{"id":56228,"date":"2012-04-19T15:47:12","date_gmt":"2012-04-19T15:47:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/19\/conclusoes-do-encontro-de-reflexao-sobre-emigracao-portuguesa-na-europa\/"},"modified":"2012-04-19T15:47:12","modified_gmt":"2012-04-19T15:47:12","slug":"conclusoes-do-encontro-de-reflexao-sobre-emigracao-portuguesa-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conclusoes-do-encontro-de-reflexao-sobre-emigracao-portuguesa-na-europa\/","title":{"rendered":"Conclus\u00f5es do encontro de reflex\u00e3o sobre emigra\u00e7\u00e3o portuguesa na Europa"},"content":{"rendered":"<p>No &acirc;mbito do atual contexto econ&oacute;mico e social, a Obra Cat&oacute;lica Portuguesa das Migra&ccedil;&otilde;es e a C&aacute;ritas Portuguesa promoveram o encontro entre os principais intervenientes junto das comunidades portuguesas emigrantes na Europa. Um encontro que teve como objetivo colocar em comum a realidade vivida pelas comunidades emigrantes e abrir vias de di&aacute;logo e de coordena&ccedil;&atilde;o pela concilia&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os e recursos no sentido de melhorar as respostas de apoio a todos os que se v&ecirc;m na necessidade de sair do seu pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A realidade emigrante portuguesa alterou-se nos &uacute;ltimos anos devido &agrave;s mudan&ccedil;as sociais e econ&oacute;micas que s&atilde;o transversais a toda a Europa. O aumento do desemprego em Portugal &eacute;, atualmente, a principal motiva&ccedil;&atilde;o para a emigra&ccedil;&atilde;o. Jovens licenciados &agrave; procura do primeiro emprego ou desempregados mas tamb&eacute;m fam&iacute;lias que perderam recursos financeiros e que n&atilde;o conseguem responder aos encargos que t&ecirc;m, s&atilde;o hoje o rosto da chamada nova emigra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Estiveram presentes neste encontro os Coordenadores da Pastoral de L&iacute;ngua Portuguesa e os Delegados das C&aacute;ritas em alguns dos que s&atilde;o hoje os principais pa&iacute;ses de destinos dos portugueses na Europa: Alemanha, Fran&ccedil;a, Holanda, Luxemburgo, Reino Unido e Su&iacute;&ccedil;a.<\/p>\n<p><strong>Foram identificadas pelos participantes as seguintes dificuldades:<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Continua a haver uma faixa de emigra&ccedil;&atilde;o com baixas classifica&ccedil;&otilde;es o que impede o acesso a postos de trabalho com remunera&ccedil;&atilde;o suficiente para fazer frente &agrave;s expectativas;<\/p>\n<p>&#8211; quem decide partir para outro pa&iacute;s nem sempre est&aacute; bem informado sobre as dificuldades que vai encontrar e parte sem ter contrato de trabalho ou alojamento. O desconhecimento leva &agrave; explora&ccedil;&atilde;o por parte de redes organizadas. Estas redes s&atilde;o organizadas por portugueses que recrutam outros portugueses para trabalho sazonal sem oferecer quaisquer condi&ccedil;&otilde;es de vida aos trabalhadores;<\/p>\n<p>&#8211; n&atilde;o h&aacute; dom&iacute;nio da l&iacute;ngua do pa&iacute;s de destino o que dificulta a integra&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>&#8211; dificuldade em fazer frente ao n&iacute;vel de vida que se encontra nos pa&iacute;ses de destino (rendas de casa elevadas, por exemplo) mesmo para os que est&atilde;o empregados;<\/p>\n<p>&#8211; diminui&ccedil;&atilde;o de oferta de trabalho nos pa&iacute;ses de acolhimento e, quase sempre, abaixo das qualifica&ccedil;&otilde;es dos emigrantes hoje mais jovens e com mais qualifica&ccedil;&otilde;es;<\/p>\n<p>&#8211; os emigrantes sente-se ressentidos com o pa&iacute;s de origem e evitam o regresso principalmente quando n&atilde;o atingiram os objetivos pretendidos;<\/p>\n<p>&nbsp;Estes problemas t&ecirc;m levado ao aumento, principalmente, nos &uacute;ltimos meses, do registo de casos de pobreza entre os portugueses que vivem em pa&iacute;ses europeus. Luxemburgo, Su&iacute;&ccedil;a e Reino Unido registam alguns casos de sem abrigo ou de recurso aos abrigos sociais. No caso particular do Luxemburgo foram relatados casos de emigrantes a viver em carros ou em contentores, no local de trabalho. O mesmo acontece na Su&iacute;&ccedil;a onde existem v&aacute;rios casos de jovens e mesmo fam&iacute;lias a viver sem condi&ccedil;&otilde;es dependendo da rede familiar. Apesar disso a solidariedade familiar deteriora-se quando as estadias se tornam perlongadas.<\/p>\n<p>Verifica-se que as comunidades paroquiais e associa&ccedil;&otilde;es de emigrantes continuam a ser os elos de liga&ccedil;&atilde;o e de confian&ccedil;a. S&atilde;o elas quem melhor conhece as dificuldades vividas pelos emigrantes: quem s&atilde;o, onde vivem e em que situa&ccedil;&atilde;o. Sabe-se que muitos dos casos mais dram&aacute;ticos est&atilde;o envolvidos em sil&ecirc;ncio e o desafio &eacute; conhec&ecirc;-los e ajud&aacute;-los. Assim, deste encontro resultam as seguintes propostas:<\/p>\n<p>&#8211; agilizar as inst&acirc;ncias de comunica&ccedil;&atilde;o no terreno entre a C&aacute;ritas e as Capelanias para que se conhe&ccedil;a a realidade e possam trabalhar elaborar estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o comuns. Deve ser feita uma partilha de informa&ccedil;&atilde;o entre as inst&acirc;ncias locais, nomeadamente, atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o de material de divulga&ccedil;&atilde;o a ser entregue aos emigrantes.<\/p>\n<p>&#8211; criar formas de partilha de bens entre as comunidades uma vez que se verifica que h&aacute; pa&iacute;ses onde as comunidades emigrantes est&atilde;o integradas e poder&atilde;o ter capacidade de apoiar outras com mais dificuldades;<\/p>\n<p>&#8211; melhorar a estrutura das Miss&otilde;es Cat&oacute;licas nomeadamente pela integra&ccedil;&atilde;o nas equipas de Assistentes Sociais;<\/p>\n<p>&#8211; cria&ccedil;&atilde;o de escolas para a aprendizagem da l&iacute;ngua do pa&iacute;s de acolhimento ;<\/p>\n<p>&#8211; desafiar as fam&iacute;lias cat&oacute;licas locais a serem &ldquo;antenas de proximidade&rdquo; responsabilizando-se pelo acolhimento e acompanhamento de novos emigrantes;<\/p>\n<p>&#8211; solicitar &agrave;s dioceses locais a ced&ecirc;ncia de espa&ccedil;os f&iacute;sicos que possam ser utilizados para o atendimento direto a emigrantes;<\/p>\n<p>&#8211; que se expanda a visibilidade dos Gabinetes de Apoio ao Emigrante, adaptando a forma&ccedil;&atilde;o de quem est&aacute; respons&aacute;vel pelo seu funcionamento e que trabalhem em rede com outros servi&ccedil;os locais envolvidos nas problem&aacute;ticas migrat&oacute;rias. Sugere-se a exist&ecirc;ncia destes Gabinetes nas Lojas do Cidad&atilde;o;<\/p>\n<p>-fazer uma avalia&ccedil;&atilde;o anual da evolu&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o dos emigrantes no Encontro dos Coordenadores das Miss&otilde;es Cat&oacute;licas na Europa;<\/p>\n<p>A precariedade que os novos emigrantes encontram nos pa&iacute;ses de destino leva a deixar o alerta para que o direito &agrave; emigra&ccedil;&atilde;o seja uma efetivamente uma realidade mas sempre acautelando as condi&ccedil;&otilde;es em que essa emigra&ccedil;&atilde;o &eacute; feita. Nenhum cidad&atilde;o portugu&ecirc;s deve sair do pa&iacute;s sem que lhe sejam facultadas todas as informa&ccedil;&otilde;es sobre o pa&iacute;s de destino.<\/p>\n<p><em>Lisboa, Semin&aacute;rio de Nossa Senhora de F&aacute;tima<br \/><\/em><em>18 e 19 de abril de 2012<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No &acirc;mbito do atual contexto econ&oacute;mico e social, a Obra Cat&oacute;lica Portuguesa das Migra&ccedil;&otilde;es e a C&aacute;ritas Portuguesa promoveram o encontro entre os principais intervenientes junto das comunidades portuguesas emigrantes na Europa. 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