{"id":55991,"date":"2012-04-05T11:01:00","date_gmt":"2012-04-05T11:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/05\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-crismal-4\/"},"modified":"2012-04-05T11:01:00","modified_gmt":"2012-04-05T11:01:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-crismal-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-crismal-4\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<strong>&ldquo;<\/strong><strong>O minist&eacute;rio sacerdotal e a atualidade salv&iacute;fica da Igreja&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. Esta celebra&ccedil;&atilde;o, a que a liturgia d&aacute; o nome de &#8220;Missa Crismal&#8221;, embora seja a &uacute;ltima celebra&ccedil;&atilde;o do tempo da Quaresma, destinada diretamente a preparar as celebra&ccedil;&otilde;es do Tr&iacute;duo Pascal, chama-nos a aten&ccedil;&atilde;o para o facto de os acontecimentos hist&oacute;ricos da P&aacute;scoa de Jesus iluminarem a viv&ecirc;ncia presente, pela Igreja, dessa P&aacute;scoa perene, onde tudo come&ccedil;ou de novo. Nesta celebra&ccedil;&atilde;o ressalta tamb&eacute;m, em toda a sua for&ccedil;a, o mist&eacute;rio da Igreja como sacramento de salva&ccedil;&atilde;o, a dar atualidade &agrave; for&ccedil;a salv&iacute;fica da P&aacute;scoa de Jesus. Hoje celebramos o presente de Jesus Cristo, na Sua Igreja. Jesus, na Sinagoga de Nazar&eacute;, depois de ter lido o Profeta Isa&iacute;as, an&uacute;ncio da salva&ccedil;&atilde;o, conclui, referindo-se a Si pr&oacute;prio e mostrando-se como o Salvador: &#8220;Cumpriu-se, hoje mesmo, esta passagem da Escritura&#8221;.<\/p>\n<p>Hoje &eacute; a Igreja, sacramento de Jesus Cristo, que declara ao mundo contempor&acirc;neo, mesmo &agrave;queles que ainda n&atilde;o conseguem ouvir: &#8220;Cumpriu-se, hoje mesmo, a salva&ccedil;&atilde;o&#8221;; e pode diz&ecirc;-lo porque acredita em Jesus Cristo, sabe que Ele lhe deu o poder e a miss&atilde;o de tornar atual, em cada tempo, a salva&ccedil;&atilde;o dos homens.<\/p>\n<p>F&aacute;-lo como &#8220;povo sacerdotal&#8221;, porque Ele &#8220;fez de n&oacute;s um reino de sacerdotes para Deus, Seu Pai&#8221; (Apc. 1,6). Esta fecundidade salv&iacute;fica da Igreja, Povo sacerdotal, &eacute; poss&iacute;vel com a perenidade de Cristo, &uacute;nico e eterno sacerdote, a atuar nela atrav&eacute;s do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, riqueza e condi&ccedil;&atilde;o para que toda a Igreja seja Povo sacerdotal. &Eacute;, pois, compreens&iacute;vel, que, nesta celebra&ccedil;&atilde;o, os sacerdotes, aqueles crist&atilde;os que o Senhor ungiu para exercerem o sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, sejam tamb&eacute;m objeto de particular da aten&ccedil;&atilde;o. Hoje, cada sacerdote &eacute; chamado a exclamar, com o Profeta Isa&iacute;as: &#8220;O Esp&iacute;rito do Senhor est&aacute; sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a Boa Nova&#8221; (Is. 61,1).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Hoje celebramos a atualidade da salva&ccedil;&atilde;o, realizada com a for&ccedil;a da P&aacute;scoa de Cristo pela Igreja de Lisboa, na sua gra&ccedil;a sacramental, na autenticidade do seu testemunho de f&eacute;, no seu desejo inabal&aacute;vel de ser comunh&atilde;o, participando do amor da Sant&iacute;ssima Trindade. Quando nos preparamos para celebrar o 50.&deg; anivers&aacute;rio da abertura do Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico Vaticano II, &eacute; belo verificar que esta compreens&atilde;o da atualidade salv&iacute;fica de Cristo atrav&eacute;s da Igreja assenta no legado daquele Conc&iacute;lio.<\/p>\n<p>Sobressai, nessa vis&atilde;o da Igreja, a dimens&atilde;o comunit&aacute;ria. A Igreja &eacute; uma comunh&atilde;o de pessoas, e n&atilde;o um conjunto de indiv&iacute;duos, e a qualidade e a densidade dessa comunh&atilde;o recebe-a da Sant&iacute;ssima Trindade. A Lumen Gentium afirma: &#8220;A Igreja Universal aparece como um Povo que recebe a sua unidade da unidade do Pai, do Filho e do Esp&iacute;rito Santo&#8221; (LG. n 4).<\/p>\n<p>Tudo, na Igreja, tem este dinamismo de comunh&atilde;o: o Povo de Deus, que &eacute; povo sacerdotal; o sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico; a variedade dos carismas e voca&ccedil;&otilde;es que procuram viver esta realidade da Igreja. O episcopado, afirmado pelo Conc&iacute;lio como plenitude do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, n&atilde;o pode deixar de ser vivido num dinamismo de comunh&atilde;o. O Col&eacute;gio Episcopal, a que preside o Santo Padre, Sucessor de Pedro, &eacute; a express&atilde;o primordial desta comunh&atilde;o, sujeito primeiro da miss&atilde;o apost&oacute;lica da Igreja e, por isso, da sua realidade como sacramento de salva&ccedil;&atilde;o. Os presb&iacute;teros, que participam com o seu Bispo do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, constituem com ele um col&eacute;gio, exig&ecirc;ncia de comunh&atilde;o: comunh&atilde;o dos presb&iacute;teros uns com os outros, na corresponsabilidade do minist&eacute;rio; comunh&atilde;o com o Povo de Deus de que s&atilde;o pastores; comunh&atilde;o com o seu Bispo que garante a converg&ecirc;ncia com outros &oacute;rg&atilde;os de comunh&atilde;o, de modo particular com o Col&eacute;gio Episcopal a que preside o Sucessor de Pedro. Todos os &oacute;rg&atilde;os de comunh&atilde;o convergem na constru&ccedil;&atilde;o da comunh&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. A comunh&atilde;o da Igreja exige, como express&atilde;o primordial, a unidade que ela bebe na unidade do Pai, do Filho e do Esp&iacute;rito Santo. A Igreja, para ser comunh&atilde;o, deve mergulhar continuamente no mist&eacute;rio da Sant&iacute;ssima Trindade. Por isso a unidade tem de ser express&atilde;o da caridade. E a sua primeira express&atilde;o &eacute; a unidade da f&eacute;, acreditada e proclamada.<\/p>\n<p>Para n&oacute;s, sacerdotes, a proclama&ccedil;&atilde;o da f&eacute; da Igreja faz parte do nosso minist&eacute;rio sacerdotal. Isso exige que a nossa f&eacute; pessoal seja alicer&ccedil;ada na f&eacute; da Igreja. O minist&eacute;rio &eacute; um caminho de santidade pessoal. Se isso n&atilde;o acontecer, facilmente ca&iacute;mos na tenta&ccedil;&atilde;o de proclamar n&atilde;o a f&eacute; da Igreja mas as nossas perspetivas e vis&otilde;es pessoais, o que seria uma trai&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;prio minist&eacute;rio recebido. Somos enviados a anunciar a f&eacute; da Igreja, consolidada na Tradi&ccedil;&atilde;o, e continuamente garantida pelo Col&eacute;gio Episcopal presidido pelo Sucessor de Pedro. Esta fidelidade &agrave; f&eacute; da Igreja enra&iacute;za na nossa fidelidade a Jesus Cristo e &eacute; a raiz da obedi&ecirc;ncia pastoral. Esta exige de n&oacute;s que sejamos servidores de um projeto de comunh&atilde;o de toda a Igreja. A obedi&ecirc;ncia pastoral tem de ser, para os sacerdotes, uma express&atilde;o da caridade, pois n&atilde;o se trata apenas de aceitar as orienta&ccedil;&otilde;es vindas do Bispo, mas de as amar como express&atilde;o dos caminhos por onde o Esp&iacute;rito conduz a Igreja. Como toda a viv&ecirc;ncia do mist&eacute;rio pascal, pode exigir de n&oacute;s ren&uacute;ncia e apagamento de vis&otilde;es pessoais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. A comunh&atilde;o exige ainda de n&oacute;s, sacerdotes, que aprofundemos e sejamos fi&eacute;is &agrave; natureza do nosso minist&eacute;rio sacerdotal, minist&eacute;rio de miseric&oacute;rdia, como ministros de Cristo Bom Pastor. Segundo a profecia de Isa&iacute;as, somos ungidos e enviados &#8220;a anunciar a Boa Nova aos infelizes, a curar os cora&ccedil;&otilde;es atribulados, a proclamar a reden&ccedil;&atilde;o aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a proclamar o ano da gra&ccedil;a do Senhor&#8221; (Is. 61,1-2). Em cada ato do nosso minist&eacute;rio devemos expressar o amor misericordioso de Deus. &Eacute; essa qualidade do nosso minist&eacute;rio que nos credencia para sermos conselheiros espirituais, ajudando as pessoas a caminhar na busca da santidade e a caminhar com elas, como Cristo caminhava com aqueles que O seguiam. Neste aspeto, &eacute; preciso redescobrir a beleza do sacramento da penit&ecirc;ncia como sacramento da miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Car&iacute;ssimos Padres. O nosso minist&eacute;rio &eacute; um servi&ccedil;o de comunh&atilde;o. Passa por ele, em grande parte, a express&atilde;o da atualidade salv&iacute;fica da Igreja. Se formos fi&eacute;is, seremos colaboradores de Cristo na sua miss&atilde;o salv&iacute;fica, em cada tempo e em cada circunst&acirc;ncia concreta da comunidade humana.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 5 de abril de 2012<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&ldquo;O minist&eacute;rio sacerdotal e a atualidade salv&iacute;fica da Igreja&rdquo; 1. 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