{"id":56175,"date":"2012-04-17T11:22:35","date_gmt":"2012-04-17T11:22:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/17\/movimento-fe-e-luz-40-anos-junto-das-pessoas-com-deficiencia\/"},"modified":"2012-04-17T11:22:35","modified_gmt":"2012-04-17T11:22:35","slug":"movimento-fe-e-luz-40-anos-junto-das-pessoas-com-deficiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/movimento-fe-e-luz-40-anos-junto-das-pessoas-com-deficiencia\/","title":{"rendered":"Movimento F\u00e9 e Luz, 40 anos junto das pessoas com defici\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Alice Caldeira Cabral, coordenadora nacional <!--more--> <\/p>\n<p>A fundadora do Movimento F&eacute; e Luz, Marie H&eacute;l&egrave;ne Mathieu acaba de escrever um livro com a hist&oacute;ria destes 40 anos de vida dum Movimento. Intitulou-o &ldquo;Plus jamais seuls&rdquo; &#8211; &ldquo;Nunca mais s&oacute;s&rdquo;.<\/p>\n<p>De facto, nasceu duma experi&ecirc;ncia dolorosa e de grande isolamento social e tamb&eacute;m eclesial duma fam&iacute;lia com dois filhos com uma defici&ecirc;ncia profunda.<\/p>\n<p>40 anos depois pode dizer-se que houve algum progresso: as crian&ccedil;as com defici&ecirc;ncia est&atilde;o nas escolas p&uacute;blicas e, muitas delas, enquanto s&atilde;o pequenas t&ecirc;m um c&iacute;rculo de rela&ccedil;&otilde;es fora da fam&iacute;lia. Quando crescem a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais dif&iacute;cil e a sua participa&ccedil;&atilde;o ativa na sociedade e na Igreja poucas vezes &eacute; incentivada. Aquelas que t&ecirc;m defici&ecirc;ncias mais profundas continuam a estar muito isoladas. Nas grandes cidades h&aacute; um isolamento ainda maior do que nas pequenas.<\/p>\n<p>Muitos s&atilde;o os pais que oscilam entre dois tipos de rea&ccedil;&otilde;es: ou se isolam ou lutam e s&atilde;o considerados contest&aacute;rios, inc&oacute;modos. &Eacute; claro, que h&aacute; pessoas que conseguem uma situa&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio, pois, de qualquer modo as necessidades das pessoas com defici&ecirc;ncia s&atilde;o muito diversas e as personalidades dos seus pais e dos seus irm&atilde;os tamb&eacute;m.<\/p>\n<p>A aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s necessidades dos irm&atilde;os &eacute; muito reduzida no nosso pa&iacute;s em que as atua&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas s&atilde;o, em geral, muito centradas nos problemas de sa&uacute;de org&acirc;nica ou mental e raramente s&atilde;o feitas abordagens sist&eacute;micas, que prestam aten&ccedil;&atilde;o &agrave; forma como a fam&iacute;lia, como um todo, lida com as situa&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o surgindo e as necessidades que v&atilde;o evoluindo com o ciclo de vida. Deste modo a fam&iacute;lia, embora contando com apoios que antes n&atilde;o existiam, sente-se sozinha e muitas vezes impotente para lidar com as necessidades particulares que tem que enfrentar.<\/p>\n<p>Em Portugal, como noutros pa&iacute;ses, instalou-se um clima social em que se tornou evidente que a dete&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-natal da defici&ecirc;ncia duma crian&ccedil;a, deve implicar a realiza&ccedil;&atilde;o dum aborto, como medida de preven&ccedil;&atilde;o da defici&ecirc;ncia. Isto tem sido alimentado por discuss&otilde;es e decis&otilde;es jur&iacute;dicas que aceitam responsabilizar os m&eacute;dicos e indemnizar as fam&iacute;lias por se ter deixado nascer uma pessoa com defici&ecirc;ncia. Isto significa que &eacute; socialmente sancionada a redu&ccedil;&atilde;o daquela pessoa &agrave; sua defici&ecirc;ncia n&atilde;o nos questionando sobre se aquele nascituro pode ser a alegria dos seus pais e do seu meio, apesar de n&atilde;o ter bra&ccedil;os, pernas ou ter uma les&atilde;o cerebral.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m se usam express&otilde;es eufem&iacute;sticas sob pretexto de que falar de defici&ecirc;ncias &eacute; estigmatizar. De v&aacute;rias formas evita-se olhar para o problema na sua dimens&atilde;o social e isolam-se as pessoas afetadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como &eacute; que o Movimento &eacute; e Luz responde a estas quest&otilde;es?<\/strong><\/p>\n<p>Numa sociedade que tem tanto medo das diferen&ccedil;as e exclui com tanta facilidade os menos &ldquo;capazes&rdquo; de produzir e de competir, o F&eacute; e Luz, constituindo pequenas comunidades de encontro de dimens&atilde;o humana, pretende criar la&ccedil;os de amizade baseados na alegria de descobrir e valorizar os dons e o valor &uacute;nico de cada um dos seus membros: aqueles que t&ecirc;m uma defici&ecirc;ncia intelectual, os seus pais, irm&atilde;os e amigos.<\/p>\n<p>&nbsp;Este movimento caracteriza-se &ldquo;por n&atilde;o fazer nada&rdquo;J&hellip; N&atilde;o temos respostas assistenciais. Pretendemos apenas criar em torno da pessoa com defici&ecirc;ncia intelectual e da sua fam&iacute;lia uma rede de amizade tecida nos encontros mensais onde refletimos sobre a Palavra de Deus, procurando usar outras linguagens e n&atilde;o s&oacute; a linguagem verbal (por exemplo atrav&eacute;s de m&iacute;micas); cantamos, rezamos e fazemos a festa. No intervalo entre encontros mensais, os jovens (de idade ou de esp&iacute;rito) e os membros, duma maneira geral, procuram ter not&iacute;cias uns dos outros e encontrar-se para momentos de interajuda ou de lazer. E acreditem que as pessoas com defici&ecirc;ncia n&atilde;o s&atilde;o dos mais passivos nestas intera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Procuramos que cada um frequente a sua Igreja (o movimento &eacute; ecum&eacute;nico &ndash; em Portugal, at&eacute; &agrave; data, todas as comunidades est&atilde;o inseridas em par&oacute;quias cat&oacute;licas), mas muitas comunidades s&atilde;o interparoquiais. Procuramos que cada um, al&eacute;m de frequentar, tenha um papel ativo: possa participar nos grupos de catequese, acolitar, etc., assuma a miss&atilde;o que a par&oacute;quia lhe queira dar. Na minha par&oacute;quia, o <em>M&aacute;rio<\/em> faz parte da equipa do acolhimento &agrave; entrada da Igreja e f&aacute;-lo muito bem e com responsabilidade.<\/p>\n<p>As fam&iacute;lias, al&eacute;m desta rede de amizade e interajuda, podem descobrir melhor o tesouro que &eacute; aquele nosso\/a filho\/a, ou irm&atilde;o\/&atilde;, atrav&eacute;s dos olhos dos outros que se tornam amigos dele\/a. O aprofundamento da f&eacute; e da ora&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m s&atilde;o fonte de descoberta, tal como a festa, a participa&ccedil;&atilde;o nos campos de f&eacute;rias, as atividades,&nbsp; enfim, o exerc&iacute;cio de responsabilidades compat&iacute;veis.<\/p>\n<p>Assim estes familiares deixam de estar s&oacute;s com as suas dificuldades quotidianas. Os irm&atilde;os, podem reconhecer que aquele irm&atilde;o\/&atilde;, mesmo se perturba a sua vida e muitas vezes absorve os pais em detrimento da aten&ccedil;&atilde;o de que carecem, tamb&eacute;m estimula &agrave; sua volta um mundo de ternura e de fidelidade importante para si pr&oacute;prios.<\/p>\n<p>Os amigos jovens descobrem tamb&eacute;m, como dizia o <em>Gon&ccedil;alo<\/em>: <em>&ldquo;O primeiro encontro foi para mim muito dif&iacute;cil porque vi como toda a minha intelig&ecirc;ncia, toda a minha cultura, de nada me serviram quando confrontado com um &ldquo;amigo especial&rdquo;. Percebi que este amigo se encontrava muito mais dispon&iacute;vel e acolhedor em rela&ccedil;&atilde;o aos outros do que eu. &Agrave; medida que me fui relacionando com os &ldquo;amigos especiais&rdquo;, fui aprendendo, tendo-os como professores, a abrir-me interiormente e a tornar-me mais pobre e mais simples. F&eacute; e Luz tem-me ajudado assim, a encontrar aquela sensibilidade perdida h&aacute; muito por causa do ego&iacute;smo.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>Aos sacerdotes, F&eacute; e Luz oferece a oportunidade de redescobrir, duma maneira nova, o cora&ccedil;&atilde;o da mensagem do Evangelho: a boa nova de Jesus Cristo anunciada aos pobres e aos pequenos. A partir da&iacute; podem encontrar uma fonte de renova&ccedil;&atilde;o para o seu minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>Por &uacute;ltimo, h&aacute; um aspeto muito importante para mim: a comunidade &eacute; uma unidade mediadora. Entrar numa Igreja com o meu filho era uma aventura dif&iacute;cil: com autismo e uma defici&ecirc;ncia intelectual profunda, ele n&atilde;o s&oacute;, n&atilde;o parava quieto, mas, quando ficava contente, dava gritos que assustavam as pessoas. O facto de aparecer em comunidade nas celebra&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas, fazia com que os paroquianos aprendessem, com a comunidade F&eacute; e Luz, o modo de lidar com ele, o significado dos seus comportamentos e aprendessem a gostar dele como ele era. E podem crer que aprenderam e gostavam mesmo! E a sua presen&ccedil;a era importante para todos e hoje sentem a sua falta. Importante em qu&ecirc; e para qu&ecirc;? N&atilde;o sei, mas dele posso dizer que era pela ternura que suscitava e pela alegria que irradiava. Na minha par&oacute;quia, o P&aacute;roco diz que muitas pessoas v&ecirc;m de prop&oacute;sito &agrave; missa nos dias que&nbsp; o F&eacute; e Luz est&aacute; presente. Penso que &eacute; isto que fazemos para a inclus&atilde;o destas pessoas e fam&iacute;lias na vida da Igreja.<\/p>\n<p>Uma outra preocupa&ccedil;&atilde;o que temos &eacute; com a necessidade que temos de aprender a escutar-nos uns aos outros e promover a express&atilde;o de todos. Em particular, nas pessoas com limita&ccedil;&otilde;es ao n&iacute;vel da express&atilde;o verbal que &agrave;s vezes se situa mais ao n&iacute;vel da articula&ccedil;&atilde;o das palavras, aprender a escutar o que t&ecirc;m para dizer. E acreditem que vale a pena. Eles v&atilde;o muitas vezes diretos ao essencial e, com palavras simples, percebemos que nos trazem ao que &eacute; importante. Mas tamb&eacute;m h&aacute; pouco tempo, dizia-me uma m&atilde;e: uma das coisas que tenho aprendido em F&eacute; e Luz &eacute; exprimir o que sinto e que isso pode ter valor para os outros.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Implanta&ccedil;&atilde;o do Movimento em Portugal<\/strong><\/p>\n<p>Presentemente existem 11 comunidades ativas. Na Diocese do Porto: Par&oacute;quia de N&ordf;. Sr&ordf; da Ajuda (Pasteleira), Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o (Marqu&ecirc;s), de Cristo Rei na cidade do Porto e uma na par&oacute;quia da Senhora da Hora. Na Maia existe uma comunidade em S. Rom&atilde;o de Vermoim; em Vila Boa de Quires (Paredes), Santa Maria de Arrifana (Vila da Feira). Na Diocese de Braga h&aacute; uma comunidade em forma&ccedil;&atilde;o em Vila do Conde. Na Diocese de Lisboa h&aacute; duas comunidades: S. Jorge de Arroios, em&nbsp; Lisboa e S. Jos&eacute; de Nazar&eacute;, no Catujal. Na Arquidiocese de &Eacute;vora, h&aacute; uma na Par&oacute;quia de N&ordf;. Sr&ordf;. de F&aacute;tima, em &Eacute;vora.<\/p>\n<p>Tem sido dif&iacute;cil mobilizar as fam&iacute;lias, mas &eacute; uma prioridade atualmente a de fazer crescer este movimento, que se insere na nova evangeliza&ccedil;&atilde;o e constitui um desafio de convers&atilde;o\/renova&ccedil;&atilde;o para todos\/as. Que se venham a constituir comunidades em mais tr&ecirc;s dioceses, pelo menos, &eacute; uma meta para o corrente tri&eacute;nio.<\/p>\n<p><strong>Celebra&ccedil;&atilde;o do 40.&ordm; anivers&aacute;rio<\/strong><\/p>\n<p>Depois da primeira peregrina&ccedil;&atilde;o de 1971, realizaram-se v&aacute;rias peregrina&ccedil;&otilde;es mundiais:<\/p>\n<p>A&nbsp; Peregrina&ccedil;&atilde;o a Roma em 1975 respondendo ao convite do Papa Paulo VI que convidou para um Ano Santo da Reconcilia&ccedil;&atilde;o. Esta peregrina&ccedil;&atilde;o reuniu cerca de 6 mil pessoas vindas de v&aacute;rios pa&iacute;ses da Europa, mas tamb&eacute;m das Am&eacute;ricas: Argentina, Canad&aacute; e Estados Unidos.<\/p>\n<p>Posteriormente a Lourdes de dez em dez anos: em 1981, 1991 e 2001 reunindo sempre mais pessoas de mais pa&iacute;ses e de mais Igrejas crist&atilde;s diversas.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o a 2011 tornou-se imperativo ponderar se o movimento, que tem uma estrutura muito reduzida, dedicada em exclusividade ao seu servi&ccedil;o, teria capacidade&nbsp; para realizar uma peregrina&ccedil;&atilde;o mundial em Lourdes, como as anteriores. De facto, F&eacute; e Luz tem-se desenvolvido muito em pa&iacute;ses muito pobres e as fontes de receita s&atilde;o muito diminutas, pelo que, do ponto de vista financeiro, se tornava dif&iacute;cil um projeto desta natureza. Assim a op&ccedil;&atilde;o foi que se iriam realizar &agrave; volta do mundo peregrina&ccedil;&otilde;es durante o ano de 2011 e 2012. Todas com o lema <strong>&ldquo;Mensageiros da Alegria&rdquo;. <\/strong><\/p>\n<p>J&aacute; se realizaram muitas, desde o Jap&atilde;o, no rescaldo do tremor de terra, &agrave; Peregrina&ccedil;&atilde;o no Egito, a primeira que estava prevista para o in&iacute;cio de fevereiro de 2011. Ela teve que ser adiada pela <em>Revolu&ccedil;&atilde;o dos jovens <\/em>que entretanto eclodiu no pa&iacute;s, mas em novembro realizou-se com imenso entusiasmo e alegria! No Sud&atilde;o, na Mal&aacute;sia, em Madag&aacute;scar e, &eacute; claro, v&aacute;rias em Lourdes, na B&eacute;lgica e noutros locais que seria fastidioso enumerar. &Eacute; mesmo uma corrente pelo mundo fora.<\/p>\n<p>Portugal foi convidado a enviar uma delega&ccedil;&atilde;o a Lourdes, na P&aacute;scoa do ano passado, e a Santiago de Compostela, em novembro. Este ano, 2012, no &uacute;ltimo fim de semana de abril, abrangendo o dia 1 de maio (28.04 a 1.05), para al&eacute;m dos membros das nossas comunidades, recebemos delega&ccedil;&otilde;es das tr&ecirc;s Prov&iacute;ncias do Brasil, de duas Prov&iacute;ncias de Espanha e duas Prov&iacute;ncias de It&aacute;lia, estando previsto reunir em F&aacute;tima cerca de 200 pessoas.<\/p>\n<p>F&aacute;tima, como santu&aacute;rio Mariano, &eacute; um local importante para o Movimento! Tal como n&oacute;s m&atilde;es, Maria, logo na apresenta&ccedil;&atilde;o de Jesus no Templo, recebe uma not&iacute;cia perturbadora: <em>&ldquo;o teu cora&ccedil;&atilde;o ser&aacute; trespassado por uma espada&rdquo;<\/em>, diz-lhe o velho Sime&atilde;o. O modo como Maria acolhe esse Filho e como acompanha o Seu sofrimento, mantendo-se dispon&iacute;vel e em comunh&atilde;o com os Seus amigos, &eacute; um exemplo muito forte. Ela acreditou que Ele era a luz das Na&ccedil;&otilde;es, para continuar a citar Sime&atilde;o (Lc 2, 32) e continua a irradiar a Sua luz de que tanto precisamos!<\/p>\n<p>Jesus revelou-nos um Deus que ama os seus filhos tal como s&atilde;o. Ele quer que sejamos felizes, mesmo que tenhamos dificuldades e elas at&eacute; fa&ccedil;am doer. N&atilde;o precisamos de ter medo: Ele e a Sua M&atilde;e est&atilde;o connosco &ndash; podemos confiar.<\/p>\n<p>De facto, o nosso cora&ccedil;&atilde;o nem sempre est&aacute; cheio de luz. Muitas vezes ficamos terrivelmente dececionados com a not&iacute;cia da defici&ecirc;ncia do nosso filho, do nosso irm&atilde;o, do nosso amigo. N&atilde;o sabemos o que vai acontecer e o que podemos fazer. Nestes casos, &eacute; bom n&atilde;o ficarmos sozinhos com a nossa dor e confus&atilde;o, &eacute; bom ir ter com Maria. Com uma vela de luz na m&atilde;o, damos primeiro um passinho e depois outro. E Deus, dos nossos espinhos far&aacute; um fogo novo, que traz luz e calor ao nosso cora&ccedil;&atilde;o. Queremos <em>&ldquo;partir para outro local, para nos tornarmos outros&rdquo;<\/em> com confian&ccedil;a, alegria e for&ccedil;a para viver o dia a dia. Queremos pedir ao Esp&iacute;rito Santo que nos d&ecirc; estes dons!&nbsp;<\/p>\n<p>Grandes objetivos da nossa Peregrina&ccedil;&atilde;o que celebra os 40 anos:<\/p>\n<ol>\n<li>Celebrar as gra&ccedil;as recebidas ao longo destes anos e a aprendizagem que foi sendo feita;<\/li>\n<li>Refor&ccedil;ar os la&ccedil;os eclesiais e fazer crescer o amor na nossa Igreja, descobrindo juntos os dons preciosos das pessoas com uma defici&ecirc;ncia;<\/li>\n<li>Unirmo-nos &agrave; grande fam&iacute;lia F&eacute; e Luz do mundo inteiro, numa dimens&atilde;o comunit&aacute;ria essencial no F&eacute; e Luz: estamos em comunh&atilde;o com os que nos precederam. Formamos um povo em marcha, caminhando ao ritmo do mais pequeno.&nbsp;<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Porqu&ecirc; o lema &ldquo;Mensageiros da alegria&rdquo;?<\/strong><\/p>\n<p>Basicamente, em cada encontro de comunidade sa&iacute;mos com uma experi&ecirc;ncia de festa e de alegria. De facto, um dos dons preciosos dos nossos &ldquo;amigos especiais&rdquo;, como dizemos muitas vezes em F&eacute; e Luz, &eacute; a capacidade de fazer a festa com coisas muito simples,&nbsp; a partir de can&ccedil;&otilde;es, de dan&ccedil;as a alegria transparece. Pois onde h&aacute; amor, um sofrimento, mesmo profundo, pode coexistir com a alegria. Esta alegria &eacute; um dom do Esp&iacute;rito Santo. Devemos pedir-lho. E ele vem-nos da experi&ecirc;ncia de comunidade, de encontro. De facto, Jesus disse, que onde dois ou tr&ecirc;s estivessem reunidos em Seu nome, Ele estaria l&aacute; e o Esp&iacute;rito Santo vem, anima e d&aacute;-nos alento e alegria.<\/p>\n<p>Nas nossas comunidades F&eacute; e Luz, as pessoas fr&aacute;geis, sequiosas de comunh&atilde;o, sentem que s&atilde;o amadas, aceites como s&atilde;o e podem participar plenamente na Festa. A sua alegria &eacute; contagiosa e comunica-se.<\/p>\n<p>Aprendi com o meu filho <em>Dido<\/em> (como lhe cham&aacute;vamos) que, mesmo quando temos dores e um sofrimento grande, podemos sorrir e ficar felizes, sempre que conseguimos encontrar-nos pessoa a pessoa &ndash; e que isso &eacute; mais forte que a dor. N&atilde;o se trata de negar o sofrimento: ele existe mesmo. Trata-se de n&atilde;o nos deixarmos esmagar por ele e procurar a alegria, dom do Esp&iacute;rito Santo. As pessoas com defici&ecirc;ncia s&atilde;o tantas vezes grandes mestres nisso: a nossa <em>Vera<\/em> que n&atilde;o pode falar e tem dores grandes, devido a espasmos violentos &ndash; o sorriso com que ela nos acolhe, transforma-nos por dentro e leva-nos &agrave; partilha da alegria.<\/p>\n<p>A imagem social das pessoas com defici&ecirc;ncia enquanto peso, mal ou mesmo castigo de Deus, tem que ser mudada! &Eacute; necess&aacute;rio reconhecer-lhes o estatuto de <strong>&ldquo;pessoa&rdquo;<\/strong>, dom para&nbsp; oda a humanidade. Tendo embora uma defici&ecirc;ncia que as limita, desafia toda a sociedade a aprender a lidar com as suas dificuldades e a descobrir como s&atilde;o importantes &ldquo;para a constru&ccedil;&atilde;o dum mundo assente numa outra l&oacute;gica que n&atilde;o a da competi&ccedil;&atilde;o e da procura do prazer imediato, a que nem todos t&ecirc;m acesso&rdquo; (Jean Vanier).<\/p>\n<p>No F&eacute; e Luz, vamos descobrindo, no nosso dia a dia, o sentido muito literal da frase de Jesus: &ldquo;Eu vos louvo &oacute; Pai, Senhor do c&eacute;u e da terra, porque escondestes estas coisas aos s&aacute;bios e aos entendidos e as revelastes aos pequeninos&rdquo; (Mt. 11, 25). A capacidade de ter uma rela&ccedil;&atilde;o de intimidade est&aacute; presente nestas pessoas, mesmo quando desprovidas da capacidade de verbaliza&ccedil;&atilde;o e com defici&ecirc;ncias muito extensas. Deste modo, elas tamb&eacute;m podem anunciar a todos a Boa Nova de Jesus!&nbsp;<\/p>\n<p><em>Alice Caldeira Cabral, Coordenadora da Prov&iacute;ncia LuZitana<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alice Caldeira Cabral, coordenadora nacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[93,122,127,172,187,203,209,267,299],"class_list":["post-56175","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-aborto","tag-brasil","tag-catequese","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-fe-e-luz","tag-natal","tag-santiago-de-compostela"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56175"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56175\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}