&atilde;o devemos ter medo de sujar as m&atilde;os, ajudando os miser&aacute;veis da terra: para que servir&aacute; ter as m&atilde;os limpas, se as temos no bolso?&raquo;<\/p>\n<p>A pergunta, feita em F&aacute;tima pelo cardeal Ravasi no passado fim de semana, foi eleita &ldquo;frase do dia&rdquo; por um matutino de segunda-feira. N&atilde;o resisto tamb&eacute;m a ela regressar neste espa&ccedil;o, por me sentir pessoalmente interpelado a viver aquilo a que o cardeal italiano chamou de &ldquo;caridade operativa&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute;, de facto, uma tenta&ccedil;&atilde;o vulgar assumir, como suficiente, o mero estatuto de observador dos problemas. Ou, quando muito, de membro de uma equipa de diagn&oacute;stico &ndash; deixando para outros o trabalho da cura e do acompanhamento&hellip;.(Numa hip&oacute;tese mais piedosa, ainda se chega ao cuidado de encomendar a Deus a delicadeza da tarefa).<\/p>\n<p>Apontar o dedo ou o olhar &eacute; demasiado pouco para quem deve empenhar-se em estender o bra&ccedil;o ou dar a m&atilde;o. S&oacute; assim corresponde &agrave; &ldquo;caridade operativa&rdquo; de estar no terreno, fazendo o que se pode fazer &ndash; com a humildade generosa de quem sabe que o milagre o ultrapassa. Arriscando.<\/p>\n<p>Vale a pena recordar Tiago (2,15-16): &laquo;Se um irm&atilde;o ou uma irm&atilde; estiverem nuns e lhes faltar o alimento de cada dia e se um de v&oacute;s lhes disser: &ldquo; ide em paz, aquecei-vos e alimentai-vos&rdquo;, sem lhes dar o que &eacute; necess&aacute;rio para o corpo, que lhes aproveitaria?&raquo;.<\/p>\n<p>Com o devido respeito, h&aacute; aqui um profundo desafio &agrave; convers&atilde;o. Uma convers&atilde;o que nos torne clara a nossa pr&oacute;pria responsabilidade e nos desassossegue de um cristianismo de &ldquo;pena&rdquo; ou de consumo privado; que trata a igreja como uma esp&eacute;cie de Loja de Conveni&ecirc;ncia para necessidades&nbsp; pessoais de &uacute;ltima hora, ou um supermercado de cujas prateleiras se recolhe apenas o que apetece comer j&aacute; ou congelar.<\/p>\n<p>Este &eacute; um cristianismo voluntariamente clandestino, que nunca ser&aacute; fermento. E que apenas ser&aacute; combatido quando deixarmos de dizer &laquo;estive para&hellip;&raquo; e podermos dizer, com verdade, &laquo;intervim&raquo;.<\/p>\n<p>Urge a coragem crist&atilde; de contrastar, estando presentes nas circunst&acirc;ncias e nelas agindo, sem medo e com generosidade; com humildade e convic&ccedil;&atilde;o, procurando a justi&ccedil;a e a paz. Realmente, &laquo;o verdadeiro ap&oacute;stolo procura todas as ocasi&otilde;es anunciar Cristo&raquo;: na fam&iacute;lia, no emprego, na a&ccedil;&atilde;o social, pol&iacute;tica e sindical, etc, etc. E sabe que a aten&ccedil;&atilde;o privilegiada aos mais pobres &eacute; crit&eacute;rio e energia para a salva&ccedil;&atilde;o do mundo e que a promo&ccedil;&atilde;o humana &eacute; parte integrante da evangeliza&ccedil;&atilde;o. Sem esquecer, evidentemente, que &laquo;a evangeliza&ccedil;&atilde;o tem, no seu centro, o an&uacute;ncio expl&iacute;cito de que Deus nos d&aacute; a salva&ccedil;&atilde;o em Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado&raquo;.<\/p>\n<p><em>Jo&atilde;o Aguiar Campos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apontar o dedo ou o olhar \u00e9 demasiado pouco para quem deve empenhar-se em estender o bra\u00e7o ou dar a m\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-56559","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56559"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56559\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}