{"id":56051,"date":"2012-04-07T14:30:17","date_gmt":"2012-04-07T14:30:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/07\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-celebracao-da-paixao-do-senhor-3\/"},"modified":"2012-04-07T14:30:17","modified_gmt":"2012-04-07T14:30:17","slug":"homilia-do-bispo-de-aveiro-na-celebracao-da-paixao-do-senhor-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-celebracao-da-paixao-do-senhor-3\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Aveiro na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>Paix\u00e3o pela Humanidade <!--more--> <\/p>\n<p>1.Em cada Eucaristia, a Igreja celebra sempre a morte do Senhor, juntamente com a sua ressurrei&ccedil;&atilde;o, at&eacute; que Ele venha. Esta sexta-feira santa, n&atilde;o se celebra a Eucaristia. Por&eacute;m, a Igreja consagra &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o evocativa da morte de Jesus um particular rito comemorativo, dando especial relevo &agrave; Palavra de Deus, &agrave; adora&ccedil;&atilde;o da cruz e &agrave; comunh&atilde;o eucar&iacute;stica.<\/p>\n<p>S&oacute; a Palavra de Deus nos pode iluminar na compreens&atilde;o deste mist&eacute;rio do sofrimento, da cruz e da morte de Jesus. S&oacute; a Palavra de Deus nos pode ajudar a rezar, com convic&ccedil;&atilde;o e confian&ccedil;a, ao Pai diante do sofrimento de Jesus e no meio do sofrimento de tantos irm&atilde;os nossos, para quem o peso da cruz se torna, nos nossos dias e nas circunst&acirc;ncias sociais em que vivemos, mais pesada e dolorosa.<\/p>\n<p>&Agrave; luz da f&eacute; e com a for&ccedil;a recebida da Palavra, hoje proclamada, sabemos que Jesus assumiu livremente a condena&ccedil;&atilde;o injusta e aceitou a decis&atilde;o dolorosa de transportar a cruz por nosso amor e para nossa salva&ccedil;&atilde;o. Jesus deu a sua vida por amor da humanidade. &Eacute; esta d&aacute;diva de um amor universal e para sempre que nos manifesta o mist&eacute;rio redentor e nos diz que, se foi grande o pre&ccedil;o do nosso resgate &eacute; porque &eacute; grande, tamb&eacute;m, o valor da nossa vida e da nossa salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Na tarde desta sexta-feira santa vimos contemplar o mist&eacute;rio pascal: no sil&ecirc;ncio prolongado, na escuta atenta da palavra de Deus e no olhar voltado para a cruz. Depois de adorarmos n&atilde;o a cruz mas sim o Crucificado vamos comungar o Corpo do Senhor, alimentando-nos da vida que da cruz nasceu, como Cordeiro imolado donde surge o alimento da P&aacute;scoa, a certeza da vida e chave da liberdade de um povo redimido.<\/p>\n<p>2. Em momentos de dor e em horas de sofrimento, todos n&oacute;s somos mais sens&iacute;veis &agrave; presen&ccedil;a das pessoas e &agrave; consola&ccedil;&atilde;o que nos vem da fam&iacute;lia, dos amigos e dos mais pr&oacute;ximos, mesmo que esta presen&ccedil;a seja feita de sil&ecirc;ncio discreto e de gestos simples.<\/p>\n<p>Mas para n&oacute;s, crist&atilde;os, esta presen&ccedil;a, ainda que necess&aacute;ria, n&atilde;o basta. Precisamos de nos voltar para Deus, a partir do mais profundo da nossa f&eacute; e do mais &iacute;ntimo da nossa vida.<\/p>\n<p>&Eacute; salutar para quem cr&ecirc; poder manifestar a Deus a sua dor, para que os clamores e l&aacute;grimas, muitas vezes na fronteira mesmo da compreens&atilde;o dos insond&aacute;veis des&iacute;gnios do Senhor, possam transformar-se em plena e serena confian&ccedil;a, s&oacute; poss&iacute;vel de encontrar no mais &iacute;ntimo do amor de um Deus que &eacute; Pai.<\/p>\n<p>Diante da dor e do mal n&atilde;o nos pertence apenas esperar compreens&atilde;o e receber ajuda dos outros quando somos n&oacute;s a sofrer. Cumpre-nos estar presentes, tamb&eacute;m n&oacute;s, junto de quem sofre com um cora&ccedil;&atilde;o capaz de se compadecer, com uma palavra iluminada pela f&eacute; e com gestos de &iacute;ntima e verdadeira comunh&atilde;o, que possam aliviar o seu sofrimento e repartir o peso da sua cruz.<\/p>\n<p>Que, ao contemplar o testemunho maior de Jesus, que nos amou at&eacute; &aacute; entrega plena da vida, saibamos n&oacute;s tamb&eacute;m dar a nossa vida em gestos de presen&ccedil;a e de comunh&atilde;o com quem sofre! Que diante da dor humana possamos testemunhar um amor que n&atilde;o &eacute; apenas nosso mas que vem de Deus e que em n&oacute;s se espelha e torna presente!<\/p>\n<p>Ousemos em momentos humanamente quase superiores &agrave;s nossas for&ccedil;as ser testemunhas de Deus, que n&atilde;o quer nem o mal nem a morte mas sim a vida e o bem!<\/p>\n<p>3. Num mundo de vit&oacute;rias f&aacute;ceis e de &ecirc;xitos imediatos, fomos muitas vezes levados a pensar que os que choram, os que sofrem, os que n&atilde;o produzem n&atilde;o t&ecirc;m lugar. Quem perdeu um familiar &agrave;s vezes tem a impress&atilde;o de n&atilde;o poder estar de luto. Quem j&aacute; esteve bem e agora sofre no desemprego ou na pobreza tem receio de pedir ajuda. Quem j&aacute; viveu com abund&acirc;ncia e agora sente limita&ccedil;&otilde;es tem vergonha de ser s&oacute;brio.<\/p>\n<p>Olhamos pouco para dentro do cora&ccedil;&atilde;o. O nosso olhar passeia demasiado vago e frequentemente distra&iacute;do por fora da vida e por longe da realidade. Aprendemos a usar tecnologias e a desvendar horizontes, que nos levam a ver e a comunicar mais longe, mas deix&aacute;mos de saber ler os sentimentos dos vizinhos e deixamos de ter espa&ccedil;o e tempo para as l&aacute;grimas humanas dos mais pr&oacute;ximos.<\/p>\n<p>Neste ano pastoral na nossa Diocese de Aveiro, centramos a nossa aten&ccedil;&atilde;o e a nossa ora&ccedil;&atilde;o nas fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Nesta tarde, Senhor, quero rezar-te pelas fam&iacute;lias em dor, em luto, em rutura, ou em ansiedade. Sei, Senhor, quanto a cruz do sofrimento pesa sobre tantas fam&iacute;lias. Ensina-nos, Senhor, a compaix&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;Que na Igreja de Aveiro, nas institui&ccedil;&otilde;es diocesanas, nas comunidades crist&atilde;s, nos movimentos apost&oacute;licos de espiritualidade familiar e nas pessoas atentas e de boa vontade, todas as fam&iacute;lias em dor e em dificuldade encontrem cirineus que partilhem o peso da sua cruz que lhes enxuguem as l&aacute;grimas do rosto.<\/p>\n<p>Que encontrem sobretudo em Maria, que sempre esteve sempre junto da cruz de Jesus, a indispens&aacute;vel presen&ccedil;a e a necess&aacute;ria b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de M&atilde;e. Amen.<\/p>\n<p><em>Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paix\u00e3o pela Humanidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[170,199],"class_list":["post-56051","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-aveiro","tag-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56051\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}