{"id":56017,"date":"2012-04-05T16:05:02","date_gmt":"2012-04-05T16:05:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/05\/homilia-do-arcebispo-de-evora-na-missa-crismal-2\/"},"modified":"2012-04-05T16:05:02","modified_gmt":"2012-04-05T16:05:02","slug":"homilia-do-arcebispo-de-evora-na-missa-crismal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-evora-na-missa-crismal-2\/","title":{"rendered":"Homilia do arcebispo de \u00c9vora na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>Estimados Irm&atilde;os no Episcopado,<\/p>\n<p>Caros Presb&iacute;teros e Di&aacute;conos,<\/p>\n<p>Meus Irm&atilde;os,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todos os anos a Sagrada Liturgia nos concede a possibilidade de nos reunirmos na Igreja m&atilde;e da Arquidiocese para esta bel&iacute;ssima celebra&ccedil;&atilde;o da Missa Crismal, no decorrer da qual, os presb&iacute;teros, principais cooperadores do Bispo, evocando o dia solene da Ordena&ccedil;&atilde;o e confiantes no amor de Deus que os chamou, renovam os compromissos sacerdotais perante toda a assembleia celebrante, com o firme prop&oacute;sito de fidelidade ao dom recebido pela imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os do sucessor dos Ap&oacute;stolos. Em continuidade, seguindo as normas lit&uacute;rgicas, procederemos &agrave; b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dos &oacute;leos dos enfermos e dos catec&uacute;menos e &agrave; consagra&ccedil;&atilde;o do Crisma. Estes &oacute;leos ir&atilde;o ser usados durante o ano como sinais da gra&ccedil;a sacramental que Deus concede &agrave;queles que vierem a ser ungidos. Desta forma, pela presen&ccedil;a dos presb&iacute;teros, vindos de toda a Arquidiocese, e pela reparti&ccedil;&atilde;o dos &oacute;leos novos por todas as par&oacute;quias, se exprime simbolicamente a comunh&atilde;o entre bispo, presb&iacute;teros, di&aacute;conos e fi&eacute;is, todos eles servidores do mist&eacute;rio que os envolve e os habita, embora cada um a seu modo.<\/p>\n<p>A comunh&atilde;o que nos une n&atilde;o se fundamenta nem nos esfor&ccedil;os de colabora&ccedil;&atilde;o pastoral nem sequer no sincero desejo de amizade que todos cultivamos. Esses s&atilde;o elementos importantes na vida do presbit&eacute;rio que devemos levar a peito, questionando-nos frequentemente sobre eles, para os purificar e fortalecer. Por&eacute;m, a comunh&atilde;o de que falam o livro dos Atos dos Ap&oacute;stolos (2,42) e a Primeira Carta de S. Jo&atilde;o (1,3.6-7), traduzida pela express&atilde;o <em>estar juntos<\/em>, t&atilde;o caracter&iacute;stica da comunidade primitiva, ultrapassa o n&iacute;vel da vontade dos indiv&iacute;duos. Ela &eacute; um puro dom que vem do alto e constitui um novo modo de ser. Essa comunh&atilde;o tem por fundamento a uni&atilde;o de Jesus com os disc&iacute;pulos, chamados <em>para estarem com Ele,<\/em> e constitui um modo de participa&ccedil;&atilde;o na comunh&atilde;o com a Trindade.<\/p>\n<p>A comunh&atilde;o &eacute; um dom que se funda em primeiro lugar na gra&ccedil;a batismal. E &eacute; o Batismo que nos faz <em>estar unidos<\/em> com a Igreja dispersa pelos quatro cantos do mundo e com <em>todos aqueles que o Senhor quiser chamar (Act 2,39<\/em>). O dom da comunh&atilde;o na vida trinit&aacute;ria &eacute; concedido por Deus &agrave; Igreja e, dentro da Igreja, &eacute; dada a cada um de n&oacute;s a possibilidade de viver essa experi&ecirc;ncia de comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; este o contexto dentro do qual se entende a nossa fraternidade presbiteral, que se concretiza atrav&eacute;s da gra&ccedil;a do sacramento da Ordem e nos torna servidores da comunh&atilde;o, na esperan&ccedil;a de que, posteriormente, nos venhamos a tornar peritos em comunh&atilde;o. Mas, aten&ccedil;&atilde;o, a viv&ecirc;ncia da comunh&atilde;o presbiteral nunca poder&aacute; significar desejo de isolamento ou de promo&ccedil;&atilde;o de uma qualquer casta de segrega&ccedil;&atilde;o social. Ao contr&aacute;rio, dever&aacute; antes conduzir a uma atitude de disponibilidade para acolher o dom que nos une para o servi&ccedil;o da fraternidade universal. N&atilde;o somos irm&atilde;os em consequ&ecirc;ncia de um qualquer privil&eacute;gio a defender mas em virtude do dom da comunh&atilde;o do qual somos servidores e se h&aacute; de manifestar como sinal de unidade para o mundo.<\/p>\n<p>Assim, a comunh&atilde;o n&atilde;o &eacute; algo fechado em si mesmo. H&aacute; de ser vivida ao servi&ccedil;o da Igreja e do mundo e implica aten&ccedil;&atilde;o e abertura ao ambiente em que vivemos, com todos os seus problemas e dificuldades, de modo que apare&ccedil;a como progn&oacute;stico de uma sociedade renovada.<\/p>\n<p>Comunh&atilde;o consiste em <em>estar juntos.<\/em> Mas tamb&eacute;m h&aacute; de ser caminhar juntos. Como Abra&atilde;o que parte aberto aos planos de Deus, o bispo e os presb&iacute;teros tamb&eacute;m est&atilde;o a caminho da terra de Deus. Nisso se distingue a espiritualidade do crente da l&oacute;gica do mundo que prefere a seguran&ccedil;a e a acomoda&ccedil;&atilde;o. A atitude de caminhar juntos far&aacute; de n&oacute;s servidores do Evangelho, dispon&iacute;veis para o an&uacute;ncio pela mobilidade, que nos permitir&aacute; ir aos lugares onde o Evangelho n&atilde;o foi anunciado. E com a nossa disponibilidade evitaremos que a comunidade adoe&ccedil;a por esclerose, colocando <em>o bem das almas (CD, 31),<\/em> que &eacute; a<em> <\/em>suprema norma da a&ccedil;&atilde;o pastoral, no seu devido lugar, sem perder de vista que a dedica&ccedil;&atilde;o incondicional &agrave; Igreja implica, por um lado, perseveran&ccedil;a no cargo, mesmo &agrave; custa de sacrif&iacute;cios, e por outro, cora&ccedil;&atilde;o livre e dispon&iacute;vel para mudar quando o bem da Igreja o exigir.<\/p>\n<p>Nos nossos dias, a viv&ecirc;ncia da f&eacute; implica capacidade de comprometer a pr&oacute;pria vida com o an&uacute;ncio da Boa Nova, at&eacute; ao ponto de aceitar a expropria&ccedil;&atilde;o de si pr&oacute;prio para se tornar Corpo de Cristo. Por&eacute;m, o an&uacute;ncio da palavra, o trabalho pastoral e o servi&ccedil;o da caridade h&atilde;o de ser precedidos de uma verdadeira experi&ecirc;ncia espiritual de comunh&atilde;o e de comunica&ccedil;&atilde;o aut&ecirc;ntica e existencial, de forma a evitar que a f&eacute; fique ref&eacute;m dos programas, dos encontros e das reuni&otilde;es. Estar juntos na comunh&atilde;o de f&eacute; &eacute; premissa fundamental para alcan&ccedil;ar a sintonia na prega&ccedil;&atilde;o e no an&uacute;ncio e garantia de que o bispo e os presb&iacute;teros anunciam a mesma f&eacute; (CD, 12; 1 Cor 15,11), falam de comunh&atilde;o entre eles, pregam a mesma doutrina e vivem no mesmo contexto hist&oacute;rico. A comunh&atilde;o do an&uacute;ncio torna vis&iacute;vel a unidade. Por sua vez, o testemunho da unidade, juntamente com a uni&atilde;o dos esp&iacute;ritos e dos cora&ccedil;&otilde;es constituem o primeiro e indispens&aacute;vel elemento de evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ora, para chegar a este grau de comunh&atilde;o &eacute; preciso ter f&eacute;, confian&ccedil;a e ousadia. A ousadia de por em pr&aacute;tica aquilo que a f&eacute; nos prop&otilde;e. Certamente n&atilde;o ser&aacute; no ambiente social, eivado de materialismo e de indiferentismo religioso, que encontraremos incentivos de aud&aacute;cia para viver a comunh&atilde;o presbiteral. A nossa aud&aacute;cia tem outros fundamentos. A este prop&oacute;sito, lembro aqui a reflex&atilde;o feita pelo papa Bento XVI, no encerramento do Ano Sacerdotal, chamando a nossa aten&ccedil;&atilde;o para a<em> aud&aacute;cia de Deus que se abandonou nas m&atilde;os dos seres humanos<\/em>, apesar das nossas debilidades. E acrescenta: <em>esta aud&aacute;cia de Deus &eacute; realmente a maior grandeza que se oculta na palavra sacerd&oacute;cio<\/em>. No mundo contempor&acirc;neo, o sacerdote &eacute; <em>sinal da aud&aacute;cia de Deus e &iacute;cone da sua presen&ccedil;a na hist&oacute;ria dos homens.<\/em> Deus conjuga aud&aacute;cia com confian&ccedil;a. Ele <em>n&atilde;o tem medo de confiar uma miss&atilde;o t&atilde;o decisiva a um homem.<\/em> Sabe que vai correr um grande risco. E n&atilde;o se retrai. D&aacute; a cada sacerdote a coragem para realizar a obra extraordin&aacute;ria de <em>transformar a vida de uma pessoa<\/em> a partir<em> <\/em>do seu &iacute;ntimo pelos gestos sacramentais que produzem a gra&ccedil;a que significam.<\/p>\n<p>Deus &eacute; audaz at&eacute; ao ponto de confiar em n&oacute;s que somos fr&aacute;geis. E a n&oacute;s n&atilde;o faltam raz&otilde;es para confiar em Deus que, em Jesus Cristo nos revelou o Seu amor incondicional e est&aacute; sempre connosco para nos amparar e nos guiar no exerc&iacute;cio do nosso minist&eacute;rio. Sejamos ousados.Tenhamos a aud&aacute;cia de viver em comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute;vora, 5 de abril de 2012<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Alves, arcebispo de &Eacute;vora<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estimados Irm&atilde;os no Episcopado, Caros Presb&iacute;teros e Di&aacute;conos, Meus Irm&atilde;os, &nbsp; Todos os anos a Sagrada Liturgia nos concede a possibilidade de nos reunirmos na Igreja m&atilde;e da Arquidiocese para esta bel&iacute;ssima celebra&ccedil;&atilde;o da Missa Crismal, no decorrer da qual, os presb&iacute;teros, principais cooperadores do Bispo, evocando o dia solene da Ordena&ccedil;&atilde;o e confiantes no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[114,120,175,199,246],"class_list":["post-56017","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-sacerdotal","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-evora","tag-espiritualidade","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56017","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56017"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56017\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}