{"id":56047,"date":"2012-04-05T23:56:00","date_gmt":"2012-04-05T23:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/05\/homilia-do-arcebispo-de-braganca-miranda-na-missa-da-ceia-do-senhor\/"},"modified":"2012-04-05T23:56:00","modified_gmt":"2012-04-05T23:56:00","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braganca-miranda-na-missa-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braganca-miranda-na-missa-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do arcebispo de Bragan\u00e7a-Miranda na Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>Servir, a \u00fanica autoridade <!--more--> <\/p>\n<p>1.\tServi&ccedil;o humilde<\/p>\n<p>A narra&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima ceia ligada ao lava-p&eacute;s encontra-se apenas no evangelho de Jo&atilde;o. Todavia, o contexto da &uacute;ltima ceia e o sublinhar do exemplo de humildade e de amor servi&ccedil;al dado por Jesus reenvia-nos ao evangelho de Lucas e &agrave; exorta&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Jesus acerca do poder e do servi&ccedil;o: &laquo;24Levantou-se entre eles uma discuss&atilde;o sobre qual deles devia ser considerado o maior. 25Jesus disse-lhes: &laquo;Os reis das na&ccedil;&otilde;es imperam sobre elas e os que nelas exercem a autoridade s&atilde;o chamados benfeitores. 26Convosco, n&atilde;o deve ser assim; o que f&ocirc;r maior entre v&oacute;s seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve. 27Pois, quem &eacute; maior: o que est&aacute; sentado &agrave; mesa, ou o que serve? N&atilde;o &eacute; o que est&aacute; sentado &agrave; mesa? Ora, Eu estou no meio de v&oacute;s como aquele que serve&raquo; (Lc 22, 24-27).<\/p>\n<p>Jo&atilde;o atribui expressamente ao lava-p&eacute;s realizado por Jesus o significado da humildade a imitar pelos disc&iacute;pulos (cf. vv 12 e 13) (Cf. P.F. BEATRICE, La lavanda dei piedi. Contributo alla storia dele antiche liturgie cristiane, Edizioni Liturgiche, Roma 1983, 11). Mas o fundamento de tudo &eacute; o amor: &laquo;Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles at&eacute; ao extremo&raquo; e ainda mais claramente a seguir Jesus deixa o mandamento novo: &laquo;&eacute; este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei&raquo; (Jo 15,12).<\/p>\n<p>Jesus &eacute; mestre no servir e interpela-nos a fazer o mesmo.<\/p>\n<p>Bento XVI, ao comentar este texto, escreve: &laquo;com a &uacute;ltima ceia, chegou a &ldquo;hora&rdquo; de Jesus, para a qual se orientava a sua actividade desde o princ&iacute;pio (cf. Jo 2,4). O essencial desta hora &eacute; delineado por Jo&atilde;o com duas palavras fundamentais: &eacute; a &ldquo;hora da passagem&rdquo; (metaba&iacute;nein &ndash; met&aacute;basis); &eacute; a hora do amor (ag&aacute;pe) &ldquo;at&eacute; ao fim&rdquo;&raquo; e acrescenta: &laquo;a &ldquo;hora&rdquo; de Jesus &eacute; a hora da grande &ldquo;passagem para mais al&eacute;m&rdquo;, da transforma&ccedil;&atilde;o, e esta metaformose do ser realiza-se atrav&eacute;s da ag&aacute;pe. &Eacute; uma ag&aacute;pe &ldquo;at&eacute; ao fim&rdquo; &ndash; express&atilde;o esta com que Jo&atilde;o, neste ponto, remete de antem&atilde;o para a &uacute;ltima palavra do Crucificado: &ldquo;Tudo est&aacute; consumado &ndash; tet&eacute;lestai (Jo 19,30). Este fim (t&eacute;los), esta totalidade da doa&ccedil;&atilde;o, da metamorfose de todo o ser &eacute; precisamente o dar-se a si mesmo at&eacute; &agrave; morte&raquo; (J. RATZINGER-BENTO XVI, Jesus de Nazar&eacute;, vol. 2, Principia, Lisboa 2011, 54-55). O lava-p&eacute;s n&atilde;o &eacute;, com efeito, &laquo;um sacramento particular, mas significa a totalidade do servi&ccedil;o salv&iacute;fico de Jesus: o sacramentum do seu amor, no qual Ele nos imerge na f&eacute; e que &eacute; o verdadeiro lavacro de purifica&ccedil;&atilde;o do homem&raquo; (J. RATZINGER-BENTO XVI, Jesus de Nazar&eacute;, vol. 2, Principia, Lisboa 2011, 68).<\/p>\n<p>2. Deus ajoelha-se aos homens. Deus ajoelha-se aos nossos p&eacute;s. Diante de tamanho amor, &agrave;s vezes, como Pedro, defendemo-nos do amor que Deus nos tem. Jesus educa-nos ao receber, porque o amor come&ccedil;a pelo receber. Efetivamente, n&atilde;o damos nada, que primeiro n&atilde;o tenhamos j&aacute; recebido. Mesmo reconhecendo-nos fr&aacute;geis, amemos. A fragilidade n&atilde;o &eacute; um obst&aacute;culo, a fragilidade &eacute; o caminho.<\/p>\n<p>O Ir. Marista Henri Verg&egrave;s, assassinado com a Ir. Paul-H&eacute;l&egrave;ne em Argel em 1994, escreveu: &laquo;ser transpar&ecirc;ncia ao Evangelho, transpar&ecirc;ncia do Evangelho. Ser um gr&atilde;o escondido na terra dos homens, onde possa manifestar-se o fermento do Evangelho. Deixar-me transformar cada dia um pouco mais pala Palavra viva do Evangelho: n&atilde;o deixar que o seu gume enfraque&ccedil;a na rotina, na distrac&ccedil;&atilde;o e na instala&ccedil;&atilde;o do conforto. Que ela possa, sem cessar, fazer surgir em mim o homem novo. Ser sempre mais palavra do Evangelho&raquo; (Ir. Henri Verg&egrave;s (1930-1994). A mesma profundidade de entrega e confian&ccedil;a &eacute; dada pela Ir. Esther, Mission&aacute;ria Agostiniana, assassinada com a Ir. Caridad a caminho da Eucaristia: &laquo;ningu&eacute;m pode tirar-nos a vida, porque j&aacute; a entregamos. Nada nos pode acontecer, visto estarmos nas m&atilde;os de Deus. E se alguma coisa nos acontecer, estamos ainda nas m&atilde;os de Deus&raquo; Ir. Esther Paniagua Alonso (1949-1994).<\/p>\n<p>S. Paulo ousa dizer: &laquo;se eu anuncio o Evangelho, n&atilde;o &eacute; para mim motivo de gl&oacute;ria, &eacute; antes uma obriga&ccedil;&atilde;o que me foi imposta: ai de mim, se eu n&atilde;o evangelizar!&raquo; (1 Cor 9, 16). A B&iacute;blia &eacute; um livro de esperan&ccedil;a e l&ecirc;-lo, anunci&aacute;-lo e testemunh&aacute;-lo &laquo;d&aacute; como resultado a esperan&ccedil;a&raquo; (CHRISTIAN DE CHERG&Eacute; E ALTRI MONACI DI TIBHIRINE, Pi&ugrave; forti dell&rsquo;odio, Edizioni Qiqajon, Comunit&agrave; di Bose, 2010, 173).<\/p>\n<p>3. Na abertura da celebra&ccedil;&atilde;o anual do Tr&iacute;duo pascal, justamente na Missa da ceia do Senhor &laquo;faz-se, portanto, mem&oacute;ria: da institui&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, memorial da P&aacute;scoa do Senhor, na qual se perpetua no meio de n&oacute;s, atrav&eacute;s dos sinais sacramentais, o sacrif&iacute;cio da nova lei; da institui&ccedil;&atilde;o do sacerd&oacute;cio, pelo qual se perpetua no mundo a miss&atilde;o e o sacrif&iacute;cio de Cristo; e tamb&eacute;m da caridade com que o Senhor nos amou at&eacute; &agrave; morte. Tudo isto procure o Bispo prop&ocirc;-lo de forma adequada aos fi&eacute;is mediante o minist&eacute;rio da palavra, para que eles possam penetrar mais profunda e piedosamente em t&atilde;o sublimes mist&eacute;rios e viv&ecirc;-los mais intensamente na pr&aacute;tica da sua vida&raquo; (Cerimonial dos Bispos 297).<\/p>\n<p>&laquo;Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, v&oacute;s fa&ccedil;ais tamb&eacute;m&raquo; (Jo 13, 15).<\/p>\n<p>&laquo;Quem &eacute; posto &agrave; frente do povo deve ser o primeiro a dar-se conta de que &eacute; servo de todos. E n&atilde;o desdenhe de o ser, repito, n&atilde;o desdenhe de ser servo de todos, pois n&atilde;o desdenhou de se tornar nosso servo aquele que &eacute; o Senhor dos senhores&raquo; (S. AGOSTINHO, Sermo 32.). Paulo VI testemunhou: &laquo;pode-se exercer um encargo de alto grau por habilidade, por autoridade, ou por humildade, fazendo discretamente o dever, o melhor que se pode, sem ter conta dos resultados e confiando em Deus. Eu escolho este caminho&raquo; (PAULO VI, 1965).<\/p>\n<p>&laquo;Nossa vida &eacute; r&aacute;pida e breve, mas Deus, imut&aacute;vel e eterno: por isso sempre h&aacute; instantes quando as coisas n&atilde;o parecem se conciliar, e n&atilde;o devemos mesmo saber como se conciliam: por&eacute;m, s&oacute; nos mantermos ali de cora&ccedil;&atilde;o aberto ao mist&eacute;rio, a fim de que a magnitude tenha espa&ccedil;o na pequenez: na intensidade de nossa exist&ecirc;ncia possa se poetizar um instante perp&eacute;tuo, convergindo com a infinda eternidade divina&raquo; (R. RILKE, Cartas natalinas &agrave; m&atilde;e, Editora Globo, S. Paulo 2007, 54).<\/p>\n<p>A escola do servi&ccedil;o n&atilde;o conhece f&eacute;rias, &eacute; uma entrega total, nupcial com a Igreja esposa de Cristo, da qual Ele &eacute; cabe&ccedil;a, pastor, esposo e servo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>+ Jos&eacute; Cordeiro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Servir, a \u00fanica autoridade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[173,308],"class_list":["post-56047","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braganca-miranda","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56047"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56047\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}