{"id":56043,"date":"2012-04-06T22:32:05","date_gmt":"2012-04-06T22:32:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/06\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-celebracao-da-paixao-do-senhor-2\/"},"modified":"2012-04-06T22:32:05","modified_gmt":"2012-04-06T22:32:05","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-celebracao-da-paixao-do-senhor-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-celebracao-da-paixao-do-senhor-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal-patriarca de Lisboa na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA Cruz \u00e9 o caminho dram\u00e1tico da reden\u00e7\u00e3o\u201d <!--more--> <\/p>\n<p>1. Nesta celebra&ccedil;&atilde;o da Paix&atilde;o do Senhor, a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo est&aacute; no centro, sugerindo a dimens&atilde;o dram&aacute;tica da nossa reden&ccedil;&atilde;o e a sua centralidade na nossa f&eacute; e em toda a vida crist&atilde;, na Liturgia, na ora&ccedil;&atilde;o pessoal, na luta contra o pecado, na simb&oacute;lica de uma vida nova de um povo peregrino da Casa do Pai. A morte de Cristo na Cruz encerra o segredo da pr&oacute;pria encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo de Deus. A reden&ccedil;&atilde;o da humanidade, que no pecado perdera a capacidade de ser um Povo do Senhor, na intimidade de uma Alian&ccedil;a, aut&ecirc;ntica reviravolta criadora, tinha de ser feita a partir do homem. &Eacute; este que precisa de mudan&ccedil;a radical do cora&ccedil;&atilde;o, para voltar a ser o Povo do Senhor, na intimidade do Filho. &Eacute; por isso que Deus Se faz Homem. Essa mudan&ccedil;a radical s&oacute; era poss&iacute;vel com a for&ccedil;a criadora de Deus, mas tinha de acontecer no homem, na sua liberdade. Na Cruz &eacute; a humanidade que muda radicalmente a sua atitude para com Deus, com a for&ccedil;a do pr&oacute;prio Deus, feito Homem. Para S&atilde;o Paulo est&aacute; a&iacute; o segredo da novidade crist&atilde;: &ldquo;Deus fez o que era imposs&iacute;vel &agrave; Lei (&hellip;). Ao enviar o Seu pr&oacute;prio Filho, em carne id&ecirc;ntica &agrave; do pecado e como sacrif&iacute;cio de expia&ccedil;&atilde;o pelo pecado, condenou o pecado na carne, para que assim a justi&ccedil;a exigida pela Lei possa ser plenamente cumprida em n&oacute;s, que j&aacute; n&atilde;o procedemos de acordo com a carne, mas com o Esp&iacute;rito&rdquo; (Rom. 8,3-4).<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>2. Na Cruz realiza-se a reviravolta da humanidade, ela &eacute; a fonte da gra&ccedil;a da salva&ccedil;&atilde;o. Escut&aacute;vamos na Carta aos Hebreus: &ldquo;Vamos, portanto, cheios de confian&ccedil;a, ao trono da gra&ccedil;a, a fim de alcan&ccedil;armos miseric&oacute;rdia&rdquo; (Heb. 4,16). Continua a ser misteriosa a fecundidade da Cruz. J&aacute; o Profeta Isa&iacute;as anunciava essa fecundidade do sacrif&iacute;cio do Servo: &ldquo;Ele ter&aacute; uma descend&ecirc;ncia duradoira, viver&aacute; longos dias e a obra do Senhor prosperar&aacute; em suas m&atilde;os&rdquo; (Is. 53,10). &ldquo;Eu lhe darei as multid&otilde;es como pr&eacute;mio&rdquo; (Is. 52,12).<\/p>\n<p>Esta fecundidade salv&iacute;fica da Cruz &eacute; fonte cont&iacute;nua e actual da transforma&ccedil;&atilde;o do homem. Ela &eacute; a fonte de uma nova compreens&atilde;o da vida, uma nova sabedoria, a que Paulo chama a sabedoria da Cruz (cf. 1Cor. 2,2). Jesus, &ldquo;aprendeu a obedi&ecirc;ncia no sofrimento&rdquo; (Heb. 5,6), ensinando-nos a nova compreens&atilde;o da vida: o sofrimento, a dureza da vida, a luta pela liberdade e pelo amor ganham, na Cruz de Cristo, uma for&ccedil;a transformadora e redentora.<\/p>\n<p>3. Esta for&ccedil;a transformadora da Cruz de Cristo actua atrav&eacute;s de todo o poder sacramental da Igreja, com express&atilde;o perene e plena na Eucaristia, o sacrif&iacute;cio da nova Alian&ccedil;a. N&atilde;o devemos separar a Eucaristia desta for&ccedil;a redentora da Cruz de Cristo. &Eacute; o que a Liturgia sublinha ao exigir que no altar da Eucaristia esteja sempre a Cruz, sublinhando a unidade do mesmo mist&eacute;rio. A&iacute;, mais do que em qualquer outro momento, devemos contemplar a Cruz como a fonte da reden&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A contempla&ccedil;&atilde;o da Cruz do Senhor pode alimentar toda a nossa caminhada de convers&atilde;o. O pr&oacute;prio Senhor o afirmou: &ldquo;Eu, elevado da terra, atrairei todos os homens a Mim&rdquo; (Jo. 12,32). Contemplando Jesus, na Sua Cruz, conhec&ecirc;-lo-emos profundamente como Filho de Deus, nosso Redentor: &ldquo;Quando elevardes o Filho do Homem, ent&atilde;o sabereis que Eu Sou&rdquo; (Jo. 8,28<strong>).<\/strong><\/p>\n<p>Jesus quer que O contemplemos na Sua Cruz, descobrindo n&rsquo;Ele o sinal da nossa salva&ccedil;&atilde;o<strong>:<\/strong> &ldquo;Como Mois&eacute;s elevou a serpente no deserto, assim &eacute; preciso que seja elevado o Filho do Homem, para que todo aquele que cr&ecirc;, tenha por Ele a vida eterna&rdquo; (Jo. 3,14-15).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. A contempla&ccedil;&atilde;o da Cruz acompanha a vida dos crist&atilde;os, desde as ora&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas, aos h&aacute;bitos pessoais, dando origem a uma aut&ecirc;ntica cultura.<\/p>\n<p>&nbsp;Hoje, ao adorar a Cruz do Senhor, <strong>s<\/strong>omos chamados a reaviver o sentido de todas essas express&otilde;es de amor &agrave; Cruz e que, tantas vezes, podem cair na rotina. Cada uma dessas express&otilde;es da presen&ccedil;a da Cruz no dia a dia da vida do crist&atilde;o, podem transformar-se na contempla&ccedil;&atilde;o do Crucificado, sentindo o amor infinito de Deus por n&oacute;s e louvando a Deus pela nossa reden&ccedil;&atilde;o. Lembremos algumas dessas express&otilde;es:<\/p>\n<p>* A Cruz &eacute; sinal de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o. Todas as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os s&atilde;o feitas com o sinal da Cruz, desde a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o do p&atilde;o e do vinho na oferta eucar&iacute;stica, &agrave;s b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os de pessoas, de institui&ccedil;&otilde;es, de ac&ccedil;&atilde;o dos crist&atilde;os. Se consciencializarmos esses gestos, sentiremos que toda a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o tem a sua fonte na Cruz do Senhor, sinal do seu amor infinito.<\/p>\n<p>* A Cruz d&aacute; sentido &agrave; vida pessoal. Benzemo-nos, com o sinal da Cruz, quando come&ccedil;a e quando acaba o dia ou em momentos particularmente exigentes e significativos: quando iniciamos a ora&ccedil;&atilde;o, quando queremos entregar a Deus as ac&ccedil;&otilde;es que vamos fazer. Fa&ccedil;amos o exerc&iacute;cio de consciencializar quantas vezes, durante o dia, fazemos o sinal da Cruz.<\/p>\n<p>* A Cruz &eacute; ornamento. Ainda hoje, muitas pessoas trazem ao peito a Cruz do Senhor, como se ela fosse o &uacute;nico ornamento digno do crist&atilde;o. A&iacute; a f&eacute; deu lugar &agrave; arte e &agrave; beleza, na medida em que essas cruzes s&atilde;o frequentemente trabalhadas artisticamente e feitas em material precioso. Uma cruz preciosa pode significar qu&atilde;o importante &eacute;, para n&oacute;s, a fecundidade da Cruz.<\/p>\n<p>* A Cruz pode ser express&atilde;o da alegria crist&atilde;. Uma bela express&atilde;o desta rela&ccedil;&atilde;o da Cruz com o j&uacute;bilo da vida &eacute; a &ldquo;cruz florida&rdquo;, presente na nossa cultura e que n&oacute;s comunic&aacute;mos a outras culturas. A Cruz florida simboliza os frutos de vida nova que florescem da Cruz do Senhor, fazendo dela, verdadeiramente, a nova &aacute;rvore da vida. Segundo o Apocalipse, da Cruz brota um rio de vida, l&iacute;mpido como cristal. Em cada margem desse rio h&aacute; &aacute;rvores de vida que d&atilde;o frutos abundantes (cf. Apoc. 22,1-2).<\/p>\n<p>Cantemos com f&eacute; e amor: &ldquo;Adoramos, Senhor, a Vossa Cruz, louvamos e bendizemos a Vossa ressurrei&ccedil;&atilde;o gloriosa: pela Cruz veio a alegria ao mundo inteiro&rdquo;.<\/p>\n<p>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA Cruz \u00e9 o caminho dram\u00e1tico da reden\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[246],"class_list":["post-56043","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56043","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56043"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56043\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56043"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56043"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56043"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}