{"id":56038,"date":"2012-04-06T20:19:10","date_gmt":"2012-04-06T20:19:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/06\/homilia-do-bipos-de-lamego-da-missa-da-ceia-do-senhor\/"},"modified":"2012-04-06T20:19:10","modified_gmt":"2012-04-06T20:19:10","slug":"homilia-do-bipos-de-lamego-da-missa-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bipos-de-lamego-da-missa-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bipos de Lamego da Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>1. Com esta celebra&ccedil;&atilde;o da Ceia do Senhor, em Quinta-Feira Santa, a Igreja Una e Santa reacende a mem&oacute;ria da institui&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, do Sacerd&oacute;cio e da Caridade, e d&aacute; in&iacute;cio ao Tr&iacute;duo Pascal da Paix&atilde;o e Ressurrei&ccedil;&atilde;o do seu Senhor, que constitui o ponto mais alto do Ano Lit&uacute;rgico, de onde tudo parte e onde tudo chega, cora&ccedil;&atilde;o que bate de amor em cada passo dado, em cada gesto esbo&ccedil;ado, em cada casa visitada, em cada mesa posta, em cada pedacinho de p&atilde;o sonhado e partilhado.<\/p>\n<p>&Eacute; assim que Deus nos d&aacute; a gra&ccedil;a de caminhar durante todo o Ano Lit&uacute;rgico, dia ap&oacute;s dia, Domingo ap&oacute;s Domingo, sempre partindo da P&aacute;scoa do Senhor, sempre chegando &agrave; P&aacute;scoa do Senhor.<\/p>\n<p>2. &laquo;P&aacute;scoa&raquo; quer dizer &laquo;passagem&raquo;, e p&otilde;e em cena &laquo;passageiros&raquo;.<\/p>\n<p>Com os antigos pastores bedu&iacute;nos semi-n&oacute;madas, que preenchem a mem&oacute;ria da pr&eacute;- hist&oacute;ria de Israel, aprendemos a passar festivamente para um tempo novo, do inverno para a primavera, numa festa nocturna, ao luar, na primeira lua cheia da primavera.<\/p>\n<p>Com os hebreus, no Egipto, conforme o colorido relato do &Ecirc;xodo que hoje Deus nos deu a gra&ccedil;a de ouvir, sedentariz&aacute;mos e actualiz&aacute;mos a festa da primeira lua cheia da primavera dos antigos pastores semi-n&oacute;madas de Israel, e aprendemos a passar da escravid&atilde;o para a liberdade, que &eacute; um caminho sempre novo, nunca terminado e sempre a recome&ccedil;ar, com a cintura apertada, sand&aacute;lias nos p&eacute;s, cajado na m&atilde;o, lume novo aceso no cora&ccedil;&atilde;o. Com Jesus Cristo, aprendemos a passar do pecado para a gra&ccedil;a, da soleira da porta para a mesa, da morte para a vida em abund&acirc;ncia, da nossa casa para a Casa do Pai. &Eacute; assim que n&oacute;s, por gra&ccedil;a feitos filhos no Filho, aprendemos a ser estrangeiros e h&oacute;spedes, tranquilamente sentados em Casa e &agrave; Mesa daquele &uacute;nico Senhor que servimos e que nos diz: &laquo;Toda a terra &eacute; minha, e v&oacute;s sois, para Mim, estrangeiros e h&oacute;spedes&raquo;, como se pode ler no Livro do Lev&iacute;tico 25,23.<\/p>\n<p>3. &Eacute; a&iacute; que estamos todos, meus irm&atilde;os. A&iacute;, entenda-se, em Casa e &agrave; Mesa, hospedados. E &eacute; somente a&iacute; e da&iacute;, que podemos compreender o grande Cap&iacute;tulo 13 do Evangelho de S&atilde;o Jo&atilde;o, que Hoje ouvimos nos nossos ouvidos, e que relata em vez da Ceia Primeira um lava-p&eacute;s. Ceia Primeira, e n&atilde;o &Uacute;ltima, porque n&oacute;s continuamos &agrave; Mesa (o que &eacute; este Altar?) a celebrar esta Ceia (o que &eacute; este P&atilde;o e este Vinho?). E a recomenda&ccedil;&atilde;o atenta de S&atilde;o Paulo, que nos lembra que n&oacute;s continuamos a comer este P&atilde;o e a beber este Vinho sempre novo: &laquo;Sempre que comerdes deste P&atilde;o e beberdes deste C&aacute;lice, anunciais a morte do Senhor, at&eacute; que Ele venha&raquo; (1 Cor&iacute;ntios 11,26). Anunciar a morte do Senhor n&atilde;o &eacute;, todavia, entristecer-nos, chorar ou vestir de luto. N&atilde;o &eacute; esta a voca&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. &Eacute; preciso compreender, e &eacute; o que S&atilde;o Paulo nos quer dizer, que anunciar a morte do Senhor &eacute; anunciar a D&aacute;diva da Vida \/ por amor, \/ para sempre \/ e para todos!<\/p>\n<p>4. Mas &eacute; &agrave; Mesa que estamos, meus irm&atilde;os, nesta tarde e nesta Ceia Primeira de Quinta-Feira Santa, hospedados na Casa do &uacute;nico Senhor da nossa Vida, &laquo;Aquele que nos ama&raquo; (Apocalipse 1,5), Jesus Cristo. Reparemos ent&atilde;o bem em tudo o Ele faz e diz, porque tudo n&rsquo;Ele &eacute; exemplar e program&aacute;tico para n&oacute;s. Diz-nos o narrador atento que Jesus &laquo;DEP&Otilde;E (t&iacute;th&ecirc;mi) o manto&raquo; a abrir a cena, no v. 4, e &laquo;RECEBE (lamb&aacute;n&ocirc;) o manto&raquo; a fechar a cena, no v. 12. DEPOR e RECEBER s&atilde;o, aos nossos olhos encantados, os mesmos verbos com que, no Cap&iacute;tulo 10.&ordm;, o Bom Pastor &laquo;DEP&Otilde;E (t&iacute;th&ecirc;mi) a vida&raquo; e &laquo;RECEBE (lamb&aacute;n&ocirc;) a vida&raquo; (v. 17). Ora, DEPOR a vida e RECEBER a vida s&atilde;o a Imensa e penetrante tradu&ccedil;&atilde;o da Cruz. E entre uma e outra coisa, entre &laquo;DEPOR o manto&raquo; e &laquo;RECEBER o manto&raquo;, &laquo;DEPOR a vida&raquo; e &laquo;RECEBER a vida&raquo;, no centro geom&eacute;trico e teol&oacute;gico do lava-p&eacute;s (v. 8), a&iacute; est&aacute; a advert&ecirc;ncia solene que Jesus dirige a Pedro e a cada um de n&oacute;s: &laquo;Se n&atilde;o te lavo, Pedro, n&atilde;o tens parte comigo!&raquo; (Jo&atilde;o 13,8).<\/p>\n<p>5. &laquo;Ter parte com&raquo; Cristo &eacute; participar no seu supremo servi&ccedil;o de amor at&eacute; dar a vida para receber a vida. &laquo;Ser lavado&raquo; e &laquo;ter parte com&raquo; e &laquo;estar puro&raquo; &eacute; linguagem b&iacute;blica de ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal. Basta ler o texto do Livro dos N&uacute;meros 18,20, juntamente com os Cap&iacute;tulos 29 e 40 do Livro do &Ecirc;xodo e o Cap&iacute;tulo 8.&ordm; do Livro do Lev&iacute;tico, acerca da ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal de Aar&atilde;o e dos seus filhos.<\/p>\n<p>6. Digamos tudo outra vez, seguindo passo por passo este imenso Cap&iacute;tulo 13 do Evangelho de S&atilde;o Jo&atilde;o: no v. 4, Jesus DEP&Otilde;E o manto, com o mesmo verbo com que, em Jo&atilde;o 10,17, Jesus DEP&Otilde;E a vida; no v. 12, Jesus RECEBE o manto, com o mesmo verbo com que, no mesmo Jo&atilde;o 10,17, Jesus RECEBE a vida. No v. 4, DEP&Otilde;E o manto ou a vida. No v. 12, RECEBE o manto ou a vida. No v. 8, que &eacute; o centro geom&eacute;trico e teol&oacute;gico entre 4 e 12, Jesus lava os p&eacute;s a Pedro, e diz-lhe: &laquo;Se n&atilde;o te lavo, Pedro, n&atilde;o ter&aacute;s parte comigo&raquo;. Isto &eacute;, n&atilde;o participar&aacute;s da minha vida Dada e Recebida. Compreenda-se ent&atilde;o que este Lava-p&eacute;s n&atilde;o &eacute; um simples gesto de humildade por parte de Jesus. Este Lava-p&eacute;s &eacute; a verdadeira ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal dos disc&iacute;pulos de Jesus!<\/p>\n<p>7. Por isso, Jesus diz, num imenso dizer revelat&oacute;rio ainda a retinir nos nossos ouvidos e a ecoar em tudo o que fazemos: &laquo;Como Eu vos fiz, fazei v&oacute;s tamb&eacute;m!&raquo; (Jo&atilde;o 13,15). V&ecirc;-se bem, meus irm&atilde;os, que n&atilde;o &eacute; tanto o que se faz que interessa. Interessa muito mais o &laquo;como&raquo; se faz. O segredo &eacute; dar a vida \/ por amor, \/ para sempre \/ e para todos. Jesus &eacute; o &uacute;nico Mestre que ensina a Viver desta maneira. E &eacute; assim que fica bem &agrave; nossa vista o significado da institui&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, do Sacerd&oacute;cio e da Caridade.<\/p>\n<p>8. Que o Senhor da nossa vida nos ensine a ser fi&eacute;is ao seu dizer e ao seu modo admir&aacute;vel de fazer.<\/p>\n<p>+ Ant&oacute;nio Couto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Com esta celebra&ccedil;&atilde;o da Ceia do Senhor, em Quinta-Feira Santa, a Igreja Una e Santa reacende a mem&oacute;ria da institui&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, do Sacerd&oacute;cio e da Caridade, e d&aacute; in&iacute;cio ao Tr&iacute;duo Pascal da Paix&atilde;o e Ressurrei&ccedil;&atilde;o do seu Senhor, que constitui o ponto mais alto do Ano Lit&uacute;rgico, de onde tudo parte e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[176],"class_list":["post-56038","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-lamego"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56038","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56038"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56038\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}