{"id":56077,"date":"2012-04-10T10:45:00","date_gmt":"2012-04-10T10:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/10\/maes-substitutas-que-nao-serao-maes\/"},"modified":"2012-04-10T10:45:00","modified_gmt":"2012-04-10T10:45:00","slug":"maes-substitutas-que-nao-serao-maes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/maes-substitutas-que-nao-serao-maes\/","title":{"rendered":"M\u00e3es substitutas que n\u00e3o ser\u00e3o m\u00e3es"},"content":{"rendered":"<p>Daniel Serr\u00e3o <!--more--> <\/p>\n<p>1. O Cnecv acaba de dar publicidade a um Parecer sobre os projetos de lei relativos a legalizar a gesta&ccedil;&atilde;o por substitui&ccedil;&atilde;o, alterando a Lei da Procria&ccedil;&atilde;o medicamente assistida que est&aacute; em vigor.<\/p>\n<p>Este parecer n&atilde;o foi un&acirc;nime, nem consensual, mas tal n&atilde;o foi noticiado. O que &eacute; de lamentar porque induz em erro a opini&atilde;o p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Do que se trata, como aqui referi (<a href=\"noticia.pl?id=89138\" target=\"_blank\">ECCLESIA,n.&ordm; 1320 de 17 Jan.<\/a>) &eacute; de &ldquo;alugar&rdquo; o &uacute;tero de uma mulher que, mesmo sem benef&iacute;cio material, se disponibilize para ser instrumentalizada em benef&iacute;cio de outra mulher e, eventualmente, do casal.<\/p>\n<p>Seis membros do Conselho, do maior prest&iacute;gio, nacional e internacional &#8211; Michel Renaud, Ana Sofia Carvalho, Agostinho Almeida Santos, F. Carvalho Guerra, J. Germano de Sousa e Maria do C&eacute;u Patr&atilde;o-Neves &#8211; votaram contra e elaboraram um contraparecer que s&oacute; foi aceite como Declara&ccedil;&atilde;o de voto. Em Pa&iacute;ses com uma Democracia mais antiga e mais integrada na s&oacute;cio-cultura do Povo, como por exemplo a Dinamarca, os Pareceres do seu Conselho Nacional de &Eacute;tica incluem sempre todas as opini&otilde;es dos membros, mesmo que seja apenas de um, no corpo do Parecer que &eacute; oferecido &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica. Porque, como &eacute; &oacute;bvio, a &eacute;tica n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de maiorias num&eacute;ricas, nem &eacute; deliberativa. Neste caso concreto at&eacute; se pode dizer que a maioria num&eacute;rica do Cnecv, na sua composi&ccedil;&atilde;o atual, n&atilde;o reflete a maioria sociol&oacute;gica representada na Assembleia da Rep&uacute;blica.<\/p>\n<p>O texto do Parecer dos seis prestigiados Membros do Cnecv pode ser lido na Ecclesia online.<\/p>\n<p>Aqui apenas posso informar que &eacute; de uma clareza meridiana no apontar das dificuldades que semelhante instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da mulher &#8211; reduzida, de facto, a um &uacute;tero que fica gr&aacute;vido de filho alheio, que n&atilde;o lhe pertence, nem lhe pertencer&aacute; ap&oacute;s sair do seu corpo-objeto &#8211; cria no plano social, psicol&oacute;gico, jur&iacute;dico e, principalmente, &eacute;tico.<\/p>\n<p>Sendo certo, como este outro Parecer assinala, que &eacute; imposs&iacute;vel garantir sempre que n&atilde;o haver&aacute; neg&oacute;cio envolvido, a legaliza&ccedil;&atilde;o desta pr&aacute;tica, exercida por m&eacute;dicos, abre a porta a desvios, at&eacute; alguns aberrantes, muito dif&iacute;ceis de prever, de evitar e de punir.<\/p>\n<p>O Relat&oacute;rio que antecede este outro Parecer, da responsabilidade de Michel Renaud, Professor de Filosofia e de &Eacute;tica mas acolhido pelos restantes signat&aacute;rios, levanta esta interroga&ccedil;&atilde;o substantiva: em que medida a mulher que recebe uma crian&ccedil;a mediante uma gravidez de substitui&ccedil;&atilde;o, pode considerar esta crian&ccedil;a como &ldquo;sua&rdquo;?<\/p>\n<p>A investiga&ccedil;&atilde;o neurocient&iacute;fica das diversas e m&uacute;tuas rela&ccedil;&otilde;es m&atilde;e\/filho, geradas durante a gesta&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o muito fortes e condicionam mudan&ccedil;as no desempenho cerebral da mulher gr&aacute;vida, d&aacute; a esta quest&atilde;o do Relat&oacute;rio a maior atualidade cient&iacute;fica. Quest&atilde;o que nenhuma legisla&ccedil;&atilde;o pode resolver nos seus Artigos normativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. O Parecer numericamente vencido, deve ser lido com cuidado e na totalidade, pois fundamenta, com rigor filos&oacute;fico e &eacute;tico, mas tamb&eacute;m com abertura &agrave; realidade concreta que est&aacute; em causa, as 17 afirma&ccedil;&otilde;es que o constituem e suportaram o voto negativo.<\/p>\n<p>Destaco duas<\/p>\n<p>&ldquo;4. &Agrave; partida n&atilde;o se afigura do interesse do nascituro o facto de lhe ter intencionalmente dissociado a fun&ccedil;&atilde;o materna de natureza gen&eacute;tica e a fun&ccedil;&atilde;o materna de gesta&ccedil;&atilde;o&rdquo;<\/p>\n<p>&ldquo;12. Ser&aacute; sempre imposs&iacute;vel chegar &agrave; certeza do car&aacute;ter gratuito e desinteressado da gravidez de substitui&ccedil;&atilde;o. Nenhuma comiss&atilde;o competente poder&aacute; chegar a uma certeza objetiva e comprov&aacute;vel quanto &agrave; gratuidade da GDS.&rdquo;<\/p>\n<p>A s&iacute;ntese final deste Parecer dos seis qualificados Membros que votaram contra o Parecer do Cnecv agora divulgado, &eacute; perfeito:<\/p>\n<p>&ldquo;Pelos problemas potenciais graves e potencialmente irrevers&iacute;veis que acarreta, na sua maioria com uma incid&ecirc;ncia negativa sobre o interesse, a constru&ccedil;&atilde;o de identidade e o bem-estar f&iacute;sico e psicol&oacute;gico do nascituro, entendido como prevalecente sobre o interesse do &ldquo;casal benefici&aacute;rio&rdquo;, n&atilde;o consideramos eticamente justificada a aprova&ccedil;&atilde;o da gesta&ccedil;&atilde;o de substitui&ccedil;&atilde;o&rdquo;<\/p>\n<p>Este Parecer merece, seguramente, a aprova&ccedil;&atilde;o da maioria sociol&oacute;gica do nosso Pa&iacute;s. Oxal&aacute; mere&ccedil;a, igualmente, a aprova&ccedil;&atilde;o da maioria parlamentar.<\/p>\n<p><em>Daniel Serr&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">1. O Cnecv acaba de dar publicidade a um Parecer sobre os projetos de lei relativos a legalizar a gesta&ccedil;&atilde;o por substitui&ccedil;&atilde;o, alterando a Lei da Procria&ccedil;&atilde;o medicamente assistida que est&aacute; em vigor.<br \/>Este parecer n&atilde;o foi un&acirc;nime, nem consensual, mas tal n&atilde;o foi noticiado. O que &eacute; de lamentar porque induz em erro a opini&atilde;o p&uacute;blica.<br \/>Do que se trata, como aqui referi (ECCLESIA,n.&ordm; 1320 de 17 Jan.) &eacute; de &ldquo;alugar&rdquo; o &uacute;tero de uma mulher que, mesmo sem benef&iacute;cio material, se disponibilize para ser instrumentalizada em benef&iacute;cio de outra mulher e, eventualmente, do casal.<br \/>Seis membros do Conselho, do maior prest&iacute;gio, nacional e internacional &#8211; Michel Renaud, Ana Sofia Carvalho, Agostinho Almeida Santos, F. Carvalho Guerra, J. Germano de Sousa e Maria do C&eacute;u Patr&atilde;o-Neves &#8211; votaram contra e elaboraram um contraparecer que s&oacute; foi aceite como Declara&ccedil;&atilde;o de voto. Em Pa&iacute;ses com uma Democracia mais antiga e mais integrada na s&oacute;cio-cultura do Povo, como por exemplo a Dinamarca, os Pareceres do seu Conselho Nacional de &Eacute;tica incluem sempre todas as opini&otilde;es dos membros, mesmo que seja apenas de um, no corpo do Parecer que &eacute; oferecido &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica. Porque, como &eacute; &oacute;bvio, a &eacute;tica n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de maiorias num&eacute;ricas, nem &eacute; deliberativa. Neste caso concreto at&eacute; se pode dizer que a maioria num&eacute;rica do Cnecv, na sua composi&ccedil;&atilde;o atual, n&atilde;o reflete a maioria sociol&oacute;gica representada na Assembleia da Rep&uacute;blica.<br \/>O texto do Parecer dos seis prestigiados Membros do Cnecv pode ser lido na Ecclesia online.<br \/>Aqui apenas posso informar que &eacute; de uma clareza meridiana no apontar das dificuldades que semelhante instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da mulher &#8211; reduzida, de facto, a um &uacute;tero que fica gr&aacute;vido de filho alheio, que n&atilde;o lhe pertence, nem lhe pertencer&aacute; ap&oacute;s sair do seu corpo-objeto &#8211; cria no plano social, psicol&oacute;gico, jur&iacute;dico e, principalmente, &eacute;tico.<br \/>Sendo certo, como este outro Parecer assinala, que &eacute; imposs&iacute;vel garantir sempre que n&atilde;o haver&aacute; neg&oacute;cio envolvido, a legaliza&ccedil;&atilde;o desta pr&aacute;tica, exercida por m&eacute;dicos, abre a porta a desvios, at&eacute; alguns aberrantes, muito dif&iacute;ceis de prever, de evitar e de punir. <br \/>O Relat&oacute;rio que antecede este outro Parecer, da responsabilidade de Michel Renaud, Professor de Filosofia e de &Eacute;tica mas acolhido pelos restantes signat&aacute;rios, levanta esta interroga&ccedil;&atilde;o substantiva: em que medida a mulher que recebe uma crian&ccedil;a mediante uma gravidez de substitui&ccedil;&atilde;o, pode considerar esta crian&ccedil;a como &ldquo;sua&rdquo;?<br \/>A investiga&ccedil;&atilde;o neurocient&iacute;fica das diversas e m&uacute;tuas rela&ccedil;&otilde;es m&atilde;e\/filho, geradas durante a gesta&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o muito fortes e condicionam mudan&ccedil;as no desempenho cerebral da mulher gr&aacute;vida, d&aacute; a esta quest&atilde;o do Relat&oacute;rio a maior atualidade cient&iacute;fica. Quest&atilde;o que nenhuma legisla&ccedil;&atilde;o pode resolver nos seus Artigos normativos.<\/p>\n<p>2. O Parecer numericamente vencido, deve ser lido com cuidado e na totalidade, pois fundamenta, com rigor filos&oacute;fico e &eacute;tico, mas tamb&eacute;m com abertura &agrave; realidade concreta que est&aacute; em causa, as 17 afirma&ccedil;&otilde;es que o constituem e suportaram o voto negativo.<br \/>Destaco duas <br \/>&ldquo;4. &Agrave; partida n&atilde;o se afigura do interesse do nascituro o facto de lhe ter intencionalmente dissociado a fun&ccedil;&atilde;o materna de natureza gen&eacute;tica e a fun&ccedil;&atilde;o materna de gesta&ccedil;&atilde;o&rdquo;<br \/>&ldquo;12. Ser&aacute; sempre imposs&iacute;vel chegar &agrave; certeza do car&aacute;ter gratuito e desinteressado da gravidez de substitui&ccedil;&atilde;o. Nenhuma comiss&atilde;o competente poder&aacute; chegar a uma certeza objetiva e comprov&aacute;vel quanto &agrave; gratuidade da GDS.&rdquo;<br \/>A s&iacute;ntese final deste Parecer dos seis qualificados Membros que votaram contra o Parecer do Cnecv agora divulgado, &eacute; perfeito:<br \/>&ldquo;Pelos problemas potenciais graves e potencialmente irrevers&iacute;veis que acarreta, na sua maioria com uma incid&ecirc;ncia negativa sobre o interesse, a constru&ccedil;&atilde;o de identidade e o bem-estar f&iacute;sico e psicol&oacute;gico do nascituro, entendido como prevalecente sobre o interesse do &ldquo;casal benefici&aacute;rio&rdquo;, n&atilde;o consideramos eticamente justificada a aprova&ccedil;&atilde;o da gesta&ccedil;&atilde;o de substitui&ccedil;&atilde;o&rdquo;<br \/>Este Parecer merece, seguramente, a aprova&ccedil;&atilde;o da maioria sociol&oacute;gica do nosso Pa&iacute;s. Oxal&aacute; mere&ccedil;a, igualmente, a aprova&ccedil;&atilde;o da maioria parlamentar.<br \/>Daniel Serr&atilde;o<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Serr\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-56077","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56077","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56077"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56077\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}