{"id":561,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-festa-do-trabalho\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-festa-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-festa-do-trabalho\/","title":{"rendered":"A Festa do Trabalho"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio de Sousa Braga &#8211; Bispo de Angra <!--more--> A Festa do Trabalho O trabalho domina o panorama da vida humana. Olhando para o mundo, criado por Deus, vemos que \u00e9 continuamente transformado pela m\u00e3o do homem que assim prolonga a obra da cria\u00e7\u00e3o divina. Aqui reside a dignidade do trabalho humano. A B\u00edblia, ao descrever a cria\u00e7\u00e3o, afirma que ao ser humano, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, foi confiado o dom\u00ednio do universo. \u201cEnchei e dominai a terra\u201d (Gen. 1,28). A pr\u00f3pria obra criadora de Deus \u00e9 apresentada, em linguagem humana, \u201ccomo trabalho de Deus\u201d (cf. Gen. 2,2). E Jesus chega a afirmar: \u201cMeu Pai trabalha continuamente e Eu tamb\u00e9m trabalho\u201d (Jo 5,17). Quer isto dizer que o ser humano realiza-se como imagem de Deus, dominando a terra, atrav\u00e9s do trabalho. Este \u00e9 uma necessidade para garantir o sustento e fonte de realiza\u00e7\u00e3o humana. Por vezes \u00e9 penoso, mas foi redimido pelo Minist\u00e9rio Pascal de Cristo, que o transforma em oferta agrad\u00e1vel a Deus e dom de servi\u00e7o aos irm\u00e3os. Ao celebrar a mem\u00f3ria lit\u00fargica de S. Jos\u00e9 a 1 de Maio, a Igreja entende promover esta espiritualidade do trabalho. A \u201cFesta do Trabalho\u201d \u00e9 data memor\u00e1vel da luta humana pela dignifica\u00e7\u00e3o do trabalho. Hoje j\u00e1 est\u00e1 mais despedida de motiva\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e de impulsos reivindicativos. Mas n\u00e3o podemos esquecer as orienta\u00e7\u00f5es da Doutrina Social da Igreja, t\u00e3o abundante e oportuna neste campo, acompanhando de perto os novos desafios, que se v\u00e3o colocando constantemente ao mundo do trabalho, devido \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e aos desenvolvimentos da economia de mercado, em que a competitividade se torna sempre mais agressiva. De facto, o processo de globaliza\u00e7\u00e3o tende a p\u00f4r em causa o que se considerava adquirido, como o emprego est\u00e1vel e o sistema de protec\u00e7\u00e3o social. De um momento para o outro &#8211; advertem os nossos Bispos &#8211; \u201co emprego existente tornou-se mais prec\u00e1rio e inst\u00e1vel. Paralelamente, a protec\u00e7\u00e3o social v\u00ea-se sujeita a reformas tendentes, sobretudo, a enfraquecer a defesa contra os riscos. A agravar este quadro, as finan\u00e7as p\u00fablicas debatem-se com dificuldades geralmente reconhecidas e que t\u00eam justificado medidas restritivas com ineg\u00e1veis consequ\u00eancias sociais&#8230; Seja qual for a evolu\u00e7\u00e3o efectiva, o que importa \u00e9 reconhecermos que o per\u00edodo que o pa\u00eds atravessa coloca exig\u00eancias que a todos dizem respeito\u201d (Nota Pastoral, 3 (2002), n. 3). A economia est\u00e1 ao servi\u00e7o do bem comum, que \u00e9 por defini\u00e7\u00e3o o bem de todos. S\u00e3o necess\u00e1rias reformas legislativas e sociais. O Estado tem nisso papel determinante. Mas urge tamb\u00e9m promover, na sociedade civil, uma cultura solid\u00e1ria, que responsabilize os cidad\u00e3os pelo bem comum. Os problemas e as dificuldades dizem respeito a todos. E todos devem colaborar para a sua solu\u00e7\u00e3o. \u201cNunca ser\u00e1 admiss\u00edvel que aqueles que menos tem em tempos de prosperidade sejam o que, proporcionalmente, mais sofram em tempos de crise&#8230; N\u00e3o seria correcto nem justo atribuir a baixa produtividade da nossa economia apenas ao comportamento dos trabalhadores. Diversos outros aspectos, tais como a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, a moderniza\u00e7\u00e3o das empresas, os m\u00e9todos de gest\u00e3o, baixos n\u00edveis de qualifica\u00e7\u00e3o, quer dos trabalhadores quer dos empres\u00e1rios, pesam bem mais no conjunto de factores explicativos da baixa produtividades\u201d. (Id., Ibid., nn. 5 e 11). O crist\u00e3o ser\u00e1 luz que ilumina a vida da sociedade e sal que tempera os mecanismos da economia, na medida em que se deixar orientar pela Doutrina Social da Igreja, que, sem pretender dar solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, fornece directrizes de ac\u00e7\u00e3o. S\u00f3 assim \u00e9 que se poder\u00e1 construir a \u201cciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d, de que tantas vezes fala Jo\u00e3o Paulo II, uma utopia que, como o pr\u00f3prio termo indica, n\u00e3o existe completamente realizada em nenhum lugar, mas que o crist\u00e3o tem fundada esperan\u00e7a de alcan\u00e7ar progressivamente, atrav\u00e9s de atitudes e comportamento, inspirados no Evangelho de Jesus, de que a Doutrina Social da Igreja \u00e9 aplica\u00e7\u00e3o concreta e autorizada. D. Ant\u00f3nio de Sousa Braga Bispo de Angra <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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