{"id":56040,"date":"2012-04-06T20:55:38","date_gmt":"2012-04-06T20:55:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/06\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-crismal-3\/"},"modified":"2012-04-06T20:55:38","modified_gmt":"2012-04-06T20:55:38","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-crismal-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-crismal-3\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Coimbra na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>MISSA CRISMAL &ndash; HOMILIA &#8211; S&Eacute; NOVA DE COIMBRA 2012<\/p>\n<p>Car&iacute;ssimos irm&atilde;os e irm&atilde;s, fi&eacute;is em Cristo!<\/p>\n<p>Car&iacute;ssimos irm&atilde;os Sacerdotes, a quem me dirijo de um modo especial neste dia!<\/p>\n<p>Nesta Missa Crismal, voltamo-nos para o Deus que nos chamou e nos escolheu, que&nbsp; derramou sobre n&oacute;s a for&ccedil;a do seu Esp&iacute;rito, nos ungiu com o &oacute;leo da alegria e nos enviou a anunciar aos homens a Boa Nova da salva&ccedil;&atilde;o. Damos-lhe gra&ccedil;as porque nos fez entrar no grande mist&eacute;rio que nos une a Cristo em quem tem origem o nosso sacerd&oacute;cio, e nos fez entrar no grande mist&eacute;rio que nos une aos homens a quem somos enviados no exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio sagrado.<\/p>\n<p>A Quinta-feira Santa &eacute; o dia da nossa humildade, por reconhecermos de um modo consciente que o que somos nasce de Deus, e que o que fazemos se orienta para o bem do Seu Povo. Este &eacute; o mist&eacute;rio que nos envolve e o minist&eacute;rio que nos foi confiado.<\/p>\n<p>Este &eacute; o dia da nossa humildade, por acreditarmos que, sem m&eacute;rito algum da nossa parte, fomos chamados pelo Senhor dos Senhores e somos enviados como portadores das maiores e melhores riquezas: a Palavra da Salva&ccedil;&atilde;o, o P&atilde;o e o Vinho da Eucaristia, o perd&atilde;o dos pecados, a gra&ccedil;a dos sacramentos da salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Neste dia da nossa humildade, recordamos o gesto da prostra&ccedil;&atilde;o no meio da assembleia reunida no dia da nossa ordena&ccedil;&atilde;o, e a mem&oacute;ria que dela guardamos no cora&ccedil;&atilde;o. Nesse rito simb&oacute;lico e prof&eacute;tico se anunciavam os dois eixos centrais da nossa vida sacerdotal: homens chamados &agrave; prostra&ccedil;&atilde;o diante de Deus, ou seja, a reconhecer o nosso nada diante do seu tudo; homens chamados a levantar-se na mais veemente decis&atilde;o de partir para servir os irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Neste dia da nossa humildade, damos gra&ccedil;as ao Senhor por nos associar a Si e por usar a nossa fragilidade para trazer &agrave; Igreja a sua imensa riqueza. Nada ser&iacute;amos e nada poder&iacute;amos se, como dizia a profecia de Isa&iacute;as, n&atilde;o tiv&eacute;ssemos recebido o dom do Esp&iacute;rito do Senhor, que nos fortalece e capacita para a miss&atilde;o. O pr&oacute;prio Jesus, segundo o texto do Evangelho, cheio do Esp&iacute;rito do Senhor, inicia o seu minist&eacute;rio na realiza&ccedil;&atilde;o do des&iacute;gnio do Pai. Trata-se num e noutro caso do dinamismo e da for&ccedil;a de Deus, que &eacute; o Esp&iacute;rito da comunh&atilde;o e da santidade, o mesmo que foi derramado em n&oacute;s pela imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os e pelo &oacute;leo da un&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Tendo aceitado livremente o chamamento que o Senhor nos fez e ungidos pelo seu Esp&iacute;rito, somos agora do Senhor, pertencemos ao Senhor e havemos de caminhar continuamente na realiza&ccedil;&atilde;o desta nossa condi&ccedil;&atilde;o que faz parte da nossa identidade mais profunda. Enquanto padres, definimo-nos em primeiro lugar e acima de tudo por aquilo que somos na rela&ccedil;&atilde;o com Cristo, que nos chamou e nos uniu de forma indel&eacute;vel a Si mesmo; definimo-nos depois pela nossa uni&atilde;o aos irm&atilde;os com quem somos crist&atilde;os partilhamos a gra&ccedil;a do baptismo e com quem formamos a comunidade santa, o Povo de A nossa fonte de alegria e a nossa realiza&ccedil;&atilde;o humana e crist&atilde; encontram-se na miss&atilde;o que somos convidados a realizar em favor dos irm&atilde;os, sem reservas nem outras motiva&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o sejam servir por amor. A Igreja de hoje, a nossa Igreja Diocesana de Coimbra precisa urgentemente de padres enviados por Deus, configurados com Cristo e animados pelo Esp&iacute;rito Santo, que se sintam alegres e felizes na realiza&ccedil;&atilde;o desta miss&atilde;o universal da Igreja.<\/p>\n<p>O mundo em que vivemos, como dizia o texto de Isa&iacute;as, espera ver em n&oacute;s aut&ecirc;nticos homens de Deus, a viver uma vida enraizada em Deus e tomada por Deus, espera ver em n&oacute;s a linhagem que o Senhor aben&ccedil;oou.<\/p>\n<p>Quantos homens e mulheres n&atilde;o aguardam, dentro e fora da Igreja, este an&uacute;ncio de salva&ccedil;&atilde;o de que somos portadores? Quantos pobres, cativos, cegos, oprimidos, n&atilde;o anseiam pela for&ccedil;a libertadora de Jesus Cristo? Quantas pessoas n&atilde;o est&atilde;o no limiar do desespero e anelam pela palavra da esperan&ccedil;a viva? Quantos n&atilde;o esgotaram j&aacute; caminhos terrenos de procura de paz e felicidade, e aguardam conhecer a nova Via, que &eacute; Cristo?<\/p>\n<p>Conclu&iacute;a o texto do Evangelho dizendo que &ldquo;estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga&rdquo;, pois viram n&rsquo;Ele o Enviado de Deus, deixaram-se comover pelas suas palavras e pelo amor que transparecia da sua pessoa. Est&atilde;o ainda hoje postos em Jesus os olhos dos homens do nosso tempo, ansiosos por ver a novidade da sua pessoa, dos seus gestos e palavras. Est&atilde;o postos na Igreja e em n&oacute;s, seus ministros, quais aut&ecirc;nticos rostos de Deus, os olhos do mundo que precisa de ver a alegria serena dos nossos cora&ccedil;&otilde;es, a paz de Deus espelhada nos nossos rostos, a f&eacute; profunda que nos move, a dedica&ccedil;&atilde;o e a entrega generosa &agrave; miss&atilde;o. N&atilde;o temos o direito de defraudar as esperan&ccedil;as que em n&oacute;s depositam, nem de ofuscar o rosto resplandecente de Cristo glorioso, o Irm&atilde;o de todos os pobres em esp&iacute;rito, ou o rosto da Igreja, a M&atilde;e atenta a todos os seus filhos. Por estas atitudes de aut&ecirc;ntica fraternidade e paternidade espiritual passa o nosso modo de ser e de agir na rela&ccedil;&atilde;o com cada pessoa e enquanto pastores das comunidades crist&atilde;s.<\/p>\n<p>Quero nesta Missa Crismal em que pela primeira vez estou no meio de v&oacute;s, agradecer ao Senhor o dom do sacerd&oacute;cio que me concedeu, participa&ccedil;&atilde;o do seu &uacute;nico sacerd&oacute;cio. Agrade&ccedil;o-Lhe todos e cada um de v&oacute;s, membros deste nosso presbit&eacute;rio de Coimbra, no qual tive a gra&ccedil;a de ser recebido em nome do Senhor. De um ponto de vista humano pode parecer uma realidade comum e de pouco significado; &agrave; luz da f&eacute;, por&eacute;m, &eacute; um maravilhoso sinal da miseric&oacute;rdia de Deus que nos ligou uns aos outros por la&ccedil;os de fraternidade e de comunh&atilde;o alicer&ccedil;ados na gra&ccedil;a do Sacramento.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m agradecer-vos irm&atilde;os presb&iacute;teros, di&aacute;conos, religiosos, consagrados, leigos, por me acolherdes como pai na f&eacute;; por estardes dispon&iacute;veis para colaborar na constru&ccedil;&atilde;o desta Igreja, segundo o mandato que todos n&oacute;s recebemos. O fogo de Deus que habita nos nossos cora&ccedil;&otilde;es e faz de n&oacute;s um povo sacerdotal nos levar&aacute; a realizar a obra que Deus nos confiou.<\/p>\n<p>Os dias que vivemos enquanto Igreja Diocesana s&atilde;o muito exigentes, por uma lado, e extremamente desafiadores da nossa f&eacute; e da nossa esperan&ccedil;a, por outro. Temos pela frente um mundo muito vasto de possibilidades que n&atilde;o podemos desperdi&ccedil;ar. A crise em que se encontra a sociedade e a crise em que se encontra a Igreja s&oacute; podem provocar um novo empenho evangelizador nos disc&iacute;pulos de Jesus Cristo. O tempo de crise s&oacute; pode ser um novo tempo de oportunidade e de gra&ccedil;a, um novo kair&oacute;s da nossa hist&oacute;ria. Neste tempo que &eacute; o nosso, urge uma nova consci&ecirc;ncia da f&eacute; e uma nova alegria do testemunho. Sem medo, havemos de dar ao mundo as raz&otilde;es da nossa esperan&ccedil;a, fundada em Cristo. E n&oacute;s, car&iacute;ssimos irm&atilde;os padres, havemos de ser os primeiros no ardor e no entusiasmo por Cristo e pelo seu Evangelho.<\/p>\n<p>No seguimento do apelo que nos &eacute; feito pela Igreja Universal, na pessoa do Papa Bento XVI, somos convidados a investir na evangeliza&ccedil;&atilde;o da Diocese e a trabalhar pelo crescimento da f&eacute; do Povo de Deus. Estou confiante no trabalho que est&aacute; a ser preparado pelo Secretariado de Coordena&ccedil;&atilde;o Pastoral e que procurar&aacute; p&ocirc;r toda a Diocese em dinamismo renovador. Pe&ccedil;o-vos, car&iacute;ssimos irm&atilde;os, que, atentos ao Esp&iacute;rito de Deus, nos abramos &agrave; novidade dos m&eacute;todos e dos meios que venham a parecer mais aptos para a cria&ccedil;&atilde;o de um novo ardor na viv&ecirc;ncia e transmiss&atilde;o da f&eacute;.<\/p>\n<p>Que nenhum pessimismo ou des&acirc;nimo se sobreponha &agrave; alegria de trabalhar dia e noite em favor da edifica&ccedil;&atilde;o do Reino de Deus. &Agrave; voz do Senhor lan&ccedil;aremos as redes ao largo, plenamente confiados no cumprimento da sua palavra.<\/p>\n<p>Desde a &uacute;ltima Missa Crismal, foi ordenado um novo presb&iacute;tero, o Jo&atilde;o Pedro, pelo que damos gra&ccedil;as ao Senhor. Faleceram tr&ecirc;s irm&atilde;os sacerdotes: o P. Pedro Marques Cantante, o P. Isildo de Jesus Costa e o P. Jo&atilde;o Maria Real, que deram a sua vida ao servi&ccedil;o desta Igreja e foram uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para este presbit&eacute;rio; que o Senhor os tenha na sua gl&oacute;ria.<\/p>\n<p>Para os irm&atilde;os sacerdotes doentes e impossibilitados de estar presentes nesta celebra&ccedil;&atilde;o vai a certeza da nossa proximidade nas horas dif&iacute;ceis e a garantia da nossa ora&ccedil;&atilde;o ao Pai, para que em tudo se fa&ccedil;a a sua vontade.<\/p>\n<p>Concluo, car&iacute;ssimos irm&atilde;os, renovando a todos o convite no sentido de oferecermos ao Senhor o sacrif&iacute;cio da nossa ora&ccedil;&atilde;o, da nossa a&ccedil;&atilde;o e das nossas vidas em favor das voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais.<\/p>\n<p>A Maria, a Rainha das voca&ccedil;&otilde;es e M&atilde;e dos sacerdotes confiamos esta nossa s&uacute;plica, para que a apresente ao Pai, fonte de todas as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os.<\/p>\n<p>Coimbra, S&eacute; Nova, 5 de Abril de 2012<\/p>\n<p>Virg&iacute;lio do Nascimento Antunes<\/p>\n<p>Bispo de Coimbra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MISSA CRISMAL &ndash; HOMILIA &#8211; S&Eacute; NOVA DE COIMBRA 2012 Car&iacute;ssimos irm&atilde;os e irm&atilde;s, fi&eacute;is em Cristo! 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