{"id":55952,"date":"2012-04-03T13:26:37","date_gmt":"2012-04-03T13:26:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/04\/03\/repensar-lloret-del-mar\/"},"modified":"2012-04-03T13:26:37","modified_gmt":"2012-04-03T13:26:37","slug":"repensar-lloret-del-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/repensar-lloret-del-mar\/","title":{"rendered":"Repensar Lloret del Mar"},"content":{"rendered":"<p>Jorge Cotovio, secret\u00e1rio geral da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escolas Cat\u00f3licas <!--more--> <\/p>\n<p>Lloret del Mar, pela P&aacute;scoa, e para n&oacute;s portugueses, &eacute; sin&oacute;nimo de trag&eacute;dia. Este ano, mais um jovem morreu em viagem de finalistas.<\/p>\n<p>Duas mortes semelhantes, nestes dois &uacute;ltimos anos, n&atilde;o deixam de ser sinal de qualquer coisa de estranho. Ademais em passeio, em divers&atilde;o, em conv&iacute;vio.<\/p>\n<p>Uma viagem de finalistas, sem acompanhamento de adultos, a estes para&iacute;sos mais ou menos baratos passou a ser moda, ou seja &#8220;um valor&#8221;, de h&aacute; uns tempos para c&aacute;. Um costume que se iniciou em escolas urbanas e que rapidamente se alastrou a todas as escolas secund&aacute;rias.<\/p>\n<p>Na cabe&ccedil;a do jovem pulula o entusiasmo pela liberdade. Na sua mente, surgem espontaneamente palavras como f&eacute;rias, divers&atilde;o, liberdade, conv&iacute;vio, piscina, praia, discoteca, m&uacute;sica. Mas tamb&eacute;m na mente de muitos, n&atilde;o tenhamos d&uacute;vidas, emerge naturalmente o desejo de novas(?) experi&ecirc;ncias: &aacute;lcool, droga(s), sexo e outras.<\/p>\n<p>A mistura &eacute;, sem d&uacute;vida, <em>explosiva<\/em>. Todos sabemos que muitos destes jovens s&atilde;o bem-intencionados. E at&eacute; se comportar&atilde;o bem. Mas&hellip; est&atilde;o criadas as condi&ccedil;&otilde;es para pisar o risco e at&eacute; ultrapass&aacute;-lo.<\/p>\n<p>Entendemos os jovens que v&atilde;o. Querem, por uns dias, viver a vida &agrave; sua maneira, sem o controlo dos pais e dos professores. E quem n&atilde;o vai, n&atilde;o &eacute; moderno (e at&eacute; pode ser marginalizado pelo grupo). Todos querem ser modernos e bem vistos pelos pares (porque &ldquo;ser diferente&rdquo; &eacute; mal entendido e custa muito, at&eacute; no mundo dos adultos).<\/p>\n<p>Entendemos os pais que deixam ir estes jovens. Para os pais permissivos, &ldquo;modernos&rdquo;, n&atilde;o h&aacute; qualquer problema. At&eacute; apoiam os filhos. Para os pais mais preocupados (para n&atilde;o dizer &ldquo;mais respons&aacute;veis&rdquo;), ser&aacute; dif&iacute;cil convencer o filho ou filha a n&atilde;o ir. &Eacute; que os argumentos s&atilde;o muitos, e com palavras meigas, um beijo &agrave; mistura, e a promessa de que tudo vai correr bem, convencem mesmo. E para os pais mais desconfiados, ainda h&aacute; o argumento de que a amiga tal e o amigo tal, muito respons&aacute;veis, tamb&eacute;m v&atilde;o. E os pais cedem mesmo, confiados minimamente que tudo corre bem (o que sucede, suponho, na maioria dos casos).<\/p>\n<p>Mas quando menos se espera, <em>cai a n&oacute;doa no melhor pano<\/em>. Mesmo os jovens respons&aacute;veis, mesmo os filhos &uacute;nicos muito acarinhados pelos pais, mesmo aqueles que nada faziam prever um desastre, falham, ou s&atilde;o v&iacute;timas. E n&atilde;o sabemos, &eacute; claro, quantos outros &ldquo;desastres&rdquo; acontecem, que n&atilde;o v&ecirc;m nos jornais, mas que deixam marcas indel&eacute;veis no esp&iacute;rito e no corpo de muitos jovens, com consequ&ecirc;ncias para toda a vida.<\/p>\n<p>Urge repensar a educa&ccedil;&atilde;o. A educa&ccedil;&atilde;o de casa, onde tudo come&ccedil;a e (quase) tudo se joga: o amor e carinho dos pais desde o nascimento (desde a conce&ccedil;&atilde;o!) dos filhos; o tempo dado para o devido acompanhamento do crescimento (sem exageros protecionistas, claro); a progressiva responsabiliza&ccedil;&atilde;o das tarefas; a educa&ccedil;&atilde;o para o trabalho, para o esfor&ccedil;o, para a ren&uacute;ncia; a autoridade merecida dos pais, que inclua no l&eacute;xico quotidiano a palavra &ldquo;n&atilde;o&rdquo;; o controlo discreto da vida dos filhos (sem, contudo, asfixiar a gradual autonomia do adolescente\/ jovem); uma s&atilde; educa&ccedil;&atilde;o para a sexualidade; uma adequada educa&ccedil;&atilde;o para os valores do esp&iacute;rito (mais eficaz quando h&aacute; um testemunho de vida crist&atilde; dos pais).<\/p>\n<p>Mas a educa&ccedil;&atilde;o continua na escola. E aqui, neste lugar m&iacute;tico onde o jovem passa a maior parte do tempo &ldquo;&uacute;til&rdquo; do dia, h&aacute; que rever os valores que s&atilde;o transmitidos, n&atilde;o s&oacute; pelo projeto educativo (e neste &acirc;mbito n&atilde;o haver&aacute; muito a mudar, uma vez que l&aacute; costumam estar registados valores muito <em>bonitos<\/em>), mas pelos programas das disciplinas e, sobretudo, pelos educadores (&eacute; na sala de aula que se joga muita <em>coisa<\/em> fundamental, plasmada pela atitude do professor, pela rela&ccedil;&atilde;o que cria, pelo que diz, pelo que faz).<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m a Igreja deve ter um papel importante. Outrora era mesmo fundamental. Mas ter&aacute; de repensar as formas de n&atilde;o deixar fugir os cada vez menos adolescentes e jovens que frequentam a catequese e grupos juvenis. Talvez alguma adapta&ccedil;&atilde;o da linguagem, talvez um maior investimento da pastoral juvenil, talvez uma imagem mais alegre e verdadeira da Igreja. Talvez um melhor testemunho de vida dos crist&atilde;os e, de entre estes, dos consagrados (que, quer queiramos, quer n&atilde;o, continuam a ser a <em>imagem<\/em> da Igreja).<\/p>\n<p>Creio que duas mortes em dois anos v&atilde;o fazer repensar estas viagens. Creio que as pr&oacute;prias escolas secund&aacute;rias, em cumplicidade com as fam&iacute;lias, n&atilde;o v&atilde;o mais aceitar mais que estes passeios se fa&ccedil;am sem o acompanhamento (agrad&aacute;vel, claro) de educadores, especialmente professores. Mesmo assim podem suceder desgra&ccedil;as. Mas v&atilde;o ser, certamente, em menor n&uacute;mero. E se a montante forem incrementadas algumas das medidas, do <em>senso comum<\/em>, aqui apontadas, creio que o panorama futuro se alterar&aacute; profundamente. E deixaremos de ter tantos jovens (e familiares, e amigos) marcados negativamente por viagens que assinalam n&atilde;o s&oacute; o &ldquo;fim&rdquo; do curso, mas tamb&eacute;m o fim de muitos sonhos e, &agrave;s vezes, da pr&oacute;pria vida.<\/p>\n<p><em>Jorge Cotovio, diretor do Col&eacute;gio Conciliar de Maria Imaculada, secret&aacute;rio geral da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Escolas Cat&oacute;licas&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Cotovio, secret\u00e1rio geral da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escolas Cat\u00f3licas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[127,280],"class_list":["post-55952","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-catequese","tag-pastoral-juvenil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55952"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55952\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}