{"id":56215,"date":"2012-04-19T15:01:00","date_gmt":"2012-04-19T15:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/19\/unidade-da-europa-um-projeto-de-civilizacao\/"},"modified":"2012-04-19T15:01:00","modified_gmt":"2012-04-19T15:01:00","slug":"unidade-da-europa-um-projeto-de-civilizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/unidade-da-europa-um-projeto-de-civilizacao\/","title":{"rendered":"Unidade da Europa, um Projeto de Civiliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa <!--more--> <\/p>\n<p>1. O momento que Portugal est&aacute; a viver, de ajustamento econ&oacute;mico-financeiro, que acarreta dificuldades a muitos cidad&atilde;os, &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o cuja g&eacute;nese e solu&ccedil;&atilde;o se enquadra no contexto da Uni&atilde;o Europeia, da qual Portugal faz parte. A atual crise &eacute; mundial mas &eacute;, particularmente, um problema da Uni&atilde;o Europeia e, de um modo espec&iacute;fico, dos pa&iacute;ses que aderiram &agrave; moeda &uacute;nica europeia. Isso torna normal e compreens&iacute;vel que algumas vozes de coment&aacute;rio &agrave;s solu&ccedil;&otilde;es adotadas para resolver a crise sugiram a sa&iacute;da da Uni&atilde;o Europeia e da moeda &uacute;nica.<\/p>\n<p>Nesta Nota Pastoral pretendemos ajudar a refletir sobre o sentido e a import&acirc;ncia da nossa perten&ccedil;a &agrave; Uni&atilde;o Europeia. Sempre, mas particularmente em momentos como este, os fi&eacute;is crist&atilde;os precisam de ter uma compreens&atilde;o aprofundada do enquadramento institucional da nossa p&aacute;tria e da nossa vida coletiva. Devemos estar em sintonia com a posi&ccedil;&atilde;o da Santa S&eacute; e do Santo Padre, que ainda recentemente afirmou: &ldquo;A Santa S&eacute; segue com respeito e grande aten&ccedil;&atilde;o a atividade das institui&ccedil;&otilde;es europeias, desejando que estas, pelo seu trabalho e a sua criatividade honrem a Europa que, mais que um Continente, &eacute; uma &laquo;casa espiritual&raquo;. A Igreja deseja acompanhar a constru&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia. &Eacute; por isso que se permite lembrar-lhe quais s&atilde;o os valores fundadores e constitutivos da sociedade europeia, a fim de que esses valores possam ser promovidos para o bem de todos&rdquo; (1).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uni&atilde;o Europeia e Globaliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>2. A humanidade constitui, toda ela, uma &uacute;nica fam&iacute;lia humana. Do mesmo modo que as pessoas individuais precisam de se inserir numa comunidade para realizarem a sua vida, assim as diversas comunidades de povos e na&ccedil;&otilde;es precisam de convergir para o bem da humanidade, solidamente assente na busca da justi&ccedil;a e na constru&ccedil;&atilde;o da paz. Este dinamismo n&atilde;o &eacute; novo, mas acentuou-se com o acelerar da hist&oacute;ria. Logo a seguir &agrave; Segunda Guerra Mundial, a comunidade internacional tomou consci&ecirc;ncia de que, para o futuro, s&oacute; seria poss&iacute;vel construir e defender a paz se se constru&iacute;sse uma comunidade de na&ccedil;&otilde;es. Nasceu, ent&atilde;o, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). Outras iniciativas de unidade das na&ccedil;&otilde;es foram surgindo, por regi&otilde;es, culturas, hist&oacute;ria comum. N&atilde;o &eacute; aqui o lugar de as enumerar. Mas &eacute; talvez &uacute;til lembrar algumas daquelas a que Portugal pertence. Integra praticamente todas as que derivam do dinamismo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Esteve na g&eacute;nese da Comunidade dos Povos de Express&atilde;o Oficial Portuguesa e participa nas cimeiras ibero-americanas. Isto torna claro que nunca, mas sobretudo agora, Portugal pode tentar construir-se sozinho; a sua participa&ccedil;&atilde;o e contribui&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica e culturalmente rica em dinamismos de comunidade alargada s&atilde;o necess&aacute;rias e inevit&aacute;veis. Isso significa partilha correspons&aacute;vel num destino coletivo mais alargado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um velho sonho europeu: a &ldquo;utopia&rdquo; da Uni&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>3. A Europa foi sempre um Continente de charneira para a constru&ccedil;&atilde;o da humanidade. &ldquo;Do Atl&acirc;ntico aos Urais&rdquo;, se definiu geograficamente. Estas duas fronteiras revelaram-se portas abertas ao contacto com o resto do mundo. Primeiramente, em &eacute;pocas recuadas, foram os povos do oriente que a procuraram em migra&ccedil;&otilde;es sucessivas. O indo-europeu n&atilde;o se afirma, apenas, na ancestralidade de muitas l&iacute;nguas europeias, mas no caldear da fisionomia &eacute;tnica dos povos europeus. Por sua vez o Atl&acirc;ntico foi a porta escancarada a desafiar os povos europeus a empreenderem a aventura de contacto com outros povos.<\/p>\n<p>&Agrave; medida que o mundo se lhes vai revelando na sua real dimens&atilde;o, os povos europeus precisam de redescobrir as suas ra&iacute;zes comuns, que determinam a sua identidade, para poderem colaborar e unir-se, tarefa dif&iacute;cil e sempre atual, devido &agrave; multiplicidade &eacute;tnica, lingu&iacute;stica e cultural. Essa uni&atilde;o foi muitas vezes procurada pela din&acirc;mica dos grandes imp&eacute;rios, que tentaram unir, dominando, desde o Imp&eacute;rio Romano ao dom&iacute;nio sovi&eacute;tico. Mas a Europa foi percebendo, dramaticamente, que s&oacute; vale a pena unir-se, respeitando, fazendo do progresso e da paz uma experi&ecirc;ncia de conviv&ecirc;ncia, generosa e respons&aacute;vel.<\/p>\n<p>Cada tentativa de uni&atilde;o deixou, como legado para o futuro, uma compreens&atilde;o cultural da Europa, que se vai purificando com o avan&ccedil;ar da Hist&oacute;ria. Um elemento decisivo para a uni&atilde;o da Europa foi a sua evangeliza&ccedil;&atilde;o. Esta criou la&ccedil;os comuns entre povos de tradi&ccedil;&atilde;o cultural muito diversa, acentuando as express&otilde;es da mesma f&eacute;, unindo num &uacute;nico corpo o Oriente e o Ocidente, dando origem a um &uacute;nico corpo que respira com dois pulm&otilde;es, na express&atilde;o de Jo&atilde;o Paulo II. A evangeliza&ccedil;&atilde;o lan&ccedil;ou as bases de uma cultura, ve&iacute;culo de valores e dimens&otilde;es &eacute;ticas que devem ser o alicerce de uma aut&ecirc;ntica Uni&atilde;o Europeia. Os agentes desta evangeliza&ccedil;&atilde;o, de modo particular os monges beneditinos, os da tradi&ccedil;&atilde;o de S. Patr&iacute;cio, os evangelizadores dos povos eslavos e outros, foram igualmente agentes da preserva&ccedil;&atilde;o do essencial da cultura cl&aacute;ssica greco-romana, elemento integrante da cultura europeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um projeto cultural<\/strong><\/p>\n<p>4. Do ponto de vista cultural, a Uni&atilde;o Europeia apresenta-se como &ldquo;zona de paz e de estabilidade que re&uacute;ne 27 Estados com os mesmos valores fundamentais&rdquo; (2). Respondendo a esta sauda&ccedil;&atilde;o do chefe da delega&ccedil;&atilde;o das Comunidades Europeias Junto da Santa S&eacute;, Bento XVI responde: &ldquo;&Eacute; justo sublinhar que a Uni&atilde;o Europeia n&atilde;o se dotou destes valores, mas que foram, antes, estes valores partilhados que a fizeram nascer e foram como que a for&ccedil;a de gravita&ccedil;&atilde;o que atraiu para o n&uacute;cleo dos pa&iacute;ses fundadores as diferentes na&ccedil;&otilde;es que sucessivamente aderiram &agrave; Uni&atilde;o. Estes valores s&atilde;o fruto de uma longa e sinuosa hist&oacute;ria na qual, ningu&eacute;m ter&aacute; a coragem de o negar, o cristianismo exerceu um papel de primeiro plano&rdquo; (3).<\/p>\n<p>O Santo Padre enumera esses valores de inspira&ccedil;&atilde;o crist&atilde; que identificam a cultura europeia: &ldquo;A igual dignidade de todos os seres humanos, a liberdade do ato de f&eacute; como raiz de todas as outras liberdades c&iacute;vicas, a paz como elemento decisivo do bem-comum, o desenvolvimento humano, intelectual, social e econ&oacute;mico enquanto voca&ccedil;&atilde;o divina e o sentido da Hist&oacute;ria que da&iacute; decorre, s&atilde;o elementos centrais da revela&ccedil;&atilde;o crist&atilde; que continuam a modelar a civiliza&ccedil;&atilde;o europeia (&hellip;). Estes valores n&atilde;o constituem um agregado an&aacute;rquico ou aleat&oacute;rio, mas formam um conjunto coerente que se ordena e articula, historicamente, a partir de uma vis&atilde;o antropol&oacute;gica precisa&rdquo;. E conclui: &ldquo;&Eacute; importante que a Europa n&atilde;o deixe que o seu modelo de civiliza&ccedil;&atilde;o se desfa&ccedil;a, pe&ccedil;a a pe&ccedil;a. O seu <em>&eacute;lan<\/em> original n&atilde;o pode ser abafado pelo individualismo e pelo utilitarismo&rdquo; (4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Uni&atilde;o Europeia<\/strong><\/p>\n<p>5. Uni&atilde;o Europeia &eacute; a &uacute;ltima designa&ccedil;&atilde;o do projeto de unidade europeia, surgido depois da &uacute;ltima guerra, intui&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses mais destru&iacute;dos pela guerra de que s&oacute; unidos poderiam renascer das cinzas. Nasce como um projeto setorial de cariz econ&oacute;mico, porque a principal intui&ccedil;&atilde;o &eacute; a da converg&ecirc;ncia das economias. Mas a identidade cultural da Europa &eacute; tida em conta pelos primeiros promotores desta nova etapa de unidade. Para eles era claro que sem a sua identidade cultural este projeto europeu n&atilde;o subsistiria. Homens pol&iacute;ticos pertencentes &agrave;s democracias crist&atilde;s europeias, eram sens&iacute;veis a esta matriz crist&atilde; da cultura europeia, o que os levava a prestar aten&ccedil;&atilde;o aos ensinamentos da Igreja sobre a sociedade. Mas mesmo aqueles que, partidariamente, seguiam a inspira&ccedil;&atilde;o social-democrata eram sens&iacute;veis a estes valores: na economia defendiam uma &ldquo;economia social&rdquo;, procurando o justo equil&iacute;brio entre a efici&ecirc;ncia econ&oacute;mica e as exig&ecirc;ncias sociais.<\/p>\n<p>Este equil&iacute;brio foi-se quebrando com a pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o das mentalidades europeias. A dimens&atilde;o econ&oacute;mica tende a prevalecer sobre a identidade cultural; a matriz crist&atilde; da cultura europeia &eacute; posta em quest&atilde;o e chega-se mesmo a afirmar que n&atilde;o h&aacute; uma cultura europeia, esquecendo que sem base cultural n&atilde;o haver&aacute; economia de rosto humano que subsista. Quando num momento de crise econ&oacute;mico-financeira se afirma que &eacute; prefer&iacute;vel sair da Uni&atilde;o Europeia, &eacute; cair no economicismo puro e duro, sem a componente que h&aacute; de humanizar a pr&oacute;pria solu&ccedil;&atilde;o da crise. Renunciando &agrave; cultura acaba por se abandonar o modelo de economia social de mercado que &eacute; profundamente identificador da economia europeia e de toda a organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. &Eacute; esta identidade cultural, enraizada na sua hist&oacute;ria, que h&aacute; de permitir &agrave; Europa encontrar o seu papel no mundo global, aspeto que pode ser seriamente amea&ccedil;ado por vis&otilde;es economicistas da presente crise. Jo&atilde;o Paulo II lembrou, v&aacute;rias vezes, que h&aacute; uma voca&ccedil;&atilde;o europeia que a leva a desenvolver &ldquo;a dimens&atilde;o de universalidade, a p&ocirc;r em comum tradi&ccedil;&otilde;es culturais diferentes para dar vida a um humanismo, em que o respeito dos direitos, a solidariedade, a criatividade, permitam a cada homem realizar as suas aspira&ccedil;&otilde;es mais nobres&rdquo; (5). Isso exige que a Europa &ldquo;se torne, sempre mais, uma Europa dos homens e dos povos, na qual os direitos fundamentais da pessoa humana e dos povos sejam reconhecidos e reciprocamente respeitados, identificando os mais adequados meios internacionais que os possam garantir&rdquo; (6).<\/p>\n<p>Este objetivo constitui sempre um desafio enorme para os promotores e defensores da Uni&atilde;o Europeia, mas no momento presente esse desafio &eacute; ainda mais exigente. &ldquo;Frente ao grande desafio da globaliza&ccedil;&atilde;o dos mercados &eacute; necess&aacute;rio e urgente criar um espa&ccedil;o global europeu de liberdade, de justi&ccedil;a e de paz, ocupando o lugar dessa ilha de bem-estar ocidental do continente. &Eacute; preciso ir mais longe e empenhar-se na supera&ccedil;&atilde;o da globaliza&ccedil;&atilde;o na pobreza e na mis&eacute;ria para chegar a uma globaliza&ccedil;&atilde;o na solidariedade que envolva todos os povos, particularmente os que est&atilde;o em vias de desenvolvimento&rdquo; (7).<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Igreja e a Uni&atilde;o Europeia<\/strong><\/p>\n<p>7. J&aacute; cit&aacute;mos Bento XVI a afirmar que a Igreja quer acompanhar, dando o seu contributo, esta nova aventura hist&oacute;rica de busca da unidade europeia. Foi assim desde o in&iacute;cio: a Igreja quis participar sem, no entanto, se identificar. Mesmo quando o n&uacute;mero dos Estados que aderiram &agrave; Uni&atilde;o era uma parcela dos Estados Europeus, sobretudo os ocidentais, a Igreja quis participar, consciente do papel hist&oacute;rico da sua mensagem para a identidade da Europa. Denunciou, por vezes, a import&acirc;ncia demasiada da componente econ&oacute;mica em desfavor da identidade cultural e recusou-se a identificar a Europa com os pa&iacute;ses aderentes &agrave; Comunidade Econ&oacute;mica Europeia, defendendo a Europa do Atl&acirc;ntico aos Urais, na converg&ecirc;ncia das duas tradi&ccedil;&otilde;es do Oriente e do Ocidente. Com o aumento sucessivo dos pa&iacute;ses que aderiram &agrave; Uni&atilde;o, a coincid&ecirc;ncia entre Uni&atilde;o Europeia e Europa &eacute;, hoje maior, embora n&atilde;o total. E a Igreja, na sua vis&atilde;o de Europa, e no contributo que as diversas Igrejas d&atilde;o &agrave; sua identidade, n&atilde;o pode deixar de fora os Povos e Na&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o aderiram &agrave; Uni&atilde;o Europeia. Eles fazem parte do espa&ccedil;o onde hoje se caldeia o contributo espec&iacute;fico da Igreja: rela&ccedil;&atilde;o entre f&eacute; crist&atilde; e a no&ccedil;&atilde;o de pessoa humana, ecumenismo como busca espec&iacute;fica da unidade, solidariedade entre as Igrejas e n&atilde;o apenas entre os pa&iacute;ses da Uni&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>8. Por quanto acab&aacute;mos de afirmar, fica claro que a Igreja deseja que este momento que atravessamos n&atilde;o nos leve a abandonar esta etapa constitutiva da busca da unidade europeia. A Europa unida &eacute;, cada vez mais, o quadro do crescimento das Igrejas e do seu contributo para a sociedade como um todo. &Eacute; preciso aprofundar aqueles valores da identidade cultural europeia, cultivar um sentido de cidadania europeia, que inclua a solidariedade com os problemas de cada povo. N&atilde;o se pertence &agrave; Uni&atilde;o Europeia s&oacute; para auferir vantagens e defender interesses, mas para contribuir solidariamente para o &ldquo;bem comum&rdquo; desta grande comunidade de na&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A Uni&atilde;o Europeia tem as suas origens no Tratado de Roma, perante os efeitos devastadores da guerra. A Uni&atilde;o continua a ser um instrumento e um meio para construir a paz. &Eacute; miss&atilde;o da Europa unida preservar a paz, edificar a paz. O Magist&eacute;rio de Jo&atilde;o Paulo II insiste continuamente nesta miss&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia, na mem&oacute;ria do drama da Segunda Guerra Mundial e frente a conflitos localizados que foram deflagrando na Europa, fora das fronteiras da Uni&atilde;o. Tendo como pano de fundo a guerra na ex-Jugosl&aacute;via, afirma categoricamente: &ldquo;&Eacute;, para a Europa, um dever de consci&ecirc;ncia denunciar sem equ&iacute;vocos as atrocidades que est&atilde;o, atualmente, a ser perpetradas t&atilde;o perto de n&oacute;s e ferem popula&ccedil;&otilde;es sem defesa. &Eacute; um dever denunci&aacute;-las, seja quem for o seu autor. A Europa deve p&ocirc;r fim a este conflito e mostrar a sua capacidade de assegurar a todos os povos do Continente as condi&ccedil;&otilde;es para um livre desenvolvimento, digno da sua Hist&oacute;ria e das suas tradi&ccedil;&otilde;es&rdquo; (8).<\/p>\n<p>Esta perspetiva de Jo&atilde;o Paulo II tem grande atualidade. Acreditamos que estas considera&ccedil;&otilde;es s&atilde;o essencialmente compartilhadas pelo humanismo europeu em geral e, de modo particular, pelos crentes de outras religi&otilde;es presentes na hist&oacute;ria e na atualidade do nosso Continente. Se queremos vencer as crises na paz, fa&ccedil;amo-lo em conjunto, considerando os outros povos e na&ccedil;&otilde;es como irm&atilde;os e companheiros de aventura.<\/p>\n<p>F&aacute;tima, 19 de abril de 2012<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>1 &#8211; Bento XVI, in <em>Insegnamenti<\/em>, vol. 2, pp. 400-401.<\/p>\n<p>2 &#8211; Do discurso do novo Embaixador da Uni&atilde;o Europeia, saudando o Santo Padre, cf. <em>Ibidem<\/em>, p. 399.<\/p>\n<p><em>3 &#8211; Ibidem<\/em>, p. 399.<\/p>\n<p><em>4 &#8211; Ibidem<\/em>.<\/p>\n<p>5 &#8211; Jo&atilde;o Paulo II, in <em>Profezia per l&rsquo;Europa<\/em>, p. 9.<\/p>\n<p>6 &#8211; <em>Ibidem<\/em>, p. 11.<\/p>\n<p>7 &#8211; <em>Ibidem<\/em>, p. 13.<\/p>\n<p>8 &#8211; <em>Ibidem<\/em>, p. 15.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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