{"id":56529,"date":"2012-05-12T14:48:48","date_gmt":"2012-05-12T14:48:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/05\/12\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-solenidade-de-santa-joana-princesa-2\/"},"modified":"2012-05-12T14:48:48","modified_gmt":"2012-05-12T14:48:48","slug":"homilia-do-bispo-de-aveiro-na-solenidade-de-santa-joana-princesa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-solenidade-de-santa-joana-princesa-2\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Aveiro na solenidade de Santa Joana Princesa"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>&ldquo;Descobrir tesouros do amor de Deus e p&eacute;rolas de servi&ccedil;o aos irm&atilde;os&rdquo;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>1.No texto do evangelho agora proclamado, Jesus contou duas pequenas par&aacute;bolas para explicar o sentido e o valor do Reino de Deus. Queria semear no cora&ccedil;&atilde;o dos disc&iacute;pulos, que o ouviam, uma interroga&ccedil;&atilde;o decisiva para quem est&aacute; &agrave; porta da f&eacute;: &laquo;N&atilde;o haver&aacute;, na nossa vida, segredos que ainda n&atilde;o descobrimos, tesouros que ainda n&atilde;o encontramos, p&eacute;rolas que ainda n&atilde;o adquirimos?<\/p>\n<p>Todos entenderam estas par&aacute;bolas. Quem n&atilde;o sente, como sua a alegria do lavrador pobre que cuida do campo e encontra um tesouro? Quem n&atilde;o saboreia o encanto do comerciante rico que compra e vende p&eacute;rolas, mas nunca vira uma p&eacute;rola como esta, de tanto valor?<\/p>\n<p>As par&aacute;bolas apenas s&atilde;o exemplos a interpretar e formas pedag&oacute;gicas a aprender, que Jesus usa, com invulgar sabedoria, para nos chamar para outros horizontes e para nos abrir o cora&ccedil;&atilde;o para outros &acirc;mbitos da compreens&atilde;o da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;Ser&aacute; Deus, para n&oacute;s, como foi para Seu Filho Jesus, este tesouro &uacute;nico, belo e atraente ou esta p&eacute;rola preciosa, inigual&aacute;vel e verdadeira? Uma coisa &eacute; certa: encontrar Deus e colocar o nosso cora&ccedil;&atilde;o no essencial &eacute; ter a imensa fortuna de possuir o que o ser humano mais anseia e procura, que &eacute; a felicidade e a bem-aventuran&ccedil;a.<\/p>\n<p>Encontrar Deus significa saborear a alegria da descoberta deste tesouro escondido e olhar com fasc&iacute;nio a beleza desta p&eacute;rola encontrada.<\/p>\n<p>2.Jesus, ao contar estas duas par&aacute;bolas desloca o centro da mensagem e o protagonismo das situa&ccedil;&otilde;es para duas pessoas concretas: o lavrador ocupado no amanho da terra e o comerciante a bra&ccedil;os com o seu neg&oacute;cio. Ambos reagem da mesma forma: vendem e deixam tudo para possuir o tesouro e adquirir a p&eacute;rola preciosa. E ambos sentem a alegria desta decis&atilde;o.<\/p>\n<p>A descoberta do reino de Deus muda, tamb&eacute;m hoje, a vida de quem o descobre e justifica que se deixem todas as coisas para se adquirir aquela que basta. O reino de Deus est&aacute; em Jesus, na sua vida, na sua mensagem, na sua cruz, de que a Igreja &eacute; sinal e presen&ccedil;a.<\/p>\n<p>3. Os estudos sociol&oacute;gicos, (ainda h&aacute; dias a Igreja em Portugal publicou um), dizem-nos que um dos sintomas do tempo presente &eacute; a indiferen&ccedil;a religiosa: uma indiferen&ccedil;a que coloca a sociedade alheia a todo o posicionamento sobre Deus. Contudo, s&atilde;o tamb&eacute;m cada vez mais numerosos, aqueles que, batem &agrave; porta da Igreja, movidos por uma certa &laquo;nostalgia de Deus&raquo; e sentem muito forte a interpela&ccedil;&atilde;o: Como procurar e encontrar Deus?<\/p>\n<p>Sabemos todos que n&atilde;o basta procurar Deus nos livros, nos debates, nas discuss&otilde;es. Uma coisa &eacute; discutir religi&atilde;o e outra coisa muito diferente &eacute; buscar Deus com cora&ccedil;&atilde;o sincero. Recordemos Santo Agostinho: &laquo;S&oacute; o que faz bom o homem o pode tornar feliz&raquo;.<\/p>\n<p>A f&eacute; n&atilde;o &eacute; uma conquista te&oacute;rica nem um alcance racional. Sempre que debati com algu&eacute;m formas te&oacute;ricas da f&eacute;, fiquei com a impress&atilde;o de que n&atilde;o estava a falar do importante.<\/p>\n<p>O mist&eacute;rio de Deus, segundo Jesus, &eacute; semelhante a um tesouro escondido no campo. Quem um dia o encontra desprende-se de tudo para ficar com ele. Assim aconteceu com Santa Joana.<\/p>\n<p>4. Santa Joana Princesa, nossa Padroeira, que hoje celebramos em forma solene, continua viva a proclamar o primado de Deus e dos valores espirituais. A vida da Santa Princesa e a serenidade com que, confiando em Deus se manteve firme neste santo prop&oacute;sito de consagra&ccedil;&atilde;o religiosa, mostram que &eacute; caminho de beleza, de f&eacute; e de felicidade viver para amar a Deus e servir o pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p>Filha de D. Afonso V e de D. Isabel, Santa Joana nasceu a 6 de fevereiro de 1452, em Lisboa. &Oacute;rf&atilde; de m&atilde;e aos tr&ecirc;s anos de idade, sempre sentiu o afeto do pai e de toda a fam&iacute;lia real que a envolvia de carinho e dedica&ccedil;&atilde;o para que fosse mais suave o sofrimento provocado pela falta da M&atilde;e e para que se preparasse para as exig&ecirc;ncias de uma vida humanamente destinada a grandes servi&ccedil;os ao Pa&iacute;s ou em qualquer outra Corte estrangeira.<\/p>\n<p>Educada num ambiente cultural de elei&ccedil;&atilde;o, a jovem infanta aprofundava, dia a dia, a sua forma&ccedil;&atilde;o religiosa, &laquo;Amava sobretudo a Deus&raquo;, diz o seu bi&oacute;grafo, Monsenhor Jo&atilde;o Gaspar (S.ta Joana, 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o p&aacute;g. 69). &laquo;E os pobres eram tamb&eacute;m os seus mestres&hellip;eles ensinavam-lhe o sentido da simplicidade, indicavam-lhe o valor do sofrimento, recordavam-lhe o evangelho das bem-aventuran&ccedil;as, exigiam-lhe conv&iacute;vio com eles, aconselhavam-na a deixar prestigio e bem-estar, ajudavam-na a aproximar do pensamento e a entrar no cora&ccedil;&atilde;o de Deus&raquo; ( P&aacute;g. 70).<\/p>\n<p>Vencidas as resist&ecirc;ncias do Pai e da Corte, Joana de Portugal entra no Mosteiro de S. Crist&oacute;v&atilde;o de Odivelas, da Ordem de S. Bernardo, e daqui caminha at&eacute; Aveiro, onde chega no dia 30 de julho de 1472, e ingressa no Mosteiro de Jesus, da Ordem Dominicana, em Aveiro, como foi sempre seu sonho. Em Aveiro, como aveirense e como religiosa vive, reza e trabalha durante dezoito anos at&eacute; que parte ao encontro de Deus, em 12 de maio de 1490.<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a de Santa Joana em Aveiro marcou profundamente a hist&oacute;ria da ent&atilde;o vila de Aveiro como marca, tamb&eacute;m hoje, a hist&oacute;ria da nossa cidade. A sua presen&ccedil;a no Convento ajudou a que o estilo de vida religiosa deste convento se tornasse paradigma da vida religiosa dominicana, em Portugal, e o convento fosse procurado por muitas jovens para a&iacute; ingressarem. N&atilde;o se estranha, por isso que a partir do convento de Aveiro e no espa&ccedil;o de pouco tempo tenham sido criados conventos em Lisboa, Leiria, Set&uacute;bal e Santar&eacute;m.<\/p>\n<p>Os seus pais e irm&atilde;o foram sepultados no mosteiro da Batalha, mausol&eacute;u da Casa de Avis. Santa Joana quis repousar no claustro do convento de Jesus, aqui ao lado da nossa Catedral, bem no cora&ccedil;&atilde;o de Aveiro, para estar sempre mais pr&oacute;xima dos Aveirenses.<\/p>\n<p>5. O seu testemunho deixou marcas na hist&oacute;ria de Aveiro, o seu exemplo de santidade est&aacute; impresso no cora&ccedil;&atilde;o dos aveirenses e a sua prote&ccedil;&atilde;o est&aacute; presente na vida da cidade e da diocese. O primeiro bispo de Aveiro dedicou-lhe o Semin&aacute;rio e quis aben&ccedil;oar a primeira pedra da constru&ccedil;&atilde;o no dia 12 de maio de 1942. A cidade ergueu-lhe uma bela est&aacute;tua, s&iacute;mbolo maior de sentida homenagem dos aveirenses e certeza necess&aacute;ria de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para todos n&oacute;s. Quero, agora, ao pensar nos sacerdotes idosos e doentes e para eles edificar uma Casa sacerdotal, que esta Casa, j&aacute; quase constru&iacute;da, seja dedicada, tamb&eacute;m ela, a Santa Joana Princesa.<\/p>\n<p>Em plena Caminhada diocesana das Fam&iacute;lias, rumo &agrave; Festa das Fam&iacute;lias, a celebrar no pr&oacute;ximo dia 20, no Col&eacute;gio de Calv&atilde;o, e a pensar em cada fam&iacute;lia da diocese, olho para Santa Joana, no seu exemplo de juventude e de f&eacute;, e pe&ccedil;o-lhe prote&ccedil;&atilde;o e b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para esta sua Igreja para que seja fraternidade de fam&iacute;lias a confirmar a alegria, a felicidade, o amor e a esperan&ccedil;a no mundo.<\/p>\n<p>E confio-lhe com devo&ccedil;&atilde;o e afeto a Miss&atilde;o Jubilar que vamos viver ao longo da celebra&ccedil;&atilde;o dos setenta e cinco anos da diocese. Aqui viremos como peregrinos em momentos marcantes do nosso viver como Igreja nesta Ano Jubilar e aqui encontraremos &acirc;nimo e entusiasmo para viver cada dia com a alegria da f&eacute; e com o encanto do amor a Deus e do servi&ccedil;o aos irm&atilde;os, de que Santa Joana nos deu t&atilde;o belo exemplo e nos deixou t&atilde;o santo testemunho.<\/p>\n<p align=\"center\">Aveiro, 12 de maio de 2012, Solenidade de Santa Joana Princesa, Padroeira de Aveiro<\/p>\n<p><em>D. Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Descobrir tesouros do amor de Deus e p&eacute;rolas de servi&ccedil;o aos irm&atilde;os&rdquo; 1.No texto do evangelho agora proclamado, Jesus contou duas pequenas par&aacute;bolas para explicar o sentido e o valor do Reino de Deus. 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