{"id":56048,"date":"2012-04-07T00:00:34","date_gmt":"2012-04-07T00:00:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/07\/homilia-do-bispo-de-braganca-miranda-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/"},"modified":"2012-04-07T00:00:34","modified_gmt":"2012-04-07T00:00:34","slug":"homilia-do-bispo-de-braganca-miranda-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-braganca-miranda-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Bragan\u00e7a-Miranda na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>O sil\u00eancio do Mist\u00e9rio da Cruz <!--more--> <\/p>\n<p>Hoje contemplamos &laquo;Cristo, nossa P&aacute;scoa, que foi imolado&raquo; (1Cor 5,7) e adoramos a cruz. N&atilde;o participamos em nenhum funeral nem dramatizamos a dor e o sofrimento, mas no sil&ecirc;ncio do mist&eacute;rio da cruz, celebramos a gl&oacute;ria do amor, como rezamos neste dia. &laquo;Adoramos, Senhor, a vossa Cruz, louvamos e glorificamos a vossa ressurrei&ccedil;&atilde;o: pela arvore da Cruz veio a alegria ao mundo inteiro&raquo;.<\/p>\n<p>Em que sentido, podemos afirmar que a morte de Cristo na cruz &eacute; um sacrif&iacute;cio?<\/p>\n<p>S&oacute; porque se identifica o &ldquo;sacrif&iacute;cio&rdquo; com a morte da v&iacute;tima?<\/p>\n<p>S&oacute; porque Jesus morreu como resultado de acusa&ccedil;&atilde;o do poder pol&iacute;tico e religioso do seu tempo ou porque se proclamava filho de Deus?<\/p>\n<p>Na realidade, no calv&aacute;rio n&atilde;o se v&ecirc; nenhum rito sacrificial, nem um sacerdote, nem um altar&hellip;<\/p>\n<p>Para entender a morte de Jesus como sacrif&iacute;cio &eacute; preciso compreender toda a sua vida, como uma oferta cont&iacute;nua ao Pai. Com efeito, ao entrar no mundo disse: &laquo;Eis que venho &#8211; como est&aacute; escrito no livro a meu respeito -para fazer, &oacute; Deus, a tua vontade&raquo; (Heb 10, 7); no templo de Jerusal&eacute;m, quando tinha 12 anos respondeu a Maria e a Jos&eacute;: &laquo;Porque me procur&aacute;veis? N&atilde;o sab&iacute;eis que devia estar em casa de meu Pai&raquo;  (Lc 2,49); no encontro com a samaritana, disse aos disc&iacute;pulos: &laquo;O meu alimento &eacute; fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra&raquo; (Jo 4, 34); no discurso sobre o p&atilde;o da vida, afirmou: &laquo;desci do C&eacute;u n&atilde;o para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou&raquo; (Jo 6, 38); numa discuss&atilde;o com os judeus proclama: &laquo;quando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, ent&atilde;o ficareis a saber que Eu sou o que sou e que nada fa&ccedil;o por mim mesmo, mas falo destas coisas tal como o Pai me ensinou&raquo; (Jo 8, 28) e no jardim das oliveiras reza: &laquo;Meu Pai, se este c&aacute;lice n&atilde;o pode passar sem que Eu o beba, fa&ccedil;a-se a tua vontade!&raquo; (Mt 26, 42).<\/p>\n<p>A Cruz &eacute; o momento culminante de uma exist&ecirc;ncia de total doa&ccedil;&atilde;o de amor. Por isso, a f&eacute; crist&atilde; reconhece a morte de Cristo como sacrif&iacute;cio, ou melhor, como o &uacute;nico sacrif&iacute;cio, realizado de uma vez por todas, para a remiss&atilde;o dos pecados de todas as pessoas.<\/p>\n<p>A cruz de quatro bra&ccedil;os, abre-se em oito pontos, a indicar o oitavo dia e as oito dire&ccedil;&otilde;es da b&uacute;ssola. No sil&ecirc;ncio da cruz inaugura-se o mist&eacute;rio pascal. A exalta&ccedil;&atilde;o da cruz &eacute; a proclama&ccedil;&atilde;o da vit&oacute;ria de Deus sobre o mal e sobre a morte, como se evidencia na longa proclama&ccedil;&atilde;o do profeta Isa&iacute;as sobre os sofrimentos do Servo do Senhor, que depois de tantos sofrimentos e dores &laquo;ver&aacute; a luz&raquo; (Is 53, 11).<\/p>\n<p>Ningu&eacute;m est&aacute; s&oacute;, mas cada pessoa est&aacute; unida ao amor de Cristo, que deu a vida por n&oacute;s. &Eacute; o amor que salva, n&atilde;o &eacute; o sofrimento!<\/p>\n<p>&laquo;H&aacute; dois mil anos, um &ldquo;certo Homem&rdquo; era pregado com quatro pregos numa cruz. Antes de morrer, ainda encontrou for&ccedil;a para gritar: &#8211; Senhor, Senhor, por que me abandonastes? N&atilde;o conhe&ccedil;o na hist&oacute;ria da humanidade momento de maior solid&atilde;o, e duvido que o possa vir a descobrir&raquo; (Mestre Jos&eacute; Rodrigues).<\/p>\n<p>Um fil&oacute;sofo contempor&acirc;neo escreveu. &laquo;H&aacute; coisas que para n&oacute;s, humanos, s&atilde;o demasiado grandes: a dor, a solid&atilde;o e a morte, mas tamb&eacute;m a beleza, o sublime e a felicidade. Foi para isso que cri&aacute;mos a religi&atilde;o. E o que &eacute; que acontece quando a perdemos? Acontece que aquelas coisas continuam a ser demasiado grandes para n&oacute;s. Resta-nos ent&atilde;o a poesia da vida individual. Mas ser&aacute; que ela &eacute; suficientemente forte para nos sustentar&raquo;? (P. MERCIER, Comboio noturno para Lisboa, 400-401)<\/p>\n<p>Somos ainda hoje incomodados por este grito. &Eacute; Cristo que continua a gritar nos doentes, nos idosos, nos que vivem s&oacute;s, nos esquecidos da sociedade, nos jovens sem rasgos de futuro, nos desempregados, nos emigrantes, nos pobres, nas v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e psicol&oacute;gica e nos desanimados da vida, mesmo aqui no Nordeste Transmontano.<\/p>\n<p>Maria, participou de p&eacute; neste momento crucial da nossa hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o. Nos Evangelhos s&atilde;o seis as vezes em que Maria fala, sempre em poucas palavras, excetuando o c&acirc;ntico do Magnificat. Alguns autores dizem at&eacute; que falou por setes vezes, sendo a s&eacute;tima palavra, aquela junto &agrave; cruz, a mais eloquente, porque brotou do sil&ecirc;ncio.<\/p>\n<p>Maria, que estava junto da Cruz de Seu Filho, teve de acolher uma vez mais a vontade de Cristo, Filho de Deus. Mas enquanto, no G&oacute;lgota, o Filho lhe indicava um s&oacute; homem, Jo&atilde;o, Seu disc&iacute;pulo amado, aqui Ela teve de os acolher a todos. Todos n&oacute;s, os homens deste s&eacute;culo e da sua dif&iacute;cil e dram&aacute;tica hist&oacute;ria. M&atilde;e do Redentor! M&atilde;e do nosso s&eacute;culo! Tu est&aacute;s e permanecer&aacute;s, porque o Filho Unig&eacute;nito de Deus, Teu Filho, Te confiou todos os homens, quando ao morrer sobre a Cruz nos introduziu, no novo princ&iacute;pio de tudo quanto existe. A tua maternidade universal, &oacute; Virgem Maria, &eacute; a &acirc;ncora segura de salva&ccedil;&atilde;o da humanidade inteira. M&atilde;e do Redentor! Cheia de Gra&ccedil;a! Eu Te sa&uacute;do, M&atilde;e da confian&ccedil;a de todas as gera&ccedil;&otilde;es humanas!&raquo;<\/p>\n<p>O sil&ecirc;ncio de Maria que estava de p&eacute; junto &agrave; cruz &eacute; a &ldquo;palavra &rdquo;-s&iacute;ntese de toda a sua vida cheia de amor e esperan&ccedil;a. Ela &eacute; m&atilde;e e crente.<\/p>\n<p>Que grandeza h&aacute; no sil&ecirc;ncio &ndash; n&atilde;o o sil&ecirc;ncio nefasto da falta mas no da virtude, que &eacute; perfeito quando dele n&atilde;o se tem consci&ecirc;ncia &ndash; e que for&ccedil;a se pode extrair dele. A alegria crist&atilde; &eacute; a simplicidade de uma f&eacute;, a seriedade de uma esperan&ccedil;a, a vitalidade do amor. (Um monge cartuxo.)<\/p>\n<p>+ Jos&eacute; Cordeiro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sil\u00eancio do Mist\u00e9rio da Cruz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[173],"class_list":["post-56048","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braganca-miranda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56048","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56048"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56048\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}