{"id":56360,"date":"2012-05-02T13:10:45","date_gmt":"2012-05-02T13:10:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/05\/02\/intervencao-do-presidente-da-comissao-episcopal-da-pastoral-social-e-da-mobilidade-humana-no-xxiv-encontro-nacional-da-pastoral-da-saude\/"},"modified":"2012-05-02T13:10:45","modified_gmt":"2012-05-02T13:10:45","slug":"intervencao-do-presidente-da-comissao-episcopal-da-pastoral-social-e-da-mobilidade-humana-no-xxiv-encontro-nacional-da-pastoral-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/intervencao-do-presidente-da-comissao-episcopal-da-pastoral-social-e-da-mobilidade-humana-no-xxiv-encontro-nacional-da-pastoral-da-saude\/","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o do presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana no XXIV Encontro Nacional da Pastoral da Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;Cuidados de Sa&uacute;de, lugares de esperan&ccedil;a&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>No passado domingo, os cat&oacute;licos colocaram-se perante a simbologia de Cristo como o Bom Pastor que deve tornar-se num verdadeiro &iacute;cone de toda a a&ccedil;&atilde;o Pastoral da Igreja. O Bom Pastor d&aacute; a vida, livremente, ningu&eacute;m a tira; vai &agrave; procura da ovelha ferida (perdida), ainda dela ousando estabelecer uma prioridade, testemunhada pelo facto de deixar as 99 para com ela se encontrar.<\/p>\n<p>O caminho que a Igreja deve percorrer n&atilde;o pode ser outro. N&atilde;o h&aacute; alternativa poss&iacute;vel e imp&otilde;e-se uma coragem heroica para efetuar a viragem de olhar, fixando-se preferencialmente em quem sofre, mesmo com o abandono doutras aten&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m importantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1. Nova evangeliza&ccedil;&atilde;o e Pastoral da Sa&uacute;de <\/strong><\/p>\n<p>Referia na mensagem que dirigi para este encontro que a Pastoral da Sa&uacute;de necessita duma maior integra&ccedil;&atilde;o na Pastoral Social. N&atilde;o se trata de dois &acirc;mbitos diferentes ou complementares. Integram-se como partes dum todo e exigem uma presen&ccedil;a na dimens&atilde;o celebrativa (Eucaristia e Ora&ccedil;&atilde;o) e, particularmente, no &acirc;mbito da Evangeliza&ccedil;&atilde;o. Se esta pretende ser <em>Nova<\/em>, n&atilde;o pode deixar de se rever na aten&ccedil;&atilde;o que lhe presta. A Salva&ccedil;&atilde;o oferecida por Cristo &eacute; integral e, como tal, deve passar por todas as iniciativas. Da&iacute; que viver Cristo, como identidade do crist&atilde;o, tamb&eacute;m &eacute; encontrar-se com Ele em todos e em todas as dimens&otilde;es, incluindo os cuidados com a sa&uacute;de.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria da Igreja recorda que ela foi construindo hospitais, mas que na prega&ccedil;&atilde;o dava orienta&ccedil;&otilde;es concretas, muitas vezes preventivas, para uma qualidade de vida. Enunciava o que era prejudicial a evitar e os estilos que deveriam ser adotados. Basta consultar alguns livros de prega&ccedil;&atilde;o para reconhecer como isto era estruturante duma evangeliza&ccedil;&atilde;o. Cuidar da alma exigia aten&ccedil;&atilde;o ao corpo! A vida humana e a sua qualidade esteve sempre na perspetiva da prega&ccedil;&atilde;o e do agir de Cristo. Continuando o Seu itiner&aacute;rio estaremos a ser esperan&ccedil;a para muitos. S. Ireneu referia que &ldquo;a gl&oacute;ria de Deus &eacute; a gl&oacute;ria do homem.&rdquo;<\/p>\n<p>Este encontro deve, por isso, ser uma consciencializa&ccedil;&atilde;o de todos os crist&atilde;os para que a sa&uacute;de possa ser adquirida ou conservada atrav&eacute;s duma solicitude muito pessoal de quem se sente pr&oacute;ximo na l&oacute;gica do Bom Samaritano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. A comunidade sol&iacute;cita <\/strong><\/p>\n<p>Se queremos rever as luzes e as sombras, sendo estas preocupantes em variados aspetos (nos quais n&atilde;o me quero deter para n&atilde;o condicionar a vossa reflex&atilde;o), n&atilde;o poderemos fixar-nos exclusivamente numa atitude de exig&ecirc;ncia aos poderes pol&iacute;ticos ou de den&uacute;ncia de anomalias estruturais. A <strong>comunidade crist&atilde; <\/strong>deve intensificar um dinamismo interno que seja capaz de assumir e acompanhar quem sofre ou necessita de determinados cuidados. Se a pastoral tem diversas dimens&otilde;es, a sa&uacute;de n&atilde;o pode ser esquecida e exige uma organiza&ccedil;&atilde;o capaz de &ldquo;ver todos os casos&rdquo; e de oferecer os &ldquo;gastos&rdquo; que s&oacute; o amor crist&atilde;o consegue identificar. N&atilde;o ouso enumerar. Apenas alerto para um acompanhamento personalizado junto de todos quantos pertencem &agrave; comunidade humana.<\/p>\n<p>Como parte integrante, a comunidade crist&atilde; deve conhecer quem passa por momentos de doen&ccedil;a e interrogar-se sobre o que deve fazer como mais adequado ou oportuno. Dar sinais de presen&ccedil;a, silenciosos ou de conversa amiga, em casa ou em estabelecimentos hospitalares significa ser pai (ou m&atilde;e) que segura pelos ombros para que a meta da serenidade seja alcan&ccedil;ada. Trata-se duma tarefa solit&aacute;ria ou organizada. O que importa &eacute; saber estar e n&atilde;o passar ao lado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. Assist&ecirc;ncia espiritual nos estabelecimentos de sa&uacute;de <\/strong><\/p>\n<p>Copulativamente, n&atilde;o podemos ignorar que somos parte duma sociedade e como cidad&atilde;os temos direitos, iguais para todos, que o Estado deve respeitar com a qualidade necess&aacute;ria, mas a que os mais carenciados devem ter um acesso mais f&aacute;cil. Pertence &agrave; miss&atilde;o da Igreja denunciar e propor alternativas numa responsabilidade que lhe vem do paradigma do Bom Pastor que est&aacute; pr&oacute;ximo e conhece a real situa&ccedil;&atilde;o de todos. Nunca se trata da den&uacute;ncia pela den&uacute;ncia. &Eacute; estruturante uma paix&atilde;o pela humanidade que n&atilde;o se resume a mera teoria.<\/p>\n<p>Muitas coisas ser&atilde;o referenciadas neste XXIV Encontro. Quero, por&eacute;m, sublinhar o direito dos doentes em estabelecimentos privados ou p&uacute;blicos, a uma assist&ecirc;ncia espiritual de modo que os cuidados de sa&uacute;de tenham a exigida qualidade. Como direito do doente, e n&atilde;o mera defesa ou conquista de privil&eacute;gios, e tendo sempre em conta o respeito pela liberdade pessoal, n&atilde;o poderemos aceitar desculpas de ordem econ&oacute;mica ou de qualquer outra ordem que impe&ccedil;am o exerc&iacute;cio desse direito.<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos esquecer que o Decreto-Lei n.&ordm; 253\/2009 estabelece: a &ldquo;assist&ecirc;ncia espiritual e religiosa nas institui&ccedil;&otilde;es do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de permanece reconhecida como uma necessidade essencial, com efeitos relevantes na rela&ccedil;&atilde;o com o sofrimento e a doen&ccedil;a, contribuindo para a qualidade dos cuidados prestados. Particular aten&ccedil;&atilde;o deve ser dada aos doentes em situa&ccedil;&otilde;es paliativas, com doen&ccedil;a de foro oncol&oacute;gico, com imunodefici&ecirc;ncia adquirida ou severidade similar.&rdquo;<\/p>\n<p>Sabemos ainda que este Decreto-Lei tem em considera&ccedil;&atilde;o as recomenda&ccedil;&otilde;es do Plano Nacional de Sa&uacute;de (2004-2010), no qual se reconhece a &ldquo;especial import&acirc;ncia do acesso &agrave; assist&ecirc;ncia espiritual e religiosa nos estabelecimentos de sa&uacute;de.&rdquo;<\/p>\n<p>Concluindo, este Encontro Nacional deve, assim o entendo, ter esta dupla finalidade. Por um lado, a serenidade de ver a sa&uacute;de em Portugal nas respostas que s&atilde;o oferecidas. Por outro, intuir determinadas coordenadas na vida dos crist&atilde;os e das comunidades para que a esperan&ccedil;a esteja presente, sempre na linha duma responsabilidade a que a Igreja n&atilde;o pode furtar-se.<\/p>\n<p>A sa&uacute;de em Portugal merece uma aten&ccedil;&atilde;o cuidada. As perplexidades s&atilde;o variad&iacute;ssimas e complexas. N&atilde;o basta um encontro. Cada dia da comunidade crist&atilde; &eacute; um contributo positivo para a resolu&ccedil;&atilde;o dos diferentes problemas. Importa que se fale do concreto das situa&ccedil;&otilde;es e que n&atilde;o se fique no Reino das Palavras. A situa&ccedil;&atilde;o do doente e os seus direitos s&atilde;o a nossa causa e, sem esquecer ningu&eacute;m, permitam que abra, tamb&eacute;m, a janela da nossa reflex&atilde;o a uma categoria muito concreta de pessoas.<\/p>\n<p>&Eacute; verdade que a doen&ccedil;a n&atilde;o escolhe idades, mas os idosos, regra geral, s&atilde;o os mais afetados. No <em>Ano Europeu do Envelhecimento Ativo <\/em>n&atilde;o nos faltam pistas para acolher a sabedoria dos idosos e proporcionar-lhes os cuidados e aten&ccedil;&otilde;es que uma vida sacrificada e dura bem merece como recompensa, pela marca que deixaram na sociedade.<\/p>\n<p>Para terminar, seja-me permitido concluir esta sauda&ccedil;&atilde;o\/introdu&ccedil;&atilde;o dos trabalhos com um texto de S. Agostinho, extra&iacute;do do Serm&atilde;o 91, 7:<\/p>\n<p><em>&ldquo;Que o amor a Deus traduzido em boas obras seja gratuito e que o amor ao pr&oacute;ximo seja ben&eacute;fico. Na verdade, nada temos para dar a Deus, mas, uma vez que temos o que dar ao pr&oacute;ximo, dando ao pobre, seremos dignos daquele que tudo tem em abund&acirc;ncia. Por isso, que cada um d&ecirc; ao outro aquilo que tem, que distribua pelo pobre o que tiver a mais. Se um tiver dinheiro, que d&ecirc; de comer ao pobre, que vista o nu, que edifique uma igreja, que do seu dinheiro fa&ccedil;a todo o bem que puder. Se outro tem o dom do conselho, que oriente o pr&oacute;ximo, que dissipe as trevas da d&uacute;vida com a luz da piedade. Se outro tiver forma&ccedil;&atilde;o doutrin&aacute;ria, que distribua da despensa do Senhor, que administre o alimento aos seus companheiros, que conforte os fi&eacute;is, fa&ccedil;a retroceder os que erram, que procure os perdidos, que fa&ccedil;a tanto quanto puder. At&eacute; os pobres t&ecirc;m o que repartir: Um pode emprestar os seus p&eacute;s a um coxo; outro pode oferecer a um cego os seus olhos como guias; outro pode visitar um enfermo; outro pode sepultar um morto. H&aacute; oportunidades destas em todos, de forma que bem dificilmente se encontra algu&eacute;m que n&atilde;o tenha como dar alguma coisa a outro. H&aacute; tamb&eacute;m aquele &uacute;ltimo e grande preceito que o Ap&oacute;stolo deu: Levai os vossos fardos uns aos outros e assim cumprireis a lei de Cristo.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>Aqui verificamos que Amar a Deus &eacute; amar o pr&oacute;ximo, e amar o pr&oacute;ximo &eacute; dedicar-lhe todo o cuidado que lhe podemos prestar. Esta &eacute; tarefa de todos os crist&atilde;os! A mudan&ccedil;a necess&aacute;ria, em muitos aspetos, n&atilde;o depende s&oacute; do sistema, mas tamb&eacute;m da consci&ecirc;ncia que cada um tem de adquirir o real valor da sa&uacute;de, que Cristo, o Bom e Belo Pastor, redefiniu na par&aacute;bola da ovelha perdida.<\/p>\n<p>Santu&aacute;rio de F&aacute;tima, 2 de maio de 2012,<\/p>\n<p><em>D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Cuidados de Sa&uacute;de, lugares de esperan&ccedil;a&rdquo; No passado domingo, os cat&oacute;licos colocaram-se perante a simbologia de Cristo como o Bom Pastor que deve tornar-se num verdadeiro &iacute;cone de toda a a&ccedil;&atilde;o Pastoral da Igreja. 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