{"id":56441,"date":"2012-05-08T12:02:29","date_gmt":"2012-05-08T12:02:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/05\/08\/chiu\/"},"modified":"2012-05-08T12:02:29","modified_gmt":"2012-05-08T12:02:29","slug":"chiu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/chiu\/","title":{"rendered":"Chiu!"},"content":{"rendered":"<p>Pedro Gil, diretor Gabinete de Imprensa do Opus Dei <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\"><strong>&ldquo;Sil&ecirc;ncio!&rdquo;<\/strong> O Papa apela ao sil&ecirc;ncio. Apanha-nos em pleno mergulho euf&oacute;rico no mar das novas tecnologias, que est&atilde;o &ldquo;Inter mirifica&rdquo;, entre as maravilhosas inven&ccedil;&otilde;es da t&eacute;cnica (Vaticano II).<\/p>\n<p>Um mar, de mar&eacute; a encher. Ou vamos ter com ela, ou ela vem ter connosco. Cada dia a net gera 60 mil sites, 2 milh&otilde;es de v&iacute;deos, 5 milh&otilde;es de imagens. Hoje o facebook tem mais 460 mil perfis do que ontem.<\/p>\n<p>O mar &eacute; um oceano de coisas boas, sobretudo se n&atilde;o lhe der para brincar aos tsunamis. Por isso, &agrave;s vezes temos alerta, amarelo pelo menos.<\/p>\n<p>Sab&iacute;amos que o portugu&ecirc;s m&eacute;dio v&ecirc; 25 horas de TV por semana. Isto &eacute;, em sete dias, um dia e uma noite de olhos na TV. Se esse portugu&ecirc;s viver 70 anos, 10 (dez!) anos, dia e noite, v&ecirc; TV. A TV mostra-lhe tudo: primaveras &aacute;rabes, champ&ocirc;s, golos de trivela, tratados de paz, querida j&uacute;lia e popotas. A imagina&ccedil;&atilde;o corre o mundo; o corpo fica sentado.<\/p>\n<p>As estat&iacute;sticas dizem agora que est&aacute; tamb&eacute;m uma hora por dia online. Enfim, o portugu&ecirc;s m&eacute;dio quase &eacute; super-homem ou supermulher para aguentar tanto.<\/p>\n<p><strong>Os inventores prometem para breve<\/strong> surpreendentes simula&ccedil;&otilde;es digitais de cheiros e de outras sensa&ccedil;&otilde;es. O melhor &eacute; habituar-se, porque a t&eacute;cnica gosta de cumprir promessas. Estaremos envolvidos na &ldquo;realidade&rdquo; virtual com a mesma envolv&ecirc;ncia da &ldquo;realidade real&rdquo;.<\/p>\n<p>O Ricardo Ara&uacute;jo Pereira fez o retrato numa r&aacute;bula antiga. O pai apanha o filho &ndash; uma joia de mo&ccedil;o &ndash; a espetar-se com uma seringa num bra&ccedil;o e diz: &ldquo;come antes uma pe&ccedil;a de fruta que te faz melhor, rapaz&#8230;&rdquo;. E ele: &ldquo;&rsquo;t&aacute; bem, mas agora n&atilde;o, que estou a conversar com este gafanhoto gigante chamado Jos&eacute; Ant&oacute;nio&rdquo;&#8230;<\/p>\n<p>Boa observa&ccedil;&atilde;o. Se me sinto bem entre gafanhotos gigantes virtuais, porqu&ecirc; preferir a pera-rocha real? Porque &eacute; melhor a &ldquo;realidade&rdquo; que o &ldquo;imagin&aacute;rio&rdquo;?<\/p>\n<p>O mundo &ldquo;imagin&aacute;rio&rdquo; s&atilde;o os infinitos pequenos mundos subjetivos. &Eacute; um mundo criado pelo homem, espelho das suas limita&ccedil;&otilde;es. O mundo real s&atilde;o as coisas comuns dadas a todos. &Eacute; uma prenda do criador. Como as outras prendas, fala sobre quem d&aacute; e quem recebe. &Eacute; um mundo criado por Deus, espelho do seu amor louco pelos homens.<\/p>\n<p><strong>O desafio &eacute; harmoniz&aacute;-los<\/strong> para que a experi&ecirc;ncia virtual sirva e melhore a experi&ecirc;ncia real. Nisso, o sil&ecirc;ncio conta muito. Compreende-se que Bento XVI olhe &ldquo;com interesse para as v&aacute;rias formas de s&iacute;tios, aplica&ccedil;&otilde;es e redes sociais que possam ajudar o homem atual n&atilde;o s&oacute; a viver momentos de reflex&atilde;o e de busca verdadeira, mas tamb&eacute;m a encontrar espa&ccedil;os de sil&ecirc;ncio, ocasi&otilde;es de ora&ccedil;&atilde;o, medita&ccedil;&atilde;o ou partilha da Palavra de Deus.&rdquo;<\/p>\n<p>S&iacute;tios desses, h&aacute; alguns, como o &ldquo;Evangelho Quotidiano&rdquo; e o &ldquo;Passo a rezar&rdquo;. Contudo, o grande teste &eacute; procurar o sil&ecirc;ncio &ldquo;off line&rdquo;.<\/p>\n<p>Treinados no &ldquo;pensamento produtivo&rdquo;, o sil&ecirc;ncio assusta-nos. Quando calamos algum tempo agitamo-nos, sentimo-nos in&uacute;teis, e desesperamos por, ao menos, um pouco de Antena 2. Temos os m&uacute;sculos do &ldquo;pensamento contemplativo&rdquo; atrofiados e esgotamo-nos em qualquer esfor&ccedil;o.<\/p>\n<p>Em 1998 um professor de jornalismo perguntou ao ent&atilde;o cardeal como podem os jornalistas resistir &agrave;s v&aacute;rias press&otilde;es, e Ratzinger respondeu: &ldquo;parece-me importante que possam ter com certa regularidade um descanso em que possam respirar fundo. Umas temporadas em que possam recuperar o substrato intelectual, o substrato moral, que lhes permita ordenar de novo as suas ideias.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>O sil&ecirc;ncio regenera<\/strong>. O sil&ecirc;ncio &eacute; um ingrediente das espiritualidades orientais. Para o cristianismo, o sil&ecirc;ncio &eacute;, por&eacute;m, mais do que desligar emo&ccedil;&otilde;es e amarras para imergir no nirvana da impassibilidade.<\/p>\n<p>O sil&ecirc;ncio sonha com um inesquec&iacute;vel encontro com Deus. &ldquo;Deus fala ao homem mesmo no sil&ecirc;ncio, tamb&eacute;m o homem descobre no sil&ecirc;ncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus.&rdquo;<\/p>\n<p>E desejar isso n&atilde;o &eacute; desejar demais? Podemos ambicionar tanto? Bento XVI falou aos c&eacute;ticos em F&aacute;tima: &ldquo;Deus tem o poder de chegar at&eacute; n&oacute;s nomeadamente atrav&eacute;s dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que est&aacute; para al&eacute;m do sens&iacute;vel&rdquo;. Mas h&aacute; uma condi&ccedil;&atilde;o: &ldquo;para isso exige-se uma vigil&acirc;ncia interior do cora&ccedil;&atilde;o que, na maior parte do tempo, n&atilde;o possu&iacute;mos por causa da forte press&atilde;o das realidades externas e das imagens e preocupa&ccedil;&otilde;es que enchem a alma&rdquo;. Torna-se cr&iacute;tico abrir uns minutos di&aacute;rios de solid&atilde;o para robustecer a rela&ccedil;&atilde;o com Deus. Como? O &ldquo;portugu&ecirc;s m&eacute;dio&rdquo; s&oacute; em TV e net, tem muito por onde escolher.<\/p>\n<p><strong>O sil&ecirc;ncio ajuda a abreviar<\/strong> a palavra e dizer o essencial. Disse Pascal: &ldquo;o texto s&oacute; me saiu longo, porque n&atilde;o tive vagar para o fazer mais curto&rdquo;. Subscrevo sem relut&acirc;ncia.<\/p>\n<p><em>Pedro Gil, diretor do Gabinete de Imprensa do Opus Dei<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Gil, diretor Gabinete de Imprensa do Opus Dei<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,199,332],"class_list":["post-56441","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-espiritualidade","tag-opus-dei"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56441","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56441"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56441\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}